Gambit

1 Gambit — capítulo único


"O importante para um shinobi não é como ele vive, mas como ele morre."

A mesa que dividiam já tinha muitas garrafas vazias sobre ela, os pratos com petiscos parcialmente comidos esperavam que sua hora também estivesse por perto mas esta parecia estar longe de chegar, a medida que o álcool os induzia a falar pelos cotovelos sobre as miudezas que haviam vivido até aquele momento que dividiam e conforme bebiam, era preferível preencher os copos vazios com mais do líquido transparente do que preencher seus estômagos com algo sólido.

Tsunade sorria convencida, levantando sua dose exagerada de saquê que transbordava pela borda conforme mexia com a mão.

— Com apostas é tudo uma questão de estar certo e saber usar isso a seu favor!

— Não é sorte?

Ela negou. Bebendo da dose em um único gole.

"Não importa a forma como ele levou a vida. O valor dele é definido pela forma como ele escolheu morrer."

O cabelo louro lhe estapeava o rosto conforme balançava a cabeça para os lados, as bochechas de um vermelho vivo.

— Sorte é para os fracos, aqueles que tem certeza sabem que vão acertar a aposta com uma única tentativa!

— Mesmo errando?

Ela assentiu.

"Mas a minha vida foi mesmo uma sucessão de fracassos..."

Talvez fosse a bebida que lhe deixara com a língua solta naquela noite mas ele estava se divertindo demais com a amiga delonga data para se importar com o que parecia ou deixava de parecer naquela noite. Muito pelo contrário. Jiraya ria com vontade, batendo uma das mãos com força sobre a mesa fazendo com que garrafas, copos e pratos saltitassem com o ato.

— Tsunade, insistir no erro não é burrice?

Ela o encarou, vermelha e emburrada.

— Burrice é você ter certeza de que vai ganhar um prêmio gordo e duvidar disso!

— Logo você que sempre erra em suas apostas?

Fora a vez dela bater com as mãos sobre a mesa.

— Eu estou certa, as apostas é que estão erradas!

— Você não muda mulher!

— E você muito menos, seu velho tarado!

— Você também é velha!

Ela o encarou sem se dar por vencida, cruzou os braços por debaixo dos seios fartos, fazendo com que o pingente do colar pulasse graças ao gesto e longe dela notar a atenção que recebera dele naquele momento com aquele simples gesto de irritação.

"Um homem se fortalece a cada fora que leva."

Duas doses foram servidas uma última vez, até que os olhos de Tsunade se iluminassem em um vislumbre de lucidez encarando sua companhia de bebedeiras em desafio, puxando a manga de seu kimono verde e estendendo seu braço direito sobre a mesa.

— Vamos, uma disputa, se eu ganhar de você provo que estou certa.

Ele riu, aceitando o desafio.

— E o que eu ganho se você perder?

— O que tiver em mente.

Jiraya pareceu genuinamente surpreso.

— Qualquer coisa?

— Qualquer coisa.

Suas mãos se encontraram no meio da mesa, abrindo espaço entre bebidas e petiscos, um forte aperto entre elas selando o início da disputa. Tensão corria por entre os músculos de ambos os punhos, se flexionando o máximo que podiam sem ceder o mínimo de vantagem ao outro.

Para dois bêbados ambos estavam, sem dúvida alguma, sérios sobre quem ganharia aquele braço de ferro.

Até Tsunade deixar de dar atenção as mãos e olhar Jiraya nos olhos, dando uma piscadela rápida em seguida.

O feitiço estava feito.

O lado do valente Jiraya cedera com um forte impacto sobre a mesa, enquanto ela comemorava a vitória.

— Você roubou Tsunade!

Ela riu pegando a garrafa quase vazia.

— Pelo contrário, eu provei que estava certa!

"Pelo menos não é do feitio masculino ficar por aí procurando a felicidade."

Seu gambito nunca falhava, afinal.

Notas finais
Estava pensando sobre sorte e apostas quando o personagem da Tsunade me veio a cabeça, logo escrever sobre ela foi quase uma norma. Adicionar Jiraiya ao texto foi para o meu próprio deleite, pois adoro ele!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!