Garotas Precisam Saber
4 Garota 4
Notas iniciais

Garota 4
Ela sempre está lá.
Veste rosa, azul, amarelo, às vezes lilás. Gosto quando ela usa seu casaco florido de cristais, gosto quando põe a saia laranja que combina com seus olhos verdes. Ela tem lindos e brilhantes olhos verdes, abertos como duas esmeraldas. Tem cílios loiros, que combinam com o cabelo de marfim.
Sua pele é tão brilhosa.
Brilha com os lustres, com as lâmpadas, com o pisca-pisca. Qualquer coisa a faz brilhar um pouco mais. Faz seu sorriso aparecer – sorriso branco, de lábios finos e arroxeados pelo batom.
Tem um corpo tão magro.
Eu consigo ver, mesmo daqui, o espaço entre suas pernas, as clavículas aparecendo pelo tecido da roupa, os braços tão finos que meus dedos podem se fechar no pulso.
E então ela dança.
Pega um par, sempre ele, o garoto mais bonito da noite, e baila por todo o salão. Roda com os dedos bem fechados na mão dele, sorri e solta sua beleza para todos verem.
Queria ser que nem ela.
Acho que foi num dia chuvoso que minha amiga me cutucou. Ela me perguntou se eu gostava dela, a garota loira de marfim, Catallena. Eu só descobri o nome dela naquele dia. Eu disse que não; nunca senti nenhuma atração por garotas, porque eu sou uma. E seria estranho se eu me sentisse assim.
Então ela me perguntou: que há, o que há, o que há? Que não para de olhá-la, de olhá-la, de olhá-la.
Olhei Catallena. Ela tinha o mesmo sorriso de sempre, mas eu soltei um muito triste. Queria ser como ela. Queria ter o cabelo de marfim. A pele clarinha e brilhante. Queria saltar nas pontas de minhas sapatilhas, rodar com o homem mais bonito da noite.
Eu queria tanto ser Catallena.
O que há, querida amiga, é que sou uma invejosa.
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