Garota Problema
23 Capítulo 23 — Minhas regras, seus problemas
Notas iniciais
Bella e Edward estavam na fila para brincarem de guerra de cotonete, ela na frente encostada a seu peitoral e ele a abraçando, suas mãos ao redor de sua cintura.
A morena olhou de um lado para o outro, procurando Jacob com os olhos, mas ele não estava em lugar algum. Já passava das 9PM, então já era pra ele ter chegado.
— Procurando alguém? — Edward perguntou ao pé de seu ouvido.
— Sim, mas acho que ele não veio.
— Ele? — Arqueou uma sobrancelha, mas ela não viu, pois estava de costas para ele.
— É. — Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, a vez deles chegaram. — Eu vou acabar com a sua raça, Cullen. — Ela disse animada, retirando sua bota de látex e subindo no brinquedo, logo ela caminhou até um dos pódios e pegou seu bastão em formato de cotonete.
Edward sorriu e fez o mesmo. Logo eles iniciaram a brincadeira, Edward nem se esforçara para derrubar Bella de seu pódio.
— Que tipo de namorado é você que não deixa a namorada ganhar?
— Um namorado moderno, contudo gentil, porque não usei nem a menor fração da minha força contra você, agora para de choramingar e volte para esse pódio.
Bella semicerrou os olhos e subiu, segurando firmemente seu cotonete e então, com toda a força que tinha, ela o bateu contra a cabeça, contudo Edward se abaixou e com a ponta de seu bastão cutucou, levemente, a barriga da morena, que perdeu o equilíbrio e caiu de novo.
Ele explodiu em uma gargalhada e ela lhe jogou o bastão nas costelas.
— Ei — ele a acusou —, você não está em cima do pódio, não pode me bater.
— Novas regras. — E então voltou a batê-lo com o cotonete.
— Ah, sua... — Ele desceu do pódio e os dois começaram a correr pelo estofado fofo do brinquedo, enquanto tentavam se acertar.
Suas risadas eram escutadas pelas pessoas mais próximas, que viam ali um casal de namorados brincando e apaixonados.
Edward soltou o cotonete e enlaçou a cintura dela, a puxando para trás e a fazendo cair sobre si, depois ele os girou e escovou seus lábios sobre os dela.
Bella sorriu e depois o empurrou, ficando rapidamente em pé e se preparando para cutucar a ponta do cotonete na barriga dele, contudo ele agarrou as pernas dela, fazendo-a cair novamente e depois lhe fez cocegas.
— Você é cheia dos truques.
— Eu sou esperta. — Se defendeu enquanto ria e tentava sair de debaixo dele, mas era impossível.
Mais alguns minutos no brinquedo e o tempo deles acabou, eles saíram e calçaram seus sapatos, depois foram até a barraca das bebidas. Bella tomou agua e Edward uma soda.
— Então, quem você estava procurando? — Perguntou enquanto andavam lado a lado, seus braços se tocando.
— Jacob Black.
— Hm. — Ele arqueou as sobrancelhas rapidamente e depois voltou sua atenção para a bebida que tomava.
— Hm o que? — O encarou.
— Nada.
— Qual é o problema de vocês?
— Não sei do que você está falando.
De repente uma luz se iluminou na mente dela.
— Jacob não gosta de vocês — Edward a olhou inquisitivo e ela explicou —, os Cullen. E você parece não gostar muito dele, então...
— A única razão pela qual eu não gosto do Jacob é o fato dele ficar te secando descaradamente, o resto não me interessa.
Bella apontou o dedo para ele, como se agora tivesse certeza de seus devaneios.
— Então é verdade. — Ficou boquiaberta. — A lenda que o Jacob me contou é verdadeira. Ele é um lobo e vocês estiveram aqui há alguns anos e fizeram um tratado com o tataravô dele.
— Jacob não devia contar esse tipo de coisa aos outros. — Disse seco, mas em seguida sorriu irônico. — Aposto que te contou por não acreditar na própria história. Bem, agora eu acho que ele acredita.
Bella franziu o cenho.
— O que você quer dizer com isso?
— O tratado foi nós não invadirmos a terra deles, porque quando há vampiros nas terras dos quileute, eles – as pessoas descendentes dos lobos – começam a se transformar porque o gene de lobo é ativado como forma de proteger a tribo. Nós — se referia a sua família — não pisamos em terra quileute, mas esse tratado não se expande aos demais vampiros.
— Existem muitos outros?
— Com certeza.
Bella se lembrou da noite em que descobriu que seu namorado era um vampiro.
— Aquele cara que...
— James, sim ele é um vampiro.
Bella ofegou.
— É? Como assim “é” no presente? Ele está vivo?
Eles pararam em frente à fogueira, em um local mais afastado para ninguém ouvi-los.
— Infelizmente sim. — Respondeu à contra gosto, pois a ideia de ter James ainda vagando por ai o enlouquecia. — O maldito estava acompanhado aquela noite dos dois amigos, Victoria e Laurent. Eu consegui matar a namorada dele, mas ele e Laurent conseguiram fugir. Minha família e eu estamos tentando pegá-los, pois eles ainda estão ao redor de Forks, estão matando e chamando muita atenção, isso é péssimo pra gente.
— Os desaparecimentos e ataques de animais. — A morena ligou uma coisa à outra.
Seu pai estava trabalhando em um caso onde os criminosos eram vampiros e aquilo arrepiou cada pelo de seu corpo. Edward precisava dá um jeito, pois ela não suportava a ideia de ter seu pai sobre as vistas de um vampiro que não fosse vegetariano.
— Sim. São eles. — Assentiu. — Não posso dizer que a parte dos animais seja mentira, pois os lobos também estão atrás deles.
Bella ainda estava absorvendo o fato de que os quileutes eram descendentes de lobos, era loucura, ela sabia, mas namorava um vampiro, então tudo era possível, não poderia duvidar de mais nada naquela vida.
— Eles não atacam humanos, apenas vampiros, mas na trilha dos corpos é possível ver a pegada deles, por isso seu pai e os outros policias acham que são animais que estão fazendo isso, mas são apenas vampiros que estão cavando sua própria cova, por que quando eu agarrá-los... — Edward travou o maxilar. — ...será o fim.
Ele falou com tanta frieza que Bella sentiu um arrepio em sua espinha.
— E por que você disse que agora o Jacob acredita, por acaso... — Ela piscou, incrédula. — Não. — Ofegou.
Edward assentiu.
— Sim. — Suspirou. — Antes de eu vir pra cá eu fui até a floresta me alimentar e... — fez uma careta —, eu o vi se transformando, estava acompanhado de dois outros lobos que o ajudavam. Ouvi dizer que a transformação não é fácil.
Bella sentia seu coração acelerado.
Jacob. Jacob um lobo.
~*~*~
Bella voltou para casa perto de uma da manhã, pois ficou para ajudar a organizar e limpar as coisas da quermesse, Edward foi embora um pouco antes, pois ainda estava com sede e precisava caçar, assim como aproveitaria para fazer mais um ronda com Emmett para ver se conseguiam pegar James e Laurent.
Ao chegar em casa, ela notou que se pai estava no sofá, dormindo. Ela deixou sua bolsa e capacete sobre o chão, ao lado da mesa de centro e depois se aproximou. Ela ficara tão preocupada com ele, não aguentaria se alguma coisa de ruim o acontecesse. Sua garganta fechava e seu coração ficava pequenininho só com a remota ideia de James ou Laurent chegando perto dele.
— Oi, querida. — Charlie despertou e se espreguiçou. — Você chegou, que bom. — Sentou-se e bocejou.
— Não precisava ter me esperado.
— Imagina, me segurei para não ir te buscar, mas ai lembrei que você estava com aquela coisa de duas rodas. — Respondeu e Bella sorriu minimamente.
— Eu te amo. — Ela se jogou em seus braços e o abraçou forte.
Charlie ficou surpreso pela atitude, pois eles não eram muito de contato físico, mas aproveitou a brecha que sua pequena lhe ofereceu e devolveu o gesto.
— Eu também, Bells. — Lhe deu um beijo no alto de sua cabeça. — Tudo bem? — Preocupou-se e ela apenas assentiu, o rosto colado no vão de seu pescoço.
— Só senti saudade. — As lágrimas ameaçavam cair, não aguentaria se alguma coisa acontecesse com ele.
— Está de TPM? — Questionou e ela riu.
— Talvez. — Ele sorriu e acariciou as costas dela.
— Amanha te compro chocolate.
— Obrigada.
~*~*~
Domingo de manhã
Charlie havia acordado mais cedo para correr na pista que a delegacia oferecia e depois de uma hora retornou para casa, mas antes ele passou na padaria e comprou para Bella muffins de chocolate. Sabia que eram seus prediletos.
Bella desceu os degraus de mau humor, pois de fato sua regra desceu e ela estava com cólica e sensível ao extremo.
Entrou na cozinha e seu pai já estava sentado na cadeira, lendo seu jornal e tomando café.
— Bom dia! — Ele a saudou, abaixando o jornal e o fechando.
— O que tem de bom? — Resmungou, sentando-se de frente para ele e notando o que tinha na mesa. — Ah, pai. — Seus olhos encheram d’água. — Muffins de chocolate. Ah. — Colocou a mão no coração sentida e logo pegou um deles. — O senhor é tão maravilhoso e — fungou —, tenho tanta sorte de ter você como pai. — Mordeu um pedaço do bolinho e as lágrimas começaram a escapar de seus olhos.
— O que foi, filha? — Charlie primeiro ficou surpreso pela mudança de humor tão rápido, mas em seguida se preocupou pelo choro dela.
— É que — limpou as lágrimas —, é que... — Fungou e Charlie se aproximou, ansioso para saber o que se passava. — É que — olhou para o muffin e depois pra ele —, é que está tão gostoso.
Charlie fez uma carranca.
— Sério, Bella? Está chorando por causa disso?
Ela mudou seu semblante, ficando irritada.
— O que foi? Eu não posso me emocionar que você já vem me criticar? — Levantou da cadeira em um salto e Charlie se afastou.
Opa.
— Então pega esses muffins e os engula. — Saiu da cozinha pisando duro e Charlie ficou paralisado.
Que diabos havia acontecido ali?
Dado alguns segundos ela voltou para a cozinha e pegou o pacote de muffins.
— Mentira, sou eu que vou comer. Algum protesto quanto a isso?
— Não, senhora.
— Posso comer e chorar?
— Sim, senhora.
— Ótimo! — Depois saiu novamente, subindo para seu quarto e deixando um Charlie assustado para trás.
~*~*~
Já passavam das 10AM e Charlie assistia compenetrado ao jogo de futebol americano que passava na TV, com sua cerveja em mãos e os pés sobre a mesa do criado mudo.
A campainha tocou e ele resmungou, pediria para Bella atender, mas ela estava deitada no sofá ao lado de sua poltrona, usando pijamas e fones de ouvido, enquanto lia Quem mexeu no meu queijo?, ele achou melhor não mexer com ela. Então se levantou a contra gosto e ao ir até a porta, acabou tropeçando no capacete.
— Mas que inferno! Isso aqui... — Bella o fuzilou com os olhos por ter tropeçado em seu capacete e ele jogou as mãos para cima em forma de rendição, se desculpando.
Jesus Cristo, ela estava assustadoramente irritada e com espírito assassino.
Charlie abriu a porta e deu de cara com ele.
— O que você quer? — Perguntou enfurecido e cruzando os braços sobre o peito.
Bem, já que Bella não deixou a janela aberta...
— Olá, senhor Swan. — Edward sorriu.
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