Garota Especial
12 The Anchor and The Dopplegangers
Notas iniciais
P.O.V. Doutor Charles.
Meu nome é David Charles, eu sou geneticista. Eu nunca vi nada igual a essas moças, a genética delas é incrível.
Elas são um milagre. O código genético delas é exatamente igual, não há a menor diferença, elas são clones umas das outras, clones naturais.
Quando elas finalmente ficaram conscientes as diferenças começaram a aparecer.
—Oi. Eu sou o Doutor Charles, qual é o seu nome?
A de vestido roxo ficou acoada, com medo.
—Amara. Sabe, quando ele chegar... você morre. Ele vai vir me buscar, vai me encontrar e você vai pagar com sangue.
Ela se libertou das amarras, pegou um bisturi, enfiou na minha carótida e começou a beber o meu sangue. De repente, ela parou.
—O resto de você vai ficar para as outras.
Ela pegou a cadeira e jogou-a quebrando o vidro da sala de testes onde ela se encontrava e saiu caminhando e me arrastando.
—Tá perdendo muito sangue. Não vai sobreviver se não se curar.
Ela se mordeu até abrir o pulso e me forçou a beber o seu sangue. Todos os alarmes soaram e ela colocou o bisturi no meu pescoço e falou:
—Onde estão as minhas descendentes e como eu saio daqui? Se não me falarem eu mato ele.
Ninguém reagiu.
—Tão duvidando?
Ela pressionou o bisturi fazendo um pequeno corte.
—Ai.
—Onde estão as minhas descendentes e como eu saio daqui?
—A cela ao lado. Uma delas está lá. Te mostro como sair.
—É bom mesmo.
Chegamos á próxima moça.
—Abre essa coisa.
Eu digitei a senha e a porta abriu. Ela me arrastou para dentro, me obrigou a soltar a garota.
—Qual é o seu nome?
—Tatia Petrova.
Ela pegou uma pistola com anestésico e fui novamente arrastado para a próxima cela onde estava a outra garota.
—Abre.
Eu abri e a garota saiu.
—Até que enfim.
—Consegue encontrar as outras?
—Consigo. Mas, pra abrir a porta vou precisar da senha e você vai me falar.
Ela fez alguma coisa comigo me forçando a dizer a combinação das portas.
—Ótimo. Não precisamos mais dele.
—Katherine não!
Ela quebrou meu pescoço.
P.O.V. Doutora Danman.
Ele foi teimoso e pagou com a vida. Eu avisei a David para não mexer com essas moças, mas ele não quis ouvir. Toda a equipe dele morreu, elas não deixaram nenhum sobrevivente.
De repente, eu vejo uma mocinha escondida.
—Ei. Calma, eu sou a Doutora Danman. Me diga o que aconteceu.
—Elas mataram todos. Me deixaram viver para que eu passasse uma mensagem.
—Que mensagem?
—Não mexa com as Petrova. Magia é magia, ciência é ciência.
A garota então cortou a própria garganta.
—Jesus!
O Presidente em pessoa apareceu.
—O que aconteceu aqui?!
—As Petrova. Uma delas compeliu a garota a se matar e ela se matou.
—Compeliu? Como assim compeliu?
—Elas conseguem controlar as mentes das outras pessoas, forçá-las a sua vontade, forçá-las a fazer qualquer coisa. Inclusive se matar. Você tem que parar, isso está ficando fora de controle Senhor.
—Eu sou o Presidente dos Estados Unidos!
—E elas são cópias imortais! Elas não morrem! E você as está enfurecendo!
—Não fale assim comigo!
—Falo! Falo sim! Olha em volta! Duzentos corpos sem um pingo de sangue! Todos mortos! Essas quatro garotas mataram duzentos homens sem esforço! Duzentos dos seus melhores soldados! Você acha que pode contra elas, mas não pode.
Eu sai e deixei-o falando sozinho.
P.O.V. Presidente Shaw.
Duzentos homens. Elas quatro sozinhas mataram duzentos homens.
—Achem as pesquisas, verifiquem as imagens das câmeras de segurança, hds de computadores. Tudo.
Os especialistas e os seguranças revistaram e reviraram tudo. E não acharam nada.
—E então?
—Os Hds foram apagados e foi coisa de profissional não sobrou nada, o mesmo vale para câmeras de segurança e todo o resto. Pesquisas escritas, anotações foram queimadas. Não há digitais em quase nada e as digitais que encontramos nas celas onde elas eram mantidas são exatamente iguais umas ás outras, é como se elas fossem uma pessoa só.
—Vamos passar essas digitais no banco de dados mundial. Se alguma delas for fichada vamos encontrá-la.
P.O.V. Doutora Danman.
Eu peguei o diário pessoal do David. Não posso deixar o Presidente colocar as mãos nisso ou muita gente vai morrer, eu li até decorar e toquei fogo.
Estamos á beira da guerra e não é qualquer guerra. É a quarta guerra mundial e é uma guerra que não podemos vencer, mas o presidente não consegue enxergar. Se essa guerra realmente acontecer, o nosso mundo vai acabar. Eles vão matar a maioria de nós, escravizar o resto.
—Desde o princípio tudo o que eles queriam era paz, era o direito de ter direitos, o direito de existir e de serem livres. Deixaram isso claro desde o começo, mas os líderes mundiais não quiseram ouvir. Acho que desse dia pra frente vai ser um pandemônio. O apocalipse.
P.O.V. Presidente Shaw.
Soube que estão se mobilizando, se preparando para a guerra.
—Porque você fez isso querido? Agora vamos todos morrer.
—Lindsay...
—Eles disseram que queriam viver em paz conosco, mas você os atacou mesmo assim e agora toda a humanidade vai pagar o preço do seu erro. A nossa filha vai pagar o preço do seu erro. A Kat e eu e todo mundo!
—Lindsay...
—Vou até eles e implorar por misericórdia. Não vou deixar minha filha morrer por sua causa.
—Eles são uma ameaça a segurança nacional!
—Não! Você é uma ameaça a segurança nacional! Porque tinha que cutucar o vespeiro Donald?! Porque?!
—Eu só queria proteger a nação!
—Não! Queria poder, era isso o que queria.
—É pai foi muita sacanagem o que você fez. Foi muita burrice também.
Minha mulher e minha filha fizeram as malas e foram embora. Eu fiquei sozinho na Casa Branca completamente sozinho porque até os meus soldados e funcionários foram embora. Esse lugar parece bem maior estando sozinho aqui.
P.O.V. Doutora Danman.
Chegamos á casa onde estavam os seres sobrenaturais e pedimos asilo, uma das duplicatas ouviu tudo o que estávamos dizendo atentamente, nos observou, nos examinou com os olhos e disse:
—Sejam bem vindos.
—Eu queria agradecer e dizer que nem eu e nem a minha filha concordamos com o que o meu marido fez e está fazendo.
—Eu sei. Por isso deixei vocês entrarem, se estivessem mentindo... suas cabeças estariam enfeitando meus portões.
Eu me sentei perto do homem que falava com os fantasmas.
—Como é ser como você?
—Você quer saber como é ser um híbrido imortal ou como é ser a âncora para o outro lado?
—Os dois.
—O primeiro é bom, bom era. Até eu virar a âncora.
—E como é ser a âncora?
—É horrível. Eu sinto dor sempre que um ser sobrenatural morre e eu fico tão confuso ás vezes que eu não percebo a diferença entre vivos ou mortos. E isso é mais frequente do que imagina, eles são pessoas como você e eu, não há nada que os distingua dos vivos. Eu sou a âncora para o outro lado! Eu consigo ver tudo! Mas ser a âncora tem seu lado bom, eu escuto as conversas, conversas que os outros não escutam. Tenho informações que ninguém mais possui e isso é uma vantagem pra mim.
Ele deu um gole no uísque.
—Tem uma guerra á caminho. O seu mundo vai acabar.

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