Garota Valente 3: Guerra Civil
1 Prólogo
Notas iniciais
Minha respiração era forte e assustada.
Não era para me dar medo. A final, é só um papel! Mas aquilo me deixava nervosa demais. Os nomes eram chamados por completo, um a um, em ordem alfabética. Uma amiga segura minha mão e diz:
— Não é motivo para nervosismo.
— É, eu sei. Mas é um marco na minha... na nossa história! Na de cada nome chamado ali!
— Qual é?! Não vai fugir, vai?
Fugir? Da minha formatura? De jeito nenhum!
Lindy estava certa. Estávamos em um quarto fechado com uma porta que dava no palco do teatro onde estava ocorrendo a formatura. Meus pais estavam lá, com meus irmãos. E eu quero dizer, minhas duas mães, meus dois pais e meus seis irmãos (lembrando que Elinor também teve um bebê). Sem contar Lion, que estava com os pais e o irmão. Todos de gala.
— Lindsay Milles Waters!
A voz chamou minha amiga. A diretora entregou o diploma enrolado para a professora e mãe de Lindy, que a entregou, pôs um anel com uma pedra azul em seu dedo e depois a abraçou. A aluna caminha até os bancos onde estão os outros alunos. Quem não ficaria nervoso na própria formatura? E agora estava perto de mim. Lolla Keys, Matt Thompson, Melanie Sweet...
— Merida Romanoff Barton.
Lindo. Engoli ceco, me levantei e caminhei até a diretora, que estava ao lado de minha mãe (Natasha). Eu até questionei se ela e Elinor podiam me entregar o diploma, mas não. E como Natasha é minha mãe de sangue, parece que ela contava mais por isso. Eu não acho. Elinor me criou. Tanto que minha irmã de sangue tem o nome dela e minha irmã adotiva bebê fui eu quem batizei: Beatrice. O coração batendo a mil, mas quando peguei o diploma de minha mãe e ela me abraçou, ele logo se acalmou. Depois do abraço ela colocou o anel de formatura em meu dedo e, quando seus lábios tocaram minha testa com tamanha ternura, achei que estávamos sozinhas naquele teatro.
Me sentei ao lado de Melanie e esperei Michael sentar ao meu lado. Os pais entregavam aos filhos e as mães às filhas. Se uma aluna não tivesse mãe, ela podia escolher uma mulher na família para entregar o diploma e o mesmo valia para os garotos. E com a chamada de cada um, aplausos de ida e volta. E quando o último nome foi chamado, a diretora convocou a oradora da turma. E com uma Vingadora na classe, eles escolheriam quem mais?
— Eu morei por muitos anos em uma Escócia diferente das que vocês conhecem, e eu fui educada para ser uma rainha. — comecei o discurso contando — Algo que eu nunca quis ser. Então, vim para cá e recebi mil e uma oportunidades. — encarei meus pais e respirei fundo. O lugar estava muito cheio, mas isso nunca foi um problema para mim — Essa foi uma delas. Conhecer pessoas novas, aprender mais... me tornar uma pessoa que nunca pensei que me tornaria. As vezes, o destino é assustador. As vezes, temos medo de seguir em frente. Mas todos nós decidimos que seguir e cair de cabeça no por vir era o melhor a fazer. E essa é nossa recompensa: somos alguém. O destino nos foi proposto. E todos fomos valentes o bastante para o encontrar e chegar até essa noite.
Com aplausos, voltei ao banco. Os oradores das outras turmas discursaram, a diretora disse algumas palavras de motivação e o final... o de sempre: todos jogam seus chapéus. Mas é claro que antes da recepção dos familiares, eu e os outros fomos tirar aquela beca e vestir trajes de gala. Adivinha: todos os formandos estavam de azul. Incluindo eu. Só porque era a cor do anel de formatura que ganhamos. Quase corri na direção das três mesas onde estavam minhas duas famílias e a do meu namorado. Deixei as flores que ganhei na mesa dos meus pais adotivos antes da recepsão deles.
— Ah, Merida! Como você cresceu! — o abraço de Fergus chega a me tirar do chão. Mas era o jeito dele.
— Pense nisso, você me deu um arco de presente nos meus cinco anos. Hoje eu tenho vinte e dois. — eu o encarei e afirmei – Mas eu ainda sou sua filha.
— Nunca deixou de ser. — ele afirmou.
Usava roupas, pra onde estávamos, normais, assim como Elinor e os trigêmeos. Já Beatrice, bom, o vestidinho típico laranja não ficaria estranho nela. A pequena era diferente dos irmãos: cabelos lisos e castanhos, com olhos da mesma cor. Até que enfim Elinor tinha uma filha que se parecia com ela!
— Estou tão orgulhosa! — falou minha mãe adotiva, que usava um vestido verde longo estilo sereia com um colete de tecido leve e mangas compridas, já que o vestido não tinha mangas ou alças — Eu nunca imaginei que a veria aqui, mas é maravilhoso.
— Obrigada, mãe.
— Nossa vez! — reclamou meu pai, Clint, segurando Gale no colo. O mesmo era loiro de olhos verdes e seu rosto lembrava o do pai — É nossa filha também!
Ri e abracei os dois. E acariciei os cabelos do pequeno Gale Barton.
— Palabéns, Meli. — disse o pequeno, que ainda trocava o "R" pelo "L".
Lene não faz mais isso dês de que tinha dois anos. Acho que é superdotada, mas é cedo para diagnosticar. Qualquer coisa há uma psicóloga em casa. Uma psicóloga, uma assassina e um ex artista de circo. Que família!
— Eu quero um anel desse também! — reclamou Lene a ruivinha de olhos verdes.
Minha mãe a pegou no colo e disse: — Daqui a alguns anos quando você se formar, eu te dou um. Então, Lion veio correndo de onde seja lá onde estava e me rodou no ar. Depois de me deixar no chão, o mesmo uniu nossos lábios com pressa e paixão. Durante e depois do beijo, eu acariciava seu rosto. Ele ficava muito mais bonito com barba e eu amava quando ele a deixava crescer.
— Ainda acho que minha formatura foi mais legal. — ele afirmou.
— Sua formatura foi semana passada. Você diz como se fosse à anos.
Nem tinha reparado a aproximação de Andy, Francis e Barbara. Fui parabenizada e recebida com abraços e apertos de mão, sem contar nas palavras e como Deus tem um plano maravilhoso para minha vida. Concordo. Deus sempre acaba me pegando de surpresa com cada uma... Não foi atoa que eu me converti à dois anos. Adivinha quem me influenciou positivamente?
— Queria que a Krystal estivesse aqui. — comentou Lion.
— Eu não ia deixar ela interromper a Lua de Mel dela e do Maxmorff para uma festa de formatura.
— Foi por isso que eu não contei à você. — falou uma voz que eu conhecia muito bem...
Me virei de vagar, mas quase tive uma parada cardíaca.
— Tá fazendo o que aqui e não em Berlim com seu marido?! — questionei surpresa.
— Obrigada pela consideração, amiga! — zombou Krystal.
— Oi, Meri!
Ignorei Pietro e abracei Krys, que retribuiu com a força de um super soldado. Não se esperava outra coisa. Depois ela me escarou sorrindo.
— Não se forma todo dia. Além do mais, Peet concordou em estar aqui nesse momento. — se virou para o esposo — Não é, amor?
Pietro abraçou sua cintura, a beijou nos lábios e afirmou: — Se ela não quisesse, eu ia querer. Posso ver seu anel? — perguntou com certa empolgação.
— Isso! — falou Krys, parecia que estava tentando disfarçar algo que não era para ser dito — O seu anel do formatura!
— Bom, achei que queriam ver o diploma, mas okay! — mostrei sorrindo o anel azul no meu dedo.
— É lindo! — falou Krys – Infelizmente, espionagem não tem anel de formatura.
Rimos. Era bom estar cercada de amigos e da família. Fazia falta os outros Vingadores por lá, mas eu não podia reclamar. Minha vida estava tão perfeita e eu estava tão realizada, que podia até sentir que eu era imortal. E a festa estava maravilhosa. Dançamos, comemos, tiramos fotos... foram horas de pura diversão com minha família e meus amigos. Os pais de Lion interromperam a nossa conversa no meio da pista de dança.
— Lion, eu e seu pai vamos pra casa e estamos levando o Andy. Pode ir no seu carro? — perguntou Barbara à Lion.
— Sem problemas! Eu e Meri vamos demorar um pouco por aqui.
— Vamos?! — questionei confusa.
— Vamos! — ele respondeu sorrindo.
— Tudo bem... — falei suspeita.
E bem que ele disse. A festa acabou e continuamos vagando pelo jardim do teatro, onde tinha um enorme chafariz. Eu andava equilibrada na borda do chafariz e ria da conversa, além de trocar histórias divertidas. A festa de formatura de Lion foi à fantasia e fomos da Red Arrow e Tyler Williams. Eu achei bem previsível.
— ... então eu disse "O nome dele é Lion Christopher Mason e é melhor do que você sonharia em ser", aí ele calou a boca. — termino uma história qualquer.
— E desnecessariamente, você fala meu nome completo. — comentou Lion, que andava ao me lado, mas em baixo.
— Ah, eu acho seu nome completo a coisa mais linda. Tipo... Lion, que é leão; Christopher, que eu acho um nome legal e Mason, tipo a Johanna Mason, de Jogos Vorazes...
— Que mandou todos se ferrarem? — perguntou confuso.
— Ela é legal. — afirmei e ele riu.
— Sabe, eu estava pensando... Peet e Krys se casaram primeiro que a gente. E olha que eles estão juntos a menos tempo.
— Pietro é velocista. — brinquei — É um cara que não faz questão de ir devagar na vida. Prefere ser mais rápido. — mal percebo que não tenho mais contato visual com ele.
— Você e suas piadinhas de velocista! — Lion ri – Sabe, eu também estava pensando em como te influenciei positivamente.
— Fez isso melhor que ninguém. — comento.
— Então acho que podíamos ir mais fundo nisso.
Parei, arregalando os olhos. Minha respiração acelerou imediatamente. Em um giro rápido e surpreso, o encaro de joelhos, estendendo um anel que parecia o mais lindo que já vi.
— Lion... — sussurrei.
— Princesa Merida, primogênita do clã DunBroch. Vossa alteza aceitaria a mão de um humilde jovem apaixonado em casamento?
Me abaixei e me sentei na borda do chafariz, acariciando seu rosto.
— Eu não acredito. — enxuguei uma lágrima.
— Não se preocupe! Eu peço de novo!
— Lion, não preci...
— Merida Romanoff Barton, a espetacular Vingadora Valente, aceitaria ser a minha heroína e me dar sua mão em casamento?
Eu não acreditava que eu ia chorar. Não acreditava que eu estava chorando. E se eu respondi? Bom, não antes de lançar meus lábios contra os dele o mais rápido que consegui. Primeiro ele abre os lábios dele, mas eu fui mais rápida com a minha língua e vocês já sabem. Minha mão foi parar em seu rosto barbado e irresistível e a mão dele em meus cachos laranjas e rebeldes. Mal afasto nossos lábios e já dou minha resposta.
— É claro que sim, Lion!
Notas finais
Espero que gostem!
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