Gêmeas
17 Com ele você fala
Notas iniciais
Thalia cumpria o ato de não falar nada com ninguém com sucesso desde de manhã cedo, a curiosidade deixava todos atiçados, mas sem nenhuma resposta da mesma obviamente.
A chuva tinha feito com que todos continuassem presos dentro de casa e devido ao tédio, Leo teve a brilhante ideia de brincar de gato mia, que agora era a diversão de todos, menos da gêmea do mal que permanecera no colchão, com Cérbero em seu colo olhando a brincadeira acontecer fazendo com que tivesse vontade de entrar no meio e ganhar aquela porra.
— Gato mia.- Piper ordenou.
Uma voz extremamente fina fora ouvida na tentativa de imitar um miado de gato.
Piper virou rapidamente trombando em Thayla que como o ser sem equilíbrio que é caiu com tudo no colchão incrivelmente perto da irmã que segurou o riso, se afastando um pouco logo em seguida.
Cérbero que se assustou com o movimento brusco da menina que servia de travesseiro para o mesmo se assustou latindo alto fazendo com que a irmã mais nova levantasse gritando e corresse para qualquer lugar longe dali. De repente um banque foi ouvido e todos se calaram perante ao choramingo de Leo.
Thalia que estava ao lado do menino, se assustou quando o mesmo chocou-se contra o chão e foi engatinhando até o menino. Leo segurava o seu nariz e a menina colocou a mão ali com calma, tirando a mão do garoto do local e sentiu algo molhado, sem falar nada a menina empurrou o queixo de Leo para cima, impedindo que o sangue continuasse a descer e pulou o mesmo pegando a primeira blusa que viu pela frente, acendendo a luz.
— O que...? – Percy murmurou se levantando, mas não terminou sua fala ao ver Thalia com um pano contra o nariz de Leo. – Por que você está tentando matar o Leo?
Thalia olhou feio para o menino e colocou a mão no próprio nariz, tentando falar que ele estava machucado.
— Meu Deus – Piper foi a primeira a notar que o menino tinha se machucado e abaixou ao lado de Thalia, que mantinha a cabeça de Leo erguida.
O menino choramingava de dor e apertava as unhas contra sua própria mão, tentando extravasar a dor que sentia.
— Hospital, rápido – Annabeth evitou entrar em desespero e ajudou a erguer o menino que estava deitado no chão.
— Quem vai ficar com a Thalia? – Jason disse, colocando um braço de Leo envolta de seus ombros e ajudando o menino a caminhar até a porta.
Thalia olhou incrédula para o irmão, ela queria ir também.
— Sério que vocês vão deixar ela aqui? – Annabeth defendeu a menina – Se não fosse por ela, nós não iriamos saber que Leo estava sangrando!
— Ela não vai falar nada, então vai ficar aqui – Jason ordenou e Thalia cruzou os braços voltando a se sentar no colchão e segurar Cérbero que choramingava baixinho, como se soubesse que a culpa do menino estar machucado fora seu latido.
— O Nico fica com ela, pelo o que aconteceu ontem e ele pode até fazer ela voltar a falar normalmente – Piper sugeriu e recebeu um olhar fuzilante de Jason, que não queria que Nico ficasse.
— Mas...- Nico foi argumentar, mas foi cortado por Annabeth.
— Sem mas Nico, você fica e agora vamos a prioridade que é o Leo, não uma briguinha boba de vocês.
Nico assentiu e observou todos irem na chuva até o trailer, ajudando Leo.
— Não foi sua culpa garotão – Thalia pronunciou tais palavras e Nico fechou a porta, se virando incrédulo para a menina.
— Com ele você fala, né?
A menina o ignorou.
— Cérbero não fica assim – Thalia encostou a testa na do cachorro, que fechou os olhos.
— Vai me ignorar? Sério, Thalia? – Nico revirou os olhos com a infantilidade da mesma.
— Está melhor amore? – Thalia desencostou a testa de Cérbero e sorriu para o cachorro, que estava com os olhos fechados.
A menina se deitou e agarrou Cérbero, como se fosse de pelúcia e procurou dormir enquanto eles não voltavam com Leo do hospital.
— Grace – Nico tentou de novo e se sentou no colchão – Por que você não quer falar com ninguém?
Thalia continuou de olhos fechados, tentando ignorar a presença do menino ali.
— Thalia, olha pra mim – Nico a chamou novamente e a menina se recusou a abrir os olhos, apenas encolheu mais as pernas.
O menino suspirou e a observou do jeito que estava e pensou que a menina estivesse com dor.
— Está com cólica?
Thalia se limitou a assentir, pois não era totalmente mentira, ela estava com um início de cólica e isso a deixava irritada.
A mesma se levantou e passou por Nico, o ignorando e caminhando até a cozinha, esquentando uma bolsa de água quente para colocar sobre seu ventre e voltando para o quarto, lembrando que tinha trazido sua tão preciosa guitarra.
Se sentou na cama novamente e colocou a bolsa no devido lugar, olhou para Nico e apontou para a guitarra.
— O que? – O menino questionou.
A menina revirou os olhos e apontou novamente para a guitarra.
— Quer que eu pegue? – Nico olhou para a guitarra preta com tabuleiro de olijia, com detalhes de sol cheio de nuvens em um canto e na outra extremidade uma lua cheia em volta de nuvens e na outra parte continha uma pessoa sendo atingida por um meteoro.
Ele deu de ombros e se levantou, caminhando até a guitarra e a pegando, dando para a menina logo em seguida.
Ela deu um sorriso de canto em sinal de agradecimento, mas logo o mesmo sumiu.
Thalia apoiou a guitarra em cima da bolsa que estava em seu ventre e se concentrou em tocar os primeiros acordes da música Titanium.
Nico se sentou perto da garota e observou a mão pálida da mesma passar pelas cordas afinadas da guitarra, dando vida a melodia punk que saia dali.
A garota continuou tocando o tempo inteiro, sem tecer nenhuma palavra para ele, que só observa ela tocar fazendo cafune em Cérbero.
O tempo passou incrivelmente rápido e nenhum dos dois se deram conta que estavam sendo observados.
Um pigarreio fora ouvido, fazendo os dois pularem de susto.
— A quanto tempo vocês estão ai? – Nico perguntou para Thayla, que estava sorrindo sonhadoramente para o casal.
— O tempo inteiro Niquito – Annabeth adentrou o quarto, empurrando Thayla e sentando no colchão. – Toca mais?
Thalia ergueu os olhos da guitarra e encarou os olhos tempestuosos de Annabeth, nada falou apenas deu um mínimo sorrisinho e voltou a abaixar a cabeça, observando os desenhos da sua guitarra preferida.
— Toca...por favor...estava legal – Nico incrementou Annabeth.
— É Thals, toca – Jason se sentou ao lado de Annabeth e assim, todos se sentaram no colchão pedindo para a menina tocar.
Thalia se deu por vencida e recomeçou os acordes da mesma música, só que dessa vez de um jeito um pouco mais suave.
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