Miss Polly Harrington entrou apressadamente na cozinha aquela manhã. Não era natural isso, porque Miss Polly se gabava de não ter pressa em nada. Naquele dia, porém, estava realmente com pressa.

Nancy, que lavava pratos na pia, apesar de nova na casa, já sabia do sossego da patroa.

- Nancy?

- Senhora! — respondeu a criada sem interromper a lavagem dos pratos.

- Nancy — repetiu Miss Polly desta vez com a voz severa -, quando eu falar interrompa o que estiver fazendo e ouça-me com toda a atenção.

Nancy corou e largou os pratos

- Sim senhora. Eu estava acabando este serviço porque a senhora mesma me disse que andasse depressa.

- Não estou pedindo explicações. Estou pedindo atenção — observou a patroa, de testa franzida.

- Sim senhora, já sei — Disse Nancy

- Quando acabar o serviço da manhã, vá arrumar o quartinho do sótão e faça a cama. Varra-o muito bem, espane tudo e tire as caixas e canastras que lá estão.

- Sim senhora, e aonde eu ponho estas canastras?

- No sótão mesmo, mas fora do quarto. — Respondeu Miss Polly que depois de hesitar um pouco prosseguiu: — Acho bom esclarecer que minha sobrinha, Pollyanna Whittier, vem morar comigo. Ela tem dezessete anos e ficará ocupando aquele quarto.

- Uma menina aqui, Miss Harrington? Que bom! —

- Bom! Hum!

[…]

Nancy varreu e espanou o quartinho em frente á escada do sótão como particular atenção aos cantos. Ao passar o pano molhado no assoalho, em certos momentos esfregava com esforço excessivo, menos para atacar alguma mancha renitente do que para espantar certas ideias que lhe ocorriam. A despeito da sua submissão um tanto amedrontada, Nancy não era nenhuma santa.

- Eu — murmurava ela em compasso com o vaivém do pano molhado — queria muito… varrer… os cantos… de sua alma — E parando para descansar: — Deve ser cheia de cantos sujos. A ideia de botar a pobre garota neste quartinho sem ar, e sem aquecimento no inverno, tendo inteiramente vazia uma casa tão grande, com tão bons cômodos, esta é mesmo primeiríssima. Hum! Aposto que não há no mundo uma criaturinha que seja mais necessária a alguém do que essa.

Depois voltou ao serviço e trabalhou em silêncio até terminar tudo. Pôr-se de pé e correu os olhos pelo quartinho feio, franzindo o nariz.

- Muito bem. Minha parte já esta terminada. Não há mais nenhum pó. Triste garota! Que lugar acharam para aninhar uma pobre criatura sem mãe e arrancada da terra onde sempre viveu! — E dizendo isto Nancy retirou-se, batendo a porta sem querer. — Oh! — exclamou mordendo o lábio. E depois — Que bem me importa que ouça o barulho, ora bolas! Bati, mesmo. Bati porque quis. ora aí está…

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.