Galaxy
2 "Assassinos"
Notas iniciais
— O que eles estão fazendo? — Murmurei para mim mesmo, lógico, pensando no pior.
Olhando melhor a cena, percebi que eles estavam comendo alguma coisa. O pior de tudo é que aquela coisa tinha braços, pernas e um pescoço, além de estar usando uma camisa social branca (agora manchada de sangue). A cena era aterrorizante. Eles mordiam e arranhavam aquele homem, que já não restava mais de carne. Olhei em volta. "Tem que haver alguma coisa para distraí-los por um tempo..", pensei. Olhei para as paredes, para o teto, e finalmente, para o chão. Sim! Haviam várias pedras no chão, restos de paredes que desabaram. Era minha chance. Peguei uma das pedras e logo joguei-a para fora do estabelecimento. Os assassinos desviaram o olhar, e logo foram atrás do som que haviam escutado. Era minha chance. Fui até o homem que estava caído no chão. Ele estava totalmente podre, haviam mosquitos em sua volta, além de seus olhos estarem totalmente vermelhos. O sangue em sua camisa escorria até chegar ao chão. Era triste ver aquilo... Mas eu não podia chorar naquele momento, eu deveria sobreviver. Olhei nos bolsos do homem, e percebi que ele tinha um celular, além de algumas balas de hortelã. Pelo jeito ele desobedeceu as ordens do governo e decidiu sair de casa para trabalhar. O celular estava descarregado (não era novidade). Também peguei aquela camisa social para servir de blusa, já que eu sou baixinho. Coloquei ela como capuz para que não me notassem na neblina.
Saindo do estabelecimento, ouvi um barulho bem familiar — o som de um carro acelerando. Isso era um tanto quanto estranho, já que essa cidade está praticamente abandonada. O pior de tudo é que o som do carro estava ficando cada vez maior. Fiquei com medo de ser alguém tentando me atropelar, então e escondi atrás de uma lata de lixo. Era um antigo Mustang vermelho. Ele estava um pouco amassado e com a pintura bem mal-feita. Tentei correr atrás do carro e gritar, mas a pessoa que dirigia o veículo parecia não estar prestando atenção. Logo desisti, parando perto de uma loja de conveniência. Entrei lá dentro. Não havia ninguém, nenhum assassino, nenhuma pessoa morta. Abri a geladeira e peguei um refrigerante. Passei por cima do balcão e peguei um copo. Abri o refrigerante e logo coloquei o líquido lá dentro, percebendo que aquele refrigerante de laranja estava verde. Ok, aquilo já não era mais comestível.. Por sorte, haviam baterias lá dentro, e por mais incrível que pareça elas estavam em perfeito estado. Peguei 5 embalagens (cada uma contendo 2 baterias) e me sentei. Abri o celular que havia encontrado e coloquei as baterias, ligando o celular. Não era nada do que você espera que seja, no caso um celular touch futurista ou um equipamento holográfico barulhento. Era um celular comum, daqueles com teclas e tudo. Pelo menos o homem era esperto, e deixou o celular no mudo. Coloquei o celular no modo vibração e continuei andando por aí. Andei reto, na direção em que eu ouvia o som do carro..
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