Gêmeas
31 E depois de meia noite não é mais hoje
Notas iniciais
Thalia abriu a porta do carro, correndo até a entrada da mansão, deixando a porta aberta mesmo para Nico fechar.
— Você tá correndo de salto? – Nico arqueou a sobrancelha, fechando a porta do carro e pegando a mochila da garota.
— Tudo para ver o Cérbero – Thalia sorriu minimamente.
— Não era Nivaldo? – Nico perguntou, sorrindo sarcástico.
— Você está confundindo as coisas – Thalia se virou para a porta – Nivaldo é o filho do Cérbero.
— A porta tá trancada – Nico resmungou, mas se calou ao ver a porta abrindo e a Grace sorrindo pra ele, com a chave na mão – Como você…? Ah deixa.
Thalia entrou correndo, quase tropeçando na bolinha do cachorro, que estava no meio da sala e o agarrou. Cérbero deu um pulinho, já que estava comendo e não viu a aproximação da garota.
— Ain que saudade – Thalia murmurou, afagando o pelo do cachorro, que abanou o cotoquinho de rabo, como se dissesse o mesmo.
Nico passou pela garota, fazendo carinho no Cérbero e indo até a cozinha. O garoto abriu a geladeira e notou um papel grudado ali, ele o pegou e sorriu, lendo o que estava escrito e bolando um plano maligno.
— Thalia tenho uma boa noticia pra você – Nico encostou no arco que dividia a sala e a cozinha.
— O que? – Thalia franziu o cenho, parando de bater na bundinha do Cérbero e se levantando.
— Sai, não volto hoje. Não me ligue – Nico afinou a voz, para tentar parecer a da Bianca, enquanto lia o bilhete.
— Puta – Thalia fechou os olhos, se arrependendo de ir dormir lá.
— E depois de meia noite não é mais hoje – Nico sorriu malicioso para a garota, que deu um paço para trás.
— Ah…acho que vou pra casa…o hambúrguer não me fez bem – Thalia inventou qualquer desculpa e se virou, com o objetivo de sair dali.
— Tá, eu fico com a sua mochila – Nico deu de ombros – E assim, não vou te levar pra casa, você vai a pé.
Thalia olhou para o lado e viu a chave do carro em cima do criado mudo e sorriu.
— Tem certeza que eu vou a pé?
Nico pensou rápido e pegou a chave primeiro que ela, a erguendo no alto.
— Tenho.
— Sério que você vai deixar uma menina indefesa e gostosa andar sozinha na rua, de noite, com os perigos? – Thalia perguntou se referindo a si mesma.
— Claro que não, eu vou oferecer a minha casa a ela – Nico deu de ombros com um sorrisinho.
— Eu te odeio – Thalia concluiu, arrancando os saltos e os deixando no chão.
Nico passou pela garota, subindo as escadas até seu quarto, com a intenção de esconder a chave dela, já que não queria que ela fosse embora. Quando conseguiu esconder bem, desceu e viu a menina encostada no sofá, com os braços cruzados e observando Cérbero rolar no chão, enquanto fazia gracinhas.
— Vamos pra piscina, Thalia? – Nico tirou a camisa no meio da escada, jogando em um dos degraus.
— Eu não vou pra piscina com você, Nico – Thalia fez uma careta, vendo o garoto puxar uma cadeira e abrir o armário de vidro onde se guardava louças e subindo na cadeira, para colocar a mochila dela o mais alto possível.
— Então você vai ficar sentada aqui, sem fazer nada? – Nico arqueou a sobrancelha, descendo da cadeira e a colocando no lugar, enquanto caminhava lentamente até a garota.
— Sim e devolve minha mochila, meu celular tá lá – Thalia resmungou, observando o garoto tirar o cinto da calça, jogando-o no chão.
— Você não vai precisar dele pra fazer nada – Nico sorriu, enquanto tirava sua calça, vendo a garota desviar os olhos e olhar fixamente para um degrau da escada.
Assim que Thalia pensou em sair dali, Nico a prensou contra o sofá, a olhando diretamente nos olhos.
— Vamos, Thalia – Nico levou as mãos até o primeiro botão do vestido, começando a desabotoar lentamente.
— O que você está…- Thalia começou a falar, mas Nico a ignorou, descruzando os braços da garota, continuando seu percurso de abrir o vestido dela.
— Você não vai nadar de vestido – Nico sussurrou para a menina, que travou o maxilar.
— E quem disse que eu vou nadar? – Thalia resmungou, sentindo o vestido se abrir por completo e ele ser deslizado por seus braços, parando no chão.
— Eu disse – Nico a pegou no colo, jogando-a no ombro novamente.
— Porra menino, é a segunda vez hoje – Thalia esmurrou as costas dele – Nico, pelo amor, eu to de calcinha e sutiã…e meia calça.
Nico olhou para o lado, vendo a meia calça nas pernas agitadas da garota.
— Tá – Nico puxou a meia calça dela para baixo, tirando ela sem esforço e jogando no meio da cozinha.
— NICO! – Thalia gritou perdendo o equilíbrio e pendendo para o outro lado.
A menina se agarrou na cintura dele, cravando as unhas no abdômen do mesmo, enquanto ele dava risada e segurava as pernas dela, para evitar um tombo feio.
— Menina, como você foi para ai? – Nico olhou para as pernas dela novamente, vendo que não tinha tirado a outra meia – Ue, são duas?
— Claro querido, uma para cada perna – Thalia revirou os olhos – Nico, acho que vou vomitar.
Nico deu uma risada e puxou ela pra cima, arrumando ela em seu ombro.
— Obrigada por não me fazer vomitar – Thalia disse sarcástica, revirando os olhos.
Nico puxou a outra meia dela, deixando no chão também.
— Eu juro, que se você rasgar a minha meia, eu faço você comprar outra – Thalia resmungou, socando ele mais uma vez.
Nico saiu lá fora, sendo tomado pela leve brisa gostosa que estava essa noite.
— A água vai estar gelada, Nico. Me deixa ali, sentadinha, bonitinha – Thalia resmungou, apontando para as espreguiçadeiras que ficavam dentro da parte rasa.
— Grace, a piscina é aquecida e você vai nadar comigo – Nico deu um tapinha na bunda da garota.
— Filho da puta, para de se aproveitar de mim – Thalia socou mais uma vez as costas dele, ao ver ele descendo na parte rasa da piscina.
Nico a tirou dos ombros, segurando ela no colo.
— Nico, não…por favor – Thalia resmungou, enquanto olhava para a água.
— Não, você vai nadar comigo, Grace – Nico sorriu pra ela, descendo para a parte funda, molhando o corpo da garota.
Thalia tentou fugir do garoto, mas ele a prendeu contra a parede da piscina, fazendo a menina arfar por ter acabado de comer.
— Nico, qual seu problema? Porque você não me trata como as outras pessoas? Fica me agarrando, eu não quero – a garota socou o peitoral do menino, que se afastou um pouco da menina, que sentou na borda da piscina.
— Não faz mal você admitir uma vez que quer isso – Nico murmurou, mas agora sem o mesmo sorriso de sempre.
— Eu não vou admitir, porque eu não quero e não vou querer até você aprender a me respeitar, algo que você nunca fez. Você se acha o máximo e isso é uma coisa que você não é, coloca os pés no chão garoto. Não é não. – Thalia soltou, respirando fundo e se levantando, pegando uma toalha qualquer que estava na espreguiçadeira e se enrolando nela.
Nico permaneceu quieto, não sabia se falava alguma coisa ou respirava, porque sem dúvidas aquelas palavras foram um tapa na cara. Ele saiu da piscina, passando pela garota e subindo até seu quarto, pegando a chave do carro e descendo novamente, pegou a mochila de menina e colocou no chão, deixando a chave em cima.
— Se você quiser ir embora, vá – Nico murmurou com a voz rouca – Se quiser ficar, durma no quarto da Bianca com o Cérbero.
E assim o menino se foi subindo as escadas no repleto silêncio.
Thalia e Nico não eram os únicos que estavam tendo brigas nesse momento…
— Você mal falou comigo semana passada – Thayla se queixou, perdendo a paciência.
Thayla estava achando o garoto a noite toda estranho, apesar de fazer brincadeiras, ele mal encostava na mesma ou dirigia a palavra a ela.
— Eu não tinha o que falar e você também não me procurou – Connor deu de ombros.
Thayla encarou o para-brisa do carro, totalmente irada.
— Mas quando você queria me comer você me procurou, né? – Thayla evitou olhar para o garoto.
— Não tenta virar isso contra mim, você também não me procurou e se queria poderia ter feito – Connor parou o carro na frente do prédio da garota.
— Então você não quer? – A menina prensou os lábios, evitando que o queixo caísse por surpresa.
— Não foi o que eu disse – Connor se virou para a garota, que o olhou sem acreditar.
— Foi exatamente isso o que você disse, não precisa se preocupar mais, não me procure – Thayla saiu do carro sem deixar o menino se justificar.
Assim que Thayla cruzou a porta do apartamento, passou direto pela sala vazia e correu para seu quarto, se trancando lá e pegando o celular, ligando para a pessoa mais próxima dela.
— Alo? – A voz rouca atendeu do outro lado e Thayla não conteve as lagrimas.
— Nico – Thayla fungou, se jogando na cama.
— O que houve? Porque você está chorando pequena? – Nico murmurou.
— Eu briguei com o Connor – Thayla passou a mão sobre o rosto, limpando as lagrimas que não paravam de cair.
— O que esse idiota fez? – A voz do Nico se tornou dura.
Thayla contou tudo que aconteceu a Nico e como se sentia, passando horas conversando com o menino, que parecia não se importar de ceder seu tempo a ela.
Connor socou o volante do carro, dando partida logo após o ato e saindo de frente do apartamento da menina, dirigindo de volta para casa. Assim que parou o carro, viu seu vizinho irritante no seu jardim, conversando com Travis e Luke.
O menino saiu do carro, batendo a porta e passando pelo portão.
— Boa noite – Octavian cumprimentou Connor, que o ignorou.
— Ei, que foi? – Luke o parou, antes que ele entrasse direto em casa.
— Nada – ele respondeu, se livrando do Luke e entrando em casa, pegando o celular e discando para a amiga.
— Que? – Thalia atendeu o telefone.
— Briguei com a sua irmã – Connor foi direto ao assunto.
— Eita porra, o que aconteceu? – Thalia se sentou na cama da Bianca, já que passou o tempo andando pelo quarto dela, ouvindo música para tirar os pensamentos da mente.
— Eu falei uma coisa e ela distorceu tudo – Connor se jogou em sua cama.
— É bem típico dela – Thalia colocou as mãos sobre o rosto – Ela é bem sensível, é normal ela levar pro lado pessoal.
— Ela reclamou porque eu não falei com ela essa semana, mas o que eu posso fazer? Ela não foi pra escola porque estava suspensa e eu não procurei ela essa semana porque não tinha o que falar, eu ia chegar na casa dela comendo ela? – Connor soltou meio incrédulo.
— Séria uma péssima coisa de se fazer, fez certo, ia parecer que você só queria comer ela – Thalia murmurou, puxando as pernas junto do corpo.
— E você? O que aconteceu com minha punk pra ficar com essa voz murcha? – Connor notou a tonalidade da voz da garota.
— Eu briguei com o babaca do Nico – Thalia respondeu.
— O que aquele imbecil fez? – Connor colocou a mão sobre os olhos.
— Ele simplesmente não cresce e não muda – Thalia resmungou.
— Você falando isso? Eita, o negócio está sério – o menino arregalou os olhos levemente.
— Eu não quero falar sobre isso, vamos mudar de assunto – Thalia murmurou.
Os dois amigos continuaram a conversar por pouco tempo, até os irmãos do Connor entrarem no seu quarto e a menina ter que desligar, pois Bianca tentava falar com ela.
Assim que Thalia desligou seu celular tocou novamente.
— Oi.
— Onde você tá? –Bianca perguntou.
— Na sua casa.
— E porque essa voz?
— Briguei com seu irmão.
— Quer que eu volte pra casa? Não estava fazendo nada mesmo…
— Leo não é nada, agora?
— Ele não se importa – Bianca murmurou.
— Se puder, vou agradecer, não quero ficar sozinha aqui – Thalia respondeu.
— Estou a caminho – Bianca desligou e Thalia suspirou, se encolhendo mais ainda.
A garota ligou a música novamente e ficou encarando um ponto na parede, deixando sua mente totalmente inebriada de pensamentos que envolvessem um par de olhos negros. Ela ficou assim tanto tempo, que deu um micro pulinho assim que a porta do quarto fora aberta e Bianca passou por ela, a fechando atrás de si.
A morena afagou a cabeça do Cérbero e caminhou até Thalia, se sentando na frente da menina.
— O que houve? – Bianca perguntou, enquanto cruzava as pernas.
— Eu cansei da imaturidade do seu irmão – Thalia respondeu apenas.
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