Garota problema
6 Desencontros
Notas iniciais
Eu não sabia muito bem se o convite de Sakura era real ou não. Era fácil conversar com ela, sua espontaneidade era algo espetacular. Parecia que conversar com ela era como simplesmente externar meus próprios pensamentos sem qualquer julgamento, principalmente ao que se referia aos meus traumas e cicatrizes.
Não que conversávamos muito sobre essas questões, meias palavras bastavam para que um entendesse o outro e deixasse o assunto para depois. Não era necessário falar mais para que o outro compreendesse.
No entanto, aqui estava eu: depois da aula e sem rumo quanto ao encontro com Sakura. Seria no mesmo café? Era para não ter flores realmente? Deveria eu ligar para confirmar qualquer coisa?
Sakura realmente enfatizou a questão das flores, talvez ela as quisesse realmente. Seria uma daquelas mensagens duplas? Do tipo "não faça", mas que no fundo era necessário fazer? Arrisquei que talvez fosse isso e parei na mesma banca de flores, sem saber exatamente como escolher o que seria ideal.
Estava atrasado? Não saberia dizer, não foi nada combinado. Realmente, estava ficando um tanto quanto insatisfeito com toda aquela situação. O problema, porém, é que eu me recusava a ligar para Sakura perguntando qualquer coisa, primeiro porque eu detestava falar ao telefone, e segundo porque eu sabia exatamente o que fazer, estava apenas tentando encontrar uma maneira de me sabotar. Fingir que não sabia o que fazer, quando eu tinha certeza do que deveria ser feito. Apenas a boa e velha sabotagem.
Ao menos, era isso o que eu costumava fazer com qualquer garota que se mostrasse disposta a se relacionar comigo, em qualquer âmbito, amoroso ou amigável. Eu sabia que fazia isso apenas por causa das cicatrizes nos últimos tempos, mas como Sakura já tinha superado essa barreira, o problema era outro. Dessa maneira, a coisa mais frustrante disso tudo é que eu não sabia o porquê de fazer aquilo.
Provavelmente Freud explicava isso. Ri internamente daquela minha piada, que era sempre contada pelo meu pai quando eu fazia algo que não entendia muito bem. Com Sakura agora era tudo tão diferente que eu não saberia dizer exatamente qual era o problema, nem por onde ele começava.
— Então você voltou, hein? — Disse Ino ao me reconhecer entre as flores de sua banca.
— Hm, obrigado por ontem. — Respondi sinceramente. — Poderia me ajudar hoje de novo?
Ino levantou uma sobrancelha.
— Sakura me contou o que você disse… Achei legal, estranho, mas legal.
— Estranho?
— É, a maioria só deixaria quieta a situação e fingiria ser o cara legal que não se esqueceu de levar flores. — Ela disse simplesmente. — O que você precisa hoje?
Demorei um pouco antes de responder, desconfortavelmente:
— Qual a flor favorita de Sakura?
— Camélias. Acho que tenho algumas aqui… Como você gostaria do buquê? — Ino arrumava algumas flores e plantas para que eu pudesse escolher. — Essas aqui são as que mais combinam com camélias.
— Na verdade, Ino, levarei apenas uma camélia. — Respondi muito sinceramente e a garota arregalou os olhos.
Sem mais objeções, mas com alguns julgamentos como pude perceber, ela entregou apenas uma camélia. Quando fui pagar, ela disse que essa ficaria por conta da casa pela sinceridade com Sakura.
Segui para o encontro, sabia que seria na mesma cafeteria. Também sabia que seria no mesmo horário em que nos encontramos ontem e já estava um pouco atrasado. Felizmente, Sakura ainda não tinha chegado.
Sentei na mesma mesa e esperei por ela enquanto escolhia um café diferente para experimentar... Será que esse era mesmo o encontro ou eu deveria ter ligado?
— Pensei que eu tivesse dito sem flores. — Essa foi a forma brincalhona que Sakura encontrou de falar “Oi” enquanto se sentava, ainda mais elegante que o dia anterior e também aparentemente mais cansada.
— Bom, no plural… Eu trouxe uma única. — Respondi com simplicidade, entregando a camélia para ela, que aceitou com ternura.
— Ino disse que era a minha favorita, não?
Confirmei com a cabeça, não havia necessidade de mentir para Sakura. Na realidade, mentir seria uma maneira de simplesmente complicar tudo. Com ela, tudo era realmente muito descontraído e simples, sem nada mais por trás do que dizíamos. Pedimos nossos cafés e conversamos por algumas horas sobre o nosso dia.
— Relacionamentos? — Perguntou ela, em nosso jogo favorito: apresentar um tópico para o outro discorrer um pouco sobre e oferecer uma opinião sincera.
— Em que sentido? — Perguntei.
— Amorosos.
— Bom, nunca tive um que durasse mais que alguns poucos meses. Não sei se sou muito fácil de lidar. — Sorri timidamente para a garota, lembrando do nosso primeiro encontro e como fui grosseiro com ela em um primeiro momento.
— Dessa maneira, acho que você precisa se valorizar um pouco melhor. Talvez as outras pessoas é que não fossem fáceis de lidar. — Sakura respondeu simplesmente enquanto tomava uma xícara de café. — Sua vez.
— Relacionamentos? — Perguntei o mesmo.
— Hahaha, mereci essa rebatida… Tive alguns relacionamentos sim, alguns bem duradouros… Na maioria dos casos, o cara acaba desistindo… Mas tem esse de agora…
— Agora? — Fiquei um tanto surpreso.
— Sim, sai com ele algumas vezes e ele vive me convidando para sair novamente… Não sei se gostaria de continuar com isso, mas não sei como dizer que não quero nada demais. Na realidade, que não quero nada.
— Você pode ser sincera com ele. — Respondi simplesmente. De alguma maneira, não sabia dizer se Sakura estava falando de mim ou não, então a convidei para me encontrar com Naruto e a garota dele hoje — Quer sair comigo mais tarde?
Sakura deu uma risada.
— Não falava de você. É só um carinha que eu não sei como dispensar… Mas terei que fazer, a sinceridade é melhor nesses casos. — Bebeu mais um gole do café. — Minha vez agora? Hmmm, amizades?
Demorei um pouco a responder, perdido em alguns pensamentos meus. Sakura era uma pessoa muito fácil mesmo de se lidar, mas parecia que algo ali estava implícito. Algo que eu precisava notar de qualquer maneira.
— O convite foi verdadeiro… Quer sair comigo mais tarde? Vou para um barzinho com alguns amigos, pode ser considerado um… bem.... — Respondi, tentando encontrar alguma palavra… Um encontro duplo? Sakura notou que eu não respondi a pergunta dela.
— Hoje talvez eu não consiga, preciso terminar umas coisinhas… Bem, talvez amanhã? — Ela propôs e eu aceitei, era mais fácil que ficasse assim mesmo. — E, então, amizades?
— Ela parece interessante… Nunca vi você se atrasar. — Disse Naruto quando eu entrei correndo, pronto para me trocar e sair. O lado bom é que eu acabara de deixar Sakura em sua casa e o bar era próximo dali.
— Desculpe. — Respondi enquanto jogava desodorante para disfarçar que eu não me arrumara o suficiente para conhecer a namorada de Naruto.
— Então, ela é interessante… — Naruto deixou implícito seu comentário e eu joguei a camisa que estava nele.
— Fique quieto!
Terminei de me arrumar muito rapidamente e corremos para o bar. Eu torcia para que a garota tivesse se atrasado de alguma maneira, para que não ficasse feio o atraso. Afinal, eu ficaria desconfortável com a situação, odiava conhecer pessoas novas.
Ao chegar no bar, Naruto procurou a garota dele rapidamente até que começamos a nos dirigir para o balcão e algo de estranho chamou a minha atenção.
— Estamos indo para um lugar vazio? — Perguntei para Naruto, que riu com minha suposição.
— Não... Aquela ali é a bolsa dela, sei disso. — Respondeu simplesmente enquanto nos sentávamos ali esperando por ela. — Ela deve voltar a qualquer minuto.
Esperamos um pouco mais e aproveitamos para pedir nossas bebidas, quando Naruto disse:
— Ali está ela... Ei, aqui, Sakura! — Sakura? Arregalei os olhos.
— Sasuke? — Ouvi a voz surpresa de Sakura atrás de mim.
Virando-me instintivamente, apenas para confirmar se realmente era a garota que eu conheci naquela semana. Deparei-me com grandes olhos verdes e uma cabeleira rosa muito conhecida.
— Ah, então vocês já se conhecem, é? — Disse Naruto atrás de mim, muito animado. — Podemos pular as apresentações, então?
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