Game Of Secrets
5 Detenção
Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS INICIAIS, AGRADEÇO.
Já era humilhante suficiente para Tommen, o antigo aluno prodígio de Harrenhal, ficar de detenção no primeiro dia de aula. Mas o pior de tudo foi o olhar que seu avô, o Diretor Tywin Lannister, laçou a ele. Sem falar nas seis palavrinhas mágicas que destroçaram o seu mundo.
— Eu vou contar pra sua mãe.
Pronto, Tommen soube que tudo estava perdido.
Ninguém podia culpar o garoto, foi o que todos que foram para a diretoria disseram, mas não era o que Tywin pensou. Ele não bateu, não gritou, não provocou e nem ameaçou ninguém na briga — igual a Rickon e Gendry. — mas "ele estava no meio, e não fez questão de me chamar ou chamar qualquer outro responsável." Ou seja, detenção.
Não tinha sido tão ruim, Arya e Barra tinham protegido ele e os outros meninos. Para Tom, Gendry e Rickon, que apenas apartaram e seguraram as garotas, seria apenas hoje de detenção. Para Jon, que tinha ameaçado e "agredido verbalmente" a Cerenna, seriam três dias. Barra, que tinha batido em Cerenna, uma semana e uma advertência na agenda por ser a mais nova. Mas, para Arya e a loira, que começaram tudo, seriam três semanas de detenção. Elas não pareceram se importar, até que Tywin disse que elas teriam que ficar essas três semanas juntas.
Só uma detenção foi um alívio para Arya, já que ela mesmo já esperava uma expulsão por mexer com a sobrinha preferida do diretor, sem falar no seu histórico escolar. A Stark estava ali ia completar 9 meses, e já fez mais do que Tommen em 6 anos. Ando de skate no corrimão da rampa de deficientes, nadado escondido a noite com alguém que até hoje não fora identificado — tinham acusado o irmão de Tommen, Edric, mas o moreno era muito certinho para isso. — trocar o estoque de salada em conserva por pizzas... A garota era uma heroína para os estudantes. Só para os estudantes.
Seu avô tinha colocado o professor de educação física, Meryn Trent, para vigia-los durante as duas horas e meia de detenção. Das três até as seis e meia. Ótimo. Haviam poucas pessoas na sala tirando as que estavam metidas na briga, como seu primo Tyrek, que ainda cumpria a detenção proclamada antes do recesso de luto, Marya Seaworth, a aluna perfeita que tinha acobertado a amiga que colou numa prova, e Aegon Targaryen, que... Bem, não importava, Aegon morava ali quase tanto quanto Arya.
— Bem-vinda ao lar, priminha. — disse Aegon, com um sorriso no rosto e os pés em cima da mesa quando viu o grupo entrar. — Trouxe companhia dessa vez?
— Não enche Aegon. — decretou Arya e, simplesmente, se sentou o mais longe possível do loiro. Gendry se sentou ao seu lado.
Jon não tinha muito onde sentar, devia ser a primeira vez que estava ali, igual ao primo ruivo e a Tommen, então se sentou com uma cadeira de distancia de Marya Seaworth. A garota era tímida, e parecia assutada de estar ali, e ainda mais assustada quando Jon se sentou quase do seu lado. O moreno deu um sorriso sem dentes e sem jeito, tentando parecer normal, mas isso só assustou a garota mais ainda. Cerenna foi para perto de Aegon e Tyrek.
Tommen suspirou, se dirigindo para o fundo da sala, onde Barra reclamava de alguma coisa para Rickon, de braços cruzados e cara emburrada.
— É o seguinte, seus pivetes. — disse Sr. Trent, entrando na sala e fechando a porta atrás dele, emburrado como sempre. — Vocês vão ficar sobre minha supervisão por duas horas, e eu tenho regras: nada de falar, nada de comer, nada de passar bilhetinhos, nada de celular, nada de música, nada de banheiro e nada de dormir. — ele disse e se sentou, logo depois tocando seu apito. Ele tinha aquele apito pendurado no pescoço, sempre o tocando para infernizar alguém. Podemos respirar ou é proibido também? — Agora, fiquem quietos e esperem essa tortura acabar.
Tommen revirou os olhos, colocando o capuz de seu moletom preto e colocando a cabeça na mesa, com os braços ao redor, ignorando a regra de não dormir.
— Esse estúpido, é o professor que mais me odeia. — disse Barra, duas cadeiras atrás dele, provavelmente falando com Rickon.
— Ele odeia todo mundo, Barra, não é só com você. — disse o ruivo, do lado de Barra. — Você foi incrível hoje, ajudando a minha irmã. Obrigado. — ele disse, tentando deixa-la feliz.
O idiota do Stark apaixonado pela Barra. Patético. Como se ela fosse dar bola pra ele.
— Desculpa ter feito aquele escândalo, mas o meu sangue ferveu. E desculpe por você estar aqui, é minha culpa.
— Não tem problema, você me livrou de limpar meu quarto. — ele disse, e ela riu. Um segundo de silêncio. — É bem melhor estar aqui, com você.
Tommen levantou a cabeça, dirigindo um olhar para eles. Nenhum dos dois olhava para Tommen, Rickon estava ocupado demais sorrindo para Barra e Barra estava ocupada demais corando. Barra estava corando. Barra nunca corava.
Ele olhou melhor para eles dois, e viu que Rickon segurava a mão dela. Ele segurava a mão dela! O sangue ferveu dentro de Tommen. Jura que Barra estava dando condição para Rickon Stark? Jura que sua irmã...
Não, ela não é sua irmã. É só uma garota com quem você conversa e vive sobre o mesmo teto. Então não, isso não pode ser considerado ciúme de irmão.
Tommen se levantou, tendo certeza de que ninguém estava encarando ele ou Rickon e Barra, e se dirigiu para eles, se sentando do lado de Barra. No momento que se sentou lá, Rickon largou brutalmente a mão da morena e a mesma se virou para encara-lo, nada feliz. Tommen não se importou.
— E ai? Vocês viram o novo trailer de Star Wars? Nossa, o Luke tá super velho! Ah não, esqueci, Rickon nunca viu Star Wars. — ele disse, passando os braços em volta dos ombros de Barra, mesmo sem a morena querer.
Rickon lhe lançou um olhar de desprezo, e Tommen sorriu cinicamente para ele.
— Ei, vocês dois, parem de namorico! — gritou Sr. Trent, quando Arya começou a conversar com Gendry. Tommen revirou os olhos, idiota.
— Na verdade, eu estava combinando de fazer uma maratona de Star Wars, lá em casa, para eu e a Barra. — disse Rickon, encarando Tommen. Isso foi uma mensagem subliminar para: eu e a Barra, sozinhos, na minha casa. Você não.
Tommen ficou nervoso, mas fingiu que não, e apertou Barra mais forte contra si.
— Ah, que ótimo! Nós vamos adorar ir, não é mesmo irmãzinha? — ele perguntou, e sorriu novamente para Rickon.
Pela cara que o ruivo fez, Tommen resolveu que ficaria ali pelo resto do dia.
[X]
Sempre foi fácil enganar Meryn Trent, só precisava da ajuda certa.
Arya se levantou da sua cadeira e, sem Trent ver, e fez um sinal indicando para Aegon. O loiro entendeu na hora e, deixando Cerenna e Tyrek sozinhos, se dirigiu para o fundo da sala junto com ela.
— O que a minha adorada priminha deseja? — ele perguntou, colocando as duas mãos atrás da cabeça, sem encarar Arya.
Arya, realmente, não suportava o jeito do Targaryen.
— Consegue fazer com que a gente saia daqui? — perguntou ela, direta como sempre.
Aegon riu, com o seu senso de humor que só ele entendia. Não era atoa que era amigo de Theon Greyjoy; nunca entendeu como o Greyjoy conseguia ser o amigo mais íntimo de seu irmão, Robb.
— Ah priminha, direta como sempre. — disse ele, e Arya se irritou. Aegon a irritava com o priminha do mesmo jeito que Gendry a irritava com milady. — Acha mesmo que já não cuidei disso? — ele disse, e a indicou para frente com a cabeça. Arya seguiu seu olhar e viu que Meryn tomava alguma coisa em sua garrafa. — O velho vai apagar em alguns segundos, se aguenta um pouco, priminha.
— Você precisa colocar a palavra "priminha" em toda a frase dirigida a minha pessoa?
— Precisa usar palavras difíceis sempre que fala comigo, priminha? — ele revidou, sempre com seu senso de humor.
Arya bufou, desistindo de falar com ele, e foi se sentar de ao lado de Gendry de novo.
— Parece que seu primo estava se dando bem com a garota Seaworth. — disse Gendry, quando ela se sentou, e ela virou a cabeça para conferir. Jon falava alguma coisa para a menina, e ela ria a cada palavra do mesmo. Arya sorriu.
— Quem diria? Jon Targaryen, destruindo corações. — ela brincou.
— Pensei que ele ainda estivesse com aquela garota, a loira. — ele disse, e Arya suspirou.
— Dany. — disse ela, não querendo falar sobre isso. Era uma história longa e triste. — Eles acabaram já faz meses.
— Porque?
— Porque Jon descobriu que Dany era sua tia. — ela disse, definitivamente não querendo falar mais sobre isso.
— Ei. — ele sussurrou, se aproximando dela, e tocou seu braço. — Desculpa tá? Não precisa falar mais sobre isso.
E se aproximou mais, mas Arya o parou.
— Aqui não. — ela sussurrou, na hora, e Gendry voltou para o seu lugar.
— Arya, eu sei que é difícil, mas você não pode achar que...
— Ele dormiu! — gritou Aegon, e Arya se virou para encarar Meryn Trent, apagado e babando na mesa.
Todos se levantaram e foram embora, menos Marya Seaworth, que parecia assustada demais para isso. Jon se levantou, perguntando se ela não ia, mas ela disse que não queria se arriscar a esse ponto. Jon olhou ao redor e, dando de ombros, voltou a se sentar ao lado dela.
Arya se levantou também.
— Eu não quero falar sobre isso. — ela disse, simplesmente, pegando sua mochila e saindo da sala.
Ela não queria ser tão grossa com ele, pensou enquanto procurava o que fazer pelos corredores, mas era preciso. Quanto mais longe Gendry estivesse da sua vida, mais fácil a mesma séria.
Com Jon junto de Marya na sala, Rickon com Barra e Tommen e Aegon junto de Tyrek e Cerenna, Arya não tinha muito o que fazer. Pensou em sair por ai andando, ou se sentar no chão mesmo, mas isso séria dar bandeira demais. Se bem conhecia cada um, Rickon e os outros estariam na sala de informatica, trancados, enquanto os loiros deveriam estar na na arquibancada ou na quadra.
A ultima coisa que queria era Tywin Lannister na sua cola.
Tirou seu celular da mochila e viu que Dany tinha mandado mensagens para ela. Parou por um segundo para lê-las.
15:12PM: Ei, é verdade que você brigou com uma garota Lannister?
15:13PM: Ficou de detenção?
15:22PM: Meu primeiro dia foi até legal apesar de ser a novata. Tá afim de um suco depois da detenção ou seja lá o que você esteja fazendo?
Arya riu. É, um suco séria ótimo nesse momento.
16:04PM: Suco. 18:30. Lá no Sucos de Lys. Sei que você já deve ter provado, pessoalmente um suco lá de Lys, mas o da loja é bom.
16:04PM: E, acredite, eu preciso de conselhos. As histórias podem ser grandes.
Demorou alguns minutos até que a Targaryen respondesse:
16:06PM: Acredite, eu posso já ter ido em Lys milhões de vezes, mas com você deve ser bem mais legal.
16:06PM: E, acredite, não vai ser maiores do que as minhas ;)
Arya sorriu, Daenerys Targaryen sempre a fazia sorrir.
Continuou andando, pensando no que teria que falar para Dany. Com Edric no hospital, e com tudo que tinha acontecido antes, Arya estava um caco e precisava de conselhos. Tinha deixado escapar para Jon, mas estava envergonhada demais para falar qualquer coisa com ele. E Dany já tinha feito coisas muito piores do que o que Arya ia contar para ela.
Enquanto mexia no celular, sentiu algo empurra-la para dentro da dispensa do faxineiro.
Arya tentou gritar, mas a pessoa colocou sua grande mão para tapar a boca da morena. A garota começou a se desesperar. A pessoa a segurava nos braços e ela começou a se debater até, finalmente, chutar a pessoa. Percebeu um homem quando o mesmo sentiu dor no lugar onde ela chutou.
Se virou para encara-lo, e viu Gendry Baratheon, contorcido de dor.
— Você tem merda na cabeça!? — gritou Arya, nervosa.
— Quer que toda a escola saiba que estamos aqui? — ele perguntou, se levantando, ainda com uma careta no rosto. — Droga Stark, essa doeu.
— Achou mesmo que me sequestrar daria certo? — ela perguntou, levantando as sobrancelhas.
— Na verdade, eu não pensei muito. — ele disse, e fez ela rir.
Droga, ela pensou, você tem que ser fria com ela, Arya, e não amigável.
— Você nunca pense muito. — ela disse, fria como a neve que tanto amava.
Gendry percebeu na hora que o tom dela mudou.
— Não, não, Arya. — ele disse, se aproximando dela e a pressionando contra a parede. — Não faz isso conosco.
— Não existe "nós", Gendry. — ela disse, tentando ser fria. Mas isso era quase impossível com Gendry Baratheon na sua frente, com os braços ao redor dela, tão perto de seu rosto. — Eu namoro o seu irmão, lembra?
— Lembro, e tão lembro que isso não te impediu que acontecer um nós na festa dos Blackwood. — ele disse, e Arya reprimiu um sorriso de nostalgia.
— Nós estávamos bêbados.
— Mas não estávamos bêbados nos últimos meses em que estamos juntos.
— Isso foi um loucura. — disse ela, e, de fato, era. — Eu só fiz isso porque ia terminar com o Edric, e você sabe muito bem disso.
— Você tentou.
— E ele quase se matou! — ela explodiu em cima de Gendry. A culpa, a insegurança, o remorso que sentia... precisava liberar aquilo. — Acha mesmo que eu não sei? Eu marquei com ele aquele dia, Gendry, e eu cheguei a falar com ele. Eu disse com todas as letras, "eu quero terminar com você". Mas ai... ai ele simplesmente disse que tinha que ir embora e, no dia seguinte, estava no hospital. Acha mesmo que eu não sei que fui eu quem quase matou ele?
— Você. Não. Matou. Ele. — ele falou, pausadamente, colocando as mãos na bochecha dela. Arya se censurou por estar tão confortável ali. — Foi ele quem engoliu os remédios, só ele é o culpado, só ele. Ninguém te culpa e você não é a culpada.
Arya respirou fundo, e tentou acreditar no que Gendry disse. Tentou mesmo, de verdade, mas não conseguiu. Edric podia ter esquecido que Arya tinha falado e terminado com ele naquele dia por causa do overdose, mas Arya jamais esqueceria.
— E não tente se culpar, nos dois somos os culpados.
— Você não tem culpa de nada Gendry.
— Não tente mentir, Arya, você sabe a verdade. Eu... eu me sinto tão culpado quanto você, mas, Arya, ele é meu irmão. — ele disse, e Arya percebeu o quão ridícula estava sendo. Ela não era a única que sofria com aquilo. — Se fosse com o Joffrey isso teria um motivo, afinal, ele provavelmente ia ser um idiota com você. Se fosse com Tommen... Ele é muito novo, não daria certo, agora, é o Edric. Ele é o meu irmão mais legal, mais gentil e mais correto, não tem motivo de...
Ele foi interrompido, por que Arya o beijou. Ela finalmente percebeu o quão estúpida e egoísta estava sendo, pensando só nela e nela. Não foi culpa de nenhum dos dois Gendry estar no Vale quando Arya chegou em Porto Real, e só ter voltado depois que ela já namorava Edric. Não foi culpa de nenhum dos dois tentar controlar aquilo, e não foi culpa de nenhum dos dois tentar acabar com aquilo. As vezes os Deuses são cruéis Arya, disse sua mãe, Cat, uma vez, mas eles escrevem certo por linhas tortas.
E eles, de fato, escreviam. Era muito certo e muito errado Arya achar um cara legal no irmão do seu namorado.
Quando se separaram, Gendry estava atômico, sem entender nada, e Arya o encarava com carinho. Como ela estava sendo burra em tentar ficar longe dele.
— O motivo é que eu te amo. — ela disse. — E não precisa de outro motivo além desse.
Gendry a encarou por alguns segundos, antes de sorrir e voltar a beija-la.
— Seu irmão, meus irmãos, seus primos e os dois maiores fofoqueiros de Harrenhal estão aqui. — ele disse, enquanto ela passava os braços ao redor de seu pescoço. — E você, realmente, quer me provocar?
— Você sabe como eu sou, eu amo o perigo. — ela disse, pulando e colocando as pernas ao redor da cintura do moreno. Ela estava pendurada nele, o que fez ele sorrir e ela morder o lábio.
— Acha realmente que isso vai dar certo?
— Se você não fizer barulho, eu também não faço. — ela decretou.
Ele sorriu, trancou a porta da dispensa, e voltou a beija-la.
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