Garota Perdida.
3 Fazendo as pazes com o passado.
"a teoria transforma a realidade observada,ou ao menos revela certos aspectos de uma realidade observada e não outros conforme essa teoria seja construída de uma maneira ou de outra..."
—Que?- é terça-feira a tarde e estou encarando minha apóstila de terio da história,bagulho complicado hein, não deixa de ser intrigante.Deixo a apóstila de lado,hoje não tenho aula estamos no recesso e preciso preparar um trabalho para o inicio de janeiro.
Pego o celular e vejo algumas sugestões de amizade no facebook. coloco gente de todo lugar,desisto do celular e resolvo assistir um filme.
São 18h da tarde e recebo uma mensagem no messenger é um cara.
"oi, tudo bem" recebo.
"defina bem" respondo, pronto já vou começar a dar uma de chata.
"acho que minha namorada te conhece"
"que estranho o problema é meu ou seu"- grosseira.
"você estudou na escola Santa Isabel?" ele pergunta
"não, talvez esteja me confundindo com alguém" falo querendo acabar com o assunto.
"ela me disse que é você mesmo, o nome dela é Clara,lembra?" ele fala. Meu coração dispara é uma eufória misturada com medo,angústia e uma pitada de raíva. É claro que lembro afinal, como poderia esquecer de uma das pessoas que deu uma ajuda para destruir minha auto estima na epóca da escola, uma das pessoas que me fez ter de sair da escola por problemas psicológicos e perseguição. Mas, foi ma das minhas grandes amigas,lembro muito bem quando éramos mais novas ela passava as tardes em minha casa, brincavámos ficavámos horas conversando,cantando,cozinhando(bem mal por sinal) e a noite cada uma em sua casa assistindo nossa novela infanto juvenil favorita o ano era 2008 "isa tkm" estava no auge para crianças de 10 anos. Mas tudo mudou ao longo que nos fomos crescendo,ela queria ser popular como qualquer garota de 13 anos e eu só queria fugir de todos e foi assim que nos afastamos,as garotas normais iam fofocar em lanchonetes,curtir shows,festas etc, toda essa baboseira adolescente. eu não podia sair de casa a super proteção me atrapalhou um pouco mas agora não reclamo tanto assim, passava grande parte do meu tempo lendo,assistindo filmes e cuidando dos meus irmãos mais novos. Mas o que diabos ela quer agora,ficamos 6 anos sem falar uma com a outra.
"sei quem é, e daí?" respondo como se a notícia não tivesse me impactado. preciso muito de uma amiga agora,eu só tenho o Ed como melhor amigo ele anda muito sobrecarregado das minhas chatices.
"bom ela quer falar com você só que está com vergonha, ela sabe que fez algo de errado pra você só não lembra o que." responde.
espera sério que ela não lembra, não é posível foram 6 anos com uma puta crise, dor de cabeça duas psicologas e ela não lembra o que fez. minha nossa hein,como eu queria resolver os problemas simples assim, ohhh tenho uma falta de memória.
"tudo bem, eu posso falar com ela pelo menos. ou vai ficar itermediando tudo" ohhhh caramba deixa eu falar logo com ela vou ter um treco a qualquer momento.
"vou falar pra ela " responde.
olhando fixo pra tela do celular e totalmente chocada, recebo outra mensagem dessa vez não é o namorado da minha ex amiga de 6 anos atrás.
—André- que diabos esse cara quer comigo.
"E aí,beleza?" — ele puxa a conversa.
"tudo"
"eu vi você domingo,estava caminhando? eu buzinei mas acho que não me ouviu"ele continua.
"ah, eu estava voltando pra casa é geralmente eu não dou moral pra carros buzinando né" falo meio seca
"verdade tem que tomar cuidado com esses caras" ele fala. mas quando vou responder chega uma mensagem é o namorado de Clara.
"ela disse que está com medo de falar com você e sente vergonha pois acha que está com raíva dela" explica
"claro que não, ela nunca vai resolver isso se ficar fugindo, vai deixa eu falar com ela pega meu número" respondo por fim.
Demora muito até ela resolver me mandar uma mensagem enquanto isso falo para Marcos sobre o ocorrido e ele me revela que conhece muito bem os dois, como assim gente, não é possivel está definitivamente acertado que moramos em um ovo e não uma cidade. É estranho demoramos tanto tempo para se reencontrar e voltar a se falar, ou tempo é tudo mesmo precisamos dele para esfriar a cabeça e refletir sobre nossos erros, percebemos que fomos duas crianças imaturas, afinal, o que se espera de duas garotas de 13 anos agora pelo menos sabemos lidar com as diferenças. Marcamos um encontro no sábado pela manhã pela foto de perfil parece que ela mudou um pouco, também espero ter mudado seria uma tragédia se não.
Sábado chegou,fiquei um pouco nervosa não conversamos mais desde o dia que marcamos, a cidade onde eu moro tem muitas praias e água pra todo lado no meio da floresta basicamente. Então decidimos marcar num lugar fácil e bem localizado de frente para o maior rio de água doce do mundo, eu estava caminhando enquanto avistei ela de longe. Confesso agora que quase morri, todo meu passado foi jogado de uma forma brusca e meu estomago ficou embrulhado.
—preciso vomitar- falo comigo mesma bem baixinho enquanto caminho em sua direção. eu acho que vou morrer, de boas vai da tudo certo.
—oi, era você minha melhor amiga do ensino fundamental?-falo com um sorriso sem graça.
—sou eu, caramba tá alta hein- ela fala assustada, deve tá assim pois eu era mais baixa que ela. mas eu não sou alta ela que é muito baixa. 1,55 não é ser alta.
—na verdade, você é muito baixa, pigmeu- brinco.
—ha ha ha que engraçado, senso de humor aflorou- respondi brincando.
—faz parte, mereço um abraço ele tá com um atraso de 6 anos.- repondo e dou um abraço.
— nossa quanta diferença- continua assustada enquando caminhamos para o banco mais próximo.
—nem tanto, você não mudou muito só ficou velha, as costas doem muito eu lembro que temos um ano de diferença.- brinco.
—verdade tá com 18 então- fala.
—é quem diria eu não achei que fosse chegar nessa idade, mas olha só parece que você também aderiu a moda quatro olhos.- falo apontando para os óculos.
conversamos muito,discutimos um pouco e resolvemos todos os problemas, um hippie passou por nos e ele nos fez anéis da amizade para nunca esquecermos esse dia. foi muito bom reencontar uma amiga, ela me contou sobre as outras e disse que só mantêm contato com apenas uma delas até hoje e estuda até na mesma universidade que eu. Nunca a vi, mas também aquele lugar é enorme.
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