Gêmeas
2 Quase fui assassinada por uma bola.
Notas iniciais
Thayla colocava seus pés para correr atrás do menino revoltado que estava andando pelo corredor em busca de sua sala.
— Menino da cadeira – Ela chamou e por um momento, Nico parou e olhou para a menina confuso.
— O que você quer? – O menino respondeu de modo grosseiro.
— Ai desculpa senhor educação – Thayla cruzou os braços.
— Fale o que você quer, vou me atrasar – Ele repetiu.
— Nós dois sabemos que você está pouco se lixando para a matéria – A menina concluiu com um sorrisinho. – Fica tranquilo, eu não sou minha irmã.
— Tá, mas você ainda não disse o que quer – Ele continuou com as mesmas palavras.
Thayla bufou em reprovação.
— Eu só queria pedir desculpas pela grosseria da Thalia e pelos materiais...
— Já estou acostumado – Nico olho para trás e observou o corredor vazio com as mãos no bolso da frente da calça. – Agora eu preciso ir...
— Tá, vai, tchau – Thayla deu as costas para o menino, pensando em como iria achar a sala química.
— Ah e a propósito, meu nome não é menino da cadeira, é Nico Di Ângelo – Ela ouviu a voz do garoto atrás de si e deu um sorrisinho.
— Acabou de ganhar um apelido – Ela apenas disse e voltou a andar normalmente, a procura da sala.
— Você está procurando que sala? – Nico notou que Thayla estava meio perdida e resolveu perguntar.
Ela olhou por cima do ombro.
— De química – Ela pegou o papel que indicava as salas e tentou se achar.
— Bom, está com sorte! Eu tenho essa aula agora – Ele não demorou e a puxou pelo braço, fazendo-a se desiquilibrar por causa do salto.
Ela apenas o seguiu até a sala de boca fechada, suspirou aliviada quando viu que sua irmã não estava ali e antes que a mesma pudesse falar alguma coisa, ela notou a cara de interrogação de todos.
— O que foi? – Thayla murmurou.
Foi então que um pimpolho pulou da carteira que estava.
— Vocês não tinham uma rixa? – A menina não sabia quem era, mas Nico sabia que quando se tratava dos Stolls, ninguém poderia ir contra eles.
— Ela não é a Thalia! – Ele respondeu antes que Thayla pudesse fazer.
Os olhos castanhos de Connor se arregalaram e ele ficou surpreso assim como o resto da classe.
— Mas, como não é? – O menino passou pelos vãos da cadeira e cutucou o braço de Thayla, para ver se estava mesmo viva.
— Não sendo – Thayla se manifestou – Sou a Thayla Grace.
— Muito engraçado, Thalia – Connor revirou os olhos e voltou para seu lugar mais rápido do que tinha chegado ali.
— Mas..- Thayla tentou argumentar.
— Chega senhorita Grace – A professora de química surgiu atrás de Nico e Thayla que levaram um pequeno susto.
— Eu sou Grace, mas não a Thalia – Thayla tentou novamente, mas de nada adiantou.
Nico apenas riu ali do lado e se encaminhou para seu lugar, puxando a garota pelo pulso, para que ela fosse sua dupla na aula.
— Desisto – Thayla murmurou para Nico, que riu ainda mais.
— Nico rindo? – Uma voz do além pronunciou e arrancou algumas risadas da sala.
— Espera até o Luke ficar sabendo dessa amizadezinha – Outra voz do além comentou.
— Mas...ah desisto! – Ela resmungou e Nico tentou conter a risada em sua garganta.
Nico e Thayla ficaram conversando durante o resto da aula e a menina até ajudou o garoto com a matéria. Por fim bateu o sinal e cada um seguiu um rumo fora da sala, Thayla caminhou meio perdida até o primeiro ginásio, que era onde alguns alunos faziam educação física e se viu sozinha, teria a primeira aula só.
Caminhou até o vestiário feminino e adentrou no mesmo, colocando o uniforme do colégio. Prendeu o cabelo negro em um rabo de cavalo alto e tirou a maquiagem para não parecer uma panda depois e se encaminhou para a quadra novamente.
A quadra já estava cheia e o professor balançava um taco acima da cabeça, pedindo para as pessoas se aproximarem, o que a fez pensar que ele apenas iria afastar as pessoas, não chama-las. Caminhou até lá meio desconfiada e parou ao lado do professor.
— Ue, você trocou de aula? – O professor se dirigiu a ela confuso.
— Ah..- A menina checou seu horário – Não, é essa daqui mesmo.
— Tá..- Ele se afastou meio desconfiado e chamou todos para o centro da quadra, explicando que começaríamos com uma queimada para aquecer.
Dividiram os times e surpreendentemente Thayla foi uma das primeiras a ser escolhida, a menina pensou em falar ‘’Você por acaso já me viu correr? ’’, mas apenas deu de ombros e seguiu para o lado escolhido.
O jogo deu-se início depois dos times escolhidos, por um momento Thayla abaixou a cabeça para ver suas unhas, um dos piores erros que uma menina poderia cometer no meio de um jogo de queimada, ainda mais se todos acham que você é quem você não é. Quando seus olhos se levantaram, ela apenas viu a silhueta da bola vindo em sua direção com uma velocidade impressionante e a menina por puro reflexo gritou e saiu correndo dando pulinhos e usando como escudo a primeira coisa que viu em sua frente, que por acaso era uma pessoa.
Um pouco mais para o lado, estava o lado negro da força parada na porta, observando o chilique da sua querida irmã. Os seus pensamentos foram mais rápidos e ela descobriu que todos achavam que era ela ali, então começou a rir descontroladamente.
Todos os olhares foram para a menina de roupa de educação física parada na porta e logo voltaram para a outra que ainda estava atrás do Leo. Continuaram assim, até que todos começaram a perguntar coisas para os outros, como se confirmassem que não é só um que está ficando louco.
O professor abriu caminho entre os alunos perplexo.
— GENTE, VOCÊS ESTÃO VENDO NÉ? NÃO SOU SÓ EU NÉ? SÃO DUAS, DUAS!
Thalia adentrou no primeiro ginásio com as mãos segurando a barriga que doía de tanto rir e pegou a bola que estava no chão. Caminhando até a menina que saiu de trás do Leo, para encarar a irmã.
— Sua demente é uma bola, não vai te morder – Thalia arremessou a bola na cara de Thayla, que caiu sentada no chão sem reação.
Alguns segundos depois, ela pareceu sentir a dor.
— Ai!
Thalia se virou para sair, mas lembrou o motivo que a fez ir até ali.
— A propósito, você tá com a bolsa ai? Preciso guardar meu celular – Thalia pergunta se virando para a mesma novamente.
Ela apenas assentiu meio em choque por sua irmã ter tentado a assassinar com a bola.
— Ok – O celular voou na direção da menina, que segurou antes que tocasse no chão.
Thalia saiu andando na direção da sua aula de educação física, que acontecia no segundo ginásio e Thayla se levantou murmurando um ‘’Vou colocar gelo na minha cabeça’’ para o treinador, antes de sair andando para o vestiário novamente.
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