Garotos
20 Capítulo 15 . O Garoto com um Laço no Cabelo
Notas iniciais
Ah, e Errol é o nome de um dos meus personagens favoritos de um livro que estou lendo: O Falso Príncipe. GOD ELE É LINDO! Mas é bem diferente do meu Errol. No livro, ele parece um elfo e tem 20 anos, HAHAHA
Espero que gostem!
Boa leitura~
Tema: Amigos de infância
Leon era um garoto alemão e, se não fosse pela Academia Saint John, nunca teria conhecido Errol, que antes morava no País de Gales. Desde quando tinham apenas quatro anos, estudavam na mesma sala, embora só houvessem tornado-se amigos quando completaram sete anos. Durante esse intervalo de três anos, Errol era popular entre os meninos, que sempre o chamavam para brincar de pega-pega ou esconde-esconde, enquanto Leon gostava de empilhar os blocos e fazer somas de matemática.
Todavia, um dia, quando tinham sete anos, Errol se machucou durante uma corrida e teve que ficar na sala de aula, enquanto seus amigos brincavam do lado de fora. Assim, ele conheceu Leon, que o chamou para empilhar blocos. Juntos, eles montaram castelos e os destruíram ao fingirem ser monstros terríveis que queriam sequestrar as princesas. Após esse dia, Errol preferia ficar dentro da sala com Leon a sair, correr e ficar suado.
Eles cresceram juntos e não desgrudavam um do outro. Leon sabia tudo sobre Errol, e este, tudo sobre aquele. Eram como irmãos de mães diferentes, como cola, como uma panela e sua tampa, como manteiga de amendoim e um sanduíche. Nada ficava entre Errol e Leon.
Eles tinham outros amigos, obviamente, mas a nenhum contavam tantos segredos quanto um ao outro. Era uma amizade belíssima a deles.
Até que outro sentimento fosse cultivado no peito de Leon.
De alguma forma desconhecida por ele, apaixonou-se por aquele garoto de cabelos negros e ondulados, de olhos azuis e brilhantes, de pele clara como uma folha de papel; e parecia odiar-se por isso. Algo dentro dele avisava sobre o perigo daquele sentimento, que este haveria de acabar com aquela amizade tão bonita.
Assim, Leon começou a manter certa distância de Errol. Apenas para que este não percebesse aqueles sentimentos impuros, aquele bater mais forte de coração sujo, aquela vontade imunda de querer tê-lo em seus braços.
Dessa forma, também, Errol conheceu Alec, e os dois começaram a andar juntos. Na época, Errol estava triste por Leon não falar mais tanto com ele, como antigamente. Seu coração doía de uma forma péssima, terrível, odiosa; e Alec estava na mesma sala dele, poucas carteiras à frente. Um dia, durante o intervalo, o louro levantou-se e se aproximou do garoto.
- Ei, é Errol, não é?
O moreno concordou com a cabeça, lançando seus olhos a Alec, que apenas sorriu. Eles começaram uma conversa sobre algum assunto qualquer com o qual conversas se iniciam. Tornaram-se amigos, e Errol tentou esquecer-se, ainda que apenas um pouco, de Leon estar afastado dele. Nunca imaginou que fosse conseguir se dar tão bem com Alec, que era conhecido por costurar todos os tipos de vestidos e sair para a cidade comercial vestindo-os.
Errol também nunca imaginou que se interessaria por aquele tipo de roupa. Não por vestidos de babados, na verdade – eles eram pomposos demais -, mas por saias colegiais, vestidos simples, maquiagem e, principalmente, fitas para o cabelo. Seus fios negros eram ligeiramente longos, ultrapassando-lhe os ombros com facilidade, o que possibilitava o uso daqueles enfeites.
Um dia, Errol saiu do quarto de Alec usando uma saia quadriculada, uma camisa de botões, um salto baixo e um laço vermelho prendendo o cabelo. Treinara com o louro em como andar com aquele tipo de sapato e, naquele momento, desfilava pelos corredores do dormitório, um a frente do outro, o quadril a jogar-se de um lado ao outro, os cabelos a balançar em perfeita sincronia com o corpo. Todos os olhares estavam voltados para Errol – inclusive o de um garoto de cabelos louros, ondulados, e olhos verdes, que atendia pelo nome de Leon.
Após as aulas do dia seguinte, Errol correu ao quarto de Alec e pediu ao louro que o maquiasse mais uma vez. Passou base, blush, rímel e brilho labial. Era algo simples, mas que fazia os olhos do moreno brilharem de fascinação. Então, Alec deu-lhe um conjunto de roupas que fizera para Errol. Eram uma camiseta regata, que colava-se ao corpo, demarcando-lhe as curvas de sua cintura fina, um short curto, que mal alcançava-lhe a metade da coxas grossas e um casaco de pano, com as mangas compridas demais. Para completar, Alec pôs uma fita cor-de-rosa, em forma de laço, no cabelo do menino e calçou um salto – alto, dessa vez — nos pés pequenos.
Errol levantou-se. Estava idêntico a uma garota.
De alguma forma, todos os garotos daquele dormitório já conheciam a linda “garota” que deixava o quarto de Alec (as notícias voavam pela Academia Saint John). Havia muitos deles reunidos no corredor estreito e, quando Errol deixou o cômodo, inúmeras câmeras tiraram fotos suas. Ele sorriu, acenou e continuou a caminhar pelo prédio.
Logo, alcançou o lado de fora, e o vento frio tocou-lhe a pele desnuda das pernas e do rosto. Uma confusão de garotos vinha por trás, com câmeras e celulares. Errol até estava gostando de toda aquela fama, pois estava sentindo-se sozinho. Seu melhor amigo, com quem passara toda a infância, não falava mais com ele como gostaria. Eram apenas cumprimentos de colegas de classe, o que quebrava o coração do menino a cada dia.
Ele precisava daquilo: chamar a atenção de alguma forma; e, logo, a pessoa com quem mais queria conversar surgiu pela porta abarrotada de garotos.
- Leon, boa noite! – cumprimentou-o.
Leon aproximou-se do moreno e tocou-lhe o braço coberto pelo casaco. Havia um olhar de surpresa estampado em seu rosto másculo.
- Errol... Por que está vestido... Assim? – disse pausadamente, como se fosse complicado proferir aquelas palavras.
O moreno moveu o corpo de um lado para o outro, mostrando a roupa ao garoto, um sorriso desenhado em seus lábios molhados de brilho.
- Fica bom em mim? – indagou.
Leon não sabia o que dizer, o que pensar, como reagir. Antes, ele sabia tudo sobre aquele menino à sua frente; sabia seu sorvete favorito, seus videogames favoritos, seu prato favorito, seus filmes favoritos, seus livros favoritos; sabia sobre seu irmão mais novo, seu irmão mais velho, seus pais, seus avós. Assustava-se, porém, em descobrir que não sabia responder uma pergunta simples sobre daquele menino: por que ele estava vestido daquela forma?
Leon levou sua mão à boca e abaixou o rosto. Seu corpo caiu sobre o banco de mármore do pátio. Sentia vontade de chorar, de gritar consigo mesmo. Seu coração estava partindo-se em inúmeros pedaços porque culpava-se por aquilo: por não conhecer a nova vida da pessoa de quem gostava.
Errol preocupou-se com o estado de seu amigo e virou seus enormes olhos azuis para ele, ajoelhando-se à sua frente.
- Leon, o que foi? Está se sentindo mal?
O louro não aguentou. Seus braços agarraram o corpo de Errol e apertaram-se contra seu corpo. A cabeça afundou-se entre os fios negros do menino, até que seu nariz tocasse-lhe o pescoço alvo. Podiam ouvir os garotos na porta do dormitório reclamando, dizendo o quanto Leon era sortudo.
- Eu me afastei de você, Errol – sussurrou, algumas poucas lágrimas a molhar-lhe as bochechas. Finalmente percebera o que fizera. – Eu não sei mais tudo sobre você. Era para sermos melhores amigos e, agora, estamos afastados. O que eu fiz, Errol? O que eu fiz?
Os braços finos do moreno agarraram as costas do garoto.
- Por que você se afastou, Leon? – os olhos de Errol brilhavam por causa das lágrimas que seguravam. – Eu também não sei mais tudo sobre você.
O alemão afastou-se de seu amigo e mirou-o nos olhos, seus braços nos ombros finos dele, os dele na cintura do outro.
- Eu tive medo. Tive medo de perder você – disse, enfim. Contar-lhe-ia, finalmente, o porquê de, paulatinamente, ter deixado um espaço vazio ao seu lado. – Não queria que nossa amizade acabasse, porque eu simplesmente fui me apaixonar por você!
Errol segurou uma risada.
- Sabe, isso é uma das coisas que eu mais odeio. Essas conclusões apressadas que todos tiram. Uma vez, eu li em um livro que, se você tirar muitas conclusões apressadas, vai parar em uma ilha no meio do oceano, sem ter como voltar para o caminho que seguia – ele desvencilhou-se das mãos de Leon e levantou-se. – Por que nunca lhe ocorreu que eu também pudesse gostar de você?
Leon arregalou os olhos. Errol lembrou-se dos garotos na porta e puxou seu amigo pelo pulso, arrastando-o pelos corredores do dormitório, enquanto seus saltos faziam barulho contra o piso. Errol dormia sozinho em seu quarto, porque havia um número ímpar de garotos naquele prédio – e ele, naquele momento, agradecia mentalmente por isso. Jogou Leon dentro do quarto e trancou a porta atrás de si.
- Errol... O que está... – mas não completou a frase.
Os lábios do moreno cobriram-lhe os seus, e sua língua os partiu, adentrando a boca de Leon, que correspondia ao beijo. Em pouco tempo, separaram-se.
- Podemos continuar a ser melhores amigos e começar a ser namorados. O que acha, Leon?
Aquilo era simplesmente perfeito. Leon estava ligeiramente arrependido de ter tirado aquelas conclusões bobas. Errol correspondia aos sentimentos que julgava impuros, o que o deixava radiante.
Beijaram-se mais uma vez enquanto cambaleavam em direção à cama. Errol caiu sobre o colchão macio, e Leon pôs-se sobre ele. Lançavam sorrisos bobos um para o outro e, então, continuaram a beijar-se. Selares de lábios, beijos apimentados e quentes, havia uma variedade de beijos trocados pelos meninos. Talvez fosse uma forma de eles acabarem com a saudade que os consumira durante o tempo em que estiveram separados, com o mar das conclusões apressadas entre eles.
Leon jogou-se de lado na cama e mirou os olhos grandes, brilhantes, azuis e hipnotizantes de seu melhor amigo e namorado, os quais também o fitavam. Era como se os dois estivessem a se comunicar por olhares, por piscadas, por cílios a tremelicar ao vento produzido pelo ar-condicionado.
A mão do alemão alcançou a bochecha de Errol, que fechou seus orbes com aquele contato. Tão singelo, tão leve, tão significante. Estavam próximos um do outro mais uma vez, podiam tocar-se e conversar. Não havia mais um oceano inteiro que os separava, que os impedia de estar juntos. Estavam um ao lado do outro, como irmãos de mães diferentes, como cola, como uma panela e sua tampa, como manteiga de amendoim e um sanduíche.
Então, eles continuaram com aquela troca de beijos, olhares e toques, apenas para terem certeza de que estavam juntos, de que não era um sonho, de que nada havia entre eles.
Nada ficava entre Errol e Leon.
Notas finais
Então, o que acharam? Espero que tenham gostado!
Até a próxima,
Takoyaki ~ faço o Leon e o Errol espremerem o limão depois 8D
Próximo: O Garoto com Ciúmes do Mundo
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