Notas iniciais
Enjoy! ; )

Prólogo

Eu havia acabado de chegar em casa, tirei os sapatos o jogando em um canto e colocando o casaco no cabideiro. Joguei a bolsa e as chaves na mesinha de canto pegando o telefone e discando o número que já sabia de cor. Ele tocou três vezes, como de costume até que uma voz familiar e doce disse o famoso “Alô”.

—Oi mãe – respondi já me jogando na velha poltrona rosa da sala do meu pequeno apartamento e prendendo o cabelo com um elástico que estava no pulso – É a Holly.

—Oi querida, quanto tempo não nos falamos. Como você está? E o Dean?— ela sempre perguntava mais do que as respostar que poderia dar.

—Estamos bem, ele foi uma viagem por causa da empresa, e eu acabei de chegar do serviço – um serviço que estava acabando comigo para ser sincera.

—Sabe que eu acho muito puxado você pegar aula em duas escolas, por que não volta pra cá? Os turnos são menores e você ganhava o mesmo que ai— ela sempre usava o bolso como um argumento.

—Já conversamos sobre isso, só conseguiria ver o Dean nos finais de semana e olhe lá – eu não aguentava mais discutir aquele assunto com ela – E teria que voltar a morar na sua casa.

E qual é o grande problema disso? O aluguel em Nova York é um absurdo, alguns minutos de carro não matam ninguém, e a ausência faz o amor aumentar.

—Lá vamos nós – joguei a cabeça para trás impaciente – Eu te liguei por outro motivo, poderia me deixar falar por apenas um minuto?

Ok— ela falou derrotada.

—Acho que Dean vai pedir a minha mão – falei animada.

Jura?!— ela se animou.

—Sim! Eu vi ele saindo de uma joalheria na semana passada enquanto voltava do serviço, a mesma joalheria que eu havia falado para ele sobre o anel que a Cecy ganhou do noivo.

Eu lembro que você havia comentado, como indireta.

—E, eu acho que funcionou – era inegável que meu sorriso era de orelha a orelha.

Minha filha— apesar da minha empolgação, a voz da minha mãe parecia cautelosa — Só não crie muita expectativa, sei que está feliz, mas pode ser outra coisa, uma outra joia, por exemplo.

—É, pode até ser – fiz uma pausa para considerar o que ela havia dito – De qualquer forma eu ficarei feliz.

Espero— ouvi um barulho no fundo que me lembrou a porta da cozinha da casa dela — A vizinha está aqui para pegar a encomenda dela, depois nos falamos querida. Um beijo!

—Um beijo, mãe – ela desligou o telefone rapidamente.

Minha mãe fazia deliciosas tortas, tanto é que meu irmão e eu resolvemos incentivá-la a vender. E isso estava funcionando muito bem, a pensão que meu pai havia deixado não podia sustenta-la por completo, e por mais que nós ajudássemos, ela resistia, fazendo assim o negócio de tortas ser uma ótima solução para o problema.

Lembrar das tortas fez meu estomago roncar, fui até a geladeira e vi que só havia dois ovos, um iogurte e o restante de um queijo.

—Preciso fazer compras – disse pra mim mesma.

Eu estaria sozinha hoje, Dean estava viajando a negócios e Cecy, minha melhor amiga havia ido visitar os pais. Resolvi que poderia comer o que quisesse, mesmo em completa solidão.

Do outro lado da cidade havia um restaurante que eu adorava de frutos do mar, o famosos Sea’s, e que por fato nenhum dos dois gostava. Seria uma ótima oportunidade de aproveitar a minha solidão forçada.

Calcei novamente os sapatos, coloquei o casaco e peguei a bolsa. O frio nova yorkino estava ameno, não nevava ainda apesar de ser novembro. Chamei o taxi como de costume e o motorista parou educadamente perto da guia. Falei o endereço e ele seguiu para o outro lado da ilha de Manhattan, a noite era frenética e apesar de não ser muito tarde, muitas pessoas já estavam no clima noturno.

Garotos, garotas, casais e turmas de amigos, eram vistos rindo e se alegrando na grande ilha. Eu gostava disso, gostava de saber que fazia parte dessa grande alegria de pessoas, mesmo estando por conta própria ali.

Eu já estava morando em Nova York há dois anos, minha família morava em Nova Jersey e aos poucos fui atraída para Nova York como qualquer outro. Eu pagava um absurdo no aluguel e meu salário nem se comparava com o de Nova Jersey, mas fui encantada pela cidade e enfim conheci Dean Thomaz, nos apaixonamos e eu resolvi que não sairia mais de Nova York.

Depois disso tudo foi se encaixando, conheci minha melhor amiga Cecily Jones, que praticamente me acolheu em sua casa quando não sabia pra onde ir e arrumei o emprego de professora em duas escolas primarias.

Eu não estava rica, porém estava feliz, e isso pra mim é o que mais importava naquele momento.

O taxi parou em frente ao Sea’s, deixei o dinheiro com taxista e desci para o meu jantar a sós. Na verdade estava pensando em apenas comprar meu jantar e voltar pra casa, havia algumas atividades e provas pendentes que provavelmente teria que deixar em ordem nesse fim de semana, e quanto antes começasse, antes terminaria.

—Boa noite – a recepcionista atendeu calorosamente – Mesa para quantos?

—Na verdade eu gostaria de fazer meu pedido e levar para casa – ela concordou e meu entregou o cardápio – Vou querer o combinado de camarão para viagem, por favor.

—Claro – ela anotou o pedido – Poderia aguardar no bar enquanto preparamos seu pedido?

—Sim, claro – me encaminhei até o bar de olho no restaurante, muitos casais entravam e saiam, um deles me chamou a atenção, pois eram muito novos, mas existia amor de qualquer idade.

Alguns minutos se passaram quando uma pessoa familiar entrou, uma pessoa familiar não, mas duas pessoas familiares, era Dean e Cecy. No começo tentei achar uma explicação logica para aquilo que eu via, porém quando a vi entrelaçando suas mãos nos dedos de Dean, percebi que eu não havia erro, minha vista era clara.

Eles riam e sentaram juntos, não notaram minha presença, o garçom trouxe meu jantar, mas minhas pernas não respondiam a qualquer movimento, meus olhos estavam fixos em apenas dois pontos daquele restaurante, e um misto de fúria e tristeza invadiu meu peito, eu queria chorar, mas não conseguia, queria gritar, mas não conseguia, eu queria fazer qualquer coisa ao invés de ficar ali parada olhando os dois trocarem caricias, mas eu não conseguia.

—Senhorita – a recepcionista que antes estava na entrada chamou minha atenção – A senhorita está bem?

Eu estava bem? Não, a resposta era obvia, sentia meus olhos queimarem, não queria chorar, não queria derramar uma lágrima por aqueles dois e passar vergonha na frente de todos, porém um lado meu queria ir lá e esfregar aquela comida que eles diziam odiar na cara deles.

—Senhorita? – ela novamente me chamou e algumas pessoas olharam para mim, o que fez desencadear um excesso de olhares, inclusive dos dois traidores.

Dean se levantou de súbito e Cecily arregalou os olhos. Eu entreguei a comida que pra mim já não me faria mais satisfeita para a recepcionista e apertei meu passos para saída.

—Holly! – ouvi Dean gritar, mas não virei.

—Holly! – agora era a voz de Cecily, não me virei.

Assoviei o mais alto que pude e um taxi logo parou. Senti uma mão me puxar e era Dean, como uma resposta involuntária pela vergonha e meus olhos cheio de lagrimas dei um tapa em seu rosto e entrei no taxi.

—Para o bar mais perto que o senhor conhecer – disse pro motorista antes de desatar em prantos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.