Gênese: A Saga da Rosa - Temporada I
26 Segundo Ano
“A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. É essa emoção fundamental que está na raiz de toda ciência e toda arte.”
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ROSE
Quando finalmente chegamos ao castelo, todos estavam elétricos de animação, embora viagem tivesse sido extremamente longa e cansativa.
— Mal posso esperar – comentou Alvo – vão reabrir a temporada de quadribol na escola esse ano. Quem sabe não damos sorte de entrar para a equipe júnior de treino de voo?
Sorri. Desde que mamãe subia ao cargo de vice-ministra, uma série de mudanças já ocorreriam na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. O recesso de quadribol, estabelecido há quase dois anos por problemas no departamento esportivo do Ministério, finalmente acabaria.
A Copa da Casas igualmente voltaria a vigorar, depois de ter sido suspensa devido a questões moralistas – diziam que o evento anual incitava desnecessária rivalidade entre as Casas. Naturalmente, tudo uma grande preocupação boba, que tirou da escola, por muito tempo, uma das suas atividades mais tradicionais.
— Quase no Salão Principal – sussurrou Scorpius, enquanto subíamos as escadas – e nem sinal da Astrid McLaggen – ele esfregou as mãos uma na outra, empolgado – o segundo ano já está começando muito bem.
Eu e Alvo rimos, prosseguindo nossa caminhada pelas escadarias.
— Sabe de uma coisa? — eu disse – talvez isso seja um bom presságio – brinquei, acotovelando Alvo – de que não vamos arranjar confusão esse ano.
Scorpius me lançou um olhar de divertida incredulidade.
— Muito engraçado, Rosie – zombou – estou morrendo de rir.
— Não era para ser uma piada – insisti falsamente, segurando o riso.
— Fracassou, então.
Continuamos rindo pelo restante do caminho.
Quando adentramos no Salão Principal, nos despedimos uns dos outros, e corremos para tomarmos nossos lugares nas mesas das Casas.
Afobada, quase tropecei em cima de Surya Patil, que estava contornando a mesa da Grifinória naquele momento.
— Desculpa, Surya! — falei, mordendo o lábio – foi sem querer...
— Ah – ela me encarou, dando de ombros – não foi nada, Rose, Já tropeçaram cinco vezes em mim desde que desci do trem, se quer saber – sorriu – animada para o segundo ano?
— Eu? — fiz uma careta humorada – digamos que estou tendo um surto de ansiedade – rimos – tenho impressão de que este ano vai ser bem mais interessante.
— Também acho – ofegou quando a diretora aproximou-se da tribuna em forma de coruja – ah… vai começar – despediu-se com um sorriso, dando meia volta e retomando seu caminho – até mais, Weasley!
Assisti-a desaparecer entre os demais alunos da Corvinal, e, finalmente, também tomei meu lugar na mesa da Grifinória, juntamente dos meus demais colegas de Casa.
McGonagall enfim tomou seu lugar na tribuna, adiantando-se, enquanto os murmúrios do Salão principal cessavam lentamente.
— Bem-vindos! — cumprimentou-nos Minerva – á todos os alunos, um bom início de ano! — sorriu para os presentes – é um prazer receber os estudantes novos e antigos numa época tão especial. Daremos início á Seleção, e prosseguiremos com alguns anúncios antes do banquete.
Um a um, os alunos novos foram selecionados para suas respectivas Casas.
Boa parte se tornou da Grifinória, fazendo com que eu e meus colegas nos apertássemos para receber os novatos. Dois alunos foram para a Lufa-Lufa, uma meia dúzia para a Corvinal e um grupo relativamente grande para a Sonserina.
— Ah, que ótimo – Yoko Thomas fungou ao meu lado – mais cobras no ninho.
— Yoko…
— Eu sei. Alvo e Scorpius são legais – ela se defendeu – mas olha só a cara daquela garota ali – apontou para uma estudante com feições grossas e achatadas, como se tivesse dado de cara com uma parede de pedra – cobra peçonhenta— enfatizou – tô falando sério.
Estapeei minha testa, segurando para não dar risada.
— Você não existe, Thomas.
— À – empavonou-se orgulhosamente, como se eu tivesse acabado de lhe dizer um elogio – eu sei.
Acompanhamos o restante da Seleção das Casas aos cochichos, dando boas-vindas aos que estavam começando. Havia uma boa quantidade de alunos novos, que, assim como em meu caso, eu julgava ser devido á chegada de vários irmãos caçulas de estudantes mais velhos.
Quando chegou a vez de Hugo, senti o coração gelar dentro do peito. Ele acenou para mim ao longe, aparentando uma desoladora preocupação.
Vi-o sentar no banquinho, enquanto a diretora aninhava o Chapéu Seletor em sua cabeça.
Prendi a respiração, aguardando. Meu coração saltava contra minhas costelas, como se quisesse fazer um buraco em minha coluna e dar um salto-mortal pra fora de meu corpo, espatifando-se no chão do Salão numa poça sangrenta.
O pensamento, embora soasse engraçado em minha mente, não foi o bastante para diminuir minha tensão.
Pensei que ia desmaiar de agonia, assim que o chapéu abriu a boca para falar.
— Hum… ora, ora, ora…
A aflição era tanta que acabei batendo sem querer a perna na de Yoko, que sufocou um guinchinho de dor.
— Ai.
— Desculpa, Yoko – estava quase chorando de exasperação – não sei o que está acontecendo comigo hoje.
— Eu sei – ela disse, num tom que misturava brincadeira e censura – seu irmão vai ser selecionado. Nada mais normal. Pode ficar tranquila.
Voltamos a ficar quietas, prestando atenção, quando o Chapéu Seletor prosseguiu.
— Eu já selecionei alunos como você, Sr. Weasley – murmurou, fazendo a expectativa tornar-se ainda mais dolorosa – e sei muito bem o que fazer com o senhor…
Hugo apertou as bordas do banquinho.
E, por fim, ele anunciou em voz alta.
— GRIFINÓRIA!
A nossa mesa explodiu em vivas. Aplaudi de pé, gritando e acenando para Hugo, que desceu da banqueta animadamente, com um sorriso aliviado.
Me afastei no banco da mesa, dando espaço para que meu sorridente irmão se acomodasse entre mim e Yoko.
— Estou passando mal – para enfatizar o que dizia, ergueu as mãos diante de mim, mostrando que tremiam sem parar – eu achei que ia desmaiar, Rosie… juro que minha visão escureceu. Socorro.
Reprimi um risinho. Pobre Hugo… se havia sido tenso para mim, nem conseguia imaginar o desespero que havia se apossado dele naquele momento.
— Bem-vindo á ilha dos leões, Hugo – disse Yoko, risonha.
Hugo sorriu timidamente, ainda pálido demais para responder. Abracei-o, condoída, mas igualmente satisfeita.
A Seleção prosseguiu, até que o último aluno foi selecionado para a Corvinal. McGonagall recolheu o Chapéu Seletor, finalizando a cerimônia.
Olhei para a mesa dos professores, reparando que havia uma nova pessoa em companhia dos demais docentes – uma mulher idosa, estranhamente bonita para a idade avançada, de olhar bondoso e gentil, e cujo olhar varria os estudantes com evidente interesse.
— Muito bem – os aplausos e gritos esmaeceram, a o Salão voltou a mergulhar no silêncio – agora, antes que possam finalmente aquietar seus estômagos – a maioria dos presentes fez coro á risadinha da diretora – temos alguns avisos e orientações importantes para repassar aos estudantes. Em primeiro lugar – Minerva sorriu abertamente — gostaria que todos dessem as boas vindas á uma ilustre visitante que ficará conosco por algum tempo durante o ano letivo, como representante da Escola de Magia e Bruxaria de Ilvermorny, como uma visita diplomática entre nossas instituições – ergueu o braço na direção da senhora que eu havia visto mais cedo – Queenie Goldstein.
Ao mesmo tempo em que uma maré de aplausos varreu o Salão Principal, vi Hugo dar um guincho alto de choque.
— Queenie Goldstein? — arquejou – essa mulher ainda está na área?
— Hugo!
— Cara, não o culpo – amarrei a cara para Yoko, que só gracejou da minha expressão martirizada – se for mesmo ela…
— Scamander falou dela em alguma carta que mandou para a mamãe, não foi? — Hugo indagou, extasiado – ela é Legiminente!
Vi Goldstein agradecer á ovação com um meneio tímido da cabeça, ao que McGonagall continuou, aparentando satisfação com recepção calorosa dos alunos.
— Agora – todos se aquietaram mais uma vez – como solicitado pelo Ministério da Magia, é um prazer anunciar que, em cerimônia realizada esta noite em Londres, Hermione Jean Weasley foi empossada como Vice-Ministra da Magia interina, e que assumiu pessoalmente responsabilidade por algumas mudanças na organização institucional da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Os aplausos voltaram a ressoar, mais formais e entusiasmados. Eu e Hugo nos entreolhamos, relativamente enrijecidos, sem saber como reagir ao anúncio oficial do empossamento de mamãe.
Ao longe, vi o rosto de Astrid McLaggen se vincar dr repulsa. Só podia imaginar o quanto ela estava furiosa agora.
Não que isso fosse me ajudar a ficar longe de problemas com Astrid. Mas eu estava secretamente adorando vê-la tão irritada. Saber que a incomodava daquela maneira me deixou um pouco mais confiante de mim mesma.
— Por fim – a voz de McGonagall tomou um tom sério – gostaria de relembrá-los sobre as regras básicas da escola, que poderão ser consultadas no quadro de avisos ao lado da torre do meu escritório. A Floresta é terminantemente proibida para os alunos sem supervisão de um bruxo mais experiente. Não são permitidos passeios noturnos fora do horário de recolher – percebi que ela olhou de soslaio na nossa direção, e engoli um murmúrio de nervosismo humorado – caso desrespeitem as regras, suas casas perderão pontos – suas feições relaxaram, tornando-se mais amigáveis – e desejar á todos um excelente fim de noite – bateu palmas, dando a deixa para que dezenas de pratos se enchessem de comida ao longo de nossas mesas – sem mais delongas… que se inicie o banquete!
Não foi preciso nenhum incentivo para que eu e os demais alunos caíssem de boca no delicioso jantar.
— Que saudade dessas coxinhas – exclamou Surya Patil lá da mesa da Corvinal, fazendo meia mesa da Grifinória gargalhar.
Hugo me encarou de modo receoso, antes de decidir apanhar um pouco do bolo de carne. A partir dali, pareceu se senti muito mais á vontade.
Eu também havia sentindo falta de tudo aquilo. Os risos. O ambiente familiar. Os professores. As aulas. Até mesmo das brincadeiras e encrencas. Hogwarts era o melhor lugar para se estar, independentemente das circunstâncias.
Depois que o banquete acabou, começamos a rumar para nossos respectivos dormitórios. Hugo me seguia feito uma sombra pequena e tagarela, maravilhado com tudo que via.
— Eu nem acredito – admitiu, saltitando ao meu lado – isso tudo é… incrível!
Mesmo se quisesse, jamais poderia ter fingindo que não compreendia como Hugo se sentia. Havia tido a mesma reação em meu primeiro ano, e ver meu irmãozinho tão feliz quase me comovia também.
— Ainda bem que gostou, Hugo – lhe lancei uma piscadela – por que amanhã começam as aulas… e seu mundo de pôneis coloridos vai desabar, maninho.
O olhar de Hugo estreitou-se tanto, que ele poderia facilmente ter feito um cosplay do protagonista de Undertale.
— Rosie… você tem que parar de assistir My Little Pony.
Empurrei-o, fazendo-o soltar uma gargalhada.
Em pequenos grupos, todos os alunos da Grifinória adentraram aos poucos dentro da Torre. Despedindo-se de mim com um abraço, Hugo se juntou ao grupo do primeiro ano, desaparecendo de vista.
Antes que eu pudesse adentrar pelo quadro, porém, senti uma mão fechar-se suavemente em meu ombro.
Pega de surpresa, olhei para trás, dando de cara com Queenie Goldstein.
— Madame Goldstein – ofeguei.
— Desculpe. Não quis assustá-la, querida – tal como eu imaginara, Queenie era adoravelmente gentil e calma, como uma vovó exageradamente afetuosa – Rose Weasley… certo? — ela suspirou – ouvi falar muito de sua família – apertou minha mão – é um prazer.
— O prazer é meu – retribuí, sem graça.
Goldstein aprumou-se, vincando a testa de modo curioso.
— Não consigo ler sua mente – ela soltou um gracejo – hoje em dia, consigo usar Legiminência em todas as pessoas… mas algumas…
Ela hesitou e parou de falar.
— Algumas…?
Vi-a sacudir a cabeça, arrulhando, embora percebesse um brilho de preocupação em seus olhos.
— Nada, querida – olhou ao redor – acho que já tomei muito de seu tempo, Rose. Pode entrar… deve estar exausta.
Ainda confusa, assenti, enquanto Queenie se afastava.
— Boa noite, madame Goldstein.
Vi Queenie sorrir carinhosamente.
— Boa noite, Weasley.
Por fim, entrei na Torre da Grifinória, agora com aquelas velhas inseguranças e dúvidas dominando-me outra vez, mais fortes do que nunca.
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