P.O.V. Jocelyn.

Imagine a minha cara quando a minha irmã e a minha filha aparecem. E pela cara da Sarah ela já sabia da minha mentira.

—Como você pode Jocelyn?! Você sabia que ela estava viva!

—Eu queria um filho! E você sempre foi a preferida! Sempre teve tudo o que queria!

—E acha que isso justifica o que fez comigo?!

—Não. Eu sinto muito, mas eu tava com tanta raiva.

—Bom, pelo menos agora eu sei que a Karen tá viva.

—Ela não é a Karen. Ela é a Clary, a Karen mora em Winsconsin.

—O que?

—São gêmeas.

—Gêmeas?! Então vamos encontrá-la agora!

—Mas, ela não sabe.

—Mas, vai saber. Eu não quero mais mentiras!

Nós viajamos até a casa da outra gêmea e quando a mãe adotiva abriu a porta ficou chocada.

—Estamos procurando a Karen.

—Entrem por favor. Karen! Você tem visita.

Quando as duas se viram gritaram.

—Como é possível? Como somos tão parecidas?

—Vocês são gêmeas. As minhas lindas filhas gêmeas. Clary e Karen.

A única diferença entre as duas era a cor dos cabelos. Os de Clary estavam tingidos de ruivo e os de Karen eram naturais pretos iguais ao de Sarah.

—Eu sou adotada?!

—É. Nós duas somos, a diferença é que eu fui adotada pela nossa tia Jocelyn e pensava que a nossa mãe havia morrido no parto. Ela pensava que eu era a única e que eu tinha morrido quando nascemos.

—Eu sou gêmea. E a minha mãe é uma gata!

—Você já manifestou algum poder Karen?

—Poder? Do que essa mulher está falando?

—Como sabe que tenho poderes?

—Porque eu também tenho. Foi de mim que os seus poderes vieram, afinal filha de bruxa bruxinha é.

—Bruxas Karen? Não acredita nessa bobagem não é?

—Eu sou uma bruxa.

—Metade bruxa, metade caçadora de sombras.

—Caçadora de sombras?

—Descendentes do anjo Raziel. Os mortais chamam pessoas como vocês de Nefilin.

—Você não vai encher a cabeça da minha filha de besteiras! Saia!

—Não são besteiras! E eu posso provar!

Ela fez um feitiço de levitação simples.

—Muito bem.

—Você já fez alguma cirurgia Karen?

—Tirei o apêndice.

—Isso explica a dor e o sumiço repentino do meu apêndice.

—O que?

—Você tava anestesiada, mas eu não. Comecei a sangrar e sangrar e o apêndice saiu, depois eu senti a sutura.

—Tá brincando né?

—Não. Olha a minha cicatriz.

—Caramba! É exatamente igual á minha.

—Tentem fazer contato físico uma com a outra.

Quando elas aproximaram as mãos saiu um brilho azul e elas se assustaram e se afastaram.

—Eu sabia! Vocês são as gêmeas da profecia!

—Como é possível?

—É magia minha senhora. Não tem explicação.

—Eu quero que você me ensine. Me ensine a manter o controle e a usar isso pra ajudar as pessoas.

—Eu vou ensinar. Você tentou praticar sozinha?

—Não.

—Ótimo. Não é bom fazer magia sem instrução adequada, as coisas podem acabar muito mal.

—Você aprendeu com alguém?

—Nossa mãe nos ensinou, a mãe dela ensinou a ela e assim por diante. Mas, é bom que saibam que com grandes poderes vem grandes responsabilidades.

Elas se abraçaram.

—Onde você mora Clary?

—Em Nova York.

—Se você quiser tem espaço para você na minha casa. Para vocês duas.

—Eu quero ir. Mas, preciso que a minha mãe me deixe ir.

—Pois vá. Vá e nunca mais volte.

—Mamãe...

—Eu não sou sua mãe. Eu não mãe de um monstro!

—Você é um monstro mulher! Você é o único monstro aqui! Mas, mesmo assim eu vos agradeço por ter cuidado da minha filha. Estou em dívida com você.

—Eu não quero nada de você.

—Mas, eu tenho que pagar.

—Se quer me pagar, leva embora a sua cria.

P.O.V. Sarah.

Descobrir que a minha filha está viva e ganhar mais uma de brinde é ótimo. Mas, agora nós vamos pra casa.

Pobre da minha Karen. Como podem os mortais serem tão frios?

—Não chore minha filha. Aquela mulher não merece você e muito menos suas preciosas lágrimas.

P.O.V. Karen.

Eu finalmente tenho a resposta que procurava. Eu não sou louca, sou uma bruxa. Infelizmente essa resposta me custou muito caro.

A minha mãe que nem minha mãe era me rejeitou. Disse que eu era um monstro, cria de bruxa.

—Eu sou cria de bruxa, mas não sou monstro.

—Claro que não minha filha.

Descobri que sou gêmea. Dá pra imaginar? Existem duas de mim neste mundo.

—Chegamos. Fiquem á vontade meninas. Temos muitos quartos para escolher.

E realmente tinha quarto pra caramba naquela casa que na verdade era uma mega mansão.

—Uau!

—Os dois únicos quartos ocupados são o meu e o de sua outra irmã Melanie.

—Tem placas com os nomes dos ocupantes nas portas dos quartos.

—Legal.

—Sua mãe sempre teve essa mania de organização.

—Podem ir. Escolham o quarto que quiserem e depois de feitas as escolhas vamos comprar os móveis e as plaquinhas.

—Uma vez que escolherem não tem como mudar.

—Elas podem trocar entre elas se quiserem, mas os móveis vão junto com o ocupante do quarto.

Eu escolhi um com as paredes pintadas de rosa e a Clary ficou com um que as paredes eram brancas.

—Escolheram?

—Sim.

—Ótimo. Vamos ás compras então.

Eu escolhi uma cama com dossel e mosquiteiro, o meu quarto ficou parecendo quarto de princesa de contos de fadas e o da minha gêmea ficou totalmente oposto. Ela colocou posteres de bandas de rock nas paredes e na parte interna da porta.

O meu lençol era de renda e o dela era de caveira, meu guarda roupa era cheio de vestidos, sapatilhas e sapatos de salto alto, o dela era jeans, camisetas de bandas de rock e tênis.

Eu fazia maquiagem leve que me deixava com cara de boneca e a minha gêmea usava maquiagem pesada que a fazia parecer uma vampira.

—Amanhã vamos matricular você na escola da Clary já que as férias estão quase no fim.

—Onde você estuda Clary?

—Na Trinity.

—O que?! Tá falando sério?

—Claro.

—Tudo bem. Acha que vão me aceitar sem reclamar?

—Acho. A mamãe sempre dá um jeito.

—Isso é verdade. Oi, sou Melanie, mas pode me chamar de Mel e esse é o meu namorado Nate.

—Olá, como vai.

—Vou bem. Eu sou...

—Karen. Eu sei. Fico feliz que tenha vindo morar com a gente.

—Ela sempre sabe de tudo. Você se acostuma.

—Vantagens de se ter um pé de cada lado.

—O que?

—Sou fantasma. Fantasma vivo, mas fantasma.

—Caraca! Loucura total.

—Bem vinda ao mundo de Sarah. Na nossa família nada é normal irmãzinha.

—Que tal desfazermos as malas, tomarmos um belo banho e tomar um bom café.

—Ta bem.

—Ótimo.

A comida da minha mãe era maravilhosa. Uma delícia mesmo, a Emily não sabia cozinhar era eu que fazia comida.

—Bom meninas, agora que já estão de banho tomado e barriguinha cheia estão livres pra fazer o que quiserem. Se forem sair levem o celular, se precisar de dinheiro peguem na minha carteira e não voltem muito tarde. É perigoso durante a noite.

—Vamos dormir um pouco porque á noite vou te levar no clube.

A última semana de férias foi demais. Nós nadamos, saímos á noite, dançamos e eu conheci um cara super legal. O nome dele é Chad.

—Oba! Minha irmã está de paquera novo.

—O Chad é gêmeo. O irmão dele é namorado de uma amiga minha.