Gêmeas
61 Precisamos falar sobre sexo
Notas iniciais
Nico adentrou o quarto, passando a toalha no cabelo molhado, já que acabara de sair do banho trajando apenas uma calça de moletom cinza, mas logo ele parou ao ver Thalia sentada com as pernas cruzadas na posição borboletinha na cama, seus olhos reflexivos e distante nem perceberam a presença de seu namorado no quarto.
— Em que está pensando? — questionou Nico, fazendo com que a Grace pulasse com o susto da voz do moreno invadindo seus ouvidos, sendo que nem ao menos tinha ouvido ele desligar o chuveiro.
— Nada — mentiu, abaixando o olhar para a suas mãos, mordendo o lábio inferior.
— Thalia! — repreendeu, largando a toalha de qualquer jeito em uma das poltronas que tinha em seu quarto e sentando de frente para ela, que fez um bico ponderando se contava ou não. — Estamos namorando, Thals, segredos não vão ajudar isso dar certo.
— Não é nenhum segredo — começou, suspirando e fechando os olhos azuis elétricos com calma, permanecendo assim por alguns segundos antes de abri-los e retornar a falar. — É que hoje, quando a Pips estava desabafando sobre o Jason, ela contou que eles fazem sexo a um longo tempo e que as coisas começaram a ficar meio quadradas e eu não quero que o nosso sexo, muito bom aliás, fique quadrado.
— O bom de ter você como namorada é que a gente é bem livre nesse assunto, e me deixa aliviado saber dos seus pensamentos sobre isso, sabe? – ele esticou o braço, pegando em sua mão levemente e a acariciando em um gesto sem um pingo de malicia. – E o que você sugere?
— Eu não sugiro nada! – respondeu apressada, sentindo suas bochechas arderem em vergonha, baixando mais o rosto para que ele não pudesse ver o quão embaraçada ela estava com o rumo que a conversa tinha tomado.
— Thalia! – a repreendeu novamente, segurando seu queixo e levantando sua cabeça, a fazendo mira-lo nos olhos. – Se você não quer que as coisas caiam na comodidade, nós precisamos conversar sobre isso! Não é tão ruim conversarmos sobre isso, é?
— É! – resmungou, desviando os olhos. – Bom...digamos que um de nós dois, não que eu esteja falando de nós, sabe? Mas quem sabe, se um de nós estejam começando a achar, não que eu esteja, claro, achar que as coisas estão caindo na comodidade, lembrando que eu não acho isso! Essa pessoa, que não sou eu, poderia sugerir, não que esteja sugerindo, para que usássemos aquela sacola do sex-shop que está no seu guarda-roupa, que isso? Eu? Sugerindo algo? Que sacola? Existe isso? Nico o que você está escondendo de mim?
Antes que ela continuasse com seu discurso, ele começou a rir e selou seus lábios em um beijo rápido, que a calou subitamente.
— Ou quem sabe a gente possa usar aquela sacola quando quisermos fazer alguma coisa diferente, não necessariamente por não estarmos satisfeitos com o jeito que as coisas estão fluindo.
— Tá...– Thalia tinha o olhar na mão, totalmente corada e ofegante.
Nico deu risada e puxou para choca-la contra seu corpo, envolvendo-a com seus braços e apertando forte, com direito a uma mordida em sua bochecha, que a fez soltar um gritinho e uma gargalhada logo em seguida.
— Você tem que parar de ter vergonha de falar essas coisas comigo, sabia? A gente já faz, por que a vergonha de falar? – ele a observou, enquanto ela afagava o lugar mordido. – Parece que quando não éramos um casal você agia mais como uma...
— Vadia? – completou, o observando com o nariz franzido.
— Não...– ele prolongou o “o”, a fazendo erguer as sobrancelhas em descrença. – Amorzinho, nada de brigas agora!
— Eu não vou brigar, também acho isso – retrucou, rindo levemente. – É que quando a gente não namorava, eu não tinha pressão de fazer as coisas certinhas para tudo dar certo, porque eu achava que não ia dar certo, então eu estava pouco me fudendo!
— É, as possibilidades de nós acabarmos na cama eram mínimas.
— Exato!
— Que tal a gente ir para o sex-shop? – Nico questionou com um meio sorriso, a fazendo arregalar os olhos e ficar mais vermelha do que já estava, o que o fez rir.
— Nico! – repreendeu, mordendo o lábio inferior com tanta força que quase sentiu o gosto de sangue em sua boca.
— O que? Você vai poder comprar as coisas que você quiser sem eu estar te forçando – retrucou, a cutucando – o que acha de outra fantasia?
— Eu acho que eu vou explodir! – levou as mãos para o rosto e se encolheu, respirando fundo sequencialmente para se acalmar.
— Eu vou me vestir, que a gente vai agora – Nico a deixou na cama, se levantando e indo para o closet da casa.
— Oi? NICO! Eu não vou fazer compras em um sex-shop com meu namorado do lado, observando tudo que eu vou comprar!
— Ue? Você vai usar com outro alguém?
— Não! – respondeu obviamente, rolando os olhos azuis elétricos, mas não deixando a pose assustada de lado.
— Então! Eu vou ver de qualquer jeito! – o moreno piscou para ela, o que a fez cair para trás na cama, sentindo seu corpo quente implorar para que ele parasse com isso.
– Eu não quero ir, Nico – murmurou, manhosa.
— Amor, vai ser uma boa experiencia, se você não quiser comprar nada, você não compra...e eu não quero te forçar a ir, porque seria a mesma coisa da última vez, só que a gente foi parar lá por causa de uma brincadeira! – já vestido, ele chegou perto da garota e cutucou sua barriga, a fazendo se encolher de imediato. – Você tem que começar a se sentir à vontade comigo, cadê aquela Thalia ousada?
— Tá no caralho! – respondeu, fazendo um bico. – Se eu for você vai me matar de vergonha!
— Ok, a gente pode entrar em um site, pode ser? Se você acha que as coisas estão muito rápidas...
— Nico...– murmurou novamente, manhosa.
— Tá bom, a gente não faz nenhum nem o outro, eu não vou te forçar a nada, amor – deixou um beijo no topo do cabelo dela e voltou a colocar sua calça de moletom cinza, se jogando na cama.
— Eu vou tomar um banho – Thalia se levantou, levando as mãos para a coluna e soltando um gemido baixo enquanto andava para o closet.
Assim que ela puxou uma blusa de Nico, arregalou os olhos ao ver a maldita sacola do sex-shop cair no chão junto de mais outras blusas, chamando a atenção do namorado e a fazendo virar rapidamente, tampando a visão dele e fazendo uma pose extremamente besta.
— Ah...precisa de ajuda? – o Di Ângelo questionou desconfiado, vendo-a negar rápido demais.
— Não! Que isso! Eu só vou...fechar a porta desse closet rapidinho...– ela não deu mais explicações, apenas fechou a porta e suspirou, chutando a sacola devagar para que não fizesse barulho e mesmo assim a afastasse de sua pessoa.
Se abaixou, começando a tirar as blusas do chão e as arrumando no lugar certo, logo depois para pegar os brinquedos estranhos que eles tinham comprado no sex-shop, avaliando cada coisa e se perguntando como jogava.
— Será que tem instrução? – murmurou consigo mesma, olhando a caixa do baralho do kama sutra.
Ela pegou um papel, onde tinha dicas e sugestões de como usar o objeto, à fazendo comprimir os lábios e sentir um calafrio passar por seu corpo assim que decidiu levar isso para o lado de fora do closet.
Antes que saísse, se sentou em uma posição confortável e começou a olhar as cartas do baralho, fazendo caretas para as posições que julgou impossível de se fazer – até mesmo ela, que tinha a perna elástica, como dizia Nico –, e outras que poderiam ser um desafio e tanto, as deixando em um montinho separado com um pequeno sorriso.
Dois toques na porta a fizeram pular de susto, soltando um grito agudo e assustado de seus lábios, o que fez o Di Ângelo querer abrir a porta. Exatamente, querer. Pois Thalia usou toda a sua velocidade para chegar lá antes que ele o fizesse e a empurrou de volta para o arco, batendo na cara dele sem querer.
— NÃO ENTRA AQUI!
— Ok, eu não entro! Mas, está tudo bem? Está se sentindo mal? Está escondendo o que de mim?
— Nada! Tá tudo bem, ok? – trancou a porta, soltando um suspiro e voltando a se sentar e avaliar o baralho.
Depois de um tempo ali, ela terminou de separar as cartas e pegou as piores, guardando em um bolso no primeiro casaco de Nico que viu pela frente, deixando ali e arrumando as outras e colocando na caixa como se nunca houvesse aberto e explorado as coisas.
Arrumou tudo que estava fora do lugar e se levantou, escondendo o baralho entre a roupa que ela tinha pego para tomar banho e saindo do closet, o vendo com os braços cruzados em uma posição que não julgaria confortável, olhando-a atentamente.
— O que foi? – questionou inocentemente.
— Nada – o Di Ângelo deu um sorriso mínimo.
— Uh...isso foi de eu ter batido a porta em você...? – ela observou um galo na testa do garoto, segurando a risada em sua garganta para não dar má impressão.
Ele apenas suspirou, assentindo e negando em reprovação, vendo-a chegar perto e lhe dar um selinho, arrancando um sorriso de canto do moreno.
— Nós compensamos isso mais tarde, está tudo bem! – garantiu a Grace, lançando uma piscadela ao namorado e se retirando para o banheiro, deixando as roupas em cima da pia e separando o baralho.
Ligou o chuveiro e seus pensamentos ganharam vida, a fazendo ficar distraída por todo o período que se lavava, refletindo se deveria ou não sugerir que eles usassem aquele baralho extremamente safado, coisa que não estava se encaixando em sua personalidade no momento.
— Nós não vamos te usar hoje – concluiu, falando baixinho com a caixa, a deixando de lado enquanto colocava uma blusa preta do moreno e uma calcinha.
Saiu do banheiro e se encostou no arco da porta, o observando atentamente enquanto Nico estava ligando a lareira do quarto, deixando um clima romântico ao ver que a noite reinava do lado de fora, assim como a brisa fria, o que também deixou o ambiente confortável.
Thalia apertou o baralho contra uma de suas mãos, que estava em suas costas, privando o namorado de saber o que a garota estava planejando em algum momento, porém um pensamento a invadiu e a fez sorrir de canto e corar involuntariamente.
Sim, nós vamos te usar! Pensou, mordendo o lábio inferior de leve e levou o baralho até sua calcinha, o prendendo entre o elástico e sua pele na parte de trás, abaixando a blusa para que ele não visse para o caso de ficar de costas.
Caminhou até a cama e se sentou ali, encostando as costas na cabeceira e esperando o momento que ele se virasse para ela, que quando aconteceu, deu o sorriso mais sedutor que conseguiu e o chamou com o dedo, notando que o moreno deixava um pequeno sorriso tomar conta do canto de seus lábios, cheio de malicia.
Nico foi até ela, como pedido e engatinhou até estar quase em cima dela, sendo puxado pela nuca para iniciar um beijo nada casto, escorregando as mãos direto para a bunda da namorada, que entrou em um pequeno desespero, mas não deixou transparecer, segurando as mãos dele antes que elas notassem que havia algo que não deveria estar ali, e as subindo para seus seios, o que o fez arquear a sobrancelha em dúvida, porém não ousou questionar.
As coisas começaram a esquentar, até que ele tomou a iniciativa e iria tirar a blusa da Grace, que parou o que fazia quase de imediato e mordeu o lábio inferior nervosa, se afastando e abrindo os olhos azuis elétrico, mirando-o atentamente, vendo que seus olhos negros espelhavam dúvida, o que a fez corar de modo violento, tanto que chegou a assustar Nico.
— Não me diga que você está com vergonha de mim! – seu tom era incrédulo, quase ofendido.
— Não! Claro que não seu retardado! – não se segurou, teve que rolar os olhos e comprimir os lábios em desgosto. – Vamos...conversar...
— O que?
— É...– deu uma pausa rápida – conversar é legal!
— Ah, ok...a gente conversa! Sobre o que quer conversar?
— Então...– Thalia começou, desviando o olhar dele e molhando os lábios.
Sua boca abria e fechava, algumas vezes saindo ruídos estranhos e outras apenas o silencio, o que o fez ficar desconfiado, mas ela não conseguia proferir as palavras que estavam entaladas em sua garganta, então apenas deu um sorriso cúmplice que o levou a rir.
– Pode falar, eu sou todo ouvidos – Nico incentivou, notando que ela tinha arregalado os olhos levemente, mas tentou disfarçar o ato.
— Ah...– tentou novamente, mas por fim decidiu que não iria conseguir. – Deixa!
— Pode falar, amor!
Um minuto de silêncio se passou e ela suspirou, controlando sua ansiedade e torcendo para que não estivesse tão vermelha quanto um pimentão.
— Me dá sua mão – a Grace pediu, vendo-o arquear uma sobrancelha duvidoso.
— O que vai fazer? – questionou, mesmo lhe esticando a mão. – Vai ler as linhas do meu coração? Madame Thalia?
Ela se permitiu rir, negando em reprovação e levando a mão dele para sua bunda, totalmente hesitante ao fazê-lo e o vendo mudar de humor para confuso, assim que seus dedos relaram na caixa.
— Não fala, por favor – implorou, vendo o sorriso que cresceu nos lábios dele, que parecia descrente, mas gostar do que ela havia imposto. – Nico! NICO!
Ele mordeu o lábio inferior para segurar as palavras em sua garganta, boquiabrindo-se e passando a língua por seus lábios, suspirando alto e segurando a risada, que também queria surgir involuntariamente.
— Nico! – repreendeu de novo.
Sentiu suas bochechas corarem assim que ele tirou a caixa de sua calcinha, sentindo um arrepio involuntário ao sentir o elástico chocar-se contra sua pele.
— Inovações, uh? – o Di Ângelo questionou com um meio sorriso, transbordando malicia e recebendo um tapa no abdômen.
— Filho da puta eu disse para você não falar sobre isso! Eu te odeio! – ela mostrou a língua, cruzando os braços e se afundando na cama, sentindo uma onda de calor tomar conta de seu corpo.
— Como joga? – disse distraído do drama que ela fazia, a vendo corar mais ainda, mas se sentar e tomar a caixa de suas mãos para as dela.
— Tem manual de instrução – respondeu, evitando a todo custo observa-lo, mantendo seus olhos na folha de papel que fingia ler.
Assim que terminou, arriscou-se olhar para ele, que mantinha uma pose confortável com os braços atrás de sua cabeça e um sorriso nos lábios, que a fez corar e engolir em seco, assentindo em compreensão consigo mesma.
— Então, nós vamos colocar as cartas viradas para baixo e ir na sorte, a que sair...bom, você termina o raciocínio porque eu não sou obrigada! – Thalia disse, passando a mão por sua própria bochecha e a sentindo quente.
— A que sair nós vamos tentar fazer? Ok! Por mim tudo bem!
— Eu acho que vou vomitar, espera um minuto! – ela se virou de costas, respirando fundo.
— Sua vergonha me comove, meu amor!
— Eu vou te socar, gatinho – retrucou, mesmo que, por parte, era verdade.
Assim que se recuperou um pouco, a Grace respirou fundo e se sentou de frente para ele, abrindo o baralho e pegando as cartas, colocando-as viradas na cama, se xingando mentalmente por estar tremendo mais do que um chihuahua.
— Thalia, calma! – Nico pediu, vendo-a fechar os olhos e suspirar.
— Eu estou calma.
— É, deu para ver – gesticulou para suas mãos assim que tinha a atenção de seus olhos azuis. – Nós já fizemos isso, porém estávamos bêbados, no meio dos nossos amigos e de roupa! E não é como se nunca tivéssemos tentado algo, lembra do chalé?
— Nico, só para! – pediu, deixando a caixa de lado. – Vai, pega uma.
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