Garota Solitária
1 Londres
Notas iniciais
Não curto muito apresentações, mas na maioria das vezes agente necessita se soltar um pouco, então lá vai...
Meu nome é Saoirse Clodagh Ronan, tenho 16 anos e moro com os meus pais na Irlanda. Mas resolveram se mudar para Londres por causa do novo trabalho de papai. Eu não namoro e no momento não estou começando nenhum relacionamento com ninguém, pois bem meu pai e ator e sempre que tem um trabalho muito importante agente vai com ele para dar apoio, mas quando ele não necessita da nossa presença agente fica então é meio que difícil ficar com alguém nesse meio tempo de uma cidade a outra, mas eu nasci mesmo foi em Nova York.
A maioria das pessoas pronuncia meu nome igual à escrita, mas eles não sabem que isso é mega errado e isso me irrita pra caramba. Ele pronucia-se sir-sha ou sur-shuh, é bem difícil, mas com o tempo você se acostuma e pega o jeito.
Eu sou do tipo de garota bipolar. Tem dia que o meu estilo é roqueira, mas amanhã eu to de patricinha e no outro dia eu sou apenas eu. É eu sei, sou meio esquisita mesmo, mas eu sou assim.
Bom nesse momento eu estou escutando alguma música qualquer com meus fones de ouvido enquanto o motorista nos leva até a nova casa. Eu não estou muito nas expectativa, mas eu tenho que tentar pelo menos manter a cara de ‘surpresa’ para o meu pai quando agente entrar em casa.
Ah eu já contei a nova? Não? Ah é que o meu pai resolveu que me colocar em uma das escolas particulares mais caras de Londres para me deixar feliz, se ele soubesse que isso não chega nem perto da palavra ‘felicidade’. Mas quem sou eu para dizer não ao meu pai não é mesmo? Por mais que eu ache isso à maior besteira do mundo, eu tenho que fazer isso, por ele e por mamãe.
A escola nem é uma coisa tão ruim assim. Bom ela e enorme com dois pátios, um refeitório que dava pra atender toda a parte pobre de Londres, uma quadra poliesportiva que e muito grande. Tem o teatro, e o palco de apresentações no meio da escola. Sem falar nas salas que cabem umas 50 pessoas.
Como eu sei de tudo isso? Ah bem, eu vi as fotos que chegaram no correio antes da gente viajar, eu sou das pessoas que acordam, pegam o jornal, vêem a caixa de correio e tomar um belo leite com biscoitos.
-Saoirse querida, você se importa de não esperar muito e começar amanhã mesmo na nova escola? – Meu pai me perguntou tirando os meus fones de ouvido.
-Claro que não. – Sorri gentilmente e voltei a encarar o visor do meu celular, a procura de uma nova música.
-Talvez seu uniforme não dê tempo de chegar hoje, então... – Monica ou melhor mamãe se colocou na conversa.
-Eu vou ter que ir com uma roupa qualquer amanhã, mas só com esse dia de tolerância. – Disse com um sorriso vazio.
-Essa é minha filha. – Papai bagunçou todo o meu cabelo.
-Sem mão no cabelo pai, por favor. – Disse fria e mamãe me olhou confusa.
-Tudo bem querida? – Mamãe me perguntou com um ar de preocupada.
-Só estou cansada de mudar toda hora. – Disse e coloquei o capuz da minha blusa na cabeça.
-Você sabe muito bem que isso é só para ajudar seu pai não sabe? – Mamãe segurou na mão de papai que abriu um enorme sorriso.
-Sei.
O resto do caminho só deu meu pai falando como iria ser o filme, o que iria ter, quem eram os famosos que iriam participar do filme junto com ele, as cenas perigosas que ele vai fazer e preferiu não colocar o dublê. Era sempre a mesma coisa, e mamãe só suspirava com um ar de apaixonada, não que eu me incomodasse com isso, não eu levo isso numa boa, mas às vezes é irritante o que é repetido, eu aprendi isso quando colecionava as cartinhas dos lugares mais famosos do mundo, e sempre via a estátua da liberdade de Nova York.
Quando chegamos à casa nova, subi para o meu novo quarto, como todos os outros e mamãe mantinha o que eu sempre desejei. As três paredes do quarto brancas, e a principal roxa. Eu gostava de roxo, era uma das cores que me mantia calma quando estava a ponto de explodir por alguma coisa da escola.
Joguei minhas malas em cima da cama e fui tomar um banho. Sai do banheiro de toalha e escolhi uma roupa para me vestir, acabou que eu peguei um short acima do joelho jeans, uma blusa branca do Green Day, e um all-star preto. Desci as escadas e encontrei mamãe e papai aos beijos, pelo menos eles ainda tinham algum amor, não é?
Almocei em silêncio, e subi novamente para o meu quarto. Coloquei um cd qualquer e deitei sobre minha cama e acabei por adormecer. Acordei umas duas horas depois e desci até a cozinha, na tentativa de encontrar mamãe ou papai, mas deveria saber que não iria ter resultado nessa minha busca.
-Clarice, Paul e Monica já saíram? – Perguntei colocando um biscoito na boca.
-Ah meia hora querida, já está quase na hora do jantar. Quer que eu comece a preparar? – Clarice, se posicionou na minha frente com uma posse de super-herói esperando minha resposta.
-Ta-ta, tanto faz. – Fiz uma cara de tédio e me sentei em uma das cadeiras da cozinha.
-Sente falta da presença deles não é? – Clarice me perguntou.
-Muita, bom eles são minha família, deveriam estar ao meu lado em todos os momentos, e isso é o que mais me incomoda. – Mexi com um dedo no arranjo de flores que estava em cima da mesa.
-Mas querida, você sabe eles fazem isso só para dar o melhor para você.
-Eu sei disso sim Clarice, mas pra mim nada disso importa o que importa era pelo menos conseguir jantar com eles uma vez se quer. – Suspirei e recebi um olhar reprovador de Clarice. – O que foi?
-Não estraga meu arranjo de flores Saoirse! – Ela riu e cutucou minha mão.
-Me desculpe senhora Phill. – Ri também. – Ah o meu uniforme chegou?
-Chegou sim querida, está em cima do sofá, não quis deixar no seu quarto para não te acordar. – Ela sorriu e apontou para um embrulho em cima do sofá de couro preto.
-Ah sim, obrigada de qualquer forma. – Desci da cadeira e fui correndo para pegar o embrulho, será que o uniforme vai ser mais brega do que a escola?
-De nada querida, acho que seria bom experimentar para ver se ficou do tamanho certo, você sabe muito bem que a senhora Monica não sabe escolher tamanhos corretos. – Clarice riu enquanto mexia na panela de estrogonofe.
-Sei sim Clarice, afinal é minha mãe. – Ri e subi as escadas até encontrar a segunda porta a direita, meu quarto daqui pra frente.
Tirei minha roupa, e vesti o uniforme. E por algum milagre mamãe tinha escolhido o uniforme do tamanho certo, me lembro que na última escola em que estudei na Irlanda mamãe tinha escolhido um uniforme tão pequeno que minha calcinha ficou a mostra no primeiro dia. Foi hilário de fato, mas era eu, então vamos esquecer o ocorrido, o que importa é que eu não vou pagar esse mico novamente.
Depois de uma hora Clarice me chamou para jantar, e assim o fiz. Comi e depois subi e tomei outro banho e me joguei por completo na cama, amanhã seria um novo dia e eu teria que ter sorte.
Fale com o autor