Garotas crescidas não choram
1 "Big girls don't cry" - Fergie
Ela não poderia imaginar que o dia terminaria daquele jeito.
Tinha até mesmo feito planos para aquela noite.
É bem verdade que não eram grandes planos... Nunca eram; mas, mesmo assim, ela gostava da sensação reconfortante de poder contar com aqueles pequenos planejamentos.
Sim, era desse jeito que ela gostava. Pequenos planejamentos. Sempre a curto prazo. Planos que, se cumpridos, seriam ótimos; mas, se não concretizados, não fariam grande diferença em sua vida.
Se tinha algo que Felícia detestava era a pressão dos planejamentos que pareciam determinar uma vida. Ela realmente odiava sentir-se presa, não queria ver-se obrigada a seguir um plano, alcançar uma meta, ter seu destino traçado.
Felícia queria acreditar que controlava a própria vida. Na verdade, ela precisava crer nisso. De alguma forma, pensava que sua felicidade dependia disso.
Era compreensível que ela pensasse assim.
Durante boa parte de sua vida, não pareceu ter controle sobre a própria existência. Sua mãe fora bailarina na juventude; mas, em virtude de uma lesão no joelho direito, teve de abandonar o que poderia ter sido uma promissora carreira. Frustrada com o sonho não concretizado, a mãe depositou suas expectativas na filha. Desde muito nova, Felícia passou a frequentar aulas de balé e logo se notou que a menina realmente tinha talento para a dança. Isso fez com que sua mãe logo criasse os mais diversos planos para a garota que, tão jovem, já via seu futuro sendo desenhado sem que ela pudesse opinar a respeito.
O pai de Felícia era um poderoso e bem-sucedido empresário. Sendo Felícia a única filha do casal, tornava-se óbvio que ela fosse sucessora natural do pai nesses negócios de família. Porém, o que fizera com que ela se tornasse herdeira de tudo o que seu pai construíra, sendo a indicada para ocupar seu lugar no momento adequado, tinha sido a inteligência e perspicácia da garota, que tão nova já se demonstrava uma pessoa de natureza curiosa e possuidora das características ideais para seguir os passos do pai.
De fato, a menina era um prodígio. Na escola, suas notas eram altas; os professores a admiravam. Dois tios e um primo de Felícia eram advogados e possuíam um escritório. Trabalhavam para o pai de Felícia. Alegavam eles que a jovem poderia seguir uma carreira jurídica; ela tinha potencial para tanto. Queriam dar a ela o poder de escolha, para que a menina não tivesse de ficar necessariamente entre as opções que os pais lhe ofereciam: Bailarina, na visão da mãe; administradora, de acordo com o pai.
No colégio, por ser tão boa aluna, logo se dizia que ela deveria tentar a Medicina. A carreira médica parecia casar perfeitamente com quem ela era. Uma jovem tão inteligente, perfeccionista, preocupada com as outras pessoas... Ora, parecia talhada para essa profissão.
Entretanto, havia alguns que achavam que Felícia, devido à sua grande facilidade em aprender novas línguas, deveria ser diplomata. Ou então tradutora de livros, já que ela adorava ler. Talvez jornalista, porque escrevia tão bem... Arquiteta, porque sabia construir espaços. Engenheira, porque ela tinha o hábito de montar e desmontar objetos, movida pela curiosidade de conhecer seu funcionamento...
A verdade era que Felícia tinha muitas aptidões. E realmente parecia que ela poderia ser o que quisesse; faltava apenas descobrir qual profissão estaria mais bem adequada a ela, de modo que se pudessem aproveitar todas as suas muitas qualidades.
Todos que a conheciam pareciam querer opinar. Era uma garota muito especial, não era sempre que se via alguém assim... Ela devia seguir esse caminho; diziam uns... Não; que absurdo, com talentos assim, ela precisava seguir esse rumo; falavam outros... Imagine; argumentavam uns terceiros... Felícia tinha mesmo era de seguir essa linha...
Muitas eram as opiniões, sugestões, conselhos. Felícia cresceu assim, sempre ouvindo do mundo o que seria melhor para ela.
Entretanto, Felícia sequer sabia o que queria.
Em um primeiro momento, ela não se preocupou em saber. Parecia-lhe simplesmente natural que seu destino fosse resolvido por adultos; pessoas maduras e experientes que saberiam de sua vida mais do que ela mesma.
Porém, à medida que foi crescendo e, em especial, durante sua adolescência, Felícia começou a compreender o fardo que era viver de acordo com expectativas alheias, sem saber ao certo o que queria, o que buscava.
Foi por isso que, ao completar dezoito anos, a jovem tomou uma decisão que a todos pegou de surpresa. Felícia, no dia do seu décimo oitavo aniversário, levantou-se bem cedo de sua cama, arrumou uma pequena mala, na qual levava apenas alguns poucos e básicos pertences, e foi embora. Deixou sua casa e sua vida para trás, explicando sua abrupta partida em poucas linhas.
Escrevera apenas: “Preciso viver. Quando descobrir quem sou, eu volto”.
Ela não odiava os pais, não odiava as pessoas que sempre se intrometeram tanto em sua vida. Todavia, ela odiava essa vida. Era hora de mudar.
Levou consigo algumas economias que tinha guardado ao longo dos anos. Nunca havia pensado em abandonar tudo assim; tinha sido uma ideia repentina que tivera naquela manhã, mas que resolvera levar até o fim.
Não se arrependeu. Ao tomar um ônibus, o primeiro que lhe apareceu pela frente, sem ter qualquer noção do lugar para onde se dirigia, Felícia sentiu-bem. Imaginou que fosse essa a sensação de estar livre.
Rodou por muitos quilômetros assim, sem rumo algum. Quando finalmente decidiu que havia chegado a algum lugar que lhe interessava, já estava muito distante de seu antigo lar. No entanto, não se importava. Dentro de si, crescia cada vez mais o sentimento de liberdade. Ela apegava-se e fazia dessa sensação sua prioridade.
Com as poucas economias, encontrou um lugar para morar. Era um pequeno quarto, que dividiu com outra moça, em uma pensão no centro da cidade. Com ajuda da companheira de quarto, encontrou trabalho em uma lanchonete. Ficou um tempo por lá, mas apenas até sentir que valia a pena. Tinha sido interessante, diferente. E Felícia tinha a habilidade de se destacar rápido. Ela logo tinha se tornado uma excelente funcionária. Quiseram promovê-la a gerente. Foi quando ela decidiu que era hora de ir embora.
Mudou-se de cidade. Não sabia para onde queria ou devia ir. Deixava-se guiar pelo vento. Ela iria para onde ele a levasse. Sentia-se leve assim, como se não tivesse correntes, âncoras, amarras... Sim, ela era livre.
A cada cidade por onde passava, Felícia descobria novas habilidades. Trabalhou em floriculturas, creches, mercados, oficinas mecânicas, lojas de brinquedos, restaurantes...
A história era sempre a mesma. Ficava no lugar somente até achar que havia sido o bastante. Nunca se deixava ficar por tempo demais. Não criava laços muito fortes nem com o local, ou com o emprego, ou com as pessoas que conhecia.
Tudo lhe trazia experiências fantásticas e conhecer tanta gente nova era maravilhoso. Mas Felícia tinha para si a ideia de que só era maravilhoso porque ela se deixava fluir por entre essas experiências. A partir do momento em que ela se prendesse a alguma delas, tudo se perderia. Ela deixaria de ser correnteza, ficaria represada. Não poderia permitir que isso ocorresse.
Era dessa forma que Felícia acreditava ter o controle sobre sua vida. Porém, a vida gosta de pregar peças. Quando se pensa tê-la desvendado, ela surpreende, mostrando que nunca se deve subjugá-la.
Felícia estava em uma pequena cidade, trabalhando na única biblioteca do local.
A biblioteca era bastante vazia. Felícia ali tinha muito tempo e espaço para ouvir os próprios pensamentos.
Entretanto, ela não fazia muita questão de ouvi-los. Preferia gastar seu tempo lendo; um de seus passatempos preferidos.
Ali, tinha uma coleção vasta de obras à sua disposição. Seria capaz de passar dias ali, apenas lendo.
Mas quis o destino que não fosse bem assim.
Em uma tarde chuvosa, Felícia via-se compenetrada em sua leitura, quando ouviu o barulho de passos. Aquilo era uma novidade; era raro alguém aparecer na biblioteca, ainda mais em um tempo como aquele.
A garota ajeitou os óculos e ficou olhando na direção da porta, para ver quem vinha lá.
Então, um rapaz entrou de supetão, bastante molhado. Ele trazia um casaco sobre a cabeça, como se houvesse tentado se proteger da tempestade assim. A julgar pelo estado em que trazia suas roupas, a estratégia não tinha funcionado muito bem.
Ele se aproximou do balcão onde estava Felícia, que observava com descontentamento a trilha molhada que ele ia deixando pelo chão.
Já próximo a ela, o rapaz sacudiu os cabelos molhados, com se tentasse, assim, secá-los um pouco. Com isso, ele conseguiu trazer ao rosto da jovem uma visível expressão de reprovação, pois, com esse gesto, ele conseguiu molhar vários livros ali próximos.
— Boa tarde. Há algum banheiro aqui que eu possa usar...?
Felícia lançou ao rapaz um olhar duro, arqueou a sobrancelha e, por fim, apontou a direção:
— Final do corredor, à esquerda. – ela limitou-se a dizer, por trás dos sóbrios óculos.
O jovem sorriu amigável, mas não obteve o mesmo em retorno. Deu de ombros e seguiu seu caminho. Felícia, por sua vez, tratou de ir atrás de algo que pudesse usar para secar o chão. Assim, estava ela absorta nessa tarefa, quando o rapaz regressou, com uma aparência melhor. As roupas ainda estavam bastante úmidas, mas não pingavam mais. O rosto estava seco e o sorriso gentil continuava ali.
— Desculpe-me. Eu não queria dar trabalho.
Felícia não disse nada; sequer olhou para o rapaz. Parecia compenetrada em sua tarefa, mas a verdade é que esse era seu jeito de ser. Mantinha um natural distanciamento das pessoas que conhecia, pois isso sempre facilitava sua ida embora posteriormente. E, a bem da verdade, Felícia nunca tinha sido uma pessoa muito amigável. Quando era preciso socializar, ela sabia como proceder, mas nessa nova vida que levava, ela tinha optado por não ser simpática. A antipatia era-lhe útil.
— Eu posso ajudá-la a secar? – o outro insistiu.
— Não. – Felícia respondeu cortante.
O rapaz finalmente pareceu compreender que a moça não queria papo. Pareceu ficar um pouco sem-graça diante disso e, depois de passar por um breve constrangimento, resolveu ir embora.
No dia seguinte, ele regressou. Felícia, ao vê-lo entrando, reconheceu-o rápido, embora agora ele estivesse vestindo roupas secas e tivesse um ar mais apresentável. A moça revirou os olhos, demonstrando seu enfado sem qualquer reserva.
Ele se aproximou e, assim que se viu perto o bastante, tentou puxar conversa:
— Bom dia. Lembra-se de mim? Eu estive aqui ontem.
— Sim, eu me lembro. – ela disse, enquanto terminava de organizar um arquivo.
— Pois é... Eu percebi que ontem você ficou um pouco chateada pelo modo como eu molhei todo o chão. Mas é que...
Felícia ergueu a mão, pedindo com esse gesto que ele parasse de falar:
— Senhor, isso aqui é uma biblioteca. Prezamos pelo silêncio. Se veio aqui para ler, é bem-vindo. Se veio em busca de conversa, vou ter de pedir para que saia.
O rapaz olhou ao redor, constatando que estavam apenas os dois no local.
— Não estamos atrapalhando ninguém...
— Se o senhor deseja ler, fique à vontade. Do contrário... – Felícia voltou a abrir um livro, ajeitou os óculos sobre o nariz e apontou para a saída, sem se dar ao trabalho de lançar novo olhar para o outro.
O rapaz franziu o cenho. Mas, ao notar que ela falava sério, acabou indo até uma estante de livros e, após olhar cautelosamente para a figura de Felícia, que tentava se concentrar em sua leitura, a despeito do visitante indesejado, ele pegou um livro da prateleira, foi até uma das mesas que ficava em frente ao balcão em que estava Felícia, e começou a ler.
A jovem quis ignorar a presença do rapaz, mas foi difícil. Ela sequer conseguia sair da mesma página, tamanha a perturbação que sentia. Mas controlou-se; Felícia jamais perderia sua compostura por tão pouco e não iria expulsar o rapaz dali. Acima de tudo, ela sabia ser profissional.
Assim, sem demonstrar o incômodo que sentira, Felícia permaneceu tranquila e impávida. O rapaz, por sua vez, também pareceu sereno e os dois, dessa forma, mantiveram o mais absoluto silêncio durante todo o dia.
Quando, finalmente, o horário de Felícia ir embora chegou, ela não conseguiu evitar um suspiro de alívio. Arrumou suas coisas, deixou o balcão organizado como sempre, e deu mostras de que o rapaz teria de sair. O jovem, que parecera bem preso à sua leitura, demorou a perceber os sinais que Felícia tentava passar sem dizer uma palavra e, assim que notou o que acontecia, ele se levantou da cadeira para sair.
No entanto, antes, ele foi até o balcão, onde Felícia terminava de arrumar alguns papéis. Ele colocou o livro ali, indicando que pretendia levá-lo para continuar a leitura em casa. Felícia então pegou o carimbo para marcar o livro e só então, tomando a obra em mãos para carimbá-la, é que ela percebeu que o livro que o jovem havia pego era o mesmo que ela estivera lendo durante aquele dia: “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen.
Aquilo lhe causou surpresa, mas novamente ela não deixou que isso se refletisse em seu rosto, sempre tão austero.
Realizou sua tarefa, entregou o livro ao outro, fechou as últimas coisas atrás do balcão e se pôs a caminhar para sair da biblioteca. O jovem já havia saído, de modo que agora ela permitia que suas expressões fossem mais suaves. E, embora ela não quisesse, Felícia não conseguia não pensar no quanto havia sido esquisito passar o dia ao lado daquele rapaz. Dentro do distanciamento que costumava se impor, esse rapaz era o que mais tinha conseguido paradoxalmente estar tão perto e tão longe ao mesmo tempo.
Tão logo pisou fora da biblioteca, Felícia tomou um susto:
— Boa noite. – ela ouviu a voz e se voltou na direção dela. Encontrou o rapaz que passara o dia em sua companhia, apesar de não terem trocado palavras ao longo desse período. Ele estava recostado à parede, livro debaixo do braço, mãos nos bolsos da calça, um dos pés apoiado na parede.
Felícia, assim que se recuperou do susto, voltou a andar do seu modo impassível. Ignorou solenemente o cumprimento do jovem e seguiu caminho, como se nada houvesse acontecido.
— Ei, espera! – o rapaz foi atrás de Felícia, ao notar que ela mantinha a mesma altivez que ele percebera nela dentro da biblioteca – Ei! Calma; por que não quer falar comigo? – indagava o rapaz, enquanto a alcançava – Não estamos mais dentro do seu ambiente de trabalho! Agora você pode conversar comigo.
— A questão não é se eu posso conversar com você. A questão aqui é se eu quero. E a resposta é não. – Felícia respondeu secamente, sem diminuir a velocidade de seus passos, nem olhar para o outro, que buscava acompanhar seu ritmo.
— Que absurdo! É claro que você quer conversar comigo! – devolveu o jovem, de forma graciosa e em tom divertido.
O comentário do rapaz foi tão inusitado, que Felícia precisou parar rapidamente para encarar o homem a seu lado. Ela arqueou uma sobrancelha e esse gesto era o bastante para questioná-lo acerca do que ele acabava de dizer.
— Você quer conversar comigo. – o jovem repetiu, reforçando o que dissera.
Felícia cruzou os braços, à espera de uma justificativa.
— Você estava lendo “Orgulho e Preconceito” lá dentro.
Ela sabia. Assim que viu o livro que ele tinha pego, ela compreendera. Ele tinha agido assim para se aproximar dela. Que atitude patética!, ela pensou.
— Eu já conhecia algo da obra, mas fiquei com vontade de ler para valer depois de ver como o livro capturava sua atenção. Devia ser mesmo interessante. Aí, resolvi pegar para ler.
Ridículo. Felícia não iria dar mais atenção a essa história. Ela preparava-se para continuar seu caminho, sem dar maiores explicações ao jovem, quando o ouviu dizer:
— Deve ser seu livro preferido. Ou, pelo menos, deve estar entre os mais queridos.
Como ele podia saber isso?
— Você não estava lendo o livro. Você o estava relendo, pulando páginas, depois voltando... Parecia alguém que conhecia o livro de cor e salteado, e que queria mais era ler e reler passagens queridas da obra.
Ele estava certo. Era mesmo seu livro predileto.
— E aí... Sabe? Se você gosta tanto desse livro, poderia me ajudar com uma coisa que eu não entendi. Não terminei de ler o livro, mas... Por acaso, depois de tantos encontros e desencontros, Elizabeth Bennet e Mr. Darcy ficam juntos? Eu imagino que sim, acredito que a história esteja sendo construída com esse fim, mas... vai saber, não é mesmo? Então, se possível, gostaria que me adiantasse algo sobre o desfecho dessa obra, para que eu possa dormir em paz.
Impaciente, Felícia disse:
— Eles ficam juntos. — e retomou sua caminhada bruscamente, para não ter mais de encarar o outro.
— Que ótimo! Isso quer dizer que podemos ficar juntos também.
— Como é? — ela parou e voltou a encarar o rapaz — Que absurdo! Isso não faz o menor sentido!
— Claro que faz. Você me diz que Elizabeth e Darcy terminam juntos, apesar de uma primeira impressão ruim. É bom saber que isso pode ser revertido.
— Mas não é certeza de que vá acontecer. E, fora isso... Elizabeth e Darcy são Elizabeth e Darcy. Eu e você... Ora, nem há motivos para discutirmos um possível “eu e você” aqui.
— Elizabeth e Darcy tem muito em comum conosco. Não notou? Pessoa arrogante, séria ao extremo, visivelmente inteligente, mas incrivelmente antipática inicialmente. Não vê? – ele apontou para Felícia, ao término do que dizia. – E aí... Pessoa perspicaz, simpática, audaciosa, curiosa... – finalizou apontando para si mesmo.
— É muita prepotência sua fazer uma comparação desse tipo! Mas que seja. Mesmo que sua analogia faça algum sentido, de onde você tirou que eu teria qualquer interesse em ter um fim parecido com o do livro?
— É seu livro favorito.
— E daí? Isso quer dizer que eu necessariamente queira que minha vida imite a obra? – exaltou-se a moça.
— Basicamente.
— Isso é ridículo! Esse livro não passa de ficção!
— Muitas pessoas se baseiam na ficção para conseguir viver a realidade.
— Eu não gosto de um livro porque desejo que minha vida se espelhe nele! É perfeitamente possível que uma pessoa leia por puro entretenimento, sabia? Sem maiores aspirações.
— E é perfeitamente possível que o entretenimento seja tão interessante que, havendo a oportunidade, isso se transforme em uma aspiração, sim.
— Como você é petulante!
— Obrigado. E agora, vamos tomar um café?
— Por que eu deveria?
— Você quer provar que eu estou errado. Sem problemas, estou pronto para ouvir todos os seus argumentos. Imagino que não sejam poucos, então não custa nada beber um café para acompanhar a discussão. Até estou com o livro aqui, para facilitar seu trabalho de encontrar referências na obra para me desmentir ou me ridicularizar diante deste clássico...
Felícia riu, pela primeira vez nessa conversa. Não havia outra reação. Ela precisava rir.
— Está bem. Vamos tomar um café. Afinal, é o mínimo que eu posso fazer depois de você ter se dado ao trabalho de perder um dia inteiro na biblioteca, lendo o mesmo livro que eu, só para ter assunto e poder passar uma cantada barata como essa. – outra vez, um breve sorriso — Mas você é chato, viu?
— Na verdade, meu nome é Alberto. Mas acho que posso ser conhecido como chato, também. – o rapaz riu e depois complementou, enquanto caminhavam até um café que ficava ali perto – E eu não perdi o dia na biblioteca. Na verdade, não tinha nada de muito importante para fazer hoje. Acabei descobrindo uma forma interessante de passar o dia. Quando fui visitá-la pela manhã, achei que seria uma visita rápida. Mas algo em você me chamou a atenção e assim, do nada, senti vontade de conhecê-la mais. Decidi ficar, de repente. Não me arrependo. Estou saindo no lucro.
— Não tinha planos para hoje e resolveu fazer a primeira coisa que lhe deu na cabeça? É isso? Você realmente é uma pessoa esquisita...
— Não. Eu sou uma pessoa que gosta de viver e, consequentemente, eu me apego ao momento. Só isso. Não me apego tanto a coisas superficiais, como uma agenda para seguir no dia. Eu tenho minhas prioridades. Vivo pelo que importa, pelo que me faz sentir bem. E hoje, estar na sua companhia me fez sentir bem, por isso estou buscando continuar a seu lado.
— E amanhã? Como acha que vai estar se sentido?
— Não sei. Nem me preocupo. Viver o hoje é sempre mais interessante...
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Felícia logo descobriu em Alberto um companheiro melhor do que o esperado. O rapaz estava na cidade apenas para conhecer, desvendar, desbravar. Era um viajante do tipo mochileiro, que vaga por diversos lugares, a fim de conhecer e se misturar ao máximo à cultura e aos hábitos locais. Ele tinha um frescor e uma leveza que encantavam. E, principalmente, ele sabia como derrubar a austeridade dela.
Talvez, pela primeira vez, Felícia estivesse realmente se sentindo feliz. Por todos os lugares pelos quais tinha passado, não tinha se sentido assim em nenhum. Era diferente, era empolgante...
E era, principalmente... imprevisível.
Ele estava hospedado em um albergue; ela morava em uma pensão. A pensão era ao lado do albergue e eles podiam se ver com frequência. Mas nunca era algo combinado com muita antecedência. Saíam todos os dias e, ao término de cada encontro, e apenas aí, combinavam algo para o dia seguinte.
Era perfeito assim.
Estavam vivendo o momento.
Até que um dia, logo cedo, pela manhã, Felícia despertou e viu Alberto olhando para ela, carinhoso. Ele estava deitado ao seu lado, na cama, com o rosto apoiado na mão e o cotovelo apoiado no colchão do leito. Ela lhe sorriu e espreguiçou-se gostosamente.
— Bom dia – disse Alberto, retirando umas mechas dos fios castanhos do rosto de Felícia.
— Bom dia! – ela respondeu, com um sorriso preguiçoso.
— Dormiu bem? – ele disse, fazendo uma carícia no rosto da jovem.
— Sempre! Quando durmo com você, acordo me sentindo ótima.
— Que bom... – Alberto pareceu procurar pelas palavras corretas. Ao cabo de alguns segundos, pronunciou-se: — E se... Você pudesse despertar assim, pelo resto da sua vida?
Felícia arregalou os olhos. Não tinha compreendido bem. Ergueu-se e sentou-se sobre a cama, cobrindo-se com o lençol:
— Acho que não entendi direito.
— Felícia, eu... – Alberto deslizou a mão pelos fartos cabelos ondulados e negros, demonstrando assim sua tensão – Eu estou feliz. Como nunca estive antes. E... Eu não sei explicar, mas não consigo mais pensar na minha vida sem você.
A garota não disse nada. Não era capaz. Estava estática.
— Eu sempre gostei de viver aventuras, de conhecer gente diferente, lugares nunca antes vistos ou devidamente apreciados... Eu sempre curti isso. Aliás, ainda curto. Nunca pensei que pudesse surgir outra coisa em minha vida que me fizesse sentir mais prazer que essas viagens, que essas descobertas.... Contudo, eu me enganei. Há algo ainda mais incrível que tudo isso.
Felícia sentiu o coração falhar uma batida. E ainda não se via capaz de falar uma palavra.
— Eu te amo. Estou perdidamente apaixonado por você. – dito isso, ele percorreu um caminho que já lhe era familiar e beijou os lábios da moça, que permanecia imóvel – E eu quero ficar com você. Por isso... Bom... Hoje é o dia de eu voltar para casa. Você me contou que não tem lar, que não tem um lugar que possa chamar de casa. Então, será que... Você... Não quer vir comigo? – Alberto hesitava. Era como se ele soubesse. No fundo, ele sabia.
— Ir com você? – Felícia finalmente recobrou a fala – Você vai embora hoje?
— É, eu sei que não contei para você, mas esses eram os meus planos...
— Planos? Você tinha planos?
— Tinha, oras. Minha ideia era viajar por um ano, mais ou menos. Para onde, isso era o que menos importava. Eu queria me ver livre e solto neste mundo, disposto a aprender tudo quanto pudesse, para poder voltar como um novo homem.
— ... Voltar?
— É. Minha irmã está morrendo de saudades de mim. Ela quer muito saber como foi a minha viagem. Acho que ela quer se aventurar também. Eu disse que ficaria um ano fora, acabei ficando um pouco a mais, mas acho que agora eu finalmente encontrei o que buscava. Respostas, sentimentos... Essa viagem me trouxe muito do que eu precisava, para preencher algumas lacunas, sabe? E você coroou essa busca, fechando minha jornada com chave de ouro.
— Você tem uma irmã?
— É, tenho... Nós somos órfãos, sempre cuidamos muito um do outro, mas também sempre fomos muito independentes. Eu sei que nunca conversamos sobre isso antes, Felícia. Foi divertido enquanto fomos só nós dois, sem responsabilidades, sem preocupações. Mas agora é hora de voltar para casa e... Bem... – Alberto coçou a nuca, sentindo o pescoço notavelmente tenso – E aí? Você vem comigo?
Felícia permaneceu em silêncio por incontáveis minutos. Quando finalmente se dispôs a responder, seu semblante era triste, o que antecipava sua resposta:
— Sinto muito, Alberto. Mas não posso ir com você.
O rapaz pareceu ficar abalado. Engoliu em seco, e disse:
— Por quê? Por que não? Eu fiz algo de errado?
— Não. Não, você não fez nada de errado. – a garota começou a dizer, levantando-se da cama e buscando suas roupas.
— Então... Por que não? Você... não me ama?
— Eu... – Felícia suspirou – Essa é uma resposta difícil de dar, Alberto.
— Difícil? Sei. – a voz dele vinha carregada de mágoa.
— Por favor, Alberto. Não me entenda mal. Não tem nada a ver com você. É que... Eu não posso. Simplesmente não posso.
O orgulho de Alberto estava obviamente ferido. Ele não iria implorar.
— Certo. Tudo bem. Bom, então... Vou indo.
— Já?
— Já. Preciso arrumar minha mala. Meu voo sai hoje à noite. Vou fazer umas ligações, organizar algumas coisas.
— Eu vou vê-lo de novo, antes de você partir?
Alberto tinha já vestido sua calça jeans e agora colocava com pressa uma camiseta branca. Encaminhou-se para a porta e, antes de sair, olhou para trás, fitando com certo pesar a figura de Felícia, que continuava sobre a cama.
— Para quê? – ele respondeu simplesmente e, sem esperar por qualquer palavra dela, o rapaz foi embora.
Naquele dia, Felícia foi trabalhar normalmente. Procurava não pensar. A frieza era uma característica inerente à pessoa dela. Conseguia isolar seus sentimentos de tal forma que quase era possível se enganar a respeito deles.
Entretanto, quando deixou a biblioteca, viu a noite bonita que fazia. Tinha planejado chamar Alberto para fazerem um piquenique naquela noite. Tinha visto no noticiário local que faria uma noite clara e estrelada.
Felícia não fazia planos. Não planejava nada a longo prazo, não gostava de se sentir presa. Não gostava de sentir expectativas sobre si. Mas era gostoso planejar esses momentos, que tanto adorava passar ao lado dele...
Quando estava chegando à pensão em que morava, ouviu o barulho de um avião ao longe. Olhou para o céu e viu a aeronave subindo. Uma lágrima fugidia despontou de seus olhos claros. Sentiu um aperto no peito. Ele poderia estar ali, indo embora. Indo para longe, para nunca mais...
... E, ainda assim, ela conseguia sentir o cheiro dele como se estivessem tão próximos.
Ela sacudiu a cabeça, negativamente. Não lhe faria bem ficar se recordando agora.
Entrou na pensão, rumou direto para o seu quarto. Evitar pessoas era uma habilidade que ainda possuía. Em seu quarto, isolada do mundo, trancou-se. Jogou-se sobre a cama e ali as lembranças pareciam surgir ainda mais vívidas.
Não queria pensar. Ligou a TV e ficou mudando os canais, não prestando atenção a nada, de fato.
Viu um programa, no qual uma menina e um menino pareciam descobrir o primeiro amor ainda na escola. Uniformizados e tímidos, jogavam cartas coloridas no pátio do colégio e pareciam tentar desvendar nesse ato tão cotidiano se seus sentimentos eram retribuídos. Essa cena era singela e tocante e, por isso mesmo, Felícia não a pôde suportar. Mudou de canal e viu agora dois adolescentes que pareciam fazer suas primeiras juras de amor. “Eu sou sua melhor amiga e quero você como meu namorado”, dizia a personagem, tão certa e segura de seus sentimentos. O garoto, parecendo aceitar o sentimento dela, estendeu a mão para ela, que a menina aceitou, com um sorriso reluzente. Entrelaçaram as mãos e Felícia não conseguiu ver mais que isso, teve de mudar novamente de canal. Caiu em um filme, justamente na cena de um casamento. Pôde ouvir os votos que os dois trocavam... “Seremos parceiros e amantes por toda a vida. Compartilharemos nossas vidas, nossos mundos, nossos segredos...”. Aquilo tinha sido demais para ela. Desligou a TV e se enrolou em seu cobertor, buscando dormir, querendo desaparecer, desejando apagar a realidade de si.
Todavia, por mais que se embrulhasse no cobertor, não conseguia deixar de sentir frio. Concluiu que, depois dos últimos dois meses, ela estava desacostumada. Só conseguia dormir envolvida pelos braços de Alberto. Eles, sim, traziam o calor de que ela necessitava para adormecer.
Mas ele não estava mais lá.
Felícia levantou-se da cama, nervosa. Aflita. Cansada e perdida.
Foi até a janela do quarto. Observou a noite que fazia.
Era uma noite bonita, de fato. Havia lua e muitas estrelas. Entretanto, havia mais escuridão ali do que ela imaginava ser possível.
A jovem deixou-se estar, apenas admirando a paisagem noturna.
Suspirou profundamente.
— Não é sua culpa. – ela disse, olhando para o vazio através de sua janela — Não tem nada a ver com você. Mas eu não podia... Não posso. – Felícia falava, sem saber ao certo o que queria dizer – É uma coisa pessoal. É uma coisa minha. É um problema meu. Um problema que preciso resolver comigo mesma... – sorriu triste – Foi uma história bonita... Vivemos nossa própria história de amor e ela foi quase um conto de fadas. Mas um conto de fadas sem final feliz.
Felícia respirou fundo, e depois deixou que o ar abandonasse seus pulmões pesadamente.
— Claridade, paz, serenidade... – ela começou a repetir, como um mantra – Claridade, paz, serenidade... – ela falava, com os olhos fechados. Quando enfim os abriu de novo, seus olhos carregavam uma dor grande – Estou tão longe do que busco... Do que sempre me dispus a buscar. – constatou – Todo esse tempo, eu achei que estivesse buscando a mim mesma. Porém, na verdade, eu estava fugindo, apenas. Fugindo, somente. Eu sabia muito bem o que não queria. Não queria me sentir controlada. Essa sensação me fazia sentir pequena, incapaz, como uma criança. E já não sou criança há tempos, mas... – riu de si mesma – Mas nos últimos tempos, apenas vim agindo como tal. Eu queria me encontrar, mas a única coisa que fiz foi fugir do que eu sabia que não queria. E, durante todo esse tempo, não sei se me encontrei ao longo do caminho.
Felícia abandonou a janela e voltou-se para o quarto, analisando-o:
— É hora de crescer. Crescer de verdade. – começou a recolher suas roupas, que passou a guardar em sua mala – É hora de fazer o que eu disse que iria fazer. Eu preciso me descobrir. Preciso me achar. Não será fácil ou rápido, eu sei. Por isso eu fugia. Mas chegou a hora. Pequenos passos. É hora de começar. Fugir não é buscar e isso é só o que fiz durante todo esse tempo.
Enquanto arrumava sua mala, algumas lágrimas insistiram em rolar face abaixo. Não lutou contra elas; estava ocupada demais se organizando. Quando terminou, olhou para fora, para ver a noite mais uma vez através da janela.
— Eu não podia ir com você. Você merece alguém a sua altura. Alguém que estivesse inteira. Eu estou pela metade, ainda preciso terminar de crescer. Não sei quem sou; sei apenas do que fujo. Preciso encontrar a metade que me falta. Somente quando eu for inteira, quem sabe... Eu esteja pronta para você. Talvez. – sentiu as lágrimas quentes queimando sua face; esfregou o rosto com sofreguidão, secando as lágrimas que marcavam sua pele – Não vou chorar. Não posso me lamentar. O primeiro passo é esse. É preciso encarar meus erros. Você não poderia me ajudar. É um caminho que tenho de trilhar sozinha. Talvez, um dia, esse caminho me leve de volta a você. É possível. Eu gostaria de ver isso acontecer. – um delicado sorriso estampou-se em seu rosto – Sei que não vou mais recuar ou fugir. Agora eu vou realmente me buscar. E, se você estiver no meu caminho... Eu voltarei a encontrá-lo. Tendo dito isso, o sorriso se ampliou. Felícia abriu a porta do quarto, olhou uma última vez para o ambiente e então saiu, fechando a porta atrás de si. Ela concluiu que estava indo, pela primeira vez, em busca dela mesma e de um lugar a que pudesse, finalmente, chamar de lar.
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Big Girls Don't Cry (Fergie)
La, ra, ra, ra
The smell of your skin
Lingers on me now
You're probably
On your flight
Back to your hometown
I need some shelter
Of my own protection baby
Be with myself in center
Clarity, peace, serenity
I hope you know
I hope you know
That this has nothing to do with you
It's personal, myself and I
We got some straightening out to do
And I'm gonna miss you
Like a child
Misses their blanket
But I've gotta
To get a move
On with my life
It's time to be
A big girl now
And big girls don't cry
Don't cry
Don't cry
Don't cry
The path that I'm walking
I must go alone
I must take the baby steps
'Til I'm full grown
Full grown
Fairy tales don't always
Have a happy ending, do they?
And I foresee
The dark ahead if I stay
I hope you know
I hope you know
That this has nothing to do with you
It's personal, myself and I
We got some straightening
Out to do
And I'm gonna miss you
Like a child misses their blanket
But I've gotta
Get a move on with my life
It's time to be a big girl now
And big girls don't cry
Like a little school mate
In the school yard
We'll play jacks and uno cards
I'll be your best friend
And you'll be my valentine
Yes, you can hold my hand
If you want to
'Cause I wanna hold yours too
We'll be playmates and lovers
And share our secret worlds
But it's time for me
To go home
It's getting late
Dark outside
I need to be
With myself in center
Clarity, peace, serenity
I hope you know
I hope you know
That this
Has nothing to do with you
It's personal, myself and I
We got
Some straightening
Out to do
And I'm gonna miss you
Like a child misses their blanket
But I've gotta
To get a move
On with my life
It's time to be
A big girl now
And big girls don't cry
Don't cry
Don't cry
Don't cry
La, ra, ra
Ra, ra, ra
[TRADUÇÃO]:
Garotas Grandes Não Choram
Lá, rá, rá, rá...
O cheiro da sua pele
Persiste em mim agora
Você provavelmente
Está no seu voo
Voltando pra sua cidade natal.
Eu preciso de algum abrigo
Para minha própria proteção, baby.
Estar comigo mesma,
Claridade, paz, serenidade.
Espero que você saiba
Espero que você saiba
Que isso não tem nada a ver com você!
Isso é pessoal, eu mesma e eu.
Nós sempre temos algo a ajeitar
E eu sentirei sua falta
Como uma criança
Sente de seu cobertor.
Mas eu tenho
Que seguir em frente
Com minha vida
Chegou a hora de ser
Uma garota grande
E garotas grandes não choram
Não choram...!
Não choram...!
Não choram...!
O caminho que estou trilhando,
Eu devo seguir sozinha
Devo engatinhar
Até eu ser adulta
Adulta
Contos de fada nem sempre
Têm finais felizes, têm?
E eu vejo
A escuridão a frente se eu ficar
Espero que você saiba
Espero que você saiba
Que isso não tem nada a ver com você!
Isso é pessoal, eu mesma e eu
Nós sempre temos algo
A ajeitar
E eu sentirei sua falta
Como uma criança sente de seu cobertor
Mas eu tenho
Que seguir em frente com minha vida
Chegou a hora de ser uma garota grande
E garotas grandes não choram
Como colegas
No pátio da escola
Nós brincaremos de "UNO Cards"
Eu vou ser sua melhor amiga
E você vai ser meu namorado
Sim, você pode segurar minha mão
Se você quiser
Porque eu quero segurar a sua também
Nós seremos parceiros e amantes
E compartilharemos nossos mundos secretos
Mas é hora de eu
Ir para casa
Está ficando tarde
Escuro lá fora
Eu preciso estar
Comigo mesma no centro
Clareza, paz, serenidade
Espero que você saiba
Espero que você saiba
Que isso
Não tem nada a ver com você
Isso é pessoal, eu mesma e eu
Nós sempre
Temos algo
A ajeitar
E eu sentirei sua falta
Como uma criança sente de seu cobertor
Mas eu tenho
Que seguir em frente
Com minha vida
Chegou a hora de ser
Uma garota grande
E garotas grandes não choram
Não choram...!
Não choram...!
Não choram...!
La, ra, ra
Ra, ra, ra...
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