Garotas Também São Pervertidas

12 Extra III - Parte I - Desatino


Notas iniciais
Yo, leitores lindos! Desta vez em menos de uma semana o/ Já deu para notar pelo tí­tulo, mas vou explicar: ao escrever este capítulo, ele foi ficando muito extenso (eu só estou publicando a metade dele e já tem mais de 2000 palavras), então dividi em dois para postar rapidinho E para não ficar enorme. Como de costume, obrigada dos comentários de Jahs, marybasilio, Danny latk, Clara Almeida, Tsuki Kyra, Bells Horemans, Natyy, Anjo das Trevas, PatriciaNight, DarkLucy, leticiaplus, Meroko, Rezinha_Cullen, ackles, Lafayette e ao review e maravilhosa recomendação de LoxLU. Não sabia que tantos amavam a fic assim ^^ Enfim, boa leitura!

Já pode parar, gerente, implorou a maid internamente.

Não havia surpresa no fato de que Usui passara a chamá-la pelo primeiro nome. Porém, quando Misaki proferiu ‘Takumi’, as funcionárias alvoroçaram-se. Satsuki, naturalmente, manifestou a reação mais exagerada. Seus olhos brilhavam ao cruzar tanto com os orbes esmeraldinos quanto com os dourados, e ao vê-los juntos, a mulher abafava seus costumeiros gritinhos de entusiasmo. Enquanto Subaru tentou conter a agitação desmedida de sua chefe, em comiseração pela companheira mais jovem, Honoka, ao encontrar a colegial, soltou uma risada jovial e sussurrou ‘tsundere’. Obviamente, a morena não compreendeu o termo.

Contudo, Erika, apesar de inicialmente contagiada com a empolgação da gerente, percebeu que, desta vez, a garota que normalmente repeliria os delírios da gerente com objeções constrangidas, lidava com a situação com maior naturalidade, ainda que estivesse visivelmente incomodada e um tanto ruborizada. Sua mente elaborou com rapidez a relação entre este comedimento incomum e o motivo pelo qual ambos evoluíram aquele passo em seu relacionamento. Decidiu por confirmar suas suposições.

― Ei, Misa-chan ― chamou a ruiva de cabelos cacheados, atraindo a de madeixas lisas a um canto onde provavelmente não seriam incomodadas. Gesticulou com as mãos para que se aproximasse, e sussurrou, bem próxima: ― Você já usou meu presente?

O enrubescimento violento e súbito que tomou as faces da mais nova eram uma resposta positiva, afinal. Surpreendida, Erika reprimiu uma gargalhada ― não imaginara que Misaki usufruiria do conjunto tão cedo, e a própria entrega do pacote à ela se deu em uma situação cômica, pois a colegial parecia dividida entre a educação de aceitar sem queixas e a vontade de devolvê-lo imediatamente.

― Não vou contar à ninguém, Misa-chan, pode deixar ― assegurou em um tom baixo, em resposta à sentença gaguejada (e quase incompreensível) pela garota demasiadamente corada. Era engraçado (e reconfortante) revê-la desta maneira.

A maid mais jovem suspirou, um pouco mais aliviada, e lhe agradeceu, comovida. No entanto, a mais velha não se dirigiu ao salão, como de costume, e sim à cozinha. Perplexa, Misaki a seguiu, mas não há tempo suficiente para impedi-la de atingir seu intento.

― Yo, Usui-kun. ― Erika cumprimentou a única pessoa no cômodo. Ele lhe respondeu, ainda que um tanto confuso devido ao semblante desesperado de sua namorada ao adentrar no ambiente, logo após a entrada da morena mais velha, que prosseguiu, com um sorriso cúmplice: ― Parabéns.

― Obrigado ― retribuiu ele, com o mesmo maldito sorriso. Dissera antes que a agradeceria, não é?

Consciente de que ambos não se referiam ao mais recente modo com que denominava o namorado, Misaki encabulou-se ainda mais. Erika logo partiu, sorrindo de maneira branda para a colegial ― ela era tão fofa! Já Takumi continuou a fitá-la, divertido. Parecia prestes a dizer algo, mas a morena o impediu:

― Você, fique quieto ― vociferou, antes de voltar a atender os clientes.

Naquela noite, Satsuki teve de partir mais cedo (devido à algum incidente envolvendo uma certa celebridade da internet que novamente fora despejada), e deixou à cargo das funcionárias o fechamento da loja. Tanto Honoka quanto Subaru foram liberadas, pois ambas teriam de trabalhar mais tarde, em outro serviço.

Erika, então, desculpou-se com a maid mais nova, declarando-se ocupada com um (fictício) exercício exaustivo, que concluiria com o auxílio de algumas amigas. Amenizou seu pretexto, porém, ao afirmar que Misaki estaria segura ‘se Usui-kun estivesse com ela’. Para reforçar suas palavras, acenou, em conivência, para o loiro, que repetiu o gesto da mesma forma. E como se não bastasse o momento embaraçoso, a colegial corou até a raiz dos cabelos ao ouvir a colega universitária rumorejar em seu ouvido, pouco antes de retirar-se:

― Divirtam-se.

****

Antes de recuperar o fôlego, foi tomada em um novo beijo; uma língua intrusa meteu-se em sua boca para duelar com a sua. Mãos masculinas vagavam por seu corpo, atiçando-a sobre o tecido, e pousaram em suas pernas, acariciando-as através das saias. Estava agora sentada sobre uma mesa qualquer do depósito ― logo após trancar a última porta do estabelecimento, foi atacada por um perseguidor alien pervertido. Muito mais pervertido que o normal.

― Misa-chan está usando muitas roupas dessa vez. ― Sua voz arrastada a conduzia a um total desvario. Lentamente desatou o nó da faixa que lhe cobria o pescoço, para chupá-lo com volúpia ao repreendê-la: ― Como posso te lamber assim?

Sua pele já aquecida entrou em estado de ebulição com tais palavras; os batimentos cardíacos suscitaram estrondos internos em seu peito; as pupilas expandiram-se enquanto pressionava seus dedos com incomum força contra os braços do rapaz. Respondeu-lhe, no entanto, mesmo que a respiração ainda se mantivesse inquieta:

― Tire, se quiser. ― Apesar do aparente desinteresse, seu tom foi suplicante ― e o loiro sorriu, audacioso, antes de perguntar-lhe:

― Mas você quer? ― E deslizou a língua por entre a garganta e o colo da namorada, muito próximo do fino pano que cobria-lhe os seios.

― É óbvio...que quero... idiota ― ronronou, em meio aos suspiros, enquanto comprimia-se contra as pernas dele, ao seu alcance. Usui, então, deixou de lambê-la para encará-la de perto, colando sua testa à dela. Seus olhos verdes ardiam, obscenos.

― Você me excita ― sussurrou ele contra os lábios dela, antes de cobri-los novamente. Deus, como aquele tom rouco a enlouquecia. Enquanto entrelaçava seus dedos aos fios dourados e sugava o lábio inferior dele com voracidade, sentiu o toque do rapaz a afrouxar os cadarços de sua bota de cano longo, para descalçá-la em seguida.

Porém, não despiu as meias pretas com a mesma pressa ― interrompeu o contato com a boca feminina, inchada e rósea devido à ferocidade de suas carícias, e desceu seus lábios até a área em que o tecido terminava e dava lugar à deliciosa pele de sua presidente. Sugou as coxas com suavidade, recebendo gemidos de antecipação de Misaki, e, enfim, mordeu a extremidade de uma das meias, para arrancá-la com os dentes. Eventualmente chupava o joelho, agora exposto, assim como a panturrilha, o tornozelo e, enfim, o topo dos pés. Absorta, a morena não conseguiu desviar os olhos ― o que Takumi não pôde deixar de notar.

― Minha Misaki gosta de ver o que eu faço a ela? ― murmurou, malicioso, enquanto massageava, simultaneamente, seus cabelos e sua coxa ainda coberta. O rastro deixado por suas mãos e sua voz sedutora fizeram com que o desejo da namorada sobrepujasse qualquer outro pensamento — inclusive a timidez, pois em qualquer outra situação suas palavras seriam extremamente desconfortáveis.

― Gosto... mas tire logo isso! ― balbuciou rapidamente, ciente de que ele não prosseguiria até respondê-lo. De algum modo inexplicável, a experiência de contemplá-lo enquanto a tocava era sensual para ela.

E ele o fez: satisfez o anseio de Misaki, puxando o pano escuro restante com os dentes, mais uma vez. Contudo, não lambeu a perna durante seu percurso; apenas arrastou o tecido sedoso sobre a superfície macia e cálida. Va-ga-ro-sa-men-te. E a maid, que observava seus movimentos com atenção, cerrou as pálpebras e mordeu o lábio ― os membros inferiores tornavam-se mais e mais sensíveis com a lentidão exagerada.

Quando Usui avançou sobre a pele convidativa, a morena reagiu facilmente à mínima impressão física. Gemeu de forma incoercível ao sentir o vestígio úmido da língua do loiro a deslizar entre as panturrilhas e o dorso das coxas e dos joelhos ― Takumi orgulhou-se ao descobrir mais um ponto fraco da namorada, que enterrara ambas as mãos em seus cabelos. Aproveitando-se de seu pequeno lapso, o rapaz retirou-lhe o rebuscado short do uniforme, assim como sua calcinha, enquanto explorava as longas e suaves pernas de sua maid com beijos abrasadores.

Misaki inspirava e expirava com dificuldade: a respiração falhava, entrecortada por murmúrios de contentamento. E obstruiu ainda mais a passagem de ar ao extravasar seu prazer quando sentiu algo úmido e sedento a lhe invadir a intimidade. Contraiu-se, em expectativa, enquanto os lábios do loiro desfrutavam do sabor de seu cerne com lascivo entusiasmo. Desejava, contudo, mais que uma carícia externa — e logo os dedos de Usui substituíram o anterior contato com sua boca, que voltou ao seu pescoço enquanto o indicador e o médio imergiram em suas entranhas.

― Você gosta disso, presidente? ― indagou ele, enquanto roçava a língua sobre a garganta e intensificava seus movimentos no interior da namorada. Passou a acariciá-la também exteriormente, com o polegar, e a morena contorceu-se, em choque. ― Faz você querer mais?

Ah, ela ansiava por mais ― muito mais. Além de deleitar-se com os dedos a penetrá-la, retorcendo seu íntimo numa sensação indescritível, ainda o fazia ao sentir um deles a friccionar seus pontos sensíveis, enquanto Takumi descia até seu busto e empurrava o tecido franzido que o cobria. Seu ápice aproximava-se cada vez mais, principalmente ao senti-lo chupar seus mamilos enrijecidos. Ao ouvi-la expressar-se tão desconexa e inflamada, uma de suas vontades superou todas as outras, e ele deixou as mamas para sussurrar sobre a bochecha rosada da maid:

― Olhe pra mim, Misaki.

O pedido ― quase uma ordem, devido à seriedade com que ele o falara ― não foi imediatamente apreendido pela morena, pois se concentrar em algo além do próprio prazer exigia um descomunal esforço. Porém, ela compreendeu ― o loiro queria que a única visão dela em seu orgasmo fossem um par de pérolas esmeraldinas. Enfim, abriu os olhos para fitá-lo, mas foi arrastada por uma inexorável onda sensorial e os fechou de novo, enquanto gemia em protesto, pois ele fizera de propósito.

― Então você quer que eu pare? ― Como era bom provocar sua maid desobediente, ele pensou enquanto diminuía a velocidade de seus dedos, empurrando-os e puxando-os cada vez mais lentamente. Esperava por uma resposta.

― Não... ― balbuciou enquanto remexia-se, em busca de alívio.

― Pode fazer melhor que isso, Misa-chan. ― Ela nunca iria reunir a consciência necessária para sibilar mais que monossílabos se ele a atiçasse com estes murmúrios graves, muito menos enquanto mordia e lambia seu lóbulo. Entretanto, desta maneira era muito mais divertido para ele. ― Diga-me o que você quer.

Usui já lhe havia feito a mesma pergunta ― porém a situação era completamente distinta. Antes não haviam estímulos ao seu sexo ― estímulos deliberadamente lentos, provocantes, delirantes. Não havia ânsia absurda ― ao menos não no nível em que ela se encontrava agora, na saleta parcialmente iluminada. E, desta vez, não haviam restrições ― ela poderia gemer e gritar o quanto suas cordas vocais permitissem.

― Eu quero mais. ― A ênfase que ela dera ao último vocábulo foi obscena, evidenciando sua luxúria.

E mais uma vez foi tomada pelo arrebatamento, imediatamente após ele retornar ao ritmo alucinante. Reconhecia parcialmente os lábios dele sobre seu colo; todavia, seu inconsciente dedicava-se exclusivamente às sensações que provinham do centro de suas coxas. Deitou sobre a mesa e não resistiu muito mais, explodindo em êxtase ao redor dos dedos que contraíam e apertavam sua intimidade. No entanto, não teve tempo para aquietar-se de seus espasmos involuntários: Takumi prosseguiu em suas carícias, mesmo após a sua liberação. A morena debatia-se, assustada com a deliciosamente opressora sensação que lhe consumia mais uma vez ― era demais para ela.

― Ta...kumi! ― Ela ofegou enquanto tentava escapar, pois o corpo do loiro estava sobre o dela, imobilizando-a com alguma suavidade. O cerne, já suscetível devido ao clímax que atingira, alcançava agora estágios desconhecidos para ela. ― É... muito...!

Desorientada, ela imaginou que ele sussurrava bem próximo de sua orelha que ela iria gostar, de qualquer forma. Seus dedos a massageavam e penetravam-na com maior intensidade ― o prazer que sentira em seu último orgasmo já havia sido ultrapassado e acumulava-se mais e mais. Seus gemidos acompanhavam esta gradativa ampliação, e incentivaram o rapaz a aplicar maior força e velocidade ao esfregar e mergulhar-se em seu sexo. Finalmente, quando tornou-se insuportável alcançar maior deleite, o fogo em seu ventre expandiu-se, abrasando tudo em seu caminho. A consciência dissipou-se com sensação primitiva; os sentidos entorpeceram-se diante das chamas que os incendiaram; somente a voz se manteve, num longo e aquecido grito final.

Referenciais como tempo e espaço ainda não haviam retornado à sua mente; tentava, apenas, recuperar-se do cansaço após a impressão sensitiva que lhe exauriu todas as energias. Já estava vagamente ciente enquanto Usui a posicionava sentada novamente. Quando percebeu que a respiração dela suavizara e suas íris não mais desfocaram-se, beijou a curva de seu pescoço longamente. Assisti-la tão descontrolada o excitava mais do que presumira.

― Eu disse que iria gostar. ― Ele nem ao menos negara o fato de que ela apreciara. E Misaki não poderia discordar dele; estaria mentindo se o fizesse. Mas permanecia uma dúvida.

― Por quê? ― indagou, simplesmente. Por que ali, e não em outro local? Por que naquele momento, e não antes? Ele assimilou o sentido de sua pergunta com facilidade ― provavelmente porque esperava por ela.

― Talvez ― soprou ele, contendo um sorriso travesso ― eu goste de brincar com você quando está vestida assim.

Ultrajada, ela o encarou com a fronte crispada. Ciente do estado de seu namorado, ansioso para aconchegar-se e perder-se com ela, sua mente elaborava um revide digno. Se aquele estúpido pervertido achava que permaneceria incólume, estava muito enganado.

Notas finais
Estou feliz! Feliz! Primeiro porque consegui postar em menos de uma semana *Mas teve de partir o capí­tulo no meio, não é, mulher lerda?*, depois porque recebi tantos reviews maravilhosos (entro quase todo dia para ver se mais alguém comentou :3 ) Também ficou evidente que eu amo a Erika, né? Ela é minha funcionária preferida *.*