Game of Thrones — Season 8

7 A Guerra Está Próxima


Notas iniciais
Episódio 1 - Cena 7

Um conselho “secreto” é realizado na madrugada silenciosa, antes da grande guerra, no mezanino Stark do salão de Winterfell. A princípio era uma reunião entre Aegon e os senhores mais importantes do norte: Glover, Mormont, Umber, Karstark, Tallhart e Dustin. Brienne de Tarth, Lady Sansa, Meistre Samwell e Lucan Lannister também estavam presentes para receber Tormund Giantsbane e suas notícias. Porém, Daenerys chega com sua corte durante o encontro, exatamente quando os presentes estavam pressionando o Rei sobre Aegon ser Stark ou Targaryen, Rei do Norte ou Rei de Westeros.

AEGON: Rainha Daenerys, perdoe não lhe esperar para começar esta reunião, Tormund Giantsbane chegou há pouco com terríveis notícias.

Desculpou-se o Rei antes de mais nada, levantando-se para recebê-la. Todos seguiram o gesto. A Rainha parou para ouvi-lo e ele apontou para o amigo selvagem, Tormund, ao mencioná-lo.

DAENERYS: Na verdade, não houve convite formal para minha presença. Todavia, como sua aliada, creio ser bem-vinda neste conselho, certo?

Ela vestia uma seda fina, de modo que seu corpo belo aparecia mais do que o apropriado. E estava irreverente, mas com o semblante claramente transtornado, como se acabasse de acordar de um pesadelo.

AEGON: Peço-lhe perdão mais uma vez. Percebi que estava cansada e...

O sobrinho foi até a tia de forma amigável e um tanto quanto íntima do ponto de vista dos Senhores do Norte e do Vale. Ao aproximar-se, continuou sua intimidade ainda que todos pudessem ouvir, ela o interrompeu.

DAENERYS: Sou bem-vinda ou não, Aegon?

Cessou a aproximação dele com vigor. Perguntava-se o quão apaixonado ele estava para vir falar com ela daquela forma na frente de todos.

AEGON: Claro que é.

Ele reafirmou em voz alta.

DAENERYS: Então conte-me tais terríveis notícias.

Ela caminhou de forma orgulhosa até a cadeira ao lado de Jon, Meistre Samwell cedeu-lhe o lugar. Todos sentaram-se e então, Dany esperou que ele a respondesse.

AEGON: Nossa última defesa caiu. A Muralha quebrou. A horda já deve estar por Mole Town a essa altura, transformando tudo em morte e vindo em nossa direção.

O Rei estava completamente nervoso. Tanto nas palavras quanto em seus gestos, apontando para a peça derrubada na Muralha em cima do mapa e para as pedrinhas negras que representavam o avanço da horda. Ele demonstrava preocupação e exagero em doses iguais.

DAENERYS: Como eles foram capazes de derrubar a Muralha?

A Rainha quis saber, de forma branda. Jon aquietou-se, como se um Lannister tivesse cortado sua língua. Todos se entreolharam e ela fechou o semblante.

TORMUND: Com o seu dragão, Rainha.
O líder Selvagem falou por fim, de forma até generosa para sua classe. Ele parecia gostar dela, mas não tirava os olhos de Brienne de Tarth.

DAENERYS: Viseryon?

Aquilo fez o mundo de Dany girar. Pensar em um de seus filhos como morto-vivo… como inimigo...

AEGON: Sim, o Rei da Noite o trouxe do mundo dos mortos e agora parece controlá-lo.

Lamentou o Rei, consternado.

TORMUND: Ele o controla e suas chamas agora são azuis.

A etiqueta do Selvagem durou pouco e ele fez gestos ríspidos no ar para representar o estrago causado com a força do dragão inimigo.

DAENERYS: Maldição!

A Rainha quase pôs as mãos no rosto, mas ao invés disso, pegou o cálice de Jon e bebeu. Era água. Bem fria. Terminou de congelar seu coração.

AEGON: Sim, imagine quando o exército descobrir sobre o dragão de gelo.

Uma parte do Rei talvez tivesse morrido com a notícia também. Sua parte “Jon” ou um pouco de sua parte “Targaryen”, qual seria? Alguns se perguntavam ao observá-lo reagir a tudo aquilo.

DAENERYS: Isso deve ficar em sigilo.

Ela colocou o cálice na mesa e ordenou a todos, como uma verdadeira Rainha, livrando-se de todo o pesar por alguns segundos.

AEGON: Concordo, mas não podemos enviar homens em direção a guerra sem alertá-los do real poder que o inimigo tem em mãos, seria o mesmo que matá-los.

Jon também tentou se portar com menos emoção diante de todos. Voltou sua concentração para a mesa e falou sem olhar para ninguém, movendo as peças do exército Stark. Pequenos lobos de ônix.

DAENERYS: Concordo.

TORMUND: Enviar homens? Na minha opinião, o melhor lugar para enfrentá-los é aqui, em Winterfell.

O líder Selvagem quis saber logo em seguida e deixou sua sugestão no ar.

AEGON: Não arriscarei nosso estoque de comida, nem a vida de mulheres e crianças em batalha.

O Rei virou-se para Tormund e determinou com vigor. O Selvagem entendeu o recado.

GALBART: Além disso, se Winterfell for o campo de batalha, será totalmente destruída. Eles tem um dragão morto-vivo!

Exclamou o Senhor do Norte mais petulante daquela corte.

LAUGHTERSTRIKE: É sabido que alguns dragões já foram derrotados em Westeros no passado, não é mesmo? Onde foi isso? Quando foi isso?

Um soldado que estava atrás dos Targaryens, deixou sua lança encostada na parede, aproximou-se, colocou o capacete na mesa perto de Stef e falou, revelando-se Laughterstrike e trazendo uma boa direção para aquela conversa. Apesar da chegada estranha, acabou sendo respeitado. E sua opinião foi reconhecida.

NYMELLA: Nas Marcas. Os Dorneses derrubaram um dos dragões de Aegon, o Conquistador. No caso, Meraxes com uma catapulta conhecida como escorpião.

A Princesa de Dorne falara pela primeira vez. Todos escutaram. Daenerys amargou-se com o relato.

LAUGHTERSTRIKE: Acredito que tenhamos obsidiana o suficiente para produzir munição a esses escorpiões, certo Rei Aegon?

Quase como um amigo camarada do Rei, Laughter colocou a mão sobre o ombro de Aegon e “cantou a pedra” de maneira astuta.

AEGON: Sim. Mas a obsidiana é leve, os engenheiros terão de testar bastante até conseguirem encontrar a precisão da arma.

Pouco a pouco, o Rei voltava a ser o herói conhecido e raciocinava enquanto apontava os problemas.

DAENERYS: Há alguma outra saída?

A Rainha tentou ajudar, perguntando a sua corte. Todos permaneceram em silêncio. Ela não queria ver Viseryon desfalecer no céu outra vez.

AEGON: Creio que não, minha Rainha.

Ele falou de forma firme, mas desolada.

SANSA: Não temos madeira o suficiente para construir essas catapultas. Mandei que os homens colhessem lenha e não troncos inteiros.

Lembrou a Lady de Winterfell sabiamente. Alguns a olhavam como futura Senhora Stark, talvez até Aegon Targaryen.

AEGON: Então precisamos cortar árvores com urgência.

O Rei seguia o plano em sua mente.

STEF: Pensando nisso, podemos matar dois coelhos em uma só pancada. Woofswood.

O Bastardo de Robert falou pela primeira vez naquela madrugada, tirando o capacete de Strike exatamente da floresta que citara.

AEGON: Sim, Woofswood.

A atenção dele era de Stef, todos seguiram o Rei.

STEF: Pelo que vejo no mapa, há um ponto alto estratégico para posicionar seu exército e assim garantir a proteção dos lenhadores e engenheiros.

O grandalhão falou como um verdadeiro filho postiço de Lorde Daronn Belvedere.

JARED: Não seria melhor o Gargalo? Um ponto alto pode ser uma boa defesa, mas como nós vimos no Além Muralha, os Outros não sabem nadar e o Gargalo está abarrotado de poças pútridas e traiçoeiras.

A Mão da Rainha estava sem moral para estratégias de combate. Havia falhado com Dorne e com os Imaculados em Casterly Rock. Mas só quem sabia disso era a corte da rainha, então seu raciocínio foi até o fim sem interrupção.

LYANNA: Teríamos de abandonar Winterfell, sacerdote.

Percebendo a falta de crédito dele perante seus conhecidos, Lady Lyanna Mormont levantou a questão.

GALBART: Colocar velhos e crianças em marcha com essa neve seria o mesmo que abandoná-los aqui. Estaríamos condenando-os a morte.

Lorde Glover vivia acordado em seus próprios pesadelos, atacando a todos com suas palavras.

AEGON: Winterfell permanece de pé como nossa base. Vamos à Woofswood.

Decretou o Rei Aegon Targaryen por fim.

JARED: E quem cuidará da defesa de Winterfell?

O clima combativo entre o Sacerdote e o Rei continuava após o treino, estava claro.

AEGON: Quem você sugere?

Perguntou, cedendo e incitando.

JARED: A Rainha Daenerys e seu exército.

Aquela premissa era demais, todos mexeram-se inquietos em suas cadeiras quando Jared pontuou.

LUCAN: Mas a horda inimiga não tem como chegar em Winterfell antes de Woofswood. Estamos montando uma vanguarda. Deixá-la sem Imaculados, Dothrakis ou dragões, seria arriscar demais todo o exército do Rei.

O Lannister explicou para o Sacerdote utilizando-se do mapa. Era um pouco óbvio, mas ele parecia não ter visto, ou não querer ver.

AEGON: Agora eles tem um dragão morto vivo. E ele parece hábil em derrubar estruturas. O perigo não é mais só a horda. Eu concordo com o sacerdote Jared Vermelho. Devemos manter os Imaculados, os Dothrakis, os Selvagens e até Rhaegal aqui, pois ele não possui um cavaleiro. Todavia, minha Rainha, seria de grande suporte tê-la em campo conosco.

O Rei parecia já ter todo seu plano traçado, para alegria de alguns e tristeza de outros. Quando concordou com o sacerdote, alguns incomodaram-se mais ainda. Por fim, solicitou sua tia e o dragão negro em combate, apaziguando a opinião de todos.

DAENERYS: Eu irei com Drogon.

Ela olhou diretamente nos olhos dele. Queria estar em batalha com ele. Ele era seu sobrinho, seu amante e sangue do seu sangue. Sentia-se segura ao lado daquele Rei.

JARED: E eu irei para garantir que haja fogo o suficiente para vencermos.

A Mão — super protetora — da Rainha anunciou, quebrando o clima quase palpável entre os dois.

LAUGHTERSTRIKE: Rei Aegon… Você possui o mesmo nome de seu ancestral conquistador que acabamos de citar. Ele fora um dos melhores cavaleiros de dragão já conhecidos.

Novamente com uma aproximação nada comum, Strike pousou a mão no ombro do Rei e o mesmo parecia permitir. O Imaculado começava seu discurso, mas Arya o interrompeu. Afastando-o do irmão.

ARYA: Aonde quer chegar, Strike?

Puxou Laughter pelo braço. Logo em seguida, ele se recompôs.

SANSA: Espero que não esteja sugerindo que…
A Lady de Winterfell tinha terror nos olhos e não conseguiu completar sua frase...

LAUGHTERSTRIKE: Que Jon monte em Rhaegal. Nós todos vimos como ele acariciou Drogon. Os dragões o aceitam. Desde Dragonstone.

O capitão concluiu por Lady Sansa. E defendeu sua tese e ideia. Na pior das hipóteses, o Rei morreria queimado ou em uma longa queda, o que não era tão ruim, já que Laughterstrike jurara proteger sua Rainha. E eles estavam apenas em anistia.

MEISTRE SAMWELL: É arriscado demais.

O covarde lembrou. Sempre haveria um covarde para lembrar.

JARED: Concordo. Apesar de extremamente inteligentes, os dragões são criaturas selvagens que só obedecem a Rainha Daenerys.

Inesperadamente, o Sacerdote que parecia querer a cabeça de Aegon no embate anterior ficou contrário a decisão do Rei.

NYMELLA: Os Dragões foram domados pelos Targaryen há séculos, talvez milênios. Se Jon é Aegon, se é um Targaryen, não é tão arriscado assim.

A língua venenosa da Princesa finalmente entrou em ação assinando a sentença do Rei.

AEGON: Eu montarei Rhaegal.

O Rei do Norte decidiu.

Todos cruzaram olhares inquietos diante da afirmação de Aegon. Daenerys, porém, parecia a mais confiante dos presentes. Com tudo pré determinado, aquele Conselho inesperado se desfez. Horas depois, na manhã seguinte, enquanto o exército Stark marchava para Woofswood, Aegon voou em Rhaegal, o dragão verde que levava o nome em homenagem ao seu próprio pai, Rhaegar. Daenerys cavalgava Drogon ao seu lado e os dois quase dançavam no céu branco. O Norte estava cheio de esperança outra vez.

Notas finais
E assim termina o primeiro episódio. O próximo capítulo já é o começo do episódio 2.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.