Notas iniciais
Gente, é minha primeira fic, espero que gostem
Meu nome é Jenna Rivers, tenho 16 anos e passei minha vida inteira assombrada por elas , pesadas , obscuras e negras sombras. Às vezes, formavam um sirueta humana, como uma imagem borrada de uma pessoa sendo vista por trás de uma neblina. Mas nem sempre eram apenas sombras ou borrões. Eles falavam comigo, a voz deleas, eram tão ásperas como um rocha, cada palavra deles, poderiam cortar a garganta de qualquer um, como se engolissem cacos de vidro. Uma vez elas me tocaram, quando tinha 2 anos, eu estava sentada na sala, e uma sombra simplesmente saiu da parede e me envolveu, como um cobertor. Perguntei para mamãe que tipo de cobertor era aquele , e ela disse que não havia nada me envolvendo, aquela foi a primeira vez que as vi, e desde então, me atormentam a vida inteira.
Mamãe e Papai diziam que era coisa da minha cabeça, que estava louca e que precisava de " ajuda ". Quem dera eu estivesse. Por isso, fingi que não às via , e eles acreditaram nisso, pensaram que era coisa de criança, imaginação. Mas não tenho certeza absoluta de que eles não podem vê-las . Certa vez , quando estávamos na sala vendo Bates Motel , uma sombra atravessou a parede e se sentou ao meu lado. Já me acostumei com a sensação que tenho quando ás vejo : É como se um espelho se quebrasse dentro de mim, despedaçando e me rasgando de dentro pra fora. Com o tempo, essa sensação se tornou suportável, as vezes nem posso sentir , é como respirar. Quando você corre , tem que recuperar o fôlego, e ouve sua respiração densa por um bom tempo. E quando está dormindo, não sente. É alvo automático.
Mamãe se vira para me encarar, uma expressão de pavor atravessa seu rosto, e desaparece um segundo depois, fazendo-os se concentrar na TV novamente. Será que ela pode vê-las? Não, isso é impossível, só eu posso vê-las e sentilas. É melhor assim, mamãe deve ter visto algum animal lá fora , por isso se assustou.
Mamãe e Papai sempre me falaram que as sombras não eram reais, mas eu sei que eram , porquê elas os mataram. Não pude fazer nada para acabar com isso , eu os perdi. Para sempre!
Numa tarde de novembro, eles iam sair de carro , pedi para que ficassem , pois estava chovendo, e as rodovias ficariam perigosas desse jeito. Mas eu sabia , que chovendo ou não, elas o matariam. No dia anterior estava no meu quarto lendo, quando uma sombra pairou sobre mim e sussurou
" O Tempo deles acabou, é hora de dizer adeus" as palavras entraram pela minha garganta como uma toxa em chamas , queimando meu corpo inteiro por dentro, e depois causando uma das mais insuportáveis dores. Mas mamãe era muito teimosa, e insistia que estavam seguros
" Essa belezimha aqui resiste à qualquer coisa " disse toda orgulhosa, entrando no 4x4 que meu pai comprou semana passad a , é um daqueles cardos super caros que tem em comercias, que resistem à absolutamente tudo, tudo menos às sombras.
Entrei em casa e fechei a porta, me apoiei nela e esperei até que o carro saísse e casa, então gritei, o mais alto que pude , até minha garganta arder e acabar o ar do meu pulmão, até meu maxilar doer , e então desabei, sentei no chão da mesma forma que um saco de batatas cai quando é jogado. Começei a chorar, deixei as lágrimas escorrerem livremente pelo meu rosto, molhando meus cabelos negros. Ouvi o som de um carro derrapando na estrada, depois uma batida, seguida de uma explosão, depois de dois minutos cirenes , uma ambulância e duas viaturas.
" Acabou, te amo papai, te amo mamãe" suspirei e desabei novamente
" Porque os tiraram de mim!!! O que eu fiz pra merecer isso?? Eles morreram por minha causa!!!" gritei, e as palavras ecoaram pela sala bacia, recoxeteando nas paredes e voltando com toda força para mim, me torturando mais ainda, fazendo meu coração se quebrar em mil pedaços. Porque eu?? Porque entre tantas pessoas nesse mundo, justo eu tenho que passar por isso?? Será que agora elas me deixariam em paz?
Uma sombra atravessou a porta da minha sala, como uma névoa, negra e expressa, com cheiro de morte pelo jeito, deve ter acabado seu trabalho, a sobra passa pela minha nuca, causando arrepios, fazendo meu cabelo balançar levemente " Está apenas começando " a voz era como uma rocha áspera, que perfurou meu peito, me deixando em ensanguentada por dentro.
" Apenas o começo" confirmei. Me levante do chão q caminhei em direção do sofá. Eles morreram, não posso fazer mais nada, chorar não vai trazer eles de volta. Me sentei e liguei a TV, estava no canal de noticiário, e essa foi a pior coisa que fiz em toda minha vida. Estavam falando do acidente, ao vivo, os corpos dos meus pais estavam naqueles sacos pretos, o chão completamente coberto de sangue, assim como o carro , totalmente destruído
" resistente à qualquer coisa uma ova " pensei. A polícia local falou que a causa do acidente foi um animal que entrou na pista, fazendo meu pai desviar o carro, derrapar e bater num boate
" Bela explicação, quem dera tivesse sido assim " assim minha dor séria mais suportável, assim não me sentiria culpada. Desligou a TV, não sou obrigada a me torturar desse jeito. Algumas segundos depois meu celular toca , uma, duas , três... Cinco vezes.
" mensagens" conclui. Me levanto e pego o celular na mesa, duas mensagens são de Jason, uma amigo do papai , e três de Emy , uma colega da mamãe. As de Jason são mais curtas , ele é do tipo de pessoa que sofre em silêncio, assim como eu , então as mensagens foram curtas e do objetivas : " Sinto muito pela sua perda, eles eram incríveis " " Vou sentir falta deles " Eu também, suspirei. As de Emy eram como um livro, bastou ler a primeira mensagem foi o bastante para me deixar pior
" Sinto muito, sei oque você está sentindo... " Não, ninguém sabe, nunca vai saber, como é ser atormentada por isso a vida inteira, como é saber que seus pais seriam mortos e não poder fazer nada papara mudar isso! Jogo o celular no chão e corro para meu quarto , me jogo na cama e deixo a dor me dominar, me consumindo aos poucos. É isso que a dor faz: nos consome lentamente, nos matando aos poucos, até então não sobrar absolutamente nada. Apenas alma e coração quebrados, transformando os pedaços, em gelo.
O enterro foi três dias depois, quase o bairro todo estava lá
" Desde quando temos tantos amigos assim? " murmurei, essas pessoas mal nos conheciam, estavam fazendo oque aqui? Me torturar? Transformar tudo em um infero? Piorar minha dor?
Fui embora depois da missa, não queria ficar para ver o enterro muito menos ouvir pessoas que mal nos conheciam sendo hipócritas. Já foi demais para mim, não aguentaria.
Agora, estou indo para uma dessas escolas de riquinho, onde você mora na mesma, como um reformatório " alegre" , tentarei refazer minha vida, seguir em frente. Chego a escola e suspiro
" Esse será meu lar pelos próximos dois anos " digo à mim mesma
" Bem-Vinda ao Inferno " uma sombra completa minha frase, enquando passa pelo interior do táxi, me causando calafrios.
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