Gênese: A Saga da Rosa - Temporada I
5 A Partida
"A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família."
Leon Tolstoi
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ROSE
A estação estava absolutamente apinhada de gente.
Nervosa, embora sorrindo, observei mamãe ajeitar a gola de minha blusa.
Tamahine já havia ido embora, depois que se despedira, emocionada, do irmão que já embarcara.
Eu havia deixado meu malão e Teaspoon com um funcionário do Ministério da Magia, antes de entrar na plataforma.
Uma das vantagens de ser filha de dois funcionários de alto escalão era ter uma ou outra mordomia daquele tipo. Mamãe orientara o bruxo a enviar minha bagagem e minha gatinha para Hogwarts pessoalmente. Segundo ela, com o medo que minha gata tinha de apitos e solavancos, não seria uma boa ideia embarcá-la no trem.
Tinha me sentido receosa – afinal, eu e Teaspoon já éramos muito achegadas.
Mas mamãe era a pessoa mais sensata que já tivera a fortuna de conhecer. Então, depois de pensar um pouco, concordei com sua sugestão. Tinha me despedido de Teaspoon e, com o coração meio apertado, acompanhado o auror levá-la embora, junto de meu material escolar.
Ficariam comigo apenas as malas de roupas, e a bolsa que continha lanches e minha varinha nova.
Hugo já havia perdido toda a animação que eu lhe dera em casa, e voltara a ficar amuado, recostado em papai, o olhar meio perdido nos próprios sapatos.
Não podia deixar de ficar encabulada com o calor orgulhoso no olhar de meus pais. Minha mãe me encarava, deslumbrada, ajeitando tudo que podia em meu corpo.
— Mamãe… — ri, humorada.
— Blusa? — ela indagou;
— Sim.
— Bolsa arrumada?
Assenti, sem conseguir conter um sorriso.
Mamãe afagou meus ombros. Vi seu lábio fremir, os olhos piscando como se contivesse o choro.
E então ela me puxou para um abraço apertado.
Senti seu corpo estremecer contra o meu, enquanto abarcava meus cabelos com a mão.
— Vou sentir saudade – ela guinchou, emocionada, beijando minha cabeça.
Acompanhei, ao longe, um homem de cabelos louros se despedir do filho, enquanto a mãe, sorridente, arrumava seu casaco. Franzi oc enho pro um momento, jurando que já havia visto aquele bruxo em algum lugar.
O garoto virou para trás, e seus olhos me fitaram. Vi uma expressão de surpresa se abrir no rosto pálido do menino.
Papai me despertou dos meus devaneios, inclinando a cabeça para minha direita.
— Estão vindo – falou, num tom satisfeito.
Olhei para trás, e sorri ao ver meus tios e primos se aproximando da plataforma.
Tio Harry vinha abraçando Alvo, que parecia extremamente ansioso. James vinha ao lado, parecendo revirar os olhos para o nervosismo do irmão. E Lily Luna, a prima caçula, vinha empoleirada nas bagagens de Alvo, assistida pela tia Gina.
Quando finalmente se aproximaram, Lily Luna e James vieram nos cumprimentar.
— Oi – disse Alvo, vindo diante deles e nos abraçando.
— Afinal, conseguiu estacionar direito? – papai perguntou ao meu tio, em tom de deboche – eu consegui. Hermione não acreditou que eu pudesse passar no exame de motorista dos trouxas, não é mesmo? Achou que eu ia precisar confundir o examinador.
— Não pensei, não – minha mãe retrucou, ignorando o sorriso zombeteiro de tio Harry – fiz a maior fé em você.
— Pois eu o confundi, mesmo – o ouvi cochichar, segurando a vontade de estapear minha própria cara, vendo os dois subirem a bagagem de Alvo. Mamãe ia matar ele – só me esqueci de olhar pelo retrovisor externo, e, cá entre nós, posso usar um Feitiço Supersensorial para isso.
Ouvi Lily e Hugo começarem a conversar. Como a única Potter e um dos únicos Weasleys que ainda não entrariam para a escola, eles começaram a debater em que casa gostariam de ser selecionados. Papai se meteu no meio da conversa, finalmente despertando minha mãe de sua discussão com titia.
— Se você não for para a Grifinória, nós o deserdaremos – meu pai disse, sério – mas não estou pressionando ninguém.
— Rony! — mamãe exclamou, fazendo meu irmão e Lily rirem.
Contanto, eu e Alvos nos olhamos, temerosos.
Eu tinha adiado ao máximo minha preocupação com a Seleção. E agora, a ansiedade voltava a tomar conta de mim.
— Ele não está falando sério – titia e mamãe disseram.
Papai se virou para o lado direito, acenando com o queixo para um local da plataforma, onde a família do bruxo loiro ainda estava reunida.
— Veja só quem está ali.
O homem olhou em nossa direção, surpreso. Num meneio quase imperceptível, acenou com a cabeça, de um jeito rígido, terminou de ajudar o filho a entrar no vagão, e desapareceu em meio à fumaça, levando a esposa pelos braços.
— Então aquele é o pequeno Scorpius – papai fungou – não deixe de superá-lo em todos os exames, Rosie. Graças a Deus você herdou a inteligência da sua mãe.
Pisquei. Papai e sua mania de vangloriar a filha que nem era tão inteligente assim.
— Rony, pelo amor de Deus. – mamãe fechou a mão, provavelmente numa tentativa de não levá-la à testa. – não tente indispor os dois antes mesmo de entrarem para a escola!
— Você tem razão, desculpe. – ele concordou, antes de chegar perto de mim e acrescentar – mas não fique muito amiga dele, Rosie. Vovô Weasley nunca perdoaria se você casasse com um sangue puro.
Minha nossa. Eu nem tinha visto o menino direito, e meu pai já estava preocupado com um casamento. Ás vezes achava que tio Harry não havia sido a única pessoa a ser deixada num batente de porta quando bebê. Fala sério.
— Ei! — ouvi James gritar,, voltando para onde estávamos e pulando feito um sapo na nossa frente – Teddy está lá atrás. Acabei de ver! E adivinhe o que ele está fazendo? Se agarrando com a Victoire!
Vi os adultos se entreolharem, com piscadelas humoradas, e eu e as demais crianças darem de ombros. James não pareceu nadinha feliz
— O nosso Teddy! Teddy Lupin! Agarrando a nossa Victoire! Nossa prima! E perguntei a Teddy que é que ele estava fazendo...
— Você interrompeu os dois? – tia Gina perguntou, incrédula – Você é igualzinho ao Rony...
— ... e ele disse que tinha vindo se despedir dela! E depois me disse para dar o fora. Ele está agarrando ela! – James ainda insistiu, injuriado.
— Ah, seria ótimo se os dois se casassem! – Lily comentou, risonha. – então o Teddy ia realmente fazer parte da nossa família!
— Ele já aparece para jantar quatro vezes por semana – meu tio respondeu, taciturno – por que não o convidamos para morar de uma vez conosco?
— É! – James pareceu mais animado. – eu não me importo de dividir o quarto com o Alvo... Teddy poderia ficar com o meu!
— Não – eu e Hugo nos olhamos, rindo, quando titio o cortou –, você e Al só dividirão um quarto quando eu quiser ter a casa demolida – consultou o relógio — são quase onze horas, é melhor embarcar.
— Não se esqueça de transmitir a Neville o nosso carinho! – titia abraçou James.
— Mamãe! Não posso transmitir carinho a um professor!
— Mas você conhece Neville...
— Aqui fora, sim, mas, na escola, ele é o professor Longbottom, não é? Não posso entrar na aula de Herbologia falando em carinho…
Ele meneou a cabeça e, numa travessura, deu um chute no calcanhar do meu primo.
— A gente se vê, Al. Cuidado com os testrálios.
— Pensei que eles fossem invisíveis. Você disse que eram invisíveis!
James gargalhou, se despedindo dos meus tios e correndo para dentro do trem.
O acompanhamos, dando adeus aos nossos tios. Alvo ficou para trás, conversando com titio, enquanto embarcávamos no trem. As portas começavam a se fechar, e corremos em direção ao vagão mais próximo de nossos pais, sentando no compartimento e debruçando na janela, a fim de vê-los uma última vez.
Alvo finalmente entrou no nosso vagão, ofegante, ao mesmo tempo em que o trem apitou, anunciando o início de sua partida.
Olhei para minha família reunida. Rostos ansiosos. As expressões desconsoladas de Hugo e Lily. Fitei-os, dando um sorriso encorajador. Ia mandar várias cartas para que se sentissem melhor, até o ano seguinte.
Por fim, die uma última olhadela na expressão extasiada de mamãe..
E assenti veementemente, confirmando sua pergunta não dita.
— Por que eles estão todos nos encarando? – perguntou Alvo, ao que me estiquei para ver vários estudantes olhando das janelas em nossa direção.
— Não se preocupe –papai respondeu acima do barulho do trem, fazendo graça – é comigo. Sou excepcionalmente famoso.
Todo mundo riu, sentindo o trem começar a se deslocar. Acenos e beijos praticamente voaram no ar, ao passo que a locomotiva ganhava velocidade.
Vi nossos pais se distanciarem cada vez mais.
Após olhar um último momento para minha adorada família, admirando o rosto cheio de orgulho de papai e mamãe, o trem fez sua curva túnel adentro.
E, por fim, eles desapareceram de vista.
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