Gaiden - O amor de Atena
6 Capítulo 6 - Fim da hesitação
Notas iniciais
Capítulo 6 – Fim da hesitação
— DÚVIDAS?! COMO ASSIM?! – Zeus gritava furioso com os dois irmãos – EU VOU OBSERVAR COMO ANDAM SUAS ATIVIDADES E PEGO VOCÊS FILOSOFANDO MENTALMENTE SENTADOS NA GRAMA VERDEJANTE DOS HUMANOS!! E BRINCANDO NO LAGO!!!!! COMO DUAS CRIANÇAS!!!
— Nem sequer nos deu tempo pra sermos crianças... – Astraphi falou apreensivo.
— Não precisam de tal coisa!!!
As ninfas apenas escutavam de um canto do grande aposento dourado sem emitir uma única palavra. O deus dos deuses parecia realmente obcecado com tal questão.
— Meu pai – o gêmeo mais velho começou – Devemos concordar que nunca nos deu muitas explicações sobre nosso real objetivo. Nunca tivemos uma referência do certo e do errado.
— O QUE???!!!! – O deus gritou mais furioso do que nunca, fazendo as ninfas taparem os ouvidos e o rosto dos gêmeos se contorcer em dor quando seus tímpanos quase explodiram – EU OS CRIEI!!! SEUS INGRATOS!!! EU SEMPRE LHES ENSINEI O CERTO!!!
Passaram-se vários e desagradáveis minutos de silêncio enquanto Zeus tentava respirar fundo e se acalmar.
— Escutem... – falou mais brando – Nós somos deuses. Eles são humanos. O motivo de não entenderem suas ações é porque desperdiçam suas vidas com coisas inúteis como sentimentos que só lhes causam arrependimentos, mágoas e desespero no futuro. Nós deuses não precisamos de tal coisa, é isso que enfraquece os humanos. Sua irmã Atena ficou responsável por cuidar da Terra, mas até ela, de tanto conviver com esses seres inferiores, quase se tornou um deles e sucumbiu ao que chamam de “amor”, negligenciou suas obrigações e quebrou seu voto de castidade eterna para se entregar aos caprichos de um mortal. Ela não deve mais governar a Terra, não de lá. Ainda há tempo para salvarmos o que restou de Atena. Aquele pobre bebê não tem culpa da demência de sua mãe. Vamos trazer as duas e reeducar Atena. Vamos educar a criança para que cresça como uma semideusa descente e não cometa os mesmos erros patéticos que Atena insiste em repetir todos os dias. Ela derrotou vários deuses junto com aqueles cavaleiros atrevidos, até mesmo seus irmãos Artemis e teriam derrotado Apolo por mais um pouco pelo que ele contou. Ela afrontou quase toda a nossa família até aqui, mas será diferente com vocês. Vocês têm o meu poder, e eu estou acima de todos, inclusive de Atena. Não há porque perder tempo precioso se questionando sobre o que eu mandei que façam, sobre as coisas estranhas que ela faz com aqueles humanos malucos.
— Meu pai... Há lendas entre nós. O guerreiro chamado Seiya já derrotou incontáveis deuses e guardiões puros, muitas vezes sozinho, já voltou da morte tantas vezes que Hades pode dizer que ele é um rosto conhecido. Contam que não importa o que se faça ou o que aconteça, ele é capaz de literalmente mover mundos e superar o poder dos deuses por Atena. Mesmo quando a julgou morta e chorou sobre as marcas de seu sangue no chão ele continuou lutando até conseguir derrotar Hades, ainda que tenha ficado em estado vegetativo por três anos. Ele até mesmo derrubou o muro das lamentações, e com a ajuda dos outros cavaleiros derrotaram Hypnos e Thanatos, conseguindo se levantar só por terem ouvido a voz de Atena em suas mentes. Apolo acabou com ele e ele voltou somente por sentir que Atena não estava mais perto dele. Os outros cavaleiros de bronze também não deixam a desejar em relação a ele. A criança que gerou com Atena já manifestava níveis assustadores de cosmo antes de nascer. O que poderá fazer quando invadirmos o local? – A mais nova questionou com medo, mais do pai que de qualquer coisa que pudesse ocorrer.
Os gêmeos e as ninfas arregalaram os olhos e observaram assustados quando Zeus contorceu o rosto de raiva, quase ficando vermelho, e se levantou furioso encarando a filha. Ao menos para os humanos, aquela cena seria cômica se não fosse tão tenebrosa.
— ESTÁ COM MEDO DE UM HUMANO?!!! UM??!! UM ÚNICO E MÍSERO HUMANO??!! POR ACASO ACHA QUE PEGASU FEZ TUDO AQUILO SOZINHO??!! NÃO SEJA INGÊNUA, IGNIS!! FOI TUDO COM O PODER QUE A TOLA DA SUA IRMÃ EMPRESTOU A ELE!!! – Zeus gritou em fúria, tomando uma longa respiração e continuando – Quanto à criança... Todo esse poder vem de Atena. E é por isso mesmo que não podemos permitir que essa criança fique perambulando por aí livremente no mundo dos humanos!! Ela precisa e vai estar aqui conosco!
— Ainda assim Pegasu não me parece um humano comum – Astraphi falou – Um humano comum não seria capaz de receber qualquer ajuda de Atena. Nem sequer suportaria o poder dela fluindo por seu corpo por mais de alguns minutos.
Zeus permaneceu em silêncio por segundos agonizantes.
— Pode até ser que aquele humano seja mais resistente, seja lá por qual motivo for – o deus dos deuses falou baixo, porém com severidade e frieza – Mas isso não importa!! Eu criei vocês dois e dei tudo que precisavam para crescerem rapidamente e ser tornarem os mais fortes que eu poderia enviar para essa tarefa!! Seus ingratos!!! Lhes dei vida, lhes dei treinamento... Lhes dei a liberdade de caminharem livremente sem ficarem confinados nesses aposentos dourados!!! Até mesmo lhes fiz armaduras de minha própria kamui!!! Privilégio que jamais concedi a ninguém!! Ninguém!!!
— Nos perdoe, nosso pai – Astraphi quase sussurrou ao baixar a cabeça e se ajoelhar.
— Pedimos perdão – Ignis também falou baixo fazendo o possível para não deixar seu nervosismo e medo serem denunciados por sua voz.
— Tem certeza do que está fazendo...? – Tháyma perguntou apreensiva fazendo grande esforço para que saísse alguma voz de sua garganta.
— É claro que tenho! Deuses não precisam de sentimentos!!! Tampouco temos arrependimentos!! Atena voltará para casa e logo irá entender que esse amor que diz sentir por um mísero humano, ainda que seja um cavaleiro, não passa de ilusão ou tédio por ficar tempo demais na Terra, ou seja lá o que quiserem chamar... Agora vão!! E voltem aqui com Atena e o bebê!!! Não hesitem em eliminar qualquer cavaleiro metido a cão de guarda de Atena que se ponha no caminho!!!
Os dois curvaram-se em assentimento e se levantaram seguindo da direção dos portões dourados, logo deixando o local. E lá fora Zeus e as ninfas podiam sentir o portal para o mundo humano sendo aberto por um breve instante e desaparecendo junto com as presenças dos deuses gêmeos.
— Preparem tudo para a chegada de Atena e da criança – foi tudo que Zeus disse antes de sentar-se em seu trono de ouro e ficar imóvel fitando os portões.
As ninfas nada disseram, apenas acenaram positivamente. Arashi e Kýma seguiram para uma passagem atrás do trono de Zeus. Tháyma, Káfsi e Aeris deixaram o lugar.
— Mamãe!
Celeste correu para Tháyma, pulando em seu colo.
— O que aconteceu? – A criança questionou diante da expressão assustada de sua mãe.
— O senhor Zeus nos pediu pra fazer um trabalho muito complicado – a ninfa respondia enquanto caminhava para outro lugar junto com Aeris e Káfsi.
— Posso ajudar?
— Talvez querida... Mas receio que não muito.
— E o que é?
— Logo vai saber.
— É algo ruim?
— Eu não faço a menor ideia.
******
Os cavaleiros de bronze estavam espalhados do lado de fora da casa, exceto Pegasu. Não podiam senti-lo por perto. Atena e a criança estavam dentro da casa, tinham certeza. Invadiram diretamente o cômodo onde as duas estavam e as levariam de uma vez, se possível evitando dar qualquer tempo para que os cavaleiros reagissem.
— Fique com a menina, não sou chegado a crianças.
— Como se eu fosse... Mas faça como quiser.
Os dois se aproximavam cada vez mais da casa através da copa das árvores. Voariam dali de cima a toda velocidade diretamente ao encontro de Atena.
— Por algum motivo ainda não em sinto segura no que estamos prestes a fazer...
— Você ouviu nosso pai... Se não fizermos isso é capaz de nos matar. Já estamos aqui. Voltar não é possível, Ignis. Afinal nós nascemos só pra isso.
— Tem razão – ela respondeu após alguns segundos em silêncio.
— O cosmo e Atena está se elevando a níveis incríveis, já deve ter nos percebido.
— Acabou de alertar os cavaleiros também. Pegasu deve aparecer em breve, seja lá onde estiver...
Os dois pararam de se mover entre as árvores quando estavam o mais próximo que podiam sem ser vistos e fitaram a casa e os cavaleiros já com suas armaduras.
— Não há mais volta, Ignis. Este é o momento.
— Sim... Este é o momento – ela respondeu quando ambos dispararam na direção da casa.
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