Garota-Gelo
33 Não Me Deixe Arrumar Sua Privada
Notas iniciais
Me desculpem por não ter postado o capítulo ontem, tive uma atividade horrível para fazer. Me atrapalhei toda, mas consegui uma nota sete o/ Viu, tia Bia manja das equações tudo u-u Hahah ♥
Espero que vocês gostem,
Boa Leitura ♥
Acordei com um barulho na porta.
Eu estava de bruços na cama, então tive que virar para encarar a pessoa. Há princípio, vi somente um borrão, mas eu esfreguei os olhos e pude detectar cabelos louros e encaracolados na minha frente.
- O que quer, mãe? – Eu resmunguei.
- Bom dia, meu docinho... Fiz torta de chocolate com avelã para você. – Ela disse em um tom altamente falso.
Estreitei os olhos.
- Não tenho grana.
Ela bufou.
- A privada entupiu. Vá lá e conserta.
Ela saiu do quarto e desceu a escada normalmente.
- Isso é uma potaria com a minha cara, vadia. – Eu murmurei.
*
Depois que eu arrumei aquela merda – literalmente –, subi para o meu quarto para me trocar. Eu estava com o meu humor no máximo, o que é estranhamente raro e anormal.
Vesti o uniforme e prendi o cabelo em uma trança sobre o ombro esquerdo. Deixei a franja paralelamente com a trança e me encarei.
Eu estava com cara de boa moça. Sorri e lancei minhas mãos para a cintura.
- Hora de enganar velhinhos, crianças e gente inocente. – Eu ri.
Ouvi um grito horrível lá em baixo. Eu arregalei os olhos.
Mamãe e Isadora começaram a berrar. Camila gritou.
- SOCORRO! – Elas gritaram.
Animei-me.
- Ladrões?
Peguei minha bolsa que estava no chão e desci a escada correndo, para dar um chute no ladrão, mas era apenas... Ai, caramba.
Mamãe, Marcela e Isadora estavam todas marrons. Camila tampou a boca e se escondeu debaixo das almofadas.
Lancei minhas mãos para cintura.
- Diz que isso aí é barro.
- Você sabe que não. – Mamãe grunhiu.
Comecei a dar risada. Apoiei-me nos joelhos e não conseguia parar de rir.
- Agora... Toda a vez que alguém me disser: “vá para a merda!”, eu toco em alguma de vocês, tá certo? – Eu ri.
As três me olharam, furiosas.
- Não quer vir para a merda você também, Katrina? – Me disse Marcela.
Tudo perdeu a graça.
- Não... Vocês... Não fariam isso comigo...
Mas antes de eu tentar me defender, as três avançaram em mim.
Eu gritei e subi a escada. Corri pelo corredor e entrei no quarto da mamãe, onde tinha uma janela que dava para a rua. Não pensei.
A abri e me joguei de lá de cima. Caí no quintal, quase dentro da piscina. Corri para fora, ainda ouvindo os gritos de ódio e outras coisas das moças. Eu ri e saí correndo em direção a minha escola.
Mas tá aí, nunca me deixe arrumar a sua privada. É perigoso.
*
Cheguei à escola mais feliz impossível. É raro me ver assim. Quando me ver feliz, aproveite e me dê um chute nas costelas, eu sei que mereço.
Assim que pisei no pátio externo, fui abordada por Otávio. Ele estava alegre. Sorri.
- O que foi, meu jovem preferido?
Ele olhou para os lados.
- Você está sabendo que entrou uma menina nova na escola, né?
Balancei a cabeça em negativa.
- Bom... Eu acho que gosto dela.
Arregalei os olhos.
- Você está me traindo? – Gritei.
Ele tapou minha boca.
- Não seja idiota! Nunca tivemos nada.
Estreitei os olhos.
- E aquela briga de dois minutos, foi o quê? Você vai deixar nossos momentos felizes para trás e vai me largar por uma qualquer?
Ele revirou os olhos.
- Eu tenho vergonha de entregar uma carta que eu fiz para ela, então... A entregue para mim.
Ele colocou uma cartinha cheia de coraçõezinhos em minhas mãos. Eu tive vontade de rasgá-la.
- Depois eu que sou a sem coração da estória. – Resmunguei.
Ele me pegou pelos ombros e me virou.
- Ela é aquela ali... – Ele sussurrou.
Eu observei com atenção a... Pessoa.
A menina – querendo eu ou não – combinava com ele. Ela era gordinha, cabelo preto e usava uma roupa decente. Encarei Otávio.
- Só deixo porque gostei dela. Quero ser a madrinha. Mandarei uma calibre 37 cm para você de presente.
Ele riu e me empurrou.
Eu marchei até ela com a cartinha na minha frente.
A letra do Otávio era redondinha. – O bullying começa aí.
Quando eu estava quase a cutucando, alguém me pegou pelos pulsos e me ergueu. Eu andei no nada. Virei a cabeça e encarei um Pedro que parecia estar muito puto. O olho esquerdo dele estava roxo, seu pescoço estava rosa-arroxeado e sua boca estava cortada.
- Oi. – Eu sorri.
Ele conseguiu dar um sorriso.
- Para onde você vai com essa carta? É de amor? É para quem?
Arregalei os olhos.
- Calma aí, cowboy. É do Otávio... Ele quer que eu a entregue para essa menina aqui na frente. – Eu apontei com o pé para ela.
Ele me colocou no chão e me largou.
- Ah. – Pedro tirou um pirulito do bolso e o colocou na boca. Ele parecia nervoso.
- Nossa. Quando eu estou de bom-humor, o pessoal está nervoso. Será macumba? Bom, nunca saberemos.
Cutuquei a menina e ela se virou para mim.
Ela tinha o dobro do meu tamanho, tinha umas bochechas enormes e parecia sempre estar sorrindo. Estiquei a carta.
- É daquele gordinho charmoso ali. – Eu apontei para o Otávio, que estava parado, envergonhado. – Leia com atenção... Se você não aceitar, te quebro na saída.
Virei-me e andei até Otávio. Pedro veio atrás.
- Mission successfully completed. – Eu sorri.
Ele riu.
- Te devo uma, Katrina.
Fiz um aceno com a cabeça para ele. Virei-me para Pedro.
- O que houve? Está parecendo um marshmellow. Todo roxo e rosa.
Ele olhou para os lados.
- Briga de rua.
Ri.
- Você e a sua gangue perderam? – Fiz aspas no ar quando citei sua gangue.
Ele sorriu e me deu um peteleco na testa.
- Ganhamos, cobra.
Sorri.
- Eu queria te ver detonado, cortado e esquartejado. – Eu sussurrei.
Ela abriu um sorriso e se aproximou de mim.
- Acho que sabe que você é a única que pode fazer isso comigo, não sabe? – Ele pegou minha trança e enrolou os fios soltos.
Eu ri.
- Sim, eu sei.
Ele sorriu.
Pedro ia dizer alguma coisa, mas eu o interrompi.
- Cadê a fantasia de leãozinho?
*
Cheguei à sala atrasada.
O professor de pinto pequeno, o de matemática, me olhou com severidade.
- Senhorita Dias, a senhorita está atrasada.
- O senhor disse “senhorita” duas vezes. Eu estou atrasada porque... Tive uns baguios para resolver.
Ele riu.
- Você teve uns “baguios” para resolver? Entra logo, arroto de Fanta. – Ele voltou a escrever na lousa.
Abri a boca.
- Arroto de Fanta. Poxa, essa magoou. – Eu fechei a porta atrás de mim e andei até o meu lugar.
Ele começou a explicar umas coisas do diabo.
Ah, matemática para mim é dois mais dois, o resto é falta de porrada.
Quando o sinal da segunda aula bateu, o professor nos avisou pela quadragésima vez sobre a bosta do trabalho. Bateram na porta.
Ele foi até ela e a abriu. Marcela estava ali, mais brava do que nunca.
Eu ri.
- Marcela, por que chegou atrasada? – O professor sorriu.
Ela olhou para ele, totalmente raivosa.
- Não te interessa.
E entrou marchando na sala. Ela bufou uma última vez para mim e se sentou no seu lugar.
Comecei a dar risada. Enfiei-me nos braços.
- Katrina, sabe por que a Marcela está brava hoje? – O professor perguntou.
Levantei a cabeça, ainda rindo.
- Ela... – Eu respirei. – Ela foi para a merda.
E comecei a gargalhar de novo.
*
No intervalo, Marcela se sentou longe de mim. Eu respirei, aliviada.
Espreguicei-me e comi sossegada o prato de macarrão com molho branco.
Pedro se sentou ao meu lado, comendo uma manga.
O encarei.
- Não quero que sente aqui.
Ele riu.
- Vou me sentar ao seu lado porque eu estou nervoso. Se você estiver perto, acho que não conseguirei fazer alguma besteira.
Tossi.
- Mas é aí que você tem que fazer algo, mesmo. Vou ficar feliz se você socar alguém.
Ele riu.
Pedro ia dizer algo, mas foi interrompido por uma bolinha de papel. Ele a amaçou mais ainda e eu pude ver seu maxilar se contrair. Ele pousou o olhar em um garotinho. Ele estava acenando, alegre.
Pedro bufou.
- Desgraçado. Agora... – Ele se virou para mim. – Fiquei aqui. Tenho algo para te dizer.
Ele se levantou e caminhou até o garotinho.
Virei-me para o prato. O comi por inteiro e o empurrei para longe.
Espreguicei-me e olhei as horas. Faltavam dez minutos para bater o sinal.
Alguém me agarrou pelo pescoço. Olhei para cima, assustada. Marcela estava esfregando seu rosto no meu cabelo.
- Katrina... Sentiu saudade?
- Ah... Droga. Pensei que tinha me livrado de você. O que quer? E, aliás, tomou um banho para se esfregar assim em mim?
- Claro que tomei um banho. Eu vim aqui para um acordo de reconciliação. Voltamos a ser amigas, certo?
- Nunca fomos.
- Aceito isso como um sim.
Bufei e revirei os olhos.
- Katrina, vem comigo ao banheiro? Preciso trocar o absorvente.
Ri.
- Vá sozinha.
Ela me puxou pelo braço e eu quase caí do banco. Levantei-me com certa dificuldade e fui levada por ela até o banheiro.
Fiquei esperando por ela pelo lado de fora da cabine. Depois de alguns segundos, ela saiu sorridente lá de dentro.
Marcela lavou as mãos e nós duas saímos do banheiro.
Quando eu cheguei lá, tomei um susto.
Jonas estava parado, olhando as unhas. Quando me viu, abriu um sorriso.
- Katrina, preciso conversar com você! – Ele disse.
Fui para trás.
O rosto dele ainda estava inchado e vermelho.
- Quer apanhar de novo? – Eu disse.
Ele sorriu.
Jonas andou na minha direção e pegou minhas mãos.
- Não estou interessada em você, flor. Eu sou gay.
Eita. Essa foi direta.
- Então por que tentou me beijar? – O olhei desconfiada.
Ele riu.
- Ah, só para ver se aquele pão realmente... – Mas ele foi interrompido pela mão de Marcela, que voou em sua boca.
- Se realmente é tão bom de luta como dizem, certo? – Ela riu meio debilmente.
Ele levantou as sobrancelhas e assentiu.
- Sabe, eu sou gay e masoquista... Então adorei aquela surra. – Ele agitou as minhas mãos. – Katrina, estou disposto a ser seu amigo, você despertou algo em mim!
Ai, sério. Alguém lá em cima não gosta muito de mim.
Notas finais
Hahahah, cara, eu tive que fazer alguma coisa com esse Jonas. Foi uma delícia botar ele como gay, sério. ASUSAHUAUHSAH
Katrina de bom-humor, hum, sei não, vai chover -n
Espero que vocês tenham gostado,
Comentem bastante! ♥
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