Garota problema
11 Partida
— Por quê? — A voz irritante de Naruto conseguia me alcançar mesmo dentro do banheiro, com a porta fechada e o chuveiro ligado. — Por quê?
Fechei os olhos e cerrei os dentes.
— Não sei! — Gritei de volta, já irritado com a atitude infantil de Naruto. Não escutei nada, apenas a porta batendo.
Continuei a terminar o meu banho, sabia que Naruto não aguentaria muito o silêncio se estivesse fingindo. Quando sai, certifiquei-me de que tudo parecia vazio e corri para o quarto, trocando-me com calma… Realmente Naruto parecia ter largado o osso, o que era ótimo. A realidade é que eu não sabia porque eu respondi o nome de Hinata, ela era especial, realmente, mas não era nem de longe a resposta certa para aquela pergunta… Seria?
— Por quê? — É óbvio que Naruto estaria ali ainda, trinquei os dentes novamente e respondi com voracidade:
— Não sei.
— Acho que você pode se qualificar como masoquista. — Olhei para Naruto, que estava com um sorriso genioso no rosto, como se descobrisse alguma parte nova do mundo que só ele conhecia. Uma verdade incontestável.
— Que é isso agora? — Suspirei.
— Você não gosta de Hinata… — Olhei furioso para ele. — Ao menos, não o suficiente. Mas respondeu que era ela a garota para Sakura, que é quem você ama. — Pontuou aquilo com bastante veemência.
— Eu não amo.
— Tá, tá, que seja… Não me importa muito, gosta o suficiente. Essas coisas não somem assim. — Apontou o dedo para o meu rosto, em acusação aos meus próprios sentimentos.
— Você não é mais apaixonado por ela. — Tirei o seu dedo dali bruscamente.
— Eu não conto. — Foi sincero, sabia disso. — Acho que era mais a ideia de ter alguém. Não posso dizer que estava apaixonado, bom, não éramos nem namorados fora da minha cabeça.
— Essa é a coisa mais maluca que você já me disse.
— Talvez eu precise parar com as mulheres. — Declarou com outro sorriso generoso, não pude deixar de sorrir.
— Agora está com os caras, hein? — Provoquei.
— Talvez... Quem é que sabe? — Respondeu com seriedade. — Mas acho que basta de relacionamentos para mim, por um tempo. Vou procurar a minha mãe.
Fiquei em silêncio por um tempo. Naruto raramente falava de sua família biológica, sempre viveu sozinho, de família em família e de uma maneira completamente única. Por sorte, as famílias nunca o retiravam da escola em que eu estava e conseguimos manter contato por tantos anos, mas ele sabia que a mãe dele estava em algum lugar, bastava pedir um endereço para a diretora do orfanato onde passou a maior parte da vida.
— Está pronto? — Perguntei com cautela.
— Acho que está na hora. Talvez ela me entenda. — Foi a única resposta sem qualquer sorriso que ele dera até aquele momento.
— Quando você vai?
— Ainda não sei. — Naruto olhou para o nada por algum tempo e decidi que era o momento de acabar com aquele assunto. Era o momento de ir embora e trabalhar, encarar Sakura depois de ontem.
— Ei, Sasuke… — Chamou Naruto e eu apenas parei, sem me virar, esperando que algo imbecil estava prestes a vir. — Fale o nome certo na próxima vez. — Como sempre um imbecil.
Concordei e deixei o prédio, correndo para o trabalho. Sabia que perder dois dias de aula podiam ser o suficiente para me atrasar na faculdade, mas teria que ser sincero comigo mesmo e entender o tamanho do meu prejuízo depois. Agora, eu precisava chegar ao trabalho o mais rápido possível, atrasar no primeiro dia pode ser o suficiente para que as pessoas te demitam, ainda mais quando você dispensava a própria chefe… Não que eu imaginasse que Sakura fosse uma pessoa ridiculamente patética e que misturaria o pessoal e profissional, porém, eu realmente não a conhecia. Eu queria sentir que era verdade o que ela dizia, queria mesmo acreditar em cada palavra. Naruto parecia concordar com o que ela dizia, parecia tranquilo, ainda assim…
Cheguei afobado e quase me perdi duas vezes a caminho do meu setor. Aquela empresa era enorme, por Deus, era fácil demais se perder. Por um lado, talvez não encontrasse Sakura hoje, como chefe do departamento, talvez ela estivesse muito ocupada.
— Está atrasado. — Ouvi a voz de Karin bem atrás de mim enquanto ajeitava minhas coisas. Concordei com a cabeça. — Ontem você faltou. — Concordei novamente, não tinha muito o que dizer. — Não é muito respeitoso se atrasar no dia de treinamento, agora você fica desamparado.
— Quem usa desamparado? — Pensei em voz alta e arregalei os olhos quando percebi que Karin ouviu, e parecia furiosa.
— Pessoas normais! — Ouvi a sua voz estridente. — Eu me preocuparia muito mais em manter seu emprego.
— Não penso que vamos demitir pessoas tão cedo, Karin. — Ouvi a voz de Sakura. Virei-me junto com Karin. — E não se preocupe, Karin, Sasuke teve um bom motivo para faltar… Vamos começar?
Concordamos, observando como Sakura fizera um esforço em vão para esconder os machucados. Ainda podia ver, por baixo da maquiagem, os hematomas e alguns arranhões daquela noite em que ele a deixou esperando. Karin arregalou os olhos e estava prestes a perguntar alguma coisa, quando percebeu o olhar de Sakura e cerrou os lábios, o ideal agora era não falar nada, assim eu o faria.
Acompanhei Sakura o dia inteiro e não falei nada enquanto ela explicava o meu trabalho, que era até bem simples. Em nenhum momento Sakura falou sobre Hinata ou sobre a noite do incidente, eu também não toquei no assunto, pelo visto o assunto se encerrou no momento em que ela foi embora. No entanto, quando nos encontramos no elevador, prestes a sair, percebi que não poderia deixar o assunto inacabado:
— Você não ligou. — Declarei, observando os andares descendo conforme o elevador se movimentava.
— Hein? — Ouvi sakura sair de seu próprio devaneio, e sorri um pouco.
— Você disse que ligaria, ontem… Não ligou. — Pude ouvir ela engasgando um pouco, virei e a vi arregalando os olhos.
— Bem, teoricamente, eu não disse nada.
Eu ri.
— Ok, você balançou a cabeça, justo. — Ela sorriu de uma maneira maravilhosa e depois fez uma careta. — Ainda dói?
Ela concordou e voltou a ficar séria.
— Desculpe… Eu realmente não queria incomodar, liguei para o seu irmão… Acho, acho que é seu irmão, vocês são parecidos. — Foi a minha vez de fazer uma careta.
— Itachi? Como você tem o número dele?
— Ele deixou anotado na minha agenda, deixou ali enquanto procurava qualquer número para ligar… Bom, acho que ele ficou ressentido que não havia nenhum familiar ali e deixou o número. — Ela suspirou. — Achei que ele estivesse com você e teria avisado. Mas, como pode ver, cheguei bem. — Ela sorriu, eu não.
— Não ligue mais para Itachi. — Foi a única coisa que fui capaz de articular, não podia acreditar que ele fizera aquilo, não era possível que ela pensou que seria melhor ligar para ele.
Sai do elevador sem olhar para trás, esperando que a raiva se dissipasse no caminho para casa, aquela era a desculpa perfeita para Itachi aparecer lá hoje. Certamente, ele estaria no apartamento hoje para resolver o que quer que ele achava que tinha para resolver. Eu estava tão bravo que até mesmo Sakura no meu encalço começou a incomodar, até o momento em que eu virei e gritei:
— Pare de me seguir! — Sakura arregalou os olhos, apenas por um instante e depois franziu o cenho, extremamente irritada.
— Eu moro duas ruas atrás de você! — Vociferou de volta. — Não me importam os seus problemas, mas não me destrate por simplesmente andar. — Ela corou um pouco, certamente não acostumada a utilizar aquele tom de voz.
— Desculpe. — Foi a única coisa que disse e esperei que ela continuasse a caminhar, ela ficou parada por um momento, ponderando se devia continuar ou parar de uma vez por todas de seguir para a própria casa. Por fim, optou por continuar e eu a acompanhei.
O caminho foi silencioso, nenhum dos dois ousou trocar uma palavra e não acho que haveria qualquer assunto entre nós naquele momento. Ainda havia muita coisa não dita e pouco entendimento, talvez fosse melhor o silêncio, mas eu realmente gostaria que ela iniciasse um assunto qualquer, sobre qualquer tema por mais banal que fosse. Quando alcançamos a rua de Sakura, por um impulso qualquer eu resolvi falar.
— Está livre mais tarde?
Sakura franziu o cenho e simplesmente assentiu, entendi aquilo como um simples sim e resolvi seguir meu caminho.
— Não para você, Sasuke. — Ouvi sua voz atrás de mim e me virei, esperando qualquer reação da parte dela, e acho que ela também esperava algo de mim. Sakura estava impassível, nenhum sentimento perpassava seu rosto e eu sabia muito bem que ela falara sério.
— Terminamos aqui? — Perguntei ainda uma última vez.
Ela assentiu e seguiu o próprio caminho, observei sua silhueta seguir o caminho de seu prédio e esperei que ela entrasse, o estômago embrulhado e completamente atordoado com o rumo daquela história. Por um momento, por mais de um momento na verdade, eu pensei que Sakura havia me dito toda a verdade anteriormente, mas que agora não suportava mais aquela história, aquele “sei lá como nomear o que tínhamos” ou que temos. Ainda assim, parecia que algo não se encaixava, ela estava simplesmente partindo e rápido demais, como a história não era estranha?
Como simplesmente tudo aquilo não era confuso? Como eu poderia resolver qualquer assunto? Felizmente, e para quase que meu completo alívio, a moto de Itachi estava estacionada na entrada de meu prédio e ele me esperava ali, pronto para qualquer conversa. Eu estava cansado daquela merda também.
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