Uma garota, da minha idade talvez, me encarava. Ela tinha um longo cabelo rosa pálido, cor de cerejeira e enormes olhos verdes e brilhantes. Sua expressão era um pouco furiosa.

— Sua? – respondi na defensiva. Ora, realmente ela achava que poderia conseguir uma mesa assim?

Garotas bonitas sempre usam truques baixos para conseguir as coisas.

— Sim. Minha. Ou por acaso está fingindo que essa bolsa é sua também? – ela respondeu arisca enquanto apontava para uma pequena bolsa ao meu lado.

Fiquei vermelho de vergonha, a mesa era realmente da garota e eu estava ocupando sem o menor pudor. Comecei a me levantar.

— Perdão... Não... Eu... – falei um pouco encabulado e a expressão da garota se suavizou.

— Não tenho problema se quiser sentar comigo... Sou Sakura. – Ela sorriu e estendeu a mão. Apertei sua pequena mão e voltei a me sentar, dessa vez do outro lado, para que ela ficasse no lugar dela.

Sakura se sentou e ficou me encarando. Eu não sabia muito bem o que dizer, eu apenas estava sentado na mesa da garota e de repente ela estava sendo muito gentil. Eu provavelmente não seria gentil assim. Eu realmente estava confuso e não sabia muito bem como agir, meu dia estava sendo horrível e eu não sabia por onde começar uma conversa com uma garota bonita e gentil como Sakura.

— Você pode começar me dizendo seu nome. – ela disse como se lesse a minha mente.

— Sasuke. – respondi imediatamente, sem muito a acrescentar.

— Então... Sasuke. Quer beber alguma coisa? Nessa parte aqui tem um vinho barato muito gostoso. – Sakura continuou conversando, como se já nos conhecêssemos e não como duas pessoas que acabaram de se conhecer ao acaso, brigando por uma mesa.

Assenti cautelosamente, não sabia muito bem o que fazer.

— Você é daqui? – Ela perguntou.

Neguei com a cabeça.

Meu deus, o que estava fazendo? Será possível que eu não consiga manter uma conversa com a garota? Pigarreei.

— Hmm... Cheguei hoje, não conheço muito as coisas aqui. – respondi em voz alta, tentando ser um pouco mais educado do que habitualmente sou no geral.

— Ah! Legal! Você vai adorar, eu cheguei tem um tempo aqui por causa dos estudos... Você faz o quê? – Ela sorria e me oferecia o vinho que comentou anteriormente, aceitei.

— Estou estudando Direito na Universidade daqui. – respondi, bebendo um pouco do delicioso vinho que Sakura ofereceu.

Ela riu um pouco para si.

— Podemos dizer que você é meu calouro? – eu sorri com aquilo, ela estava levando a conversa de maneira muito natural. Era simpática simplesmente e parecia realmente interessada.

— Claro, acho que pode ser isso... Eu estou atrapalhando sua noite com os amigos? – perguntei simplesmente. Parecia que Sakura estava ali meramente por educação, talvez eu não devesse ter aceitado convite para dividir a mesa e o vinho.

Ela negou e riu.

— Não! Eu estou sozinha essa noite... detesto festas barulhentas, mas hoje esse bar resolveu que faria duas bebidas pelo preço de uma, claro, ficou desse modo como está vendo. – ela fez uma pausa, apontando para o outro lado do restaurante. – Sou um pouco chata com isso, o lugar geralmente é mais calmo. Desculpe se estou atrapalhando sua noite com os seus amigos, se quiser pode ficar com a mesa, só queria minha bolsa mesmo. – ela estava prestes a levantar, mas eu a interrompi segurando sua mão.

Fiquei impressionado com a minha capacidade de não deixá-la ir embora naquele momento. Afinal, basicamente eu a expulsei dali com minha falta de tato.

— Eu detesto esses lugares também, vim ao acaso e estou sozinho. – Sorri para a garota. – Acho que podemos continuar a dividir o vinho.

Ela sorriu novamente e voltou a se sentar com a minha oferta. Depois desse início um pouco conturbado e peculiar, em que os dois tentavam entender um ao outro, as coisas ficaram mais simples. Era fácil manter uma conversa com Sakura no fim das contas, não havia ali um momento constrangedor.

Descobri que Sakura era uma pessoa realmente sorridente, não estava fazendo aquilo apenas por educação no começo. Conversamos bastante, uma taça atrás da outra, sobre um pouco de tudo e de tudo um pouco. As horas passavam sem que fossemos capazes de acompanhar, imersos do jeito que estávamos.

A garota era realmente muito bonita e um perfume diferente exalava dela, muito floral. Seu cabelo rosa, estranhamente, combinava muito com sua pele alva e deixavam os olhos, verdes como duas esmeraldas, em destaque total. Grandes e curiosos, movendo-se de maneira singular conforme a conversa fluía.

Sakura comentou um pouco sobre a Universidade e os professores, eu falava sobre o que esperava. Depois, falamos sobre carreiras, sonhos de infância, astrologia, livros e filmes, o assunto transitava facilmente e nenhum silêncio ficava entre nós. Mesmo quando não se tinha nada a dizer, parecia que sempre havia algo a acrescentar.

Uma taça após a outra e conversávamos mais meia hora sobre qualquer coisa: fuso-horário, sutiãs estranhos, as músicas que tocavam. Fizemos um jogo para beber sempre que um de nós se irritava com a batida. Com isso, bebíamos bem mais que o esperado, e continuávamos a conversar sem parar.

Era fácil demais conversar com Sakura, ela era risonha, mas sabia ser séria quando precisava. Não que nenhum de nós estivesse sendo realmente sério, porém ela mantinha uma certa compostura. O constrangimento inicial foi esquecido rapidamente e entre uma taça e outra, nos divertíamos conversando aleatoriamente.

Dividimos uma porção de batata frita e ela disse que adorava aquilo com sorvete. Eu estranhei, mas revelei que adorava pipoca com chocolate, uma mania do meu irmão. Ela nunca tinha experimentado, mas disse que daria uma chance. Sendo assim, ela pediu o sorvete e me fez experimentar, como uma troca justa de paladares.

Sakura era realmente divertida, acho que conversamos por mais umas três horas antes que o silêncio se instala-se por completo. A música agora um pouco mais alta, já que as pessoas chegavam aos montes. Não sei quando, mas Sakura e eu estávamos ao mesmo lado da mesa faz um tempo, dividindo mais uma taça de vinho depois que eu detestei as batatas com sorvete.

O silêncio, contudo, não era constrangedor. Nada parecido com aquele há algumas horas quando nos conhecemos, era calmo e simples. Sem pressão alguma para continuar a conversa, mas foi Sakura quem falou primeiro. Afinal, algo ainda pairava no ar.

— Você é meio lerdinho, não? – ela disse com uma mão apoiando a cabeça na mesa enquanto me observava.

— Hein? – fiquei um pouco ofendido e ela riu.

— Talvez eu quem seja boba... – ela disse, por fim, um pouco mais baixo e arrumando o cabelo atrás da orelha.

O silêncio agora estava começando a ficar um pouco estranho.

— Como assim? – resolvi saber o que ela queria dizer com tudo aquilo, ficando um pouco nervoso.

— Não sei... Achei que talvez... Só talvez, você quisesse me beijar. – Sakura me olhou, não esperançosa, mas apenas sendo sincera. Aqueles profundos olhos verdes muito incomuns não esperando por uma resposta, revelando-se apenas.

Eu realmente achava a garota bonita e pensei em beijá-la algumas vezes durante a nossa conversa, porém não sabia muito bem se ela queria isso. Estava impressionado em como ela poderia ser direta. Ela riu um pouco da minha expressão.

— Sem pressão! – Ela bebeu mais um gole da sua taça e estava prestes a começar outro assunto quando eu sorri e me aproximei para beijá-la com delicadeza.

Sakura, felizmente, correspondeu com entusiasmo.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Não deixem de comentar na história :)