Garota-Gelo

30 Eu Não Presto


Notas iniciais
Oi, gente :3
Capítulo saindo beeem de noitinha, pois é, pois é u-u
Vamos as explicações: Eu tive um texto de quatro páginas para copiar. Sim g.g
Mas está aí, espero que vocês gostem,
Boa Leitura ♥

Nós ficamos nos encarando por alguns segundos.

Eu estava louca para arrancar com tudo os curativos dele. Isso seria maravilhoso, porque a barba dele estava crescendo.

Pedro deve ter sacado, porque abriu um sorriso.

– Eu sei no que está pensando. Não tente.

Eu ri.

– Droga, malditos italianos, sacando meus planos.

*

Eu me sentei ao lado de Marcela novamente, que falava animadamente ao telefone.

Observei meu prato de macarrão.

Mosquitos e moscas definiam minha visão. Eu empurrei o prato de lado e observei enquanto Marcela falava.

– Ah... Mas... Não, não. O Ben não é de fazer isso. Tenho certeza que ele irá. Você também tem que ir. – Ela mexeu nas unhas. – Sério? Isso é ótimo. Vai começar as cinco e acabar de madrugada. É, tipo umas duas horas da manhã. O.k... Avisa para o pessoal aí, tá? Beijo!

E desligou. Marcela guardou o telefone no bolso da camisa e me encarou.

– Com quem você estava falando? – Perguntei.

– Uma amiga minha, a Carol. Estava convidando ela para o meu aniversário.

– Aniversário?

– Sim. Dia vinte e três de fevereiro.

Pensei por um instante.

– Ainda estamos no dia dezoito de janeiro. Sério, mesmo?

Ela riu.

– Melhor prevenir do que remediar. Ah, você vai também.

Pisquei.

– Festa de rico eu não vou. Não gosto da sua gente.

Ela sorriu e bateu no meu ombro.

– Minha festa vai ser a fantasia. Você não pode perder essa, tá bom?

Bufei.

– Se tiver uns bolos de chocolate bem bacanas lá, talvez eu pense.

*

Saímos daquele inferno e Marcela começou a ter um ataque. Eu me afastei dela e comecei a andar mais rápido. Mas ela só enlaçou seu braço no meu e descansou sua cabeça no meu ombro.

– Sabe, não somos um casal lésbico. – Eu disse.

– Ah... Eu vou de princesa. – Ela riu.

Dei de ombros.

– Vou de pirata. Com uma barba preta bem da hora, cheia de gafanhotos e sujeira. Vou alugar do Louise aquele papagaio que fala “Vai se foder!”, uma bota de cano alto com espinhos de prata, uma faca de peixeiro com banha de couro e algumas algemas. Vou fazer sucesso.

Marcela riu e revirou os olhos.

– Óbvio que você não vai com uma fantasia de pirata masculina. E sim, feminina.

A encarei.

– Óbvio que não. De homem é muito melhor. Aí eu falsifico um documento e fico bebendo com os marmanjos que vai ter lá.

Marcela deu risada.

– Katrina, me diga, você usa drogas?

*

Quando cheguei em casa, vi um bilhete na porta.

Bom dia, Katrina. Eu e Isadora saímos para fazer compras. A Camila está na creche. Não se esqueça de pegá-la seis e meia, hein! Deseje um bom dia para a Marcela.

Girei a maçaneta e entrei em casa. Joguei a mochila no chão e me joguei no sofá. Peguei o controle e liguei a TV.

– Você não vai se trocar? – Perguntou Marcela.

– Não, seis e meia tenho que buscar a Camila, então já estou trocada.

Ela riu e me deu um tapa na cabeça.

E aquela tarde foi a tarde mais chata da minha vida. Marcela fazia as unhas enquanto falava com as amigas dela. Eu estiquei as pernas e fiquei deitada no sofá, assistindo Pink Dink Doo.

E então, como num passar de segundos, Marcela ficou de pé no sofá.

– Vamos fazer pipoca? – Ela perguntou.

Eu ri.

– Vamos não. Você vai. Quero evitar a fadiga. Mas se você queimar alguma coisa, não me responsabilizo.

Ela saiu resmungando e foi para a cozinha.

Eu fiquei assistindo o jornal até que ouvi os estouros da pipoca. O cheirinho veio na minha direção e me controlou. Mas aí, o estralo ficou maior.

PAW!

Marcela gritou tão alto que eu pulei do sofá. Ergui a cabeça para enxergar e vi uma fumaça preta vindo da cozinha.

Eu desembestei e saí correndo a encontro dela. A cozinha tinha sumido em meio daquela fumaceira preta. O cheiro era insuportável.

Corri para a janela da cozinha e a abri, para ajudar a sair aquela fumaça.

– Katrina, chama alguém! – Marcela gritou em meio de tossidas. .

Eu corri para o fogão e tirei a panela de lá e a joguei pela janela. O vidro se estilhaçou, mas a panela caiu na piscina. Desliguei o fogão e abri a torneira da pia.

Virei-me para Marcela, que estava sentada na mesa, ofegante.

– Não preciso chamar alguém para algo que eu mesma posso resolver. – Molhei as mãos e lavei o rosto. – Se for possível, não dependa de alguém, Marcela.

Ela desceu da mesa e colocou a mão sobre o meu ombro.

– Eu quase botei fogo na casa. Desculpe.

Apertei o mármore.

– Tudo bem. Foi por pouco, mas eu consegui salvar.

Ela apertou meu ombro.

– Katrina, você é a minha heroína.

– Herói. Já disse, eu sou um cara com bolas. – Pensei por um instante. – Bolas em cima. Não em baixo.

*

Depois que eu fui buscar Camila e nós três estávamos sentadas no sofá, a porta se abriu.

– Katrina... Por que o vidro da cozinha está quebrado e por que a nossa panela está na piscina?

Olhei para Marcela.

– Pois é, mãe. Os milhos estavam quentes demais. Precisavam se refrescar um pouquinho. Já sabe, né.

Ela me olhou.

– Não, não sei.

– Então não saiba. Agora fica quieta que o Maurício está pronto para deixar cair um gordinho.

*

Eu dormi que nem uma pedra. Eu estava dormindo tão deliciosamente, mas tão deliciosamente, que nem sonhar eu sonhei.

Quando deram nove horas, eu não queria levantar de jeito nenhum.

– Me deixa mofar. – Eu disse enquanto a Marcela me puxava pelo braço. – Quero morrer na cama... Deixa-me.

– Vamos, Katrina, larga a preguiça de lado. Vamos, vamos.

Ela me deu um tapa na bunda e eu tive que levantar.

Quando a observei, ela não estava com o uniforme. Percebendo minha observação, Marcela disse:

– Não tem aula hoje. É o jogo, esqueceu?

Minha mente ficou mais alegre que o meu corpo.

Levantei os braços.

– Bora torcer pelo time inimigo!

Marcela riu e me jogou uma camisa xadrez e uma calça jeans preta.

Ela saiu do quarto cantarolando.

Encarei as roupas.

– Vamos ver o Pedro levar umas boladas na cara? – Eu perguntei para elas. – Sim, vamos sim.

As vesti rapidamente e coloquei meu tênis preto. Peguei minha presilha de fio de telefone amarela e desci amarrando o cabelo de lado.

Mamãe arrumava o colarinho de Marcela. Quando me viu, ela abriu um sorriso.

– Está gata, Katrina.

Tossi.

– Eu sou gata, bitch.

Ela riu.

Fui até a cozinha e vi que Isadora fazia palavras cruzadas. Camila chupava uma laranja e tinha um pedaço de bolo de chocolate indefeso no meio da mesa. Peguei o prato rapidamente e o comi de pé.

– Nossa. Que bolo bom. – Eu disse.

– Está queimado. – Me avisou Isadora.

Cuspi tudo de volta do prato.

– Grandes pessoas vocês são. Estão de parabéns. – Eu resmunguei enquanto colocava o prato no lugar onde estava.

Peguei uma manga e a mordi com força, acabando com metade dela de uma vez.

– Katrina, vamos aí. – Disse Marcela, parando na porta da cozinha.

– Vamos. – Eu tentei dizer com a boca cheia. Mas saiu assim: Vabos.

Abri a porta e saí com a boca toda suja de manga mesmo. Marcela enlaçou seu braço no meu e nós duas caminhamos tranquilamente.

Eu acabei a manga e joguei no matinho mesmo.

Encarei Marcela.

– Minha boca tá suja?

Ela sorriu.

– Pra valer.

Ela tirou um lencinho do bolso e limpou minha boca.

– Valeu. – Eu disse.

Quando chegamos à escola, um bando de meninas estava envolta de uma van. Elas gritavam e pareciam estar tendo um orgasmo.

Revirei os olhos.

– Meu Deus, o que está acontecendo aí? Jason veio visitar a gente?

Marcela riu.

– Não, é o pessoal do time da outra escola. São fortes para caramba. Arrasam corações.

Fiz “pff” e virei a cara.

– A única coisa que esses caras arrasam, com certeza são bundas. Por que, né.

Quando passávamos paralelamente pela van, um dos meninos piscou para nós. Por cima do ombro da Marcela, eu mostrei o dedo do meio para ele.

Entramos no pátio externo e logo vi Pedro.

Ele estava praticando com outro garoto. Quando nos viu, deixou a bola cair em sua cara. Ele riu e a colocou sob o braço. Ele andou na nossa direção.

– Vamos indo, vamos indo, vamos indo. – Eu murmurei para Marcela.

– Boa sorte. – Ela disse e correu para a entrada.

– VADIA! – Eu gritei para ela.

Quando me virei, Pedro já estava na minha frente. Recuei, assustada.

– Se teletransportar não é algo legal. – Eu tossi.

Ele sorriu.

– Você veio.

– É, né. Eu não poderia estar em casa. – Eu disse, observando minhas unhas.

Ele riu e passou as mãos no meu cabelo preso. Ele o enrolou com o dedo.

– Megera, eu pedi para o treinador reservar um lugar para você em especial na arquibancada. No segundo set, eu vou sentar para descansar. O lugar fica ao meu lado. Fica comigo?

Ai.

– Hã... E Marcela?

– Ela fica ao seu lado.

Assenti, sem saída.

– Tudo bem.

Ele sorriu.

– O treinador colocou uma plaquinha azul em cima do lugar. É só se sentar ali. – Aos fundos, o treinador apitou. – Minha vez. Sério, se senta lá. Deseje-me boa sorte, cobra.

Ele beijou minha bochecha e andou tranquilamente em direção ao treinador.

Girei os calcanhares e corri para o pátio interno. Desci a escada da quadra e logo vi aquele mundaréu de gente. Desci até pisar na quadra e procurei a plaquinha.

Ao lado da área onde os jogadores ficavam, logo a dois degraus acima da quadra, tinha uma plaquinha azul. Ao lado dela, Marcela acenava alegremente.

Revirei os olhos e me sentei ao seu lado.

– Oi, quanto tempo. – Ela disse.

Puxei sua orelha.

– Você me deixou sozinha com o Pedro, sua vadia. – Eu grunhi.

– Ai, ai, ai, ai... – Ela choramingou. – Desculpa...

Soltei a orelha dela.

– Está perdoada só dessa vez.

Virei-me para frente e pude ver os jogadores da outra escola chegando. Todo mundo começou a vaiar. Eu lancei minhas mãos para cima e torci por eles.

O time inimigo estava com um short amarelo e uma camisa regata branca. O time da casa estava com uma regata azul apertadíssima e um short preto.

Quando eles entraram, todo mundo começou a gritar.

Pedro estava atrás do cara com a bola na mão. Ele estava observando a multidão. Quando os olhos dele encontraram os meus, um sorriso se espalhou pelos seus lábios.

Os meninos se posicionaram e o juiz iniciou o jogo. A princípio, eu não estava entendendo nada. Só depois que Pedro bateu na bola por cima da rede e ela foi direta para o chão, eu entendi que estávamos ganhando.

Marcela se levantou e começou a torcer junto com o pessoal. Depois de longos trinta segundos eu percebi que Derek estava ali também, torcendo pelo amigo.

Virei para ver o jogo.

Os meninos do time inimigo estavam quase virando. Dezenove a dezessete.

Eles tentaram obstruir a barreira, só que não conseguiram.

Aquilo estava chato. Cruzei as pernas e observei minha meia.

Uma pessoa se sentou no lugar de Pedro.

Ainda sem olhar para ela, eu disse:

– Está ocupado.

A pessoa riu.

– Não seja boba. Não tem nome nenhum marcado aqui. E outra, eu queria te conhecer melhor. Com esse cabelo cor berrante e esse rostinho... Qualquer um cairia de quatro.

Bufei e encarei a pessoa.

Um garoto com cabelos pretos e olhos verdes estava disposto na minha frente.

– Eu não quero conversar com você. Dá o fora.

Ele sorriu e apontou para a quadra.

– Você é amiga do... Pedro Marconni?

– Não sou amiga de ninguém a não ser de mim mesma.

Ele sorriu e jogou as mãos para cima.

– Calma, aí. Vocês têm... Algum relacionamento?

Ajeitei-me na pedra.

– E o que te interessa?

Ele riu.

– Meu Deus, você é mesmo a Gelada. – Ele aproximou o rosto do meu. – Me chamo Jonas. E a moça?

– Não me lembro de ter perguntado o seu nome. E não estou a fim de te dizer o meu.

Ele inclinou o rosto mais para perto do meu. Eu me afastei e olhei para o lado.

Foi aí que uma bola muito bem desviada acertou em cheio o rosto do Jonas.

Eu me assustei e fui para o lado, para observar melhor.

Quando isso aconteceu, eu me dei conta de que o jogo havia parado e já estavam no segundo set... Eita.

O garoto sentado do lado de Jonas se levantou e bateu na mão de Pedro. Este veio e parou na nossa frente. Eu obviamente iria sair como vítima.

– Pedro... Ele estava flertando comigo. – Eu disse, apontando para ele.

Jonas se recuperou da bolada e me encarou.

– Eu não estava flertando contigo, menina.

Fiquei surpresa.

– Não, imagina, só inclinou na minha direção, disse seu nome sem eu pedir. Você nem estava flertando comigo, né? – Eu ironizei.

Olhei para Pedro. Seus punhos estavam cerrados. Sua expressão estava calma, mas seus olhos o entregavam.

– Você está no meu lugar. – Ele disse.

– É, Jonas, vaza. – Marcela fez sinal para que ele saísse.

Jonas somente bocejou. Ele colocou seu braço atrás do meu pescoço.

Eu estava pronta para lhe dar uma voadora, mas Pedro foi mais rápido.

O pegou pela gola e o subiu, o obrigando a ficar de pé.

– Calma... Calma aí, irmão. – Gaguejou Jonas.

– Vaza daqui, cara.

Pedro se sentou ao meu lado enquanto Jonas se afastava.

Ele estava ofegante.

– Estou morto. – Ele sorriu.

Eu ri.

– Estava vendo. Você joga bem.

Ele riu meio debilmente e descansou sua cabeça no meu ombro.

– Sério?

– É.

O ouvi sorrir.

– Não consegui jogar direito. – Ele sussurrou. – Fiquei olhando você o tempo inteiro.

Engoli em seco. Minhas pernas começaram a esquentar.

– Pedro.

– Sim?

– Jonas tentou me beijar.

Pedro tirou devagar sua cabeça do meu ombro. Ele me encarou por alguns segundos.

– Você fez o quê?

– Me desviei.

Ele estalou a língua.

Pedro se levantou e foi até onde Jonas estava sentado. Os dois começaram a discutir. Jonas levantou e gritou bem alto:

– Claro, claro, você está brigando por causa daquela vadia que é a Katrina! Qualquer um já co–

Mas antes de terminar a frase, Pedro deu um soco na sua cara. O soco foi tão forte, mas tão forte, que eu pude ouvir os sons estranhos de pele com pele.

Mas Jonas somente se levantou meio debilmente e tentou correr.

- Repete! – Gritou Pedro.

Ele se jogou em cima de Jonas e começou a bater em sua cara.

Jonas apanhou feiamente. Muito feiamente.

A cada golpe Pedro subia o cotovelo e o acertava. Ele tentava se proteger com as mãos, mas era meio inútil. Quando uma multidão tinha se reuniu e a visão da luta já não foi mais possível, Pedro se espremeu e voltou a se sentar ao meu lado.

Ele aconchegou sua cabeça nas minhas pernas e me olhou.

– Pronto. Acho que ele não irá mais te encher o saco.

Eu ri.

– Você acha? Eu tenho certeza.

Ele riu e abraçou minhas pernas.

– Katrina.

– Hã?

– Você não presta.

Ah, claro. Eu não presto.

Notas finais
Oi, gente :3
Hahaha, cara, eu refiz esse capítulo não sei quantas vezes u0u
Mas bem, está aí. Espero que vocês tenham gostado,
Comentem bastante! ♥