Game On
15 15) I ♥ Ponto de Interrogação
Notas iniciais
-Saim. Agora. – Eu disse tentando controlar minha raiva.
Se eu pudesse daria um soco nas senhoritas risinhos eternos.
-Ladys. – Disse ele impassível.
A loirinha oxigenada fez uma careta e desceu do colo dele e foi embora aos bofes, junto com uma ruiva que estava sentada no sofá. Hm.
Anúbis estava sentado em uma cadeira, com um cigarro na mão – pelo visto o negocio de ‘parei só porque você pediu’ era só conversa. Ele me olhava daquele jeito que eu odiava: calma e divertida, com um toque de desprezo e superioridade.
Eu não deveria estar com ciúmes. Não mesmo. Afinal não era eu que estava lá para dizer que tinha o usado – mesmo isso não sendo verdade, eu falei sério quando disse que estava gostando dele – e que estava voltando pro meu ex?
Mas não posso deixar de me sentir traída de entrar aqui na casa dele (bem, na casa do Luke, na verdade. Anúbis mora numa casinha no quintal dos Castellan) e encontrá-lo aos beijos com uma loira qualquer. Até ontem a tarde ele estava aos beijos comigo. Como ele pode ter passar um dia todo comigo, falando coisas lindas para mim e no outro estar com uma vagabunda qualquer?
Voce também passou o dia com ele e na mesma noite estava se agarrando com seu ex.
Maldita consciência!
-O. que. diabos. foi. isso?
-Cigarro?
- O que elas estavam fazendo aqui!? Como voce pode, depois de...
-Corta essa. Voce veio aqui para me dizer que fez as pazes com seu namorado, não é?
-O..o que?
Como ele sabia?
Ele deu um risinho irônico.
-Tenho minhas fontes.
-Anúbis...desculpa..eu..
-Sinceramente? Guarde suas desculpas para alguém que se importe. Se não se importa, voce está tomando um tempo precioso que eu poderia estar tendo com a Desiree ou com a Nathalie.
Ele gesticulou para porta.
Agora sim eu estava com raiva.
-Como voce pode agir assim depois de tudo?! Como voce consegue ser tão frio? – Gritei.
Sarcasmo no olhar, de novo.
-Sério? Voce se acha tão insuperável assim Annabeth? Se liga. O mundo não gira em torno de ti, princesa.
-Voce não pode ter me superado assim tão rápido. – eu disse cruzando os braços, me recusando a sair de lá.
-Uau. Voce é tão maníaca por atenção assim?
Continuei encarando-o.
-por favor Annabeth, voce achou o que? Que eu estava apaixonado por voce? Que voce iria vir me falar isso e eu iria te implorar para ficar? Que eu iria chorar por ti? Eu te disse que não iria me envolver mais que o necessário. Te disse: não acredito em amor. E certamente não mudei de opinião só por sua causa. E quer saber de uma coisa? Nem voce.
Olhei para baixo para não demonstrar as lagrimas que já estavam escorrendo. Era isso mesmo. Por mais idiota que pareça eu estava mesmo esperando que ele pedisse para mim não ir. Isso é ridículo, mas eu queria que ele brigasse por mim. Queria que tudo que aconteceu entre nós tivesse tido algum significado para ele. Queria que acima de tudo ele não tivesse quebrado meu coração.
Annabeth qual é o seu problema? Se contente com um, mulher!
-Isso é ridículo. – gritei.- É claro que eu acredito em amor!
A ironia desapareceu do rosto dele. Agora era só raiva.
-Ah, sim, voce acredita. Em amor próprio. Por que é só isso que voce ama. Voce ama somente a si mesma. Voce não ama o Percy. Voce ama é a idéia de familiaridade. Voce tem medo de se arriscar, no fundo, não importa o quanto voce tente mudar de imagem, voce ainda é a mesma. Voce tem medo de fazer algo que as pessoas não esperam que voce faça. Voce criou na sua cabeça essa idéia de que voce e o Percy são o casal perfeito, e é isso que voce ama. Voce ama é a idéia de conto de fadas a qual voce se prende desde os 7 anos.
-É a coisa mais idiota que eu já ouvi.- disse.
Aff, Eu não sou assim. Quem é ele pra dizer quem eu amo ou deixo de amar?
-Ah ,é? – ele se levantou e foi andando até estar a um suspiro de distancia de mim. – Então manda ele se ferrar. E fica aqui comigo.
-Não.
-Fica.
-Não.
Ele riu.
-Ta vendo? Voce é covarde demais pra isso.
Ele voltou a se sentar em sua poltrona.
-Por que? – perguntei baixinho. –Porque voce está fazendo isso?
-Eu te disse: não sou segunda escolha de ninguém.
-Eu te odeio, Anúbis. – murmurei e sai da sala pisando duro.
-Peça para Desiree voltar se ver ela está bem?- ele gritou com cinismo enquanto eu saia pela porta da sala.
Vai se ferrar.
Ainda era de manhã. Percy tinha saído pela minha janela de manhã cedo. Passamos a noite conversando sobre nossa ida. Ainda não acredito que concordei com aquilo. Combinamos de ir amanhã, que seria o dia do baile da escola. Iríamos pegar um ônibus para Dallas e ficaríamos por um tempo lá até conseguirmos ir para Paris. Ou até eu perceber a loucura que estou cometendo e voltar para cá. O que vier primeiro.
No caminho de volta parei no supermercado para comprar umas coisas que minha mãe tinha pedido.
Uh-oh. Miojo má do oeste a direita!
Depois do que Percy me contou sobre ela, fiquei até com um pouco de dó. (que dó, que dó , que dó! como diria o menino da formiga . Tá. ignore isso.)
-Oi..Silena. – Eu disse o mais amigável possível,
-O que voce quer?- ela disse ríspida.
Alguém não acordou de bom humor hoje. Lá Lá lá Lá.
-Calma. Eu vim na paz! Olha, eu sinto muito por seja lá o que eu fiz para voce me odiar tanto. Não podemos simplesmente passar por isso?
Ela me olhou com descrença.
-Dá licença. Quer saber o que voce me fez? Nasceu! Sua vadia.
-O que voce disse? – agora eu já estava me irritando de novo.
-V-A-D-I-A.
-Escuta aqui sua...- Eu já estava a passos de bater nela quando fui interrompida.
-Silena querida, vamos. – Disse um homem , que presumo ser o padrasto dela.
Ela resmungou alguma coisa e foi embora.
Ele não me pareceu em nada o homem horrível que Percy descreveu. Pareceu bem simpático, ele sorriu para mim quando me viu com ela. Ele também me pareceu estranhamente parecido com ela. Tanto faz. Talvez seja o tio, ou algo assim.
Estava prestes a passar as minhas coisas no caixa quando notei uma pulseira caída no chão. Devia ser dela. Guardei no bolso, depois quem sabe devolvo a ela.
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