Gêmeas
10 Basta, Thalia!
Notas iniciais
Thalia entrou em casa batendo a porta com força na cara da irmã, que vinha logo atrás. Ela não conseguia acreditar que quase havia sido estuprada no meio do corredor e a irmã ficou apenas observando, comendo uma pipoca imaginaria.
Thayla entrou rindo logo atrás tirando a jaqueta, que não aguentava mais usar.
— Ah, para Thalia! Eu sei que você estava gostando – A irmã mais nova não sabia o risco que tinha ao pronunciar tal frase.
A gêmea do mal a encarou com um olhar mortífero e cerrou os punhos se segurando para não voar em cima da irmã.
— Se eu estivesse gostando, eu estaria lá até agora, concorda? – Thalia retrucou a irmã, arrancando os saltos que a incomodavam.
— Você só saiu de lá por que eu ri, por que eu não duvido que você teria cedido ao Nico – Thayla cruzou os braços abaixo dos seios.
Thalia olhou para irmã e imediatamente começou a rir, uma risada escandalosa que poderia lembrar um esquilo engasgado.
— Depois dessa vou até tomar um banho – A irmã mais velha continuou rindo e caminhou para seu quarto, entrando no banheiro que era seu.
As risadas cessaram quando a mesma viu a marca roxa que tinha ficado em sua coxa e se ela bem sabia, aquela era a marca de uma das mãos do infeliz do Di Ângelo. Procurou não se preocupar com aquilo, um pouco de maquiagem poderia resolver, ela começou a se despir e viu que havia mais marcas por seu corpo...é, talvez muita maquiagem.
Depois de um banho demorado, a mesma vestiu uma roupa que cobrisse todas as marcas, ignorando o calor que sentia e por fim saiu do banheiro decidindo apenas relaxar e tirar o dia de hoje de sua cabeça.
Ela pegou as chaves de casa e avisou Jason que iria sair com Luke, por mais que ele fosse mentira, ela tinha certeza que Jason era lerdo o suficiente para não raciocinar que teve uma treta no meio da escola entre os dois.
Desceu correndo as escadas, por que era fitness e não queria pegar o elevador e entrou em seu carro, puxando debaixo do banco o objeto personalizado que ela escondia ali, dentro de outro lugar que era secreto até então. Pisou no acelerador e dirigiu até seu destino, que era o único lugar onde estaria devidamente relaxada e fora do poço de problemas, que era sua vida.
Thayla terminou de se vestir e saiu do banheiro, caminhando até a cozinha a procura de algo para comer, quando seu caminho foi interrompido pelo som da campainha tocando.
A menina deixou para que Thalia atendesse, mas quando a campainha tocou novamente saiu andando até a sala e observou Jason estirado no sofá.
— Preguiçoso – Ela murmurou e foi abrir a porta, teve a surpresa de ver o cara pálida ali. – Hey menino da cadeira.
Ele riu do apelido, que ganhara no primeiro dia de aula.
— Vim zoar sua irmã, cadê ela? – Nico colocou as mãos nos bolsos da frente da calça jeans preta que usava e entrou no apartamento, quando Thayla lhe dera passagem.
— Bem, eu não sei – Ela sorriu e cutucou Jason, que abriu os olhos meio grogue.
— O que...Nico? – O loiro se apoiou nos cotovelos e observou o esqueleto ali na frente.
— Eu? – O menino respondeu e Thayla achou melhor encurtar aquela conversa, dois lerdos não dá certo.
— Onde está a Cria retardada? – A mesma perguntou, mesmo não querendo saber.
— Ela saiu com o Luke – Jason se levantou coçando a cabeça.
Nico e Thayla se entreolharam confusos.
— Ela voltou com ele, depois de tudo que ele disse? – Nico murmurou mais pra si, mas encarou Thayla, que apenas deu de ombros.
— Claro, são quatro anos de namoro – Jason disse meio confuso.
A porta de casa fora aberta e um casal passou pela mesma, Zeus deu espaço para que Hera passasse, que quando viu todos na sala, revirou os olhos e murmurou um "Estou no meu closet’’ e saiu caminhando em cima dos saltos finos que a mesma tinha.
— Crianças quero falar com vocês...menos com você garoto – Zeus apontou para Nico, que levantou os braços em rendição e foi chegando para trás. – Cadê a Thalia?
— Você é o terceiro que pergunta isso em alguns minutos – Jason cruzou os braços sobre o peitoral, pensando no que Thalia tinha feito dessa vez.
— Ela está com o Luke – Nico respondeu para o homem, que apenas assentiu em resposta.
— Liga pra ela, quero falar com todos vocês seriamente – Zeus olhou para Thayla, que quase teve um filho ali.
— Eu sou inocente foi ideia dela – Thayla quase berrou, fazendo com que Nico tivesse que morder os lábios para não rir, lembrando da cena de mais cedo e sobre a reação da menina.
Zeus a olhou confuso, porém com curiosidade.
— Do que está falando, Thayla? – Ele cedeu a curiosidade.
— Ah, nada – Thayla sorriu fofamente, colocando as mãos para cima – Preciso ligar pra ela agora.
Thayla apertou o passo em direção ao quarto, pegando o celular e discando o número da irmã. Nico entrou no quarto e encostou a porta, se sentando na cama de Thalia mesmo para pensar onde essa menina estava com a cabeça pra voltar com aquele cara.
— Ela não atende – Thayla murmurou depois de alguns segundos, andando de um lado para o outro no quarto. – Já sei, vou ligar pro Luke.
Ela revirou o celular, tentando achar o número do loiro. Nico jogou o celular desbloqueado para a menina, que segurou no ar graças aos reflexos que possuía e discou o número que brilhava na tela.
— Alo? – A voz nojenta de Luke soou do outro lado da linha, fazendo Thayla fazer uma careta.
— Oii Luke, é a Thayla – Ela disse o obvio – A Thalia está com você?
— Não, eu não falo com ela desde que brigamos – Ele resmungou contragosto, como se ela estivesse atrapalhado algo importante.
— Ah, ok – Thayla disse e desligou, sem esperar uma resposta do mesmo.
Nico olhou a menina, que agora andava mais rápido de um lado para o outro, murmurando algo sobre ‘’Onde essa menina se meteu dessa vez?’’. Por um momento, ele achou que ela iria cair pelo chão e parar dentro do banheiro do apartamento de baixo, mas ela parou de andar e se virou para o menino.
— Ela não está com o Luke.
Zeus, que estava indo em direção ao quarto da menina para perguntar se tinha conseguido falar, parou ao ouvir a fala e já pensou qual era o número da policia.
— Como assim? – Ele abriu a porta, matando Nico do coração.
— Que fênix – Nico murmurou com as mãos sobre o peito.
— Ela não está com ele – Thayla repetiu a frase e colocou as mãos na cabeça, demonstrando preocupação.
***
A porta da sala fora aberta e Thalia passou por ela despreocupadamente, até que viu o mutirão de pessoas marchando até a sala, com caras nada boa.
— Onde é que você estava? – Zeus foi o primeiro a se pronunciar, demonstrando a raiva que estava da mesma.
— Que história é essa de sair no mundo, livre igual pombinha pra voar? – Dessa vez foi Thayla que se colocou a frente, dando uma bronca na irmã.
— Ue...- Thalia tentou fugir do assunto, foi quando viu Nico encostado ali na parede – O QUE AQUELA PRAGA TA FAZENDO NA MINHA CASA?
— NÃO MUDA DE ASSUNTO, PRIMEIRO ONDE VOCÊ ESTAVA, DEPOIS VOCÊ MATA O NICO – Thayla berrou de volta e Thalia arregalou os olhos minimamente, quando a irmã ficava brava, sai de baixo.
— Que consideração – Nico murmurou.
— Eu sei – Thayla respondeu.
— Basta, eu preciso falar com vocês – Zeus se colocou entre as gêmeas, que olharam para a cara seria que ele fazia.
As duas se sentaram no sofá, ao lado de Jason, enquanto Zeus continuou em pé e Nico...bem, estava em algum canto da casa.
— Eu queria anunciar, que como é o primeiro feriado que Thayla passara aqui, eu resolvi que iremos viajar para Long Island! – Zeus deu um sorrisinho, enquanto Thalia bufava por pensar que lá tinha praias e mar e seu corpo não estava às mil maravilhas para colocar biquíni e expor as marcas. – Cada um de vocês podem levar três amigos...
Antes que ele terminasse de falar, Thayla pulou no pescoço de Nico, que por acaso estava passando por ali observando seu celular.
— EPA, PERAI – Thalia se levantou, fazendo com que a atenção se voltasse pra ela. – EU ME RECUSO A VIAJAR COM ELE, SE ELE FOR, EU NÃO VOU.
— BASTA, THALIA! VOCÊ ME SAI SEM FALAR ONDE FOI, NÃO ATENDE A BOSTA DO SEU CELULAR E AINDA POR CIMA TEM CORAGEM DE EXIGIR QUE ELE NÃO VÁ? VOCÊ VAI CALAR A BOCA E VAI IR NESSA VIAJEM SEM RECLAMAR.
Thalia encarou os olhos de seu pai, que radiavam ódio. A mesma segurou o olhar por alguns segundos, até que bufou e saiu batendo o pé para o quarto.
É, Nico tinha dó de quem morasse no apartamento de baixo!
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