Notas iniciais
Primeira homenagem de muitas à Toph

Toph era da terra. Tinha a língua afiada como um rochedo pontiagudo, nada delicada, porém rígida e bruta como a rocha mais pesada. A terra era seus olhos, seu poder, sua mestra, sua mãe, mas nunca fora só isso — e nunca seria, não importando quanto tempo passasse e quantos fios de cabelo grisalhos surgissem entre os negros, nem quantas rugas presenteassem-lhe o rosto. A terra era tudo para ela, mas muitas vezes poderia ser nada. — a terra era uma criatura complexa demais para que ela pudesse descrever — e nem mesmo ela o faria se pudesse.

Toph era cega, mas sempre enxergava melhor que todos. Toph era bruta, mas ao mesmo tempo era gentil. Toph era jovem, porém ainda assim era forte. Toph era frágil por dentro, resistente por fora.

Bei Fong era um sobrenome pesado do mesmo modo que eram seus pés. Para ela, ele exalava a ausência de liberdade — era o que ela vivera por anos! Bei Fong era sua falta de palavra, de autonomia. —, correntes de metal que por muito tentara escapar. Mas não havia mais o que temer, certo? Toph Bei Fong é uma dominadora de metal, e metal pertence à ela da mesma forma que ela pertence à ele — da mesma forma que pertence à terra.

Toph era impulsiva, tinha olhos de águia e tato de toupeira-texugo. Ser cega trouxe-lhe a força e a fraqueza, mas acima de tudo, trouxe-lhe a compreensão. Ela compreendia a terra de maneira que nenhum outro conseguiria, sentia nos pés o que nenhum jamais enxergaria com os olhos.

Toph chora de dia, sorri de noite. Não é um sorriso falso, nós sabemos, afinal, Toph pertence à sinceridade do mesmo modo que pertence à terra. Toph é grosseira e pouco feminina, mas não é sua culpa, afinal é o que ela é, e ela é bela por isso — não que ela um dia possa saber, mas nós sabemos.

Toph quer voltar para casa e ao mesmo tempo não quer. Sente falta de Gaolin, mesmo que minimamente, mesmo que nunca vá admitir. Foi lá onde tudo começou, afinal.

Um dia Toph voltará para casa, certamente. Pisará no chão que lhe é familiar e tudo provavelmente estará no mesmo lugar em que sempre esteve. Desde as formigas até as árvores do que antes fora sua propriedade. Toph provavelmente pisará na arena onde antes lutou como A Bandida Cega e sentirá a nostalgia abater-lhe o peito.

Um dia ela irá, de fato. O vilarejo de Gaolin estará ali a sua espera, junto a suas formigas, árvores, casas, cavernas e toupeiras.

Um dia.

Notas finais
^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!