Game In The Library
1 Oneshot
Notas iniciais
Suspirei pesadamente após tentar, inutilmente , abrir a porta que no momento parecia estar trancada á sete chaves.
Um trovão ressoou lá fora.
Não entendeu ? Pois bem, vou explicar.
Vamos voltar algumas horas antes.
Era o fim das aulas daquele dia, Jack se espreguiçou ao meu lado e abriu uns botões de sua camisa.
Pensei em fazer o mesmo, puxando minha gola, estava um dia realmente muito quente, sem nenhuma nuvem no céu. Abri três botões da minha camisa e percebi que não adiantou de nada.
- Ei, Espirro – Jack me chamou – Quer ir lá pra casa jogar ? Podemos depois até dar uns mergulhos na piscina.
- Foi mal, cara. Hoje não dá.
- Posso saber por quê ?
- Porque...
- Soluço! – Ouvi aquela voz extremamente animada do qual gosto tanto me chamar da porta da sala. Rapunzel entrava apressada com Merida, que bufava irritada tentando prender seu cabelo em um rabo, que não estava dando certo – Vamos ?
- Opa! Peraí que acho que dormi e perdi algo importante, vocês vão sair ?! – Jack perguntou, perplexo.
- Calmai, você tá entendendo errado. Vamos apenas para a biblioteca fazer o trabalho de literatura. Que aposto umas pratas que você nem estava lembrando.
- Vish! É mesmo, mas sabe como é né, estou ocupado demais ajudando a Meri – Ele se levantou e foi ajudar a menor com o cabelo – Com essa juba.
- Olha a língua, Frost! Não te pedi ajuda, tire suas patas do meu cabelo!
- Não negue que você adora quando eu mecho no seu cabelo.
- Vá comer suas calças, Iceberg!
- Soluço, acho melhor irmos antes que o casal comece a brigar sério – Concordei e saímos de perto, indo direto para a biblioteca. Rapunzel Corona é minha melhor amiga desde que me conheço por gente. Me lembro até hoje em como nos conhecemos, foi por causa de meu pai, que estava brincando com Banguela (meu gato) e sem querer mandou Banguela para a casa ao lado, aonde acabou arranhado a filha da nossa vizinha mal-encarada-porém-gata, Rapunzel.
Gothel (a mãe dela, ou como chamamos lá em casa, mãe-da-Punzie-mal-encarada-porém-gata-mas-é-velha-agora) ficou uma fera quando sua filha chorava um pouco por causa do arranhão fundo no seu rosto. Mas como sou um filho ótimo, ofereci um band-aid pra ela, o que, não sei a razão até hoje, fez com que ela voltasse a sorrir e começar a brincar com Banguela.
Meu pai nunca ficou tão orgulhoso quanto naquele dia.
Me apelidou de ‘’Soluço, o grande amolecedor de corações’’ pelo simples fato que, Gothel se derreteu com a cena e começou a ser amigável.
Estranho né ?
Enfim!
Ao chegarmos na biblioteca, pegamos os livros necessários para o trabalho e começamos a fazer. Não tive a noção do tempo que passou, mas quando estou com Punzie, o tempo passa muito rápido. Nem ao menos percebi que havia começado a cair um temporal lá fora, e que (goste de acreditar que foi acidentalmente) o professor havia trancado nós dois na biblioteca.
Percebi somente quando acabamos o trabalho e tentei abrir a porta.
E agora voltando ao presente, estamos desesperados.
- Ahn Soluço, o que faremos ? – Ela olhou para mim com aqueles grandes olhos verdes, e meu coração bateu um tantinho mais rápido.
- Eu não sei... Podemos ficar aqui até amanhã cedo.
- E nossos pais ?!
- Eu posso mandar uma mensagem pro meu pai, ele vai entender. Vamos levar em conta isso como um acampamento na escola, só eu e você. O que acha ? – Dei um sorriso, e ela corou e concordou, aparentando estar mais animada.
Mandei uma mensagem e meu pai respondeu, com uma curta frase de ‘’Adolescentes devem ter aventuras desse tipo! Vou avisar á Gothel’’.
- Então, o que faremos primeiro ?
- Vamos brincar de algo! Como fazemos antigamente! Quero esconde-esconde – Ela sorriu abertamente. Rapunzel tem um sorriso lindo demais para uma pessoa normal – Você conta – E saiu correndo biblioteca afora.
Contei até dez e fui atrás da loira. Sempre ganhei essa brincadeira pois ela não conseguia esconder o grande cabelo dela por inteiro. Mas dessa vez a biblioteca é grande, vou ter que me esforçar um pouco mais.
- Soluço – Ouvi ela me chamar, de longe – Posso te perguntar algo ?
- Diga.
- Você gosta de alguém ?
- O-oquê ? Não!
- Gaguejou! – Ela riu – Gosta sim, me diz ?
- Posso dizer em dicas ?
- Pode, eu sou esperta, vou descobrir! Hahah! – Ouvia sua voz cada vez mais perto.
- Bem... Ela tem olhos lindos.
- Merida!
- Santo Odin que me poupe! Jack me mataria se eu gostasse da Meri! – Ela riu muito alto – Segunda dica: É loira.
- Já sei, é a Astrid!
- Deixa eu terminar de falar, mocinha ? É a pessoa mais gentil que conheço.
- JÁ SEI! – Meu coração falhou por um segundo, pensado que ela realmente tinha achado a resposta – É a Cabeça-Quente né seu safadinho ? – E uma risada maliciosa pode ser ouvida.
- M-Mas o quê ? Na moral, Punzie, volte para casa, você está bêbada. Cabeça-Quente, gentil ? Até mesmo o cachorro da Merida com raiva seria mais amigável que aquela esquisitona.
Finalmente a tinha encontrado, estava de costas pra mim, olhando para frente enquanto sorria abobada. Não sei de onde tirei essa coragem, mas minhas pernas tremiam e meu rosto queimava em vergonha. Mas não vou desistir agora.
- Próxima dica, Soluço!
- Última dica – Cheguei por trás e lhe dei um abraço apertado, que a assustou, e muito – Ela está nessa sala – Encostei meu queixo na cabeça dela – D-Descobriu ?
Suas orelhas estavam vermelhas, e aposto que ela também estava. Segurou meus braços.
- Seria eu ?
- Si-
- Tem alguém aqui ? – Ouvimos a voz da diretora, que me interrompeu e automaticamente nos soltamos e saímos da biblioteca, cada um mais vermelho que outro. Cada um foi para sua própria casa.
Chegando em casa, falei com meu pai e entrei no quarto e desabei na cama.
Acho que eu podia fritar um ovo na cara de tanto que estava vermelho agora.
Acabei dizendo que gostava da Punzie, e não sei como vou encara-la amanhã.
Ouvi um bipe no meu celular. Peguei e vi que era Punzie.
- Você não terminou de dizer.
- Eu ia dizer sim – Respondi.
- Abra a janela.
Oi ? Ok, abri a janela e MEU SANTO ODIN, ela quase acertou uma pedra na minha cara. Com o susto olhei bravo para ela.
- Quer me bater por gostar de você, loira ?!
Ela estava no meu quintal, tinha parado de chover, e sorria abobada.
- Não, quero ir aí te beijar por você gostar de mim, e eu de você.
- Pois venha, espero isso desde aquele dia do arranhão.
- Estou indo – E só vi ela entrar na minha casa,antes de correr até meu quarto e pular em cima de mim.
Fale com o autor