Notas iniciais
Episódio 1 - Cena 3

Enquanto as mais belas mulheres — e melhores partidos — em Winterfell trocavam palavras no estábulo abaixo, o jovem Lucan Lannister as observava de uma ameia distante. Ele estava no Norte há pouco mais de três dias e já tentara aproximar-se de Sansa durante uma visita no bosque sagrado, mas não obtivera sucesso. Então prestava atenção para descobrir se a dornesa abaixo conseguiria algo melhor que ele daquela Rosa do Inverno. Quando as duas colocaram-se fora de sua visão, ele manifestou-se.

LUCAN: Por Sansa, daria minha espada e morreria mil vezes.

Só quando terminou a frase, percebeu que não estava sozinho.

BRIENNE: Isso não é novidade. Muitos como você fariam isso por ela, incluindo Lorde Harry Hardyng, seu prometido.

A dura guerreira do Sul lembrou de maneira ríspida. Lucan não aprovava a indiscrição dela.

LUCAN: Oh, Lady Brienne, não lhe vi aqui. Estava pensando alto.

Desculpou-se quase que sinceramente, não queria ser mal visto pela espada juramentada de Lady Sansa Stark. Com a aproximação de Brienne, Lucan raciocinava que a Loba fugira dele por conta do casamento com Tyrion. Ela devia sentir-se perseguida.

BRIENNE: Você ouviu o que eu disse, Lannister?

Perguntou encarando-lhe e pousando sua mão no pomo de sua espada.

LUCAN: Sim, sei que muitos dariam a vida por ela. A questão é: eles temeriam a morte no fim, perante o inimigo? Com Sansa no coração, eu não temeria.

Até aquela mulher brusca desmancharia sob seu olhar fascinante e sua lábia cativante. Por fora, Brienne negava isso a qualquer custo, mas por dentro, ela gostava de ouvir aquelas palavras, Lucan sabia.

BRIENNE: E em qual batalha até a morte você já esteve? Quantas vezes usou sua espada?

Ela provocou ainda com a mão do pomo de sua arma, como um verdadeiro guarda.

LUCAN: Você está sendo ríspida demais, Lady Brienne. Nossas espadas são irmãs. Meu tio Tyrion deu-lhe Cumpridora de Promessas. Essa é Lamento da Viúva, espada do meu falecido primo Rei Joffrey Lannister. Ambas foram forjadas de Gelo e é engraçado estarem juntas em Winterfell. Ela me parece mais leve ainda em sua terra natal.

O jovem criticou, tomando espaço e sacando sua lâmina valyriana. Golpeou o ar algumas vezes, enquanto contava sua história. Brienne não sacou a espada gêmea.

BRIENNE: Você carrega a espada de Joffrey e sofre de amores por Sansa? Tome cuidado, pois o Norte se lembra, garoto.

A guerreira não cedia a paz e isso começava a cansar Lucan. Talvez fosse este o objetivo dela, afinal.

LUCAN: Nós falhamos com os Stark. Eu já falei com Jon. Chegou a hora dos Lannister pagarem suas dívidas. O verdadeiro Inimigo nos aguarda.

Lembrou o jovem guerreiro, guardando seu aço valyriano na baínha escarlate com detalhes em ouro branco e um chifre “de unicórnio” na ponta final.

BRIENNE: Não nos aguarda, ele se aproxima. Fique longe dela, Lannister.

Advertiu de forma brusca, soando quase como uma ameaça.

LUCAN: Não me julgue apenas por uma das cores do meu sangue, my lady.

O Lannister deu as costas ao falar, pondo-se para longe daquela mulher rancorosa.

BRIENNE: E o que há além do vermelho traiçoeiro do leão?

Desagradavelmente a guerreira decidiu acompanhá-lo pelos corredores.

LUCAN: Corre em minhas veias o sangue nobre e azulado da Casa Belvedere.

Lucan fez lembrar, escondendo o nome Belvebrax de seu pai, que digamos, não tinha tanta fama “boa” assim.

BRIENNE: Isso não o torna melhor candidato do que o nobre do Vale.

Lady Brienne estava irredutível. Parecia que literalmente que Lucan era uma ameaça.

LUCAN: Claro que não. Porém, ainda estou ansioso para descobrir quem será o último dos pretendentes a sobreviver a este inverno.

Lucan parou em frente a porta dos seus aposentos e antes de fechar na cara daquela petulante mulher, disse a verdade que ela não gostaria de escutar.

BRIENNE: Não ouse fazer ame…

O jovem Lannister não terminou de ouvir a resposta de Brienne. Foi até sua lareira pessoal e perdeu um tempo para acender a lenha úmida da geada da noite anterior. Ele havia esquecido uma pequena brecha das janelas aberta antes de sair para receber o Rei e isso lhe custara um quarto tão frio quanto o gume de sua espada. Contudo, no fundo, no fundo, Lucan gostava de estar ali, sentia estar no lugar certo, no momento certo. A sorte brilharia para ele. Precisava acreditar nisso.