Garota Valente
4 De mulher pra mulher...
Notas iniciais
Meu pai e Clint saíram logo depois do almoço.
Minha mãe iria ensinar aos meus irmãos, em fim, o que ela se dedicou tanto à me ensinar. Não serão eles reis, e sim eu, mas vamos ser sinceros: eles precisam aprender a ser mais educados. Em toda Donbroch, eles são, provavelmente, os garotos mais rebeldes. Sobrou pra mim passar um tempo com nossa hóspede Natasha. Não que eu não quisesse. É uma pessoa legal. Fui para a sala de jantar, onde a encontrei me esperando. Me sentei atrás dela e disse:
– Seu cabelo é curto! — ela pareceu se assustar.
Ela se vira para mim e diz: — Merida! Você me assustou!
– Me desculpe. Como eu disse, eu nunca vi uma mulher com o cabelo tão pequeno. O que houve com ele?
– O meu povo tem uma cultura muito diferente. Lá, há mulheres de cabelos de muitas cores diferentes e também roupas, costumes e até histórias diferentes...
– Como Jogos Vorazes? — a interrompi.
Acho que ela não esperava por essa. — Clint te contou, não foi?
– Mais ou menos... Ele disse que depois contaria a história. Falava sobre uma irmã mais velha que arriscou sua vida pela mas nova.
– É... ele não te contou quase nada. — afirmou Natasha.
– E o que vocês fazem... quer dizes, no seu povo. Qual a função de vocês lá? São camponeses, ou trabalham para o rei...
– Somos guerreiros. Não guardamos nossos líderes, mas sim, o povo.
– Sério?! — perguntei impressionada.
– Verdade!
– E como é? Deve ser uma vida emocionante!
Ela estava sorrindo... até então. Seus olhos verdes perderam o brilho instantaneamente. Seu sorriso desaparecendo me assustou.
– Natasha?
– É complicado. — ela explica — Não escolhi esse caminho, Merida. E é difícil conviver as vezes. Você faz inimigos, se arrisca, e nunca sabe se no dia seguinte estará viva.
– Nossa. — eu disse séria — Eu nunca imaginei que podia ser tão difícil.
– Mas é. — ela responde suspirando.
– E se arrepende? — era a pergunta que não queria calar.
Seu sorriso volta. — Na verdade, não. Eu comecei do jeito errado. Já conheci muitos povos diferentes. Nasci num lugar chamado Rússia. Eu trabalhava lá... fazendo coisas nem um pouco corretas. E meu povo tinha rixa com a América, e foi quando conheci Clint e ele me deu a chance de fazer coisas boas. Nos casamos e depois... — ela não prosseguiu.
– Depois...? — eu pedi que continuasse.
– Fiquei grávida, mas a criança se foi. — ela morde o lábio e vejo uma lágrima correr por seu rosto.
Enxugo-a com meu polegar e me surpreendo quando ela me abraça. Eu não sabia o que dizer. Ela perdeu um filho. Devia ser algo terrível.
– Melhor eu não perguntar o que aconteceu, não é? — comentei.
Ela se afasta, enxuga as lágrimas e responde: — Se lembra de quando eu falei dos inimigos? Eles a mataram.
– Era uma menina?
– Não vamos falar nisso. — ela pediu. — Como está em relação à se casar e se tornar rainha?
– Não pretendo me casar. Mas, acho que é algo inevitável.
– Quem sabe, se fizer uma viagem comigo e Clint, não ache alguém em outro reino, como comigo?
– Você não entende. Não é falta de opção. Eu realmente não quero. — soltei uma risada.
– Eu também não! Sabe quantas vezes Clint me pediu em casamento e eu disse que não? Quatro vezes.
– Quatro vezes?! Você só aceitou no quinto pedido?!
– Sim, e já estávamos juntou há mesma quantidade de tempo.
– Cinco dias?
– Cinco anos.
– Uau! Vocês demoraram!
– É! — ela ri — Mas eu o amo.
– Deu pra perceber. — falei.
Natasha tinha feito coisas ruins e não se orgulhava. Parecia que eu precisava ouvir o que ela tinha a dizer antes de fazer uma besteira. Todos sabemos que eu não queria ser uma princesa. Ela não queria se casar, mas seu amor por Clint superou o medo... mesmo medo que eu tinha, talvez. Meu pai entra correndo e diz:
– Um exército! Diferente de tudo o que já vi! Suas armas são extremamente avançadas e...
– Onde está meu marido? — perguntou Natasha séria enquanto se levantava.
– Não sei. Nos separamos.
Ela se vira pra mim e diz: — Fique aqui, onde é seguro.
Tentei argumentar, mas qualquer coisa que eu dissesse, não surtiria efeito contra meus pais e nossos amigos, que pareciam saber o que estava acontecendo e também o que fazer.
Será que estão acostumados?
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