Gabriel

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Faz tempo que eu não escrevo, estou bem enferrujado, então não saiu lá essas coisas. Espero que gostem. Desculpe qualquer erro de português e divirtam-se.

Era festa de final de ano na empresa. Eu geralmente não costumo ir, mas dessa vez o Jonas, meu melhor amigo, ficou insistindo para que eu fosse. Ele queria pegar a nova estagiária e, caso não desse certo, gostaria que eu estivesse lá para chorar as mágoas no meu ombro. Eu não faço essas de ficar pegando os outros por aí, sou bem na minha, dificilmente me interesso por alguém. Por tanto, a noite não seria muito agradável

Depois de minutos no chuveiro refletindo, decidi sair e colocar uma roupa. Fiquei em duvida entre uma camisa que comprei na semana passada e ainda não tivera oportunidade de usar ou a minha camisa roxa favorita. Jonas estava lá na frente me esperando fazia uns dez minutos quando decidi usar a camisa nova e descer.

— Sérgio, que camisa é essa que você esta vestindo? Parece um pijama. — Disse ele, quando entrei no carro.

— Falou o cara que usa meias verdes e gravata vermelha parecendo um duende do Papai Noel. — Respondi meio ríspido

Jonas veio o caminho todo me explicando suas táticas de como ele iria conquistar a menina. Eu apenas fingi que escutava e concordava com tudo. Quando chegamos, logo avistou a menina que estava interessado, mas ela não estava sozinha. Estava com um menino que aparentava a mesma idade que ela, os cabelos meios ondulados, uma estatura baixa e com leves sardas espalhadas pelo rosto. Logo o reconheci, ele trabalhava na parte de finanças da empresa. Nunca trocamos mais do que duas ou três palavras, eu nem sabia o nome dele, mas o Jonas vivia chamando ele pra sair. Dizia que iria ensinar "a grande arte de conquistar mulheres" para ele.

Sentamos ao lado deles e não demorou muito para que o Jonas e a menina saíssem dali desesperados para transar em algum motel. Ele levou o troféu da noite e eu? Tudo que me resta é ficar bebendo aqui, do lado de um menino que provavelmente é menor de idade e ainda não sabe nada sobre a vida.

— Como é seu nome mesmo? — Perguntou ele pra mim, depois de alguns minutos de silêncio.

— Sérgio. — Dei um gole na minha bebida. — E o seu?

— Gabriel.

— Você tem cara de Gabriel mesmo. — Ele sorriu.

— E como seria uma cara de Gabriel?

— A sua, ué. — Eu ri enquanto ele olhava fixamente pra mim.

Passaram mais alguns minutos de silêncio quando decidi continuar uma conversa decente.

— Você sai bastante com o Jonas, né? — Apontei com a cabeça o lugar por onde eles saíram minutos antes.

— É, ele costuma me convidar, mas eu só vou mesmo por educação. Ele quer me ensinar como conquistar mulheres, mas pra mim isso não tem muito valor, não faço o tipo conquistador.

— Por que? Você é um menino bonito, deve ter um monte de garotas atrás de você. — Espera! O que foi isso que eu acabei de falar? Menino Bonito? EITA. Agora, prestando bem atenção, até que ele é bonito mesmo. Mas de qualquer maneira, isso não é coisa que se fala. Fiz uma careta me reprovando.

— Sei lá... Acho que estou esperando a pessoa certa. — Por sorte ele pareceu não notar.

— Se o mundo tivesse mais pessoas como você seria um lugar melhor. — Respondi e ele sorriu.

— Obrigado, eu acho.

— Quantos anos você tem mesmo? — Perguntei para tirar a duvida, porque vai que né.

— Dezoito e você? — Pelo menos não era menor de idade.

— Sou quase idoso, quase nos trinta.

— Idoso nada, dizem que trinta é a idade do sucesso.

— Podia ser mesmo, mas tenho quase trinta e a única coisa que tenho ais ou menos sucedida é a minha vida profissional.

— Já é alguma coisa. — Bebemos nossas bebidas e o silêncio se fez presente.

— Está meio abafado aqui dentro, não? Vamos dar uma caminhada lá fora?

— Pode ser. Respondeu dando de ombros.

Descemos e fomos caminhando pelo quarteirão, até chegar em uma pracinha, o tempo todo em silêncio. O silêncio era rei entre nós dois. Ficamos mais um tempo sem falar nada. Ficamos apenas ali, encostados em um muro, olhando as estrelas.

— São bonitas, não?- Disse ele.

— O que? As estrelas? Depende do meu humor — Sorri, ele fez uma expressão confusa, pareceu não entender

— E como está o seu humor hoje?

— Ah, no começo eu estava irritado pelo fato de o Jonas ter me deixado sozinho com você, mas agora percebi que você é um cara bacana e isso passou. — Percebi ele sorrindo mesmo sem olhar pra ele.

— Obrigado, eu acho.

— Você já teve vontade de fazer alguma coisa, mas não tinha muita certeza se queria? — Perguntei. Os olhos fixos nas estrelas.

— Tipo o que? — Ele olhou pra mim intrigado. Retribui o olhar.

— Tipo isso... — E nesse exato momento aproximei meu lábios dos dele e iniciei um beijo calmo

No começo não obtive resposta, mas logo pude perceber ele retribuindo o beijo de um jeito meio sem graça.

Caramba, agora que me dei conta. Eu estou beijando um homem e estou gostando. Meu Deus, o que está acontecendo comigo? Eu quase nunca beijo nem mulheres e agora estou beijando um homem. Homem? E meu Deus, como isso é bom.

O beijo foi parando aos poucos, com selinhos para finalizar. Depois disso voltamos para nossas posições iniciais. Não conseguia olhar para ele agora, estava morto de vergonha. Imagino que o mesmo se passa com ele.

— Você já tinha feito isso antes? — Disse ele meio baixo, quebrando o silêncio.

— O que? Beijar alguém? Umas três vezes. — Ele riu.

— Não. Beijar um outro homem.

— Ah, isso. Faço o tempo todo.

Ficamos mais alguns minutos em silêncio.

— Não. — Falei.

— Não o que? — Perguntou ele meio intrigado.

— Nunca tinha beijado um cara antes. Você já?

— Na verdade? Não também.

Foi ai que o silêncio predominou mais uma vez e foi ao meio do silêncio que decidimos voltar pra casa. Tinha ido de carona com o Jonas, então tive que voltar a pé. Acompanhei o menino que, por sorte, morava no caminho da minha casa e depois segui sozinho.

Quando cheguei em casa tomei um banho e me deitei, do jeito que estava, sem roupa mesmo. Passei alguns minutos pensando naquele beijo e logo adormeci. É, eu acho que a noite não foi tão ruim quanto eu imaginara.

Notas finais
Bem, pessoal, é isso. Deixe um review dizendo o que achou. Lembrando que críticas construtivas são sempre bem-vindas e criticar só por criticar não é legal.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!