Gangue dos Melzinho
1 Kelvin
Notas iniciais
Era uma vez uma criatura muito bizarra. Seu nome era Kelvin Peixoto Becker. Parecia ser um gato mutante, levemente parecido com um dragão. Certo dia, ele estava passeando quando algo inesperado aconteceu.
Ela caiu em um buraco. Ficou assustado, pois não achava que fosse conseguir sair dali sozinho. Kelvin tentou escalar as bordas repetidas vezes, mas não obteve sucesso. Suas patas eram moles e fracas, suas pequenas asas não eram fortes o suficiente para levantar seu corpo. Então, a ajuda veio.
Um rato chamado Epíteto veio ao seu socorro. O gato se surpreendeu ao ver que ele podia voar. Possuía asas verde acinzentadas, que eram grandes se comparadas ao tamanho de seu corpo, da mesma cor. Epíteto agarrou Kelvin e o levou para fora do buraco.
— Nossa, muito obrigado! — O jovem agradeceu. — Você me salvou!
— Rão roi rada. Reu raço risso ro rempo rodo. — (Não foi nada. Eu faço isso o tempo todo.)
Kelvin se espantou. Aquele cara falava estranho. Mas de qualquer jeito, ele não se importava, afinal, o Rerói Rato havia salvado-o.
Os dois se separaram. Kelvin voltou para sua casa, enquanto Epíteto voltou para onde quer que vivesse. O gato mutante se alegrou ao adentrar a cozinha e ver que sua mãe Heloisae tinha preparado seu prato favorito: filé de águia temperado ao molho de sangue de unicórnio (era artificial, nenhum unicórnio havia sido ferido durante a produção).
Ele contou para a mãe tudo o que havia acontecido e se fartou com o banquete.
*
Pouco depois de o sol ter nascido, o peculiar felino foi se aventurar no bosque. Secretamente, esperava reencontrar o rato que o salvara.
Porém, não foi Epíteto que encontrou. Em meio às árvores, ele avistou um tipo de dragão que nunca tinha visto antes. Era uma bela fêmea de nome Aná. Foi amor a primeira vista... pelo menos por parte de Kelvin.
— Olá... — Ele se arriscou. — Comigo quer passear você?
Aná estava confusa, não tinha entendido.
— Quer passear comigo? — Kelvin repetiu as palavras.
— Ah, desculpa... Não posso agora, estou atrasada para um compromisso. Quem sabe na próxima.
E ela foi embora com pressa, deixando o mutante arrasado e sozinho.
Kelvin decidiu mandar uma mensagem para a sua melhor amiga, Lisa. Ela era uma tucano e também muito boa ouvinte. Contou sobre Aná, que acabou ocupando a maior parte de seus pensamentos pelo resto do dia. O gato até voltou a procurar seu amigo rato, mas falhou. Passou mais horas e horas no bosque.
Ao anoitecer, ele voltou para casa e encontrou sua mãe. Eles eram muito próximos, o filho mal podia esperar para contar sobre Aná.
— Fico feliz que você esteja socializando mais. — Heloisae disse. — Mas já vou te avisando: nem todas as pessoas são confiáveis. Fique atento para não se apaixonar por alguém que não te valoriza.
*
No dia seguinte, na escola, Kelvin ficou chocado ao ver Aná. Ela tinha se mudado para o colégio dele, mesmo estando no meio do ano letivo! Sua paixonite até poderia ter sido passageira, mas nessas condições, parecia que só iria se fortalecer.
Qual era a possibilidade de encontrar ela de novo? O felino ficou alegre, convencido de que aquilo era um sinal divino. Em algum momento, voltaria a falar com ela e as coisas sairíam melhores.
No recreio, Kelvin ficou tagarelando sobre a nova aluna com Lisa.
— Tá bom. — Ela disse. — Mas você nem conhece ela direito. E se ela já tiver um namorado?
O desesperado imediatamente começou a pesquisar nas redes sociais sobre esse assunto. Descobriu que ela realmente tinha um namorado.
Ele também era um dragão, e muito bonito, por sinal. Tinha escamas cor de fogo e fazia academia. Kelvin tinha um inimigo com grande potencial em seu caminho.
O gato se decidiu: se aproximaria de Aná, se tornaria seu amigo e tentaria conquistar ela aos poucos.
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