Garras de Uma Maldição
2 Capítulo 2
Pois bem...acordei, não sei quanto tempo depois, dentro de uma casa chique. Eu estava na sala da casa, muito provavelmente, considerando o fato de que eu estava deitado em um sofá. A mobília era muito bonita, e apesar de aparentar ser velha, era bem conservada. O brasão, ou o que eu suponho que fosse o brasão daquela família, estava exposto em cima da lareira acesa. Era muito bonito, por sinal. Levantei-me, devagar, e passei com os olhos pelo local. Vasos muito bem adornados, uma mesa de café muito bonita...um armário com taças de cristal, que reluziam facilmente à luz dos lampiões, e da lareira. Então eu percebi estar sem camisa, apenas com minha calça e meus sapatos, e com um pedaço de pano amarrado, cobrindo o local onde eu levara a mordida. O pano estava muito vermelho, e logo concluí que aquilo era meu sangue. Milagre era não estar morto por hemorragia.
Logo, ouvi um barulho vindo detrás de mim, e vi a porta da sala se abrindo. Uma mulher, muito bonita, e jovem, vinha em minha direção, carregando uma bandeja de prata, com um pequeno pires fumegante, e mais panos. Estes, porém, limpos.
-Oh, acordou! Como se sente?!
Acelerou o passo, e colocou a bandeja sobre a mesinha à minha frente, e então, sentou-se ao meu lado, desamarrando o pano no meu ombro.
-B...bem...ah!
-Ah, me desculpe...essa ferida estava grande mesmo...deixe-me ver...
Quando terminou de tirar o pano, calou-se. Não entendi o motivo do silêncio repentino, mas reparei que ela estava a encarar meu ombro. Olhei. A ferida estava cicatrizada. Fiquei assustado. Apesar de sentir uma dor no ombro, não havia nenhuma ferida no local! Era impossível!
-Bem como eu pensei...
Saí de meu devaneio, e olhei para a moça.
-Bem como você pensou? O que?!
-Você...ah...você sabe o que aconteceu há três dias atrás?
-Três dias atrás?! Claro que n...
Parei de falar, e tentei entender o que ela estava a me falar.
-Espera...tr...três dias...atrás?
-Sim...no parque...
-Você...está querendo me dizer...
-Sim, você ficou inconsciente por três dias.
-Meu Deus...
-Isso não é o pior...por ter sido mordido, e sobrevivido, você agpra é um deles...
-\"Deles\"...quem?!
Por um momento, ela hesitou em falar. Eu percebi isso. Então, falou:
-Dos...lobisomens...eram três que estavam me atacando, naquela noite no parque...muito...muito obrigada por me salvar...
-Eu...te salvei?
-Sim...logo que foi mordido, você se transformou em um deles, e os atacou, aos três...e então, tombou esgotado, e voltou à forma humana...eu o trouxe para minha casa, para poder cuidar de você.
Eu não conseguia assimilar direito as informações que ela me passava. Tudo estava muito confuso. E Marie?! Eu a deixara me esperando no restaurante?! Ela certamente pensava que eu estava brincando com ela! Meu emprego?! Eu sumira por três dias! Certamente, estava desempregrado.
-Hum...olha...eu...minha família...depois do que aconteceu...você...você não pode...voltar a viver...entre os humanos...normalmente...
Não sei se a grande quantidade de informações que eu recebera fizeram isso, ou foi o tempo sem comer, mas acabei desmaiando novamente. E como eu disse, isso estava apenas començando...
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