Gêmeas
50 Aonde ela está?
Notas iniciais
A chuva caia sem parar naquele final de tarde, perturbando os tímpanos de quem estava adormecido desde de manhã, sendo mais preciso, os de Thalia, que acordou fazendo uma careta por ter sido arrancada de seu estado de sonho, e sendo trazida para a realidade, onde estava sentindo uma incomoda dor de cabeça e sabia que seus olhos estavam inchados, meio doloridos e sua boca permanecia seca.
Ela olhou para o lado devagar, vendo Jason e Thayla ali, adormecidos, ambos com um sorrisinho no canto de lábios, o que indicava que eles se lembravam que faziam isso quando pequenos, quando eram juntos e juravam ser inseparáveis.
Por fim tomou a decisão de se levantar de modo discreto, puxando o casaco que estava em seus ombros para mais perto, querendo ficar quente. Ali ela sentiu o cheiro que emanava, caindo a ficha que a roupa era de Nico, não sua, o que a fez fungar baixinho e deixar o quarto, suspirando alto ao sentir o gelado do chão sob seus pés descalços, já que ela não se importara de colocar o sapato novamente, determinada a ir para seu chalé e arrumar suas coisas, tendo certeza que falaria com Jason para irem embora no mesmo dia.
Passou despercebida pelos corredores, parando em frente à entrada principal, abrindo a porta e se encolhendo ao sentir o vento gelado trazer umas gotas da chuva em seu rosto e corpo, suspirando e tirando o casaco de si, deixando-o ali no chão da porta, caminhando em direção a chuva e se sentindo um pouco revigorada ao ser ensopada quase de imediato, pendendo a cabeça para trás e se deliciando com a sensação das gotas colidirem violentas contra seu pálido rosto, se empolgando um pouco e ficando nas pontas do pé, dando uma pirueta quase perfeita, sentindo saudades de dançar.
Respirou fundo e se sentou ali, no meio do campo, sentindo a grama pinicar de forma leve em suas pernas desnudas, graças a saia que usava. Sentiu o vento agora ficar mais forte, castigando seus cabelos negros e os bagunçando. Sentiu que poderia respirar melhor ao sentir o aroma de grama molhada, mordendo o lábio inferior de leve. E apenas no momento seguinte que percebeu que seus olhos estavam marejados novamente, fazendo-a abaixar a cabeça e cobrir o rosto.
A sensação de que estava sendo observada cresceu cada vez mais e ela levantou a cabeça, tirando a mão do rosto e começando a varrer cada cantinho do bosque a sua frente, voltando para o chalé de seu irmão atrás de si, olhando todas as janelas, por tudo, porém a sensação não passou de modo algum. Até que ela se virou para o seu próprio chalé, sentindo o ar ser arrancado de seus pulmões imediatamente, assim que seu olhar cruzou com a própria escuridão, aqueles olhos que agora não tinha mais tanta vida, não tinha brilho. Os olhos da pessoa que sempre fora apaixonada.
Ali estava Nico, cauteloso, a observar; mantinha-se atrás da cortina, encostado na janela e a avaliando por completo, sentindo seu coração apertar a cada movimento a mais que ela fazia.
Thalia foi a que teve a decisão de desviar o olhar, abaixando-o para a grama e limpando uma lágrima desgraçada que resolvera escapar de suas pálpebras, não querendo se deixar abater novamente e cair no choro na frente dele, de novo.
Ele não demorou a tomar a frente e sair na chuva também, abrindo a porta e ignorando o fato de estar apenas de calça de moletom cinza, ignorando totalmente o fato de suas mãos estarem enfaixadas graças ao que fizera mais cedo, ignorando também que poderia pegar uma pneumonia com seu tronco nu; mas no momento, ele só queria ir até ela. Ele precisava ir até ela.
Antes que a morena pudesse fazer qualquer coisa, ela sentiu uma mão em seu ombro, sabendo de cara que ele estava ali, o mais próximo de si quanto deveria. Portanto levantou a cabeça devagar, mirando-o nos olhos, sentindo vontade de fugir no mesmo instante, de gritar com ele, de o socar, de fazer tudo, querendo apenas extravasar essa dor em seu peito.
— Porque você fez isso comigo? – Ela não se aguentou e despejou as palavras, tendo que falar um tom mais alto graças ao barulho que a chuva estava causando, sendo quase impossível de se ouvirem por si próprios.
— Fiz o que? – O Di Ângelo questionou se abaixando ao lado dela, não querendo gritar a ponto de os habitantes da casa o ouvir.
Thalia o olhou, estando em uma mistura de estática e desacreditada, fazendo os pensamentos por sua cabeça explodirem em uma única certeza: ele realmente não sabia o que tinha feito com ela. Ele não estava ignorando o fato esse tempo todo, ele não era o que ela pensava.
— A tanto tempo...eu venho acreditando que...- Começou baixinho, querendo apenas se ouvir, não querendo que ele ouvisse nada.
Ele apenas franziu o cenho vendo o estado dela, levando a mão até sua testa e checando sua temperatura, a tempo que teve sua mão agarrada e jogada para longe por ela, que não se importou em ser delicada e apenas a abaixar.
— A tanto tempo eu venho acreditando que você sabia de tudo! – Sua voz saiu em alto e bom som agora, junto com algumas lágrimas de seus olhos, porém a chuva disfarçava tal ato muito bem, confundindo os olhos negros do garoto.
— Sabendo do que? Thalia? — Nico respondeu ao mesmo tom que ela, não fazendo a mínima ideia do que ela estava falando.
— Você ficou com ela, Di Ângelo! – Berrou sentindo sua garganta arder, se levantando e colocando as mãos sob o rosto de forma desesperada, sentindo seu estômago revirar ao saber que teria que contar o que havia acontecido a tempos com eles.
— Com ela quem? Thalia vamos entrar, a chuva está te afetando mais do que deveria! – Também se levantou, querendo pôr um fim aquela loucura e levar a menina dali.
— Isso não é hora para piadinhas, Di Ângelo! – Continuou a chamar ele pelo sobrenome, se virando por completo e sentindo a raiva infiltrar seu corpo. – Eu me declarei para você, e no outro dia você ficou com a Rachel...NA MINHA FRENTE! VOCÊ ME ESNOBOU NICO, VOCÊ ME IGNOROU, VOCÊ ME MACHUCOU!
Ele continuou estático, não sabia o que falar, nem menos o que fazer, seu coração estava apertado e acelerado, o ar lhe faltou e ele conseguiu finalmente formular palavras em sua mente e proferi-las.
— Eu achei que você estava brincando. – Disse em um fio de voz, sentindo seus olhos se encherem de água. – Thalia! Eu nunca imaginaria que uma garota como você iria gostar de um garoto como...eu! Principalmente naquela época, que eu era um magrelo estranho.
— Então é isso que você tem para me dizer? – Thalia negou repetidamente com a cabeça, sentindo as lágrimas diminuírem a frequência com que vinham. – Que você nunca gostou de mim?
O Di Ângelo não poderia deixar de ficar incrédulo; em um movimento brusco e rápido, agarrou a menina pelos braços e a trouxe para perto de si, encarando-a no fundo de seus olhos.
— Grace, eu sou apaixonado por você desde que eu tinha dez anos! Não importa com quantas eu ficava ou com quantas eu já fiquei, meus pensamentos sempre voltavam para você, para sua pele pálida, para seus olhos que parecem ficar com raios quando você se exalta e quer atacar alguém, para sua boca...para você em si, garota!
— Isso é mentira. – Ela concluiu e se debateu dentro de seu aperto, querendo apenas sair dali e ir para sua casa, chorar em posição fetal.
— Thalia Grace, eu sei que você acha que eu estou mentindo, mas eu juro para você que se eu tivesse percebido que aquilo era verdade, estaríamos juntos desde aquele dia! Então me desculpa...por favor...- Pediu, sentindo-a parar de se debater e perceber que seu corpo era balançado por soluços, concluindo que ela chorava discretamente; juntou seus rostos, mantendo-o próximos. – Me desculpa...
A morena deixou seu estado de choque passar, para logo em seguida suspirar e conseguir sentir o hálito de menta do menino, de tão perto que ambos estavam.
— Então podemos começar de novo.
Ele a soltou, se virando de costas e passando a mão no cabelo, voltando a olhar para menina após encher os pulmões de ar.
— Olá, eu sou Nico Di Ângelo.
Thalia se permitiu sorrir, dando uma leve risada e passando as mãos pelos cabelos também, em uma tentativa de arruma-los.
— Eu sou Thalia Grace, muito prazer.
Ele esticou a mão, que fora segurada por ela e ambos apertaram, para logo em seguida a Grace puxa-lo para si, selando seus lábios em um beijo um tanto molhado, repleto de sentimentos que não trataram de esconder, sendo totalmente casto.
***
— Cadê ela? Porque ninguém me avisou que ela não estava mais dormindo? Porque ela mesma não me avisou que iria sair do quarto? Onde ela está? Ela está bem? – Jason encheu Bianca de perguntas, sendo a primeira pessoa que ele viu a sair do quarto e correr em direção a sala, parecendo desesperado o suficiente para a menina recuar um passo diante dele.
— Se conheço bem ela, deve estar no chalé dela, conversando com meu irmão. Se acalme Jason, você não foi o único a lidar com uma pessoa quebrada. – A morena retrucou levando as mãos até as têmporas, sentindo sua cabeça latejar.
O loiro suspirou em resposta, caminhando até ela e a puxando para um abraço, que fora retribuído quase de imediato, deixando ambos ali por alguns segundos.
— Espero que eles não tenham se explodido. – Comentou baixinho perto do ouvido dela, fazendo a menina dar risada.
— Eles não fariam isso, né? Se cozinhando saiu tudo bem, então uma conversa provavelmente poderia só acarretar em alguns socos, nada demais.
O Grace deu risada também, soltando a menina e ficando em silêncio, estranhando a ausência da falação do resto da casa, arqueando a sobrancelha ao analisar os corredores.
Porém, o silêncio fora cortado do modo mais irônico possível.
Um grito agudo fora ouvido, para logo em seguida batidas envolventes começarem a soar, fazendo ambos estranharem e caminharem até a janela cautelosamente, reconhecendo a música Me Too da Meghan Trainor.
Todos os habitantes da casa foram cautelosos até a janela, erguendo a cortina e vendo, no outro chalé, um dos dito cujos passando remexendo de um jeito engraçado em frente a janela, seguindo o ritmo da música, e logo atrás, a menina, que rodava um chicotinho na mão e pulava para frente, como se quisesse pegar Nico.
Alguns minutos antes...
Thalia estava no quarto, remexendo em suas malas e por fim se deixando ser feliz, tendo um peso e tanto tirado de seus ombros, procurando por algo que tinha certeza que Thayla havia enfiado ali para envergonha-la.
Por fim achou a roupa, dando um pulinho de felicidade e jogando os cabelos negros, agora seco devido ao banho tomado a um tempo, para trás. Se despiu o mais rápido possível, tendo certeza que o moreno estaria na sala trocando os canais da TV a procura de algo interessante, colocando a roupa escolhida e dando uma risada abafada.
Ela pegou um vestido, que julgava que nunca iria usar para nada e colocou sob o colchão, colocando seu chapéu e indo até o espelho, tratando de passar um delineador e marcar bem os lábios, com um batom vinho.
Nico, por sua vez, estava com tédio vagueando pelos canais, até que escutou um barulho abafado de salto, franzindo o cenho estranhando totalmente isso, se virando devagar em direção a escada.
— Eu achei que poderíamos brincar, o que acha? – Thalia questionou ao ver ele morder o lábio inferior, negando em reprovação mesmo tendo um sorrisinho de canto.
— Bora, mona! – Nico exclamou e se levantou feliz, fazendo ela dar risada e começar a dar pulinhos felizes.
— Vai logo que sua roupa já está na cama!
Ele subiu as escadas correndo, vendo o vestido e começando a rir escandalosamente, não tardando a se vestir e voltar lá para baixo.
Assim que a Grace viu ele estar no pé da escada com o vestido, deu risada e soltou a música, começando a dançar imitando uma lombriga, indo até o garoto que sufocou a risada e começou a ir atrás dela, pulando para frente e movendo as mãos para frente também, como se estivesse puxando uma corda.
Em alguns segundos ele estava na frente dela, se mexendo de um jeito ridículo e passando na frente da janela, enquanto a menina rodava o chicotinho e pulava para frente atrás dele, mordendo os lábios para sufocar a risada.
— Aí como eu sou ousada. – Nico afinou a voz, passando a mão pelo vestido e o subindo, mostrando sua cueca e mordendo a ponta de seu dedo indicador, que colocara na boca para sensualizar mais, levando-o até a bunda e fazendo um som como se tivesse algo quente.
— Pessoas ousadas apanham. – A morena se empolgou pegando o chicotinho e batendo na bunda dele, que deu um gritinho fino e começou a correr com as mãos sob a bunda.
— O que acha de prolongarmos nossa brincadeira, Di Ângelo? Afinal, parou de chover. – A garota perguntou com um sorrisinho de canto nos lábios, vendo ele mirar o chalé do irmão com um sorriso crescendo cada vez mais.
Ali no outro, ninguém esperava que eles fizessem as pazes tão rápido depois do rio de lágrimas que ambos derramaram, e muito menos que Nico fosse abrir a porta de um jeito bruto e dando um berrinho fino, assustando todos ali.
Para logo em seguida erguer as mãos como se estivesse segurando um laço de cowboy e girar, jogando para fora e começando a puxar o vento, que no caso era a corda, tendo um sorriso estranho nos lábios, e a menina entrar balançando as mãos para cima, como se estivesse amedrontada, porém tendo um sorriso também, fazendo alguns começarem a rir da zoeira e das roupas trajadas.
Thalia apertou o controle que segurava, fazendo a música iniciar novamente, porém dessa vez um pouco mais alta, começando a se remexer e caminhar até Annabeth, que negava em reprovação, porém estava a risos, vendo a amiga a puxar pelos braços e a virar, não entendo onde ela queria chegar. Até que levou uma sarrada bruta, fazendo ela começar a rir mais ainda e perder o equilíbrio, indo para frente e tendo que se apoiar no móvel para não cair.
Nico, por sua vez, estava passando por entre os meninos e apontando para eles de modo sugestivo, com a boca aberta, mantendo um sorriso zombeteiro ali, até que ele parou e puxou o ar para os pulmões, levando a mão para a testa como se tampasse o sol dos olhos, avistando Percy.
— Eu acho que vi um gatinho!
O moreno de olhos verde-mar, levantou a cabeça e sorriu de canto, levando o dedo até a boca e perdendo toda a sua pose masculina.
— Miau!
Annabeth olhou incrédula para o namorado, não conseguindo mais se segurar de tanto que sua barriga doía de rir, dando-se por vencida e sentando no chão, encostando suas costas no móvel atrás de si, procurando recuperar-se do ataque.
— Mas o que é isso? São dois meninos maus? – Thalia levou as mãos a boca incrédula, levantando o chapéu e tirando dali uma algema, indo até Percy e Nico e os prendendo, ligando um ao outro, que se olharam e deram de ombros, continuando a dançar de modo desengonçado juntos, e claramente Nico era a mulher da relação.
A morena olhou em outra direção, mirando Bianca que estava tentando se esconder com as mãos, tampando o rosto e olhando em outras direções; sorrindo, Thalia caminhou de um jeito sexy até a amiga, que suspirou ao ver que tinha sido encontrada e apenas sorriu de lado também, esperando para ver que zoeira a Grace faria com ela.
A policial segurou a cintura da Di Ângelo, começando a dançar com ela lentamente, como se tivesse dentro de um baile de gala e a música fosse uma valsa suave, fazendo a conduzida estranhar totalmente o ato. Porém, logo Thalia a abaixou, como se finalizasse a dança e debruçou sobre a menina, como se fosse dar aqueles beijos de cinema, porém antes que selassem seus lábios, soltou-a, deixando cair em um baque surdo no chão, arrancando uma gargalhada da que caiu.
Thalia a rolou no chão, para que ela ficasse de bruços e se sentou em suas costas sem dar chances para a Bianca levantar, começando a chicotear sua bunda tendo noção que não estava machucando, fazendo a morena que estava sendo castigada começar a atuar de uma forma dramática, levando as mãos a cabeça e dizendo em uma forma exagerada:
— Isso está doendo tanto! Como dói! Porque comigo? Não! Pare com isso!
A castigadora começou a rir, se levantando das costas da menina e começando a rebolar sensualmente, ainda estando com uma perna de cada lado do corpo dela, fazendo alguns meninos pararem para prestar atenção no movimento da morena, que desceu rapidamente e quicou com sua própria bunda em cima da de Bianca, que gargalhou alto com o ato, vendo os saltos passarem por si e sabendo que Thalia arranjaria outra vítima por hora.
Antes que qualquer um pudesse fazer alguma coisa, a porta fora aberta brutalmente por uns caras desconhecidos, que apontaram as armas para frente e começaram a mandar todos levantarem as mãos, logo fazendo todos ficarem assustados, afinal, porque diabos a polícia estaria ali?
Thalia apenas levantou as mãos e largou o chicotinho, querendo dar risada, já que tudo havia ficado quieto e imóvel, portanto perceberam o objeto caindo no chão, fazendo o primeiro policial, o que havia entrado na casa a frente, fazer uma careta meio esquisita, mas caminhou até ela.
— Teve uma denúncia que vocês acabaram com um shopping, usando um trailer.
A morena arregalou os olhos assim que ele juntou suas mãos para trás do corpo, passando a algema nela e empurrando-a para frente.
— Algemem todos, vocês estão presos.
***
Mesmo quando se estamos no meio dos nossos prazeres que a vida nos dá, sempre tem alguma merda que pode dar errado e estragar tudo, não é mesmo?
— Logo agora seu telefone decidi tocar? – Hera questionou para o marido, vendo-o fazer uma careta ao ter que deixar de realizar o que fazia e ir atender o celular que tocava sem parar, fazendo-o xingar e amaldiçoar a pessoa que se encontrava do outro lado da linha, não importava quem fosse.
— Pai? – A voz doce de sua filha mais nova preencheu seus ouvidos, fazendo o pai retirar tudo que xingou ao longo do caminho que foi até o celular, mordendo o lábio de leve.
— Oi meu amor, o que houve? Está tudo bem?
— Ah...- Thayla começou, olhando para todos os policiais que a encaravam de um modo furtivo, como se ela fosse uma carne que pudesse ser apetitosa, mas não demonstravam nada. – Eu vou jogar logo a bomba: estamos presos, você tem que vir o mais rápido possível na delegacia, por favor pai, venha logo.
— CULPA DA THALIA, NÃO É? AÍ EU SABIA! – Zeus berrou no telefone, fazendo a menor tirar o telefone do ouvido e mesmo assim conseguir ouvir seu pai embestar a xingar.
— Pai, só venha logo. – Ela finalizou a chamada, sendo levada de novo para a cela onde seus amigos estavam, que era em um corredor onde tinha várias outras celas, com várias outras pessoas mal-encaradas.
— Então? – Nico questionou ao ver a menina passar pela cela, sendo empurrada com brutalidade para dentro.
— Bom, não teve resposta, mas tenho certeza que ele está vindo tirar a gente daqui. – Respondeu observando a cela imunda e se encolhendo em si própria, ficando parada em um lugar sem encostar em lugar nenhum, fazendo Connor revirar os olhos e caminhar até ela, a puxando pela cintura e encostando na única parede dali, deixando-a encostada em seu corpo.
— Ele não deixaria seus filhos presos aqui...- Travis argumentou, gesticulando. – Ou deixaria?
— Eu não duvido não, viu? – Jason murmurou meio incerto, sabendo que o pai poderia muito bem deixá-los ali até amanhecer, só para aprender a lição, sendo que nem ele mesmo sabia o que tinha acontecido para pararem ali.
— Ei gatinha...- Um dos homens que estavam na cela ao lado da deles chamou, fazendo Bianca, que estava encostada na grade, olhar para ele com uma careta totalmente nojenta. – Porque você não muda de cela? Te dou um bom motivo para você continuar aqui.
— E esse motivo vai ser assassinato se você não calar essa sua boca. – A morena retrucou, fazendo todos os caras que estavam com o que se arriscou a cantar ela gritarem um coro de xingamentos para ele, dando gargalhadas do fracasso do parceiro.
— Essa é minha garota. – Leo passou o dedo pelo olho, como se tivesse secando uma lágrima, mesmo que ela não existisse.
— Bianca, o que acha de ligar para o pai? – Nico questionou, olhando para a mais velha, que arqueou as sobrancelhas e rolou os olhos.
— Porque não liga você? – Ela respondeu ríspida, fazendo o irmão arregalar os olhos minimamente com o jeito inusitado dela.
— Porque eu estou assim? – Tornou a retrucar, mostrando a roupa que usava.
— Que isso cara, você está um gato. – Um dos homens da cela ao lado gritou, mordendo o lábio inferior como se fosse seduzir.
Nico engoliu em seco e fez uma careta, grudando em Thalia e passando o braço envolta de seus ombros, olhando-a em reprovação, já a menina dava risadinhas baixas tentando não dar corda ao que o cara tinha feito, mas era impossível, já que o Di Ângelo tinha sido cantado.
— Sabe que eu vou te zoar eternamente, né? – A morena questionou baixinho, vendo-o assentir e rolar os olhos.
— Eu não tenho culpa de ser irresistível, ok?
— E quem te disse que você é irresistível, Di Ângelo? – Thalia mirou seus olhos que tinham um brilho divertido.
— Meu pai sempre fala isso, que eu puxei para ele na parte da beleza.
— Não fala isso, porque sempre que eu te beijar, eu vou acabar lembrando de Hades, e convenhamos que não quero isso. – A Grace negou quase que de modo desesperado, fazendo-o rir e tomar seus lábios em um beijo rápido, que ela não hesitou em retribuir e soltou um muxoxo quando ambos se separaram.
— Então vocês estão namorando agora? – Percy tomou as rédeas da situação, perguntando o que todos queriam perguntar desde que os viram entrando de modo despojado na casa, como se fossem casados a anos.
Thalia e Nico se entreolharam de modo sugestivo, fazendo a menina dar de ombros e suspirar.
— Ainda não, ele não pediu ainda, sabe como é né? Pessoa lerda. – A Grace começou, jogando o cabelo para trás do corpo. – E se você ousar em me pedir na cadeia, eu te mato!
— Seria um pedido interessante. – Nico pareceu ponderar a idea, apenas para ver a reação da menina ao seu lado, vendo seu humor mudar em míseros segundos, tendo consciência que iria apanhar logo mais se não desmentisse. – Acalme-se amor, estou apenas brincando.
— Ok, só porque me chamou de amor. – A menina mostrou a língua e rolou os olhos quando foi abraçada mais fortemente por ele, que sorriu e mordeu sua bochecha de modo fraco.
— Aí quanto amor. – Travis disse para logo em seguida fingir repulsa, fazendo a Grace rir.
— Só está falando isso porque está sozinho entre nós, tá de vela máster aí.
Um tempo depois, a delegacia logo estava cheia, os pais, avisados por Zeus, se reuniram no salão principal, todos incrédulos com o que tinha acontecido e querendo saber o porquê diabos seus filhos estavam presos, já que até onde sabiam, eram responsáveis para ficarem sozinhos.
— É o seguinte, aconteceu uma guerra de comida no meio do shopping, já quebrando uma das regras do recinto, podendo acarretar a prisão deles por alguns dias, e logo em seguida, começaram a atropelar tudo pela frente usando um trailer gigante, quebrando a nossa guia, janelas e tudo que tinha pela frente, e para piorar mais a situação, fugiram sem nem mesmo deixarem explicações para tudo isso ou dinheiro para pagar o que destruíram. – O Policial que invadira a casa contava para os pais, que negavam em reprovação a atitude dos filhos, sabendo que poderiam coloca-los de castigo por um longo tempo.
— Quanto foi? Nós pagamos...- Zeus começou, porém vacilou o olhar e encontrou com o de Hades, sorrindo de canto ao ter uma ideia. – Espere um minuto, por favor.
— Eles merecem. – Hades começou antes mesmo que o Grace pudesse indagar algo, vendo o policial se afastar dando privacidade para eles.
— Concordo com Hades, isso é totalmente um absurdo, desde quando minha filha se envolve em bagunças desse tipo? Coisas de adolescentes rebeldes! Tenho certeza que o próximo passo é a maconha, quer apostar? Vão voltar cheirando à maconha e com um brinco na orelha, inflamado e pegando uma doença! Tenho certeza que estarão tatuados também. – Atena disse acusando e gesticulando freneticamente, fazendo Hera a olhar estranho.
— Eu acho que eles deveriam passar a noite aqui, no mínimo! Eles já são adolescentes, está na hora de crescer, não podemos ficar passando a mão na cabeça deles sempre, está na hora de aprenderem uma lição. – Poseidon tomou a frente, fazendo Zeus comprimir os lábios e assentir enquanto ele falava, dando um sorrisinho travesso.
— Eu só quero ver Thayla sobreviver aqui, deveriam filmar a reação dela, porque vai ser hilária. – Zeus debochou da filha, sentindo pena logo em seguida do ato.
Hades deu risada, chamando novamente o policial.
— Chegamos a uma conclusão, podemos pagar sim, mas...eles podem ficar aí até amanhã? Achamos que eles merecem um pouco de realidade.
— Podem sim, claro, não vai ser incomodo algum. – Respondeu rápido, como se seu emprego dependesse disso.
Assim que os pais pagaram e entraram em seus devidos jatinhos, determinados a irem para Nova Iorque novamente, outro policial caminhou pelas celas até encontrar a deles, parando e contendo uma risada em sua garganta.
— É o seguinte, vocês vão ficar aqui em um tempo indeterminado, pois seus pais se recusaram a pagar a fiança, e vocês vão a julgamento.
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