Garotos
11 Capítulo 9 . O Garoto de Manto Negro
Notas iniciais
Antes de tudo, uma palavra da Takoyaki. Pois é, eu estava lendo um livro (Zumbis x Unicórnios), pirando com a primeira história do Time Unicórnio (FUCK YEAAAH!), quando eu me deparo com a primeira história do Time Zumbi. MANOLO, aquilo era um romance gay de um humano com um tipo de zumbi? Foi muito legal! A narrativa da autora é como se você fosse o personagem, em vez de ser o garoto mesmo. E ele se chamava Phillip (e não era a moeda do Cosmo! /piadinha infame) e se apaixonava pelo Jack. OMG! Amei aquela história ♥
Anyway, aqui está o capítulo, dedicado à minha Kaaryu que precisa sair logo daquele castigo.
Boa leitura!
Tema: Megane (Garoto de óculos)
Gabriel era popular, impossivelmente popular. Os garotos do primeiro ano descreviam-no como o deus grego da Academia Saint John. Seus cabelos alourados caíam em ondas patê seu pescoço, emoldurando-lhe o rosto ligeiramente quadrado. Os olhos azuis emanavam uma sensação de aconchego e gentileza, que causava arrepios em todos. A estrutura de seu corpo era forte, mas não chegava a ser musculoso, de forma que o uniforme, folgado em muitos outros, caía-lhe muito bem. A pele demasiadamente clara não possuía qualquer imperfeição.
Entretanto, Gabriel, como todos os outros garotos, tinha seus segredos; e o maior de todos era sua fascinação pelo oculto. Sempre arrumava uma desculpa para, depois das aulas, colocar seu manto negro e ir ao clube de ocultismo. Ele sabia fazer círculos mágicos, recitar maldições antigas, conhecia todos os tipos de demônio que existiam. Os garotos do clube mantinham seu segredo, uma vez que Gabriel era o veterano mais respeitado daquele lugar.
Assim, ele vivia seu dia-a-dia, sem se preocupar em ter sua vida social e seu passatempo estragados. Até conhecer o aluno novo que adentraria o clube de ocultismo.
Seu nome era Henry, e estava no primeiro ano do colegial. Nunca havia sido fanático pela magia negra, até começar a se interessar pelos quadrinhos japoneses, em especial aqueles que falavam sobre o oculto, demônios e seres malignos. Seu coração acelerava a cada parágrafo que lia sobre os monstros das trevas que viviam no mundo humano. A cada momento, Henry tornava-se mais um membro do círculo dos amantes do oculto.
Ele não, de fato, o tipo classificado como atraente. Seus olhos escuros estavam escondidos, atrás das lentes de grau de seus óculos grande demais para seu rosto. O cabelo desalinhado e o uniforme ligeiramente desarrumado davam um ar de irresponsabilidade no garoto – apesar de a verdade ser que ele não sabia como arrumar aquelas roupas.
No primeiro momento, Gabriel viu aquele garoto como apenas mais um nerd, como a maioria do clube de que fazia parte. Apenas mais um, pensou com um ligeiro sorriso no rosto. Entretanto, no dia em que Henry acordou atrasado para a escola, Gabriel não resistiu ao que viu. Ele andava pelo corredor, em direção à sua sala de aula, quando o menino foi de encontro a ele, enquanto corria. Seus óculos foram ao chão, assim como ele. Gabriel surpreendeu-se e abaixou-se para alcançar o par de lentes do garoto e ajudá-lo a levantar.
- Obrigado – sussurrou Henry, mirando o veterano com seus olhos escuros.
O mundo parou por um instante para Gabriel. Que belíssimos olhos eram aqueles, que o encaravam tão puramente? Eram grandes e arredondados, como nunca vira igual. Brilhavam à mais leve luz e, de alguma forma, pareciam estar eternamente úmidos. Apesar de sua aparência sugerir que a primeira parte que lhe interessava em um garoto fosse o corpo ou a bunda, a verdade era que Gabriel era apaixonado por olhos. Todos os seus ex-namorados, deve-se admitir, possuíam orbes tão límpidos quanto o céu, tão puros quanto a natureza, tão brilhantes quanto a água.
Henry puxou seus óculos das mãos do veterano e colocou-os novamente no rosto, encerrando o momento de magia do mais velho.
Gabriel piscou uma, duas, três vezes, até voltar à realidade. Ele pediu desculpas, limpou a garganta e continuou a caminhar. Contudo, a visão daqueles olhos perfeitos não deixava sua mente. Teve que se conter para não atacar o menino no meio do dia.
Naquela tarde, no clube de ocultismo, os olhos azuis de Gabriel não se afastavam de Henry. Eles o seguiam aonde quer que fosse. De vez em quando, o menino sentia-se incomodado e lançava olhares desconfortáveis para o mais velho, que, ainda assim, não conseguia deixar de mirar aquele garoto de olhos tão belíssimos, escondidos por lentes grossas.
Depois da reunião do clube, Gabriel pediu que Henry ficasse. O garoto suspirou alto e olhou, cansado, para o mais velho. Estava desconfortável, e tudo o que queria fazer no momento era ir para seu dormitório. Gabriel sorriu.
- Desculpe pela indelicadeza, Henry – disse. – Eu acabei te encarando o tempo todo, não foi?
O garoto sorriu sem jeito e balançou a cabeça negativamente, mentindo.
- Não foi nada, veterano – então, virou-se. – Se era só isso que você queria comigo, eu estou indo.
No entanto, quando agarrou a maçaneta da porta, pronto para abri-la, uma mão posicionou-se contra a superfície de madeira. Henry levantou seus olhos para o braço forte ao seu lado e, depois, virou-se para o mais velho, que lhe lançava um olhar diferente do usual, um tanto nublado.
- Henry... – Gabriel aproximou-se do mais novo e selou-lhe os lábios finos.
O mais novo primeiramente assustou-se, depois colocou suas mãos sobre o peito do veterano e o afastou de si, arfando, o coração batendo rápido. Seus olhos, pequenos atrás das lentes, estavam arregalados o máximo possível.
- O que está fazendo? – indagou.
Gabriel contraiu as sobrancelhas, confuso.
- Beijando você, oras. O que mais? – respondeu.
- Não! Quero dizer, por que fez isso? Eu não aceitei nada disso, veterano. Eu não gosto de você dessa forma.
- Você não gosta de mim? – a voz do mais velho revelava perplexidade. – Por quê? Eu sou o garoto mais popular e bonito dessa escola.
- Mas você não é sincero com todo mundo, veterano. Você nunca contou a eles que estava no clube de ocultismo – Henry virou-se e abriu a porta, deixando o cômodo. – Eu não gosto de pessoas falsas.
A porta fechou-se, e o veterano encontrou-se sozinho na sala do clube. Pela primeira vez, Gabriel teve seu coração partido. Doía. Era uma dor que ele nunca havia sentido.
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Os garotos se aglomeravam no auditório do prédio do ensino médio, curiosos, comentando sobre o papel que encontraram no mural da escola.
“Haverá um importante anúncio à tarde, no auditório do prédio do ensino médio. Atenciosamente, Gabriel”.
Sendo ele o garoto mais popular daquele lugar, o lugar lotou, e poucos foram os alunos que não foram ao evento.
Gabriel estava no palco, um microfone em sua mão. Seus olhos azuis correram pelo auditório, à procura de certo rosto. Mas não o encontrou. Suspirou. Henry, quem ele mais queria que fosse, não havia ido, e, a cada hora, seu coração quebrava-se ainda mais. Limpou a garganta e começou:
- Obrigado pela presença de todos vocês. A verdade é que eu preciso confessar uma coisa aos alunos da Academia Saint John. Por muitos anos, eu escondi de vocês uma das minhas maiores paixões, algo que muitos de vocês consideram nerd e chato.
A expectativa aumentava ainda mais entre os garotos. Todos queria conhecer o grande segredo de Gabriel, seus corações pulando de expectativa.
- Eu... Eu faço parte do clube de ocultismo e sou apaixonado pela magia negra! – o garoto gritou a plenos pulmões.
As expressões confusas foram se difundindo entre os meninos no auditório. Eles lançavam entre si olhares confusos, perdidos. O garoto mais popular daquela escola gostava de ocultismo, de magia negra. O que havia de mais nisso?
Na porta do auditório, um rosto tímido e levemente rubro mostrou-se. Os olhos azuis de Gabriel foram atraídos para aquela figura, um sorriso esboçando-se rapidamente em seu rosto belíssimo. Fitando fixamente aquele ponto, o veterano caminhou em direção à porta, seguido pelos rostos dos demais.
- E aqui está quem me fez confessar tudo o que venho escondendo.
Gabriel segurou o manto negro com o qual o garoto estava vestido, para que ele não fugisse, e o segurou fortemente em um abraço, logo em seguida. Os garotos aglomerados no auditório lançaram olhares surpresos em direção ao menino nos braços do veterano.
- Ei, Henry – Gabriel sorriu para o mais novo -, eu não sou mais o tipo de pessoa falsa que você odeia. O que acha de tentar me namorar? Eu prometo nunca mentir para você.
Henry viu todos aqueles olhares direcionados para ele e enrubesceu. Como ele poderia negar? Ainda mais que Gabriel era, de fato, um deus grego. Ele limpou a garganta, abaixou a cabeça e sussurrou para apenas o veterano ouvir:
- Sim.
O mais velho abriu o mais alegre e belo sorriso de sua vida e apertou ainda mais o garoto em seus braços. Então, ele tirou seus óculos e admirou seus olhos apaixonantes, entorpecentes e viciantes. Seus lábios rosados encontraram-se com os finos de Henry, e eles se beijaram, as línguas dançando em suas bocas. Os garotos no auditório assistiram a toda a cena e, ao fim, aplaudiram alto e forte.
Gabriel não deixou de ser popular nem o garoto mais bonito da escola. Ele continuava com a mesma vida que sempre tivera, exceto por um detalhe. Ele pertencia, naquele momento, a certo menino de óculos, o qual sempre vestia um manto negro, na expectativa da confissão de amor deste.
Notas finais
Obrigada por ler, espero que tenha gostado.
Takoyaki ~ Bolinho de Polvo.
Próximo: O Garoto de Duas Faces.
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