Game On

27 2.8) Baby Blue Eyes.


Notas iniciais
Então. Eu acabei me empolgando e mudei algumas coisas no final, então o cap de hoje está gigante! Dai acho que só vai ter mais um cap e dai o epilogo. :)
Espero que gostem!

Já era tarde da noite, estávamos todos num luau na praia- nós todos virgula, eu e os outros estudantes, porque sabe Deus onde aqueles três que eu chamo de amigos se meteram.

Eu estava sentada num tronco perto da fogueira. E deixe-me dizer: se sentar de vestido branco em cima de um tronco de arvore sujo NÃO É LEGAL. Eu não estaria sentada aqui, maaaas como pessoinhas somem do nada e eu não estava a fim de atravessar a fogueira pra ir conversar com um Anúbis meio bêbado junto com seus amigos igualmente doidos.


-Como ele consegue conhecer tanta gente sendo calouro?- perguntei pra mim mesma.

-Talvez porque ele não seja. Calouro, quero dizer. — disse uma voz do meu lado.Quando olhei tinha uma menina de cabelos rosa claro ( OK então) e olhos azuis sentada do meu lado. Ela sorriu.- Oi, Annabeth. Se lembra de mim?

Não.

-Ahm...

-Georgina Lancaster...?

Ah sim! A irmã do Anúbis!

-Oi! Eu queria falar contigo! Sobre o que a gente conversou na..-Pera, o que você disse?

-Se lembra de mim..?

-Não, antes.

-Ah sim. Que o Anúbis não é calouro. Mas eu já tinha te dito isso antes, na festa, lembra?

Ela tinha?

-Ah, é. – respondi, mesmo não me lembrando disso.

O celular dela tocou.

-Bem, eu tenho que ir agora, combinei de me encontrar uma amiga. Depois nós conversamos mais! Foi muito bom te rever Annabeth!

Antes que ela fosse embora de vez, eu perguntei:

-Espera, quantos anos ele tem?

-Quase 20. 19 e meio. Você tem certeza de que se lembra de algo daquela festa?!- ela respondeu rindo, enquanto ia embora.

20?!vinte ?! COMO ASSIIIIIIIIIIIIM?! AIIII pelas batatinhas fritas do Mac Donalds, como assim 19 E MEIO?!

Ela me disse isso mesmo na festa?!

Foi quando aconteceu. Simples assim.

A música foi trocada.

Desculpa, se criei alguma expectativa em você, mas tudo que aconteceu foi isso: a música que tocava foi trocada. Começou a tocar When the Sun Goes Down do Arctic Monkeys. Acontece que eu reconheci essa música.

De repente toda minha memória voltou.

FlashBack.

(Musica: http://www.youtube.com/watch?v=qBbk9IjRdO0 )

Eu já estava com a garrafa de Vodka pela metade. Decadente, eu sei. Estava sentada no sofá observando Anúbis se pegando com alguma- não vou dizer vadia- moça que provavelmente deve ser suuuuperlegal com seus cabelos loiros oxigenados que eu estou morrendo de vontade arrancar daquela cabeça, e depois pegar a mesma cabeça e bater algumas vezes na parede. Não que eu esteja com ciúmes. Longe de mim. Mas que ia ser legal , ia. Só estou comentando. Hehe.

- Tudo muda quando chega o por do sol, não é? –disse ela apontando com a cabeça pro lugar onde estava Anúbis e a loira.

Isso era um trecho da música que estava tocando. Dei mais um gole na garrafa e olhei pra menina de cabelos rosas, que se sentou do meu lado. Não parecia ter mais que 16 anos.

-É o jeito dele sabe? Ele é todo fofo e carinhoso numa hora, e na outra... age igual um idiota. Ele não se permite se aproximar de ninguém. Nem da Amanda. E olha que eles namoram desde o primeiro ano da faculdade.

-O que? Espera, mas o ano acabou de começar.

-O Anúbis está no segundo ano. Ele tem 19 anos, era pra ele estar no terceiro, mas ele fez uma pausa ano passado, e só voltou esse ano.

Não isso não pode ser verdade. Ai meu Merlin, será que eu to doida? Eu jurava que ele estudou comigo ano passado! Ele estudou, não estudou? Isso era loucura ele simplesmente não PODIA estar na faculdade já.

-Eu sou Georgina Lancaster, a propósito. Irmã do Anúbis.

-Annabeth Chase.

Ela pareceu surpresa e tampou a boca com a mão.

-AI. Meu. Deus. Me desculpe! Eu não sabia que você...se não eu não teria falado...

-Que seu irmão tem namorada? Tudo bem. –respondi.

-Eu acho que eles terminaram agora, se isso ajuda. – ela disse meio sem jeito.

Pelo jeito que ela estava grudada nele, não acho que tenham terminado.

-Escuta — ela disse- Eu não sei bem o que aconteceu entre vocês, ele não costuma falar dessas coisas comigo, mas de um desconto pra ele. Aquilo que eu falei sobre ele não deixar ninguém se aproximar é verdade. Ele teve uma namorada no segundo ano do colégio, e ele gostava muito dela e ela traiu com ele com o melhor amigo dele. Desde então ele ficou..ahm...cauteloso, digamos.

Isso tava indo rápido demais pra eu digerir. Eu agora entendia como deve ter sido horrível por ele, primeiro a namorada dele o trocou pelo seu melhor amigo, e agora me ocorreu que fiz a mesma coisa com ele ano passado. O troquei.

Mas eu não vou ficar com o papel de vilã sozinha. Ele também mentiu pra mim! Olhei pra ele, ele já não estava tão grudado com a Amanda e me encarava. Lancei um olhar de ódio pra ele.

-Com licença. – Me levantei e fui pra cozinha apinhada de gente pegar um copo de água. Eu não acredito nisso, isso tudo é tão surreal.

-Annabeth.- Anúbis estava da minha frente, nenhum sinal da loirinha.

-Sai. Daqui.

-Por que?

-Porque você mentiu? Quer dizer, eu sei de tudo. Sei que você não está no ensino médio, sei que você tem namorada! Quando você ia me contar isso?

-Eu e Amanda terminamos no fim do ano passado. – ele disse.

-Fim. Do. Ano. Passado. Pois não parece. – falei com raiva.- Sobre o que mais você mentiu?

-Sim. Fim do ano passado. A gente só estava se beijando, não tenho mais nada com ela. Juro. Esquece isso, por favor.

Ele se aproximou e beijou minha mandíbula.

-Tanto faz. Vai embora. – Eu disse tentando me afastar.

Ele se afastou só um pouco e continuou me encarando.

-Eu te odeio. – disse.

-Não odeia não. – respondeu ele, e me beijou.

E isso é tudo que eu me lembro.

FlashBackOff.


Então é isso o que aconteceu. Eu estava confusa, com raiva, nervosa, tonta( tá, isso eu já sou naturalmente), brava. Eu comecei a chorar. Patético, sim, eu sei.

-Annie..?- Anúbis tinha ido até mim.

Eu não conseguia parar de tremer.

-Fica.Longe.De.Mim. Eu nem sei quem você é.

Ele tentou me puxar, mas eu já estava correndo em direção a calçada.

Foi quando eu trombei em alguém.

-Ei, eu me lembro de você, mocinha! Quanto tempo!

- Dona Olivia? Minha nossa! O que a senhora faz aqui? Ainda mais essa hora! E o Don Armando?

Eu me lembrava dela. Ela era aquela simpática velhinha (que era casada com o senhor rabugento) do asilo que Anúbis e eu visitamos.

-Ah. Meu Don morreu no natal passado. Então resolvi sair daquele lugar e ir viajar. Aproveitar o pouco que me resta.

-Ah. Eu sinto muito.

-É? Eu não. Tivemos uma vida muito feliz juntos. E tenho certeza de que ele está num lugar melhor agora.

-Que bom. Eu sempre tive a impressão de que ele era meio mal humorado. – eu disse meio sem jeito.

-HAHAHA ele era. Sempre foi. Quando éramos jovens então! Nós vivíamos brigando! Ele era muito rebelde sabe? Todo errado. Imagina, eu estava noiva quando nos conhecemos, e ele acabou me roubando no dia do casamento! Eu estava quase no ‘aceito’ quando ele interrompeu e se declarou.

-Sério?!

Pelo o que eu tinha visto do Don Armando, ele não parecia o tipo de cara que invade casamentos. Parecia mais i tipo de cara que fica em casa colecionando borboletas.

-Sim! E depois eu descobri que ele cortejava outra ao mesmo tempo que me cortejava! Mas no fim, tudo teve seu jeito.

-E você o perdoou?

-Mas é claro! Eu me casei com ele, não?

-E a senhora não se arrepende de ter largado o certo pelo duvidoso?

-Nunca. Sabe querida, as coisas não são como nos filmes e nos livros. Mas se você prestar bem atenção, elas são até melhores. Com meu antigo noivo tudo era perfeito, mas eu sempre preferi as coisas com o Don, era tudo muito errado, muito complicado, muito incerto, muito imperfeito, nós vivíamos brigando e discutindo. Mas depois eu descobri que esse era o meu perfeito. E nesses trancos e barrancos, fico feliz em te dizer que tive um casamento maravilhoso, que não trocaria por nada no mundo. Aprenda uma coisa, quando eu era jovem eu li um livro que me ajudou muito a me decidir sobre o Don, dizia assim: “Eles se amam. Todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossível. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros.** Reflita sobre isso. Quando você encontrar alguém que te faça se sentir desse jeito, que a tua vontade de estar com essa pessoa for maior que tudo, não a deixe a ir. Mesmo que pareça difícil fazer dar certo, existem coisas que no fundo é inevitável que um dia vá dar certo. E quando isso acontecer minha querida, faça como vocês jovens falam hoje em dia: Mande todo o resto pro inferno.

E o premio chorona do ano vai para.....Annabeth Chase!

-Obrigada, Dona Olivia. — Eu disse limpando as lagrimas.- Mesmo.

-Que é isso querida! Você está bem?

-Sim.

-Bem, eu tenho que ir pro hotel agora! Já está tarde!

Me despedi da Dona Olivia e fui andando até voltar pra praia, mas agora eu estava num lugar mais isolado, me sentei perto das pedras. Já devia fazer uns 40 minutos quando Anúbis me achou e se sentou do meu lado.

-Annie...

-Explica tudo do começo. Por favor. Eu me lembrei da noite da festa.

Ele respirou fundo.

-Está bem.

“Meu pai é policial. Ele trabalha na parte de contrabando e tráfico. Já faz um tempo que ele está atrás de um homem, que eu acredito ser o padrasto do Percy. Meu pai recebeu a pista de que Percy estaria traficando para ele, e então decidiu investigar. Eu estava cheio da escola e estava pensando seguir uma carreira na policia, então o chefe do meu pai resolveu me dar uma chance. Eu iria me disfarçar de estudante do ensino médio e iria averiguar as coisas de perto. Por sorte meu primo Luke morava na cidade então foi fácil me enturmar. O resto você já sabe.”

Eu acho que vou desmaiar.

-Então voce tem 19 anos.

-E meio. Sim.

-Estava trabalhando para a policia?

-Sim.

-E tudo foi mentira?

-Não. No começo eu me aproximei sim de você com intuito de saber mais sobre o Percy, mas depois...

-Depois...?

-Depois eu acho que meio que tipo assim me apaixonei.

- E voce denunciou o Percy?

-Sim.

Sabe Deus como, eu deveria estar brava, mas não estava. Eu estava calma.

-Como?

-Lembra aquele dia que eu dancei na sala?

Acenei com a cabeça.

-Eu estava na casa dele naquela amanhã. Por isso não fui na aula. Eu achei onde ele guardava e denunciei.

Uma coisa me ocorreu agora.

-É. Mas só duas noites depois. E o Percy falou que parte da droga tinha sumido.

Ele ficou quieto.

-Como você se safou dessa?- eu perguntei.

Agora tudo fazia sentido.

-Eu escondi parte dentro do teto do banheiro masculino daquele bar que visitamos aquela noite. E depois eu voltei lá e peguei de volta depois de denunciar o Percy.

Fuel Night. Era o nome do bar. Segurei o choro.

-Era pra isso que você me pediu o isqueiro emprestado, não era? FLN era a sigla do bar, você escreveu no isqueiro para se lembrar aonde tinha deixado a droga. Toda aquela coisa de ‘Friends, Lovers or Nothing” era papo furado.

-Sim. Mas eu realmente quis dizer às coisas que eu te disse aquela noite, não era só por conveniência. Ouça, eu não sou mais aquele cara. Aquilo tudo foi um erro. Naquela época eu também traficava, mas depois disso foi a ultima vez. Meu pai descobriu e eu te juro que paguei. Eu ia te contar tudo naquela noite quando voltamos do nosso passeio, mas quando eu voltei eu te vi com o Percy. Ai já sabe né.

As palavras de Dona Olivia faziam eco no meu ouvido. Eu segurei na mão dele.

-Sabe eu deveria te odiar. Eu deveria te bater e mandar voce nunca mais voltar a falar comigo. Eu deveria estar fula com você. Mas quer saber? Não agüento mais drama. Eu gosto de você, e sim nosso relacionamento é complicado, — até porque você não quer ter um. (rimos)- mas eu não quero te perder. Não mesmo. Você estava certo nas coisas que me disse. Sobre eu estar com o Percy apenas por familiaridade.

-Desculpa por ter dito aquelas coisas pra você.

-Desculpa eu por ter feito você dizer aquelas coisas. (mais risos) Eu não queria quebrar seu coração, e não quero ainda, porque é como se eu estivesse quebrando meu próprio.

-Ok.Lindo, mas isso já está ficando meloso demais. – ele disse.

Rimos mais um pouco. (Sim, essas risadas já estavam ficando sinistras)

(MUSICA: http://www.youtube.com/watch?v=vJQhySJcoFQ)

Nos encaramos.

-Ei, o que você murmurou naquela noite da festa? Depois de me deixar no meu quarto.- Eu perguntei baixinho.

-Eu não disse nada. Você que disse.

-é?

-Sim. Você disse que me amava. E eu disse que te amava mais. Mas que você não iria se lembrar daquilo no dia seguinte.

Ele deu uma risada. Eu o beijei.

-Ei, Annabeth. Quer ser minha nada?

-Depende da sua tradução pra nada.

-Nesse caso, é tudo.

Em resposta eu o puxei de novo e o beijei.

Depois de um tempo nos separamos e ficamos vendo o nascer do sol.

-Nossa, lembra aquela minha tia? Então...- começou Anúbis.

-Anúbis. CALA A BOCA! HAHAHAHA.

\"\"

Notas finais
** = texto da Tati Bernardi. (fonte: http://pensador.uol.com.br/frase/NzAxNjEy/ )