Gangue dos Melzinho
2 Epíteto
Longe daquela escola, Epíteto enfrentava o mal, o caos e o crime por entre as árvores da floresta e os becos da cidade. Tinha que fazer tudo sozinho na luta pela justiça e ordem, já que a polícia local era extremamente ineficiente.
Na ocasião, Epíteto estava tentando obter informações com uma ratazana. Ela se recusava a falar, então ele teve que recorrer a um método violento: tortura. Deste modo, descobriu que a ratazana trabalhava para um cara chamado Johann. Aparentemente, ele era o chefe de todos os âmbitos criminosos.Epíteto queria mais informações, mas acabou exagerando e matou o animal.Em parte, ele se sentia culpado, mas uma voz na sua cabeça insistia na idéia de que era tudo por um bem maior. Mesmo que se convencesse disso, Epíteto sabia: quando se deitasse para dormir, os gritos da criatura interrogada penetrariam seus sonhos. Também, a sensação de suas garras cravadas na carne, o sangue escorrendo e pingando no chão frio...Mas ele sabia que se consertasse tudo o que julga errado, o mundo — ou pelo menos a sua cidade — voltaria a ser tão puro quanto aquele jovem gato dragão que salvou.Ao sair da área do crime, Epíteto passou por um outro beco e viu uns capangas agredindo dois lagartos.— Já passou o prazo pra pagar o chefe! — Disse um deles, prensando o primeiro lagarto contra um muro com suas garras.Epíteto ficou quieto e se aproximou, para ver o que aconteceria. Percebeu que ambos os répteis estavam tremendo de medo, como se aqueles fossem seus últimos minutos de vida. Os capangas eram grandes e peludos, talvez fossem ursos, mas Epíteto não tinha certeza.— Nó-os... já íamos pagar. — O segundo lagarto se manifestou. — Conseguimos um negócio... Logo vamos pegar o dinheiro...Assim que ouviu estas palavras, um dos capangas ligou para o chefe, — Johann — que respondeu com uma voz irritada e impaciente:— Eu não dou segundas chances! Acabem com eles!O capanga encerrou a ligação e trocou um olhar com seu parceiro. Sacaram suas armas e atiraram nas cabeças dos lagartos.Epíteto ficou paralisado. Esperava que pudesse agir antes que as coisas ficassem piores, mas tudo foi muito rápido. Uma onda de tristeza e culpa o abateu.Os capangas já estavam indo embora, sem perceber que estavam sendo observados. O ratão foi até os lagartos com um pouco de esperança, mas já não havia vida naqueles corpos.Em poucos segundos, a raiva consumiu Epíteto e ele disparou atrás dos assassinos. Suas asas o impulsionaram para frente rapidamente. Queria ver se conseguia alguma informação sobre o Johann. Ele usou seus poderes de Rerói Rato para derrubar os enormes sujeitos no chão. — Ronde rosso rencontrar resse ral re "Rohann"? — Perguntou, utilizando sua linguagem única. Os capangas se entreolharam, sem entender nada. (Onde posso encontrar esse tal de "Johann"?)Eles tentaram escapar, mas Epíteto não permitiu.— Ronde restá Rohann? — Gruniu ameaçador.— Não vamos dizer! — Um afirmou.O rato partiu para cima dele, lhe arranhando a cara. Arrancou um pedaço da orelha dele, mas nisso o outro sujeito se levantou e começou a correr.Epíteto xingou e pensou que era mais garantido ficar ali com o da orelha decepada, porque se fosse atrás do outro poderia acabar ficando sem nenhum. O Rerói Rato se contentou e deixou o cara inconsciente com uma forte pancada na cabeça. Arrastou o corpo por vários becos escuros até chegar no seu prédio. Passou pela portaria sem tentar esconder o prisioneiro. O porteiro, um pug chamado George, já era seu parceiro: compactuava com a parte suja do trabalho. Ao chegar em seu apartamento, Epíteto trancou o animal dentro de um quarto vazio. Resolveria aquilo mais tarde. Apenas tinha certeza de uma coisa: iria atrás de Johann.
Notas finais
Comentários?
Fale com o autor