Gênio Infame, Dama Mordaz
10 Anjo Diabólico
No qual nosso herói pega a nossa heroína. Duas vezes.
Admito que andei evitando a Srta. Carbonell desde a nossa última conversa. Para ser franco, acho que vou precisar de muito tempo ainda para digerir aquele momento.
A forma como ela se aproximou de mim, insinuando a possibilidade de um beijo, seu corpo tão próximo a cada passo que dava em minha direção, os olhos cintilando com uma luz própria dela, o suave toque de suas mãos no meu peito... para então revelar que tudo não passou de um teste de caráter! Aquilo foi muito frustrante!
Apesar disso, inflamou ainda mais o interesse que eu senti desde a primeira vez que coloquei os olhos nela. E, para completar o martírio, acho que despertou outra coisa também. Algo misterioso, desconhecido e assustador que não entendo direito.
Por tudo isso, fiz um esforço estratégico para nunca ficarmos no mesmo ambiente e torci para nem mesmo esbarrar com ela por acidente nos corredores da mansão.
Tive sorte — ou azar, não sei bem — porque a tática funcionou até agora.
Longe da sua presença, pensei que estaria a salvo da influência misteriosa e do encanto que me intrigam tanto nela. Ao menos, com a distância forçada, fui capaz de cumprir a promessa sobre tratá-la com respeito e apenas como minha arrumadeira. Sem vê-la, não tive como nem sonhar em quebrar minha palavra, claro.
Acontece que hoje, depois de quase uma semana sofrendo de uma estranha abstinência, coloquei os olhos na dama mordaz de novo.
Em minha defesa, não procurei por isso. Ela simplesmente brotou como mágica no jardim, pouco tempo depois que eu, já acordado de um sono inquieto, abandonei a cama, a mulher que passou a noite comigo ainda dormindo profundamente e fui em busca de ar fresco na varanda.
Então eu a vi. Um verdadeiro deleite para os olhos. E não tive como desver.
Foi impossível não acompanhar o caminhar tranquilo de Maria Carbonell pelo jardim, enquanto se afastava cada vez mais da casa de Jarvis e Ana, de onde devia ter saído momentos atrás. Impossível não admirar seus tornozelos e todo o resto em perfeita harmonia. Impossível não achar graciosa a maneira como a luz do sol incidia nos cabelos dourados dela, deixando-a ainda mais linda, como um anjo diabólico. E definitivamente impossível não sorrir quando ela estancou no lugar e me pegou em flagrante observando-a com tanta atenção.
Eu esperava um olhar nada amigável, porém, me surpreendendo até o último fio de cabelo, Maria acabou sorrindo de volta.
Ela. Sorriu. De. Volta.
A criatura orgulhosa ao extremo, que tanto me julga e despreza meu comportamento com as mulheres, sorriu para mim! Em que mundo uma reação dessas é possível, me digam?
Fiquei surpreso, descrente, pensei até ter sido vítima de um delírio. Então estreitei o olhar em sua direção e me vi completamente preso no discreto e despretensioso sorriso que enfeitava o seu belo rosto, ao mesmo tempo em que algo no meu peito acelerava em resposta. Meu coração.
Uma fada... Maria Carbonell é uma fada. A única que realmente existe.
Devo ter me distraído muito com esse pensamento, pois só notei que havia algo errado — correndo justo na direção dela —, quando Jarvis gritou para que tomasse cuidado.
Eu mesmo tentei alertá-la sobre o perigo iminente de um desgovernado Bernard Stark se aproximando com passadas ligeiras, mas já era tarde demais para Maria sair da frente.
Nem eu nem Jarvis pudemos evitar, e ela foi atropelada por um flamingo, despencando na grama de maneira cômica com o impacto inesperado.
Confesso que eu teria rido. Muito, na verdade. Sim, eu quase caí na gargalhada! Porém, quando Maria não moveu um músculo sequer para se reerguer, percebi que havia algo errado.
Sou especialista em cálculos — sou especialista em quase tudo, um gênio, claro —, mas não faço ideia de como cheguei ao jardim tão depressa.
Quando dou por mim, já estou aqui, abaixando diante da inconsciente Srta. Carbonell e empurrando o ombro de Jarvis, também debruçado na direção dela, para que ele se afaste um pouco.
Meu mordomo e leal amigo me lança um olhar confuso, pois estava prestes a pegá-la no colo.
— Deixa que eu mesmo faço isso, Jarvis — esclareço, tentando soar firme.
No entanto, sinto que pode ter parecido mais uma súplica aos ouvidos naturalmente desconfiados dele. Quase como se a minha intenção real fosse ter dito: “Eu preciso disso, homem! Tê-la nos braços por um momento, sentir o calor do corpo dela, mesmo que seja assim numa emergência. Fique longe e me deixe ter esse prazer só uma vez, tudo bem?”
A ansiedade por isso se agita dentro de mim e, ao mesmo tempo, se mistura a uma preocupação genuína e sincera pelo estado de Carbonell. Sem esperar mais, envolvo-a e seguro nos meus braços. Com cuidado. Como se ela fosse algo precioso e delicado. Algo a ser protegido.
Bom, nesse momento, enquanto a tiro do chão e a mantenho junto a mim, estou certo de que ela é tudo isso mesmo.
Tenho que fazer um grande esforço para retomar o foco e orientar:
— Telefone para o Dr. Mills, Jarvis. Diga que é urgente, que venha imediatamente. Depressa!
— Sim, senhor! — ele acata, já correndo rumo à mansão, esbaforido pela perseguição anterior ao meu flamingo.
A palidez no rosto da Srta. Carbonell me faz seguir para lá também às pressas. Colocá-la no sofá, onde poderá ficar mais confortável enquanto esperamos o atendimento médico, me parece uma boa ideia agora. Por mais que seja maravilhoso segurá-la assim, como um tesouro, preciso soltá-la.
Ela não me pertence. Não é minha. Nem nunca será. Seu lugar não é nos meus braços.
[...]
Mal cruzo a porta e ouço o ruído de saltos agitados atrás de mim.
— O que aconteceu com ela? — Ana questiona num tom consternado, passando por mim e já ajeitando as almofadas no sofá adiante.
— Pode-se dizer que ela foi atropelada por um flamingo. Seria cômico, se não fosse trágico.
Com cuidado, deito Maria no sofá, demorando mais do que seria necessário para ajeitar a cabeça dela de maneira que fique bem aconchegada. Depois, sento diante dela, arrumo suas mãos — tão delicadas! — sobre a barriga e afasto uma mecha de cabelo a fim de examinar o estrago em sua têmpora. O corte é pequeno e superficial, mas há certo inchaço na região e o princípio de um hematoma. E, claro, ela ainda está inconsciente, o que é digno de nota.
A esposa de Jarvis abafa um grito de horror entre as mãos e exclama ainda mais preocupada:
— Coitadinha! Deve ter batido a cabeça em alguma pedra!
Antes que eu peça, ela me estende um lenço. Coloco sobre o corte com uma pressão suave.
— Jarvis! O médico! — reforço, tentando manter a calma, mas incerto se estou conseguindo. Acho que nunca me preocupei tanto com alguém antes. Que coisa mais estranha!
Como um fantasma, ele se materializa ao meu lado no instante seguinte e responde de um jeito afobado:
— Já está a caminho, Sr. Stark! Oh, Deus... — Parece ver o ferimento logo depois, ficando meio chocado. Então acaba emendando num ritmo acelerado: — A culpa foi toda minha! Ou melhor, daquele Diabo de Rosa! Se ele não estivesse no lugar errado, eu não teria corrido atrás dele para mandá-lo ao lugar certo do jardim, a Srta. Carbonell não teria cruzado com aquela besta emplumada no meio do caminho e...
— Espere! — interrompo as lamúrias dele ao notar uma oscilação no semblante de Maria. — Ela está acordando.
Nós três ficamos em silêncio, concentrados em olhar para ela, esperando a confirmação. Por um momento, chego a pensar que imaginei a mudança sútil em seu rosto, mas então as pálpebras estremecem e ela abre os olhos devagar.
Algo relaxa no centro do meu peito e um suspiro de alívio — espero que Jarvis e Ana não tenham ouvido — escapa de mim. À medida em que Maria foca no meu rosto com os olhos mais abertos, um sorriso estica o canto da minha boca sem que eu consiga evitar.
— Bem-vinda de volta, raio de sol. — Um segundo depois, lembro da minha promessa e assumo uma postura mais séria. Levantando do sofá, pigarreio e corrijo do jeito mais natural que consigo: — Digo, Srta. Carbonell.
Afasto-me mais um pouco — não muito —, apenas o suficiente para Ana tomar o meu lugar no sofá, de tal forma que possa manter o lenço sobre o corte na lateral do rosto de Maria.
— Como você está, meu bem? — é Ana quem pergunta, com sua doçura costumeira.
Maria olha a sala de estar em volta e ergue um pouco o tronco, soando meio perdida.
— O que aconteceu?
— Bernard Stark aconteceu — respondo, dando de ombros. — Não se preocupe, eu terei uma conversa muito séria com aquele danadinho mais tarde. Isso não é jeito de se tratar uma dama. Se sente melhor?
Ela pensa um pouco e responde devagar:
— A minha cabeça dói um pouco. E parece mesmo que eu fui atropelada por um animal em alta velocidade. Fora isso, acho que estou bem.
— Precisamos ter certeza — Ana avisa, entregando a ela o lenço e se levantando depois. — Edwin já telefonou para o médico, ele está a caminho. Vou buscar um copo de água para você, não saia daí.
Enquanto ela dá os primeiros passos rumo à cozinha, Maria ri de um jeito surpreso e protesta:
— Médico? Ora, isso já é exagero! Eu agradeço por se preocuparem, mas não há necessidade para tanto.
Ana se detém no meio do caminho, e a dama no sofá de repente fica impaciente e faz menção de se levantar.
— Srta. Carbonell, por favor, fique deitada! — Jarvis pede ao meu lado, porém é magistralmente ignorado por ela.
— Que bobagem! Eu me sinto bem melhor agora, sério, e já posso começar a arrumação na bibliote...
Acontece rápido demais. Num instante, a teimosia em forma de mulher está de pé. No outro, seu rosto torna a ficar lívido, ela vacila e leva a mão à cabeça. No seguinte, está tombando na minha direção.
— Oh! Tudo bem, peguei você. — Com um movimento rápido, seguro-a antes que Maria caia no chão, deixando que se apoie em mim, enquanto seu perfume suave faz cócegas no meu nariz e algumas mechas de cabelo roçam o meu rosto. — Peguei você...
Maria ergue o olhar na minha direção e só então, assim como eu, parece perceber como estamos perto um do outro.
Quase imediatamente, a cor volta ao seu rosto, concentrando-se num rubor peculiar nas bochechas. As mãos fincadas nos meus braços, como se ela ainda temesse perder o equilíbrio a qualquer momento ou — torço por isso —, como se tivesse esquecido de me soltar.
Nossos olhares se cruzam no curto espaço e algo muito parecido com uma corrente elétrica percorre o meu corpo enquanto olho para ela. Uma sensação muito boa e viva se espalha por cada parte de mim. Ao mesmo tempo, um calor intenso arde dentro do meu peito — e, bom, lá embaixo também, afinal eu não sou de ferro.
Não tenho ideia se a dama mordaz — e inebriante que me encara de volta — sentiu o mesmo, mas definitivamente não vejo a antipatia habitual em seus olhos agora. Vejo outra coisa. Algo indecifrável por trás de uma névoa de confusão. Algo que também parece queimá-la lentamente, se eu não estiver imaginando coisas.
De repente, Ana me traz de volta à realidade ao dizer em tom de conselho:
— Coloque ela de volta no sofá, Sr. Stark. É melhor não arriscar tanto tempo em pé, ela pode perder os sentidos de novo.
Devo concordar que a cautela é necessária e, por mais que uma parte de mim não queira se desvencilhar de Maria, o bom senso me leva a conduzi-la de volta à segurança do estofado.
Tão logo ela se deita nele, eu me afasto alguns passos, ficando entre Jarvis e Ana. Maria, por sua vez, observa o ambiente em volta como se não tivesse feito isso há apenas dois minutos.
Exalando confusão, ela indaga na sequência:
— Como eu vim parar aqui mesmo?
É o meu mordomo quem resume a situação, relatando despretensiosamente:
— O Sr. Stark te trouxe. Você desmaiou no jardim depois que bateu a cabeça.
De imediato, Maria crava o olhar em mim e juro que vejo uma nota de assombro nele. Se eu pudesse ler seus pensamentos, diria que, nesse exato momento, está imaginando a cena — ela acolhida em meus braços — e decidindo o quanto isso abala o seu orgulho e preservação feminina.
Prevendo a bronca, ergo as mãos em rendição e me antecipo:
— Antes que você reclame ou pense o pior de mim...
Maria, no entanto, me interrompe e diz uma única e poderosa palavra:
— Obrigada. — Ela limpa a garganta e reforça de um jeito mais formal: — Obrigada, Sr. Stark.
Será que eu ouvi direito? Primeiro ela sorri para mim e agora me agradece? Tem alguma coisa muito errada com o mundo hoje. Ou muito certa.
Decidido a acreditar na segunda hipótese, meneio a cabeça e ouso soltar um gracejo:
— Foi um prazer lhe ser útil.
Um sorriso de canto me vence enquanto mantenho o olhar nela. Maria, no entanto, parece incomodada em dado momento, desvia dos meus olhos e se concentra em entrelaçar as mãos sobre a barriga. E em soltá-las. E em entrelaçar de novo.
Bem nesse momento, Jarvis se volta para a esposa dizendo:
— Eu mesmo trago a água, querida. É o mínimo que posso fazer depois de ter sido tão imprudente, perseguindo aquele demônio de plumas pelo jardim, e provocado o acidente da Srta. Carbonell.
E isso é o bastante para a ninfa no sofá tomar a palavra de novo:
— Sr. Jarvis, não se martirize tanto, não foi nada. Se quer saber, a culpa foi minha, na verdade. Eu que me distraí e não vi o flamingo a tempo.
Não resisto a brecha deixada pelo comentário final e indago nada despretensiosamente:
— Posso saber com o que você se distraiu? Ou seria melhor perguntar com quem?
Seus lábios se abrem meio no susto, porém nenhum som escapa deles. A dama mordaz parece sem palavras para se explicar, o que é um evento raro, já que ela sempre tem algo pronto na ponta da língua. Agora, no entanto, tudo o que vejo é um rubor suave no seu rosto e certa perturbação no olhar.
O silêncio vai se estendendo, se estendendo, e eu me deliciando com sua total falta de reação ao mesmo tempo em que fico mais ansioso por uma confissão.
Talvez desconfortável com o suspense ou querendo nos conceder alguma privacidade, Ana convoca o marido:
— Vamos buscar aquela água, Edwin.
— Juntos? — ele estranha a princípio. Assim que a esposa lhe lança um olhar intenso, Jarvis concorda com empolgação: — Juntos será esplêndido, querida!
E os dois desaparecem rumo à cozinha, deixando-me a sós com a cativante e escorregadia criatura que atende pelo nome de Maria Collins Carbonell.
Ela reluta em me encarar de volta, porém, com a minha persistência eterna, acaba se rendendo. Não sem erguer o queixo com superioridade, claro.
— Sim, eu sorri para o senhor — admite, enfim. — Satisfeito?
— Quase. A pergunta que não quer calar é: por quê?
Maria dá de ombros enquanto o olhar se embaralha num ponto qualquer da sala.
— Ora, nada demais. Só estava sendo educada.
Arqueio uma sobrancelha, a descrença soando na única palavra que me vem à cabeça pronunciar agora:
— Comigo?
Ela respira fundo, irritada. Soa um tanto acuada quando fixa o olhar em mim e retruca:
— E por acaso havia outra pessoa naquela varanda?
Sem me abalar, reformulo:
— Educada com o homem que você odeia desde o primeiro dia e não faz questão de disfarçar?
Maria me encara com os olhos arregalados, como se eu tivesse dito algum absurdo.
— Eu não odeio o senhor. Ódio é uma palavra muito forte. Eu só não suporto alguns traços desprezíveis da sua personalidade.
Franzo o cenho, um tanto confuso com a crítica implícita.
— Era para eu me sentir melhor ouvindo isso?
Sua postura defensiva cai por terra enquanto um brilho divertido surge em seus olhos. Ainda com a impertinência que lhe é tão intrínseca, porém um pouco mais dócil que de costume, ela rebate:
— Se não está pronto para as respostas, não devia fazer tantas perguntas.
A língua afiada está mesmo de volta. Como senti falta dela! E de pagar na mesma moeda também, claro! É por isso que não resisto em provocá-la logo depois:
— Vejamos, acho que não suportar alguns traços desprezíveis é melhor do que odiar de todo. — Levo o indicador e o polegar ao queixo, avaliando a situação. Torno a focar na mulher orgulhosa deitada no sofá e arrisco um olhar sedutor em sua direção. — Srta. Carbonell, posso entender isso como um progresso? Talvez, quem sabe, até esperar mais sorrisos como aquele?
Infelizmente, minhas palavras não têm o efeito desejado. De repente, Maria fica mais séria e parece desconfortável.
— Não estrague — pede pura e simplesmente.
Sem entender qual é o ponto aqui, questiono um segundo depois:
— Estragar o quê?
— O princípio de uma surpreendente admiração que talvez eu tenha começado a sentir.
Mas que diacho de mulher difícil!
— Por mim? — provoco.
Maria me encara com aqueles benditos olhos de novo... Olhos que não sei o que estão fazendo comigo, mas que, de fato, despertam algo em mim.
Como se a evolução de hoje não fosse nada demais, ela assente com um meneio de cabeça e confirma com uma naturalidade que me perturba:
— Pelo senhor.
E me aquece.
Não sei como diabos não vou estragar algo que nem sei por que ou como está acontecendo. Contudo, nesse momento, apenas decido que vou tentar. Preciso manter essa admiração crepitando, por mínima que seja e por mais que não faça ideia de onde veio.
Quem sabe com o tempo ela ganhe mais força? E quem sabe com o tempo eu entenda por que, de repente, desejo tanto ser admirado por essa mulher...
— A senhorita tem a minha palavra, eu não vou estragar.
Um arquear encantador de sobrancelhas e o princípio de um sorriso jocoso surgem.
Será que Maria Carbonell sabe como fica linda assim?
— Engraçado, eu pensei que já tivesse a sua palavra. É a segunda promessa que me faz.
Não digo nada porque não tenho ideia do que esse raio de sol está falando. Meu pensamento voa longe, até ela e se perde no caminho.
Ela controla um sorriso. Talvez por perceber meu olhar concentrado e... bobo? Então, volta a remexer as mãos e muda drasticamente de assunto:
— Será que o médico demora?
Quando o Dr. Mills chegar, terei que dar espaço para o homem trabalhar e provavelmente Maria será dispensada por hoje sob recomendação dele, então...
— Espero que sim — murmuro, as palavras simplesmente saindo como um desejo confesso.
— Sr. Stark!
Recompondo-me, desconverso como posso:
— Calma, mulher... Só estou brincando.
Enquanto disfarço o efeito que essa feiticeira vem exercendo, Jarvis e Ana voltam para a sala. Um copo de água é posto nas mãos de Maria. E até assim, bebendo água devagar, ela é criatura mais fascinante que eu já vi.
O médico está vindo vê-la, mas talvez quem esteja com sérios problemas seja eu. Acho que estou enlouquecendo.
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