Garotas Também São Pervertidas
12 Extra III - Parte I - Desatino
Notas iniciais

Já pode parar, gerente, implorou a maid internamente.
Não havia surpresa no fato de que Usui passara a chamá-la pelo primeiro nome. Porém, quando Misaki proferiu ‘Takumi’, as funcionárias alvoroçaram-se. Satsuki, naturalmente, manifestou a reação mais exagerada. Seus olhos brilhavam ao cruzar tanto com os orbes esmeraldinos quanto com os dourados, e ao vê-los juntos, a mulher abafava seus costumeiros gritinhos de entusiasmo. Enquanto Subaru tentou conter a agitação desmedida de sua chefe, em comiseração pela companheira mais jovem, Honoka, ao encontrar a colegial, soltou uma risada jovial e sussurrou ‘tsundere’. Obviamente, a morena não compreendeu o termo.
Contudo, Erika, apesar de inicialmente contagiada com a empolgação da gerente, percebeu que, desta vez, a garota que normalmente repeliria os delírios da gerente com objeções constrangidas, lidava com a situação com maior naturalidade, ainda que estivesse visivelmente incomodada e um tanto ruborizada. Sua mente elaborou com rapidez a relação entre este comedimento incomum e o motivo pelo qual ambos evoluíram aquele passo em seu relacionamento. Decidiu por confirmar suas suposições.
― Ei, Misa-chan ― chamou a ruiva de cabelos cacheados, atraindo a de madeixas lisas a um canto onde provavelmente não seriam incomodadas. Gesticulou com as mãos para que se aproximasse, e sussurrou, bem próxima: ― Você já usou meu presente?
O enrubescimento violento e súbito que tomou as faces da mais nova eram uma resposta positiva, afinal. Surpreendida, Erika reprimiu uma gargalhada ― não imaginara que Misaki usufruiria do conjunto tão cedo, e a própria entrega do pacote à ela se deu em uma situação cômica, pois a colegial parecia dividida entre a educação de aceitar sem queixas e a vontade de devolvê-lo imediatamente.
― Não vou contar à ninguém, Misa-chan, pode deixar ― assegurou em um tom baixo, em resposta à sentença gaguejada (e quase incompreensível) pela garota demasiadamente corada. Era engraçado (e reconfortante) revê-la desta maneira.
A maid mais jovem suspirou, um pouco mais aliviada, e lhe agradeceu, comovida. No entanto, a mais velha não se dirigiu ao salão, como de costume, e sim à cozinha. Perplexa, Misaki a seguiu, mas não há tempo suficiente para impedi-la de atingir seu intento.
― Yo, Usui-kun. ― Erika cumprimentou a única pessoa no cômodo. Ele lhe respondeu, ainda que um tanto confuso devido ao semblante desesperado de sua namorada ao adentrar no ambiente, logo após a entrada da morena mais velha, que prosseguiu, com um sorriso cúmplice: ― Parabéns.
― Obrigado ― retribuiu ele, com o mesmo maldito sorriso. Dissera antes que a agradeceria, não é?
Consciente de que ambos não se referiam ao mais recente modo com que denominava o namorado, Misaki encabulou-se ainda mais. Erika logo partiu, sorrindo de maneira branda para a colegial ― ela era tão fofa! Já Takumi continuou a fitá-la, divertido. Parecia prestes a dizer algo, mas a morena o impediu:
― Você, fique quieto ― vociferou, antes de voltar a atender os clientes.
Naquela noite, Satsuki teve de partir mais cedo (devido à algum incidente envolvendo uma certa celebridade da internet que novamente fora despejada), e deixou à cargo das funcionárias o fechamento da loja. Tanto Honoka quanto Subaru foram liberadas, pois ambas teriam de trabalhar mais tarde, em outro serviço.
Erika, então, desculpou-se com a maid mais nova, declarando-se ocupada com um (fictício) exercício exaustivo, que concluiria com o auxílio de algumas amigas. Amenizou seu pretexto, porém, ao afirmar que Misaki estaria segura ‘se Usui-kun estivesse com ela’. Para reforçar suas palavras, acenou, em conivência, para o loiro, que repetiu o gesto da mesma forma. E como se não bastasse o momento embaraçoso, a colegial corou até a raiz dos cabelos ao ouvir a colega universitária rumorejar em seu ouvido, pouco antes de retirar-se:
― Divirtam-se.
****
Antes de recuperar o fôlego, foi tomada em um novo beijo; uma língua intrusa meteu-se em sua boca para duelar com a sua. Mãos masculinas vagavam por seu corpo, atiçando-a sobre o tecido, e pousaram em suas pernas, acariciando-as através das saias. Estava agora sentada sobre uma mesa qualquer do depósito ― logo após trancar a última porta do estabelecimento, foi atacada por um perseguidor alien pervertido. Muito mais pervertido que o normal.
― Misa-chan está usando muitas roupas dessa vez. ― Sua voz arrastada a conduzia a um total desvario. Lentamente desatou o nó da faixa que lhe cobria o pescoço, para chupá-lo com volúpia ao repreendê-la: ― Como posso te lamber assim?
Sua pele já aquecida entrou em estado de ebulição com tais palavras; os batimentos cardíacos suscitaram estrondos internos em seu peito; as pupilas expandiram-se enquanto pressionava seus dedos com incomum força contra os braços do rapaz. Respondeu-lhe, no entanto, mesmo que a respiração ainda se mantivesse inquieta:
― Tire, se quiser. ― Apesar do aparente desinteresse, seu tom foi suplicante ― e o loiro sorriu, audacioso, antes de perguntar-lhe:
― Mas você quer? ― E deslizou a língua por entre a garganta e o colo da namorada, muito próximo do fino pano que cobria-lhe os seios.
― É óbvio...que quero... idiota ― ronronou, em meio aos suspiros, enquanto comprimia-se contra as pernas dele, ao seu alcance. Usui, então, deixou de lambê-la para encará-la de perto, colando sua testa à dela. Seus olhos verdes ardiam, obscenos.
― Você me excita ― sussurrou ele contra os lábios dela, antes de cobri-los novamente. Deus, como aquele tom rouco a enlouquecia. Enquanto entrelaçava seus dedos aos fios dourados e sugava o lábio inferior dele com voracidade, sentiu o toque do rapaz a afrouxar os cadarços de sua bota de cano longo, para descalçá-la em seguida.
Porém, não despiu as meias pretas com a mesma pressa ― interrompeu o contato com a boca feminina, inchada e rósea devido à ferocidade de suas carícias, e desceu seus lábios até a área em que o tecido terminava e dava lugar à deliciosa pele de sua presidente. Sugou as coxas com suavidade, recebendo gemidos de antecipação de Misaki, e, enfim, mordeu a extremidade de uma das meias, para arrancá-la com os dentes. Eventualmente chupava o joelho, agora exposto, assim como a panturrilha, o tornozelo e, enfim, o topo dos pés. Absorta, a morena não conseguiu desviar os olhos ― o que Takumi não pôde deixar de notar.
― Minha Misaki gosta de ver o que eu faço a ela? ― murmurou, malicioso, enquanto massageava, simultaneamente, seus cabelos e sua coxa ainda coberta. O rastro deixado por suas mãos e sua voz sedutora fizeram com que o desejo da namorada sobrepujasse qualquer outro pensamento — inclusive a timidez, pois em qualquer outra situação suas palavras seriam extremamente desconfortáveis.
― Gosto... mas tire logo isso! ― balbuciou rapidamente, ciente de que ele não prosseguiria até respondê-lo. De algum modo inexplicável, a experiência de contemplá-lo enquanto a tocava era sensual para ela.
E ele o fez: satisfez o anseio de Misaki, puxando o pano escuro restante com os dentes, mais uma vez. Contudo, não lambeu a perna durante seu percurso; apenas arrastou o tecido sedoso sobre a superfície macia e cálida. Va-ga-ro-sa-men-te. E a maid, que observava seus movimentos com atenção, cerrou as pálpebras e mordeu o lábio ― os membros inferiores tornavam-se mais e mais sensíveis com a lentidão exagerada.
Quando Usui avançou sobre a pele convidativa, a morena reagiu facilmente à mínima impressão física. Gemeu de forma incoercível ao sentir o vestígio úmido da língua do loiro a deslizar entre as panturrilhas e o dorso das coxas e dos joelhos ― Takumi orgulhou-se ao descobrir mais um ponto fraco da namorada, que enterrara ambas as mãos em seus cabelos. Aproveitando-se de seu pequeno lapso, o rapaz retirou-lhe o rebuscado short do uniforme, assim como sua calcinha, enquanto explorava as longas e suaves pernas de sua maid com beijos abrasadores.
Misaki inspirava e expirava com dificuldade: a respiração falhava, entrecortada por murmúrios de contentamento. E obstruiu ainda mais a passagem de ar ao extravasar seu prazer quando sentiu algo úmido e sedento a lhe invadir a intimidade. Contraiu-se, em expectativa, enquanto os lábios do loiro desfrutavam do sabor de seu cerne com lascivo entusiasmo. Desejava, contudo, mais que uma carícia externa — e logo os dedos de Usui substituíram o anterior contato com sua boca, que voltou ao seu pescoço enquanto o indicador e o médio imergiram em suas entranhas.
― Você gosta disso, presidente? ― indagou ele, enquanto roçava a língua sobre a garganta e intensificava seus movimentos no interior da namorada. Passou a acariciá-la também exteriormente, com o polegar, e a morena contorceu-se, em choque. ― Faz você querer mais?
Ah, ela ansiava por mais ― muito mais. Além de deleitar-se com os dedos a penetrá-la, retorcendo seu íntimo numa sensação indescritível, ainda o fazia ao sentir um deles a friccionar seus pontos sensíveis, enquanto Takumi descia até seu busto e empurrava o tecido franzido que o cobria. Seu ápice aproximava-se cada vez mais, principalmente ao senti-lo chupar seus mamilos enrijecidos. Ao ouvi-la expressar-se tão desconexa e inflamada, uma de suas vontades superou todas as outras, e ele deixou as mamas para sussurrar sobre a bochecha rosada da maid:
― Olhe pra mim, Misaki.
O pedido ― quase uma ordem, devido à seriedade com que ele o falara ― não foi imediatamente apreendido pela morena, pois se concentrar em algo além do próprio prazer exigia um descomunal esforço. Porém, ela compreendeu ― o loiro queria que a única visão dela em seu orgasmo fossem um par de pérolas esmeraldinas. Enfim, abriu os olhos para fitá-lo, mas foi arrastada por uma inexorável onda sensorial e os fechou de novo, enquanto gemia em protesto, pois ele fizera de propósito.
― Então você quer que eu pare? ― Como era bom provocar sua maid desobediente, ele pensou enquanto diminuía a velocidade de seus dedos, empurrando-os e puxando-os cada vez mais lentamente. Esperava por uma resposta.
― Não... ― balbuciou enquanto remexia-se, em busca de alívio.
― Pode fazer melhor que isso, Misa-chan. ― Ela nunca iria reunir a consciência necessária para sibilar mais que monossílabos se ele a atiçasse com estes murmúrios graves, muito menos enquanto mordia e lambia seu lóbulo. Entretanto, desta maneira era muito mais divertido para ele. ― Diga-me o que você quer.
Usui já lhe havia feito a mesma pergunta ― porém a situação era completamente distinta. Antes não haviam estímulos ao seu sexo ― estímulos deliberadamente lentos, provocantes, delirantes. Não havia ânsia absurda ― ao menos não no nível em que ela se encontrava agora, na saleta parcialmente iluminada. E, desta vez, não haviam restrições ― ela poderia gemer e gritar o quanto suas cordas vocais permitissem.
― Eu quero mais. ― A ênfase que ela dera ao último vocábulo foi obscena, evidenciando sua luxúria.
E mais uma vez foi tomada pelo arrebatamento, imediatamente após ele retornar ao ritmo alucinante. Reconhecia parcialmente os lábios dele sobre seu colo; todavia, seu inconsciente dedicava-se exclusivamente às sensações que provinham do centro de suas coxas. Deitou sobre a mesa e não resistiu muito mais, explodindo em êxtase ao redor dos dedos que contraíam e apertavam sua intimidade. No entanto, não teve tempo para aquietar-se de seus espasmos involuntários: Takumi prosseguiu em suas carícias, mesmo após a sua liberação. A morena debatia-se, assustada com a deliciosamente opressora sensação que lhe consumia mais uma vez ― era demais para ela.
― Ta...kumi! ― Ela ofegou enquanto tentava escapar, pois o corpo do loiro estava sobre o dela, imobilizando-a com alguma suavidade. O cerne, já suscetível devido ao clímax que atingira, alcançava agora estágios desconhecidos para ela. ― É... muito...!
Desorientada, ela imaginou que ele sussurrava bem próximo de sua orelha que ela iria gostar, de qualquer forma. Seus dedos a massageavam e penetravam-na com maior intensidade ― o prazer que sentira em seu último orgasmo já havia sido ultrapassado e acumulava-se mais e mais. Seus gemidos acompanhavam esta gradativa ampliação, e incentivaram o rapaz a aplicar maior força e velocidade ao esfregar e mergulhar-se em seu sexo. Finalmente, quando tornou-se insuportável alcançar maior deleite, o fogo em seu ventre expandiu-se, abrasando tudo em seu caminho. A consciência dissipou-se com sensação primitiva; os sentidos entorpeceram-se diante das chamas que os incendiaram; somente a voz se manteve, num longo e aquecido grito final.
Referenciais como tempo e espaço ainda não haviam retornado à sua mente; tentava, apenas, recuperar-se do cansaço após a impressão sensitiva que lhe exauriu todas as energias. Já estava vagamente ciente enquanto Usui a posicionava sentada novamente. Quando percebeu que a respiração dela suavizara e suas íris não mais desfocaram-se, beijou a curva de seu pescoço longamente. Assisti-la tão descontrolada o excitava mais do que presumira.
― Eu disse que iria gostar. ― Ele nem ao menos negara o fato de que ela apreciara. E Misaki não poderia discordar dele; estaria mentindo se o fizesse. Mas permanecia uma dúvida.
― Por quê? ― indagou, simplesmente. Por que ali, e não em outro local? Por que naquele momento, e não antes? Ele assimilou o sentido de sua pergunta com facilidade ― provavelmente porque esperava por ela.
― Talvez ― soprou ele, contendo um sorriso travesso ― eu goste de brincar com você quando está vestida assim.
Ultrajada, ela o encarou com a fronte crispada. Ciente do estado de seu namorado, ansioso para aconchegar-se e perder-se com ela, sua mente elaborava um revide digno. Se aquele estúpido pervertido achava que permaneceria incólume, estava muito enganado.
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