Gêmeas

5 Episódio I: Tatiana


Notas iniciais
Alô alô marcianos lindos do meu coração! Mais um capítulo de Gêmeas no ar. Chegamos ao fim do primeiro Episódio, mas já já começamos o segundo Episódio. Bom, espero que gostem desse aqui também! Sem mais demoras, vambora o/

Alô alô marcianos lindos do meu coração! Mais um capítulo de Gêmeas no ar. Chegamos ao fim do primeiro Episódio, mas quarta-feira (21/05) já começamos o segundo Episódio. Bom, espero que gostem desse aqui também! Sem mais demoras, vambora o/

Episódio I: Tatiana

Meu peitoral queimava. Dor, muita dor. Confusão. Consegui sentir o trajeto da bala, atravessando minha pele e dilacerando um buraco na carne. No momento, a força e o ar me faltaram, e a gravidade me obrigou a cair. Engraçado – não lembro-me do impacto com o chão. De imediato, minha mente foi consumida pela ausência. Não sabia o que pensar, o que fazer – só sentia o projétil cruzando os músculos. Meus olhos, já preenchidos pelas lágrimas e pelo desespero, fecharam-se lentamente, conforme a distância entre eu e o assoalho diminuía.

Depois, a mesma dor atingiu a boca do meu estômago, como se fosse esmagada por algo pequeno, porém pesado. A lógica começou a faltar-me. Eu estava entrando em desespero profundo. A próxima a fugir de mim foi a consciência, escorrendo pelos meus dedos como areia.

Eu já tinha tomado tiros antes. A sensação de queimação, junta ao processo de inconsciência lenta já me eram familiares; porém nunca doera tanto. Doera por saber de quem o tiro viera, e porque viera. Nunca imaginei que, algum dia, Deniel, meu próprio irmão, fosse fazê-lo; simplesmente não parecia ele. Deniel era um excelente agente da Família, sempre fazendo o que Dimitri ordenava, mas de acordo com suas crenças e com seus próprios meios. Ele nunca teria feito isso a mim. Ele morreria para me salvar – nunca me mataria.

E ele ainda teve o sangue-frio de olhar nos meus olhos e me chamar de Tatiana.

Tatiana, o nome proibido.

Tatiana.

Sherlock não conseguiu reagir automaticamente, como das outras vezes. Quando conseguiu processar a reação do intruso, a primeira bala já adentrava o peito, e a segunda estava a poucos milímetros do diafragma de Luna. Rápido, chutou a mão armada de Deniel, fazendo a pistola voar no ar e atingir o solo. Correu em direção a jovem, segurando-a antes que atingisse o chão.

Deniel fugiu. Holmes não teve tempo de incapacita-lo, embora tenha notado que Luna quase o fez, durante seu primeiro encontro com o irmão, no sótão da casa. Segurou-a em seus braços e desceu as escadas. A ruiva esvaia em sangue, sussurrando coisas ininteligíveis. Sherlock tentou não se importar com os olhares curiosos de alguns, enquanto atravessava a rua e adetrava o 221B. Sabia que John estava o esperando para mais um dia de investigações.

Watson de fato o esperava, sentado em sua costumeira poltrona, bisbilhotando o computador em busca de algum caso novo que pudesse atiçar a mente brilhante do detetive do chapéu engraçado. Quando o moreno entrou no flat, com o corpo de Luna em seus braços, o médico não soube como reagir. Levantou-se de imediato, como costumava fazer no hospital afegão, quando um novo ferido de guerra aparecia.

Ambos se entreolharam, como se pudessem dizer todo o necessário somente com os olhos. O moreno pousou o corpo da legista no sofá, enquanto John corria para a caixa de primeiros socorros. Luna sangrava demais, os dois furos não foram calculados, mas atingiram algumas veias. A primeira, que deveria ter cravado o coração, subiu um pouco mais do que o esperado, terminando acima do trapézio, quase no ombro. O segundo raspou no diafragma. Ambas as balas ainda estavam alojadas nos ferimentos.

__ Vamos chamar uma ambulância.

__ Não, sem hospital.

__ Sherlock, ela foi baleada! Pelo amor de Deus, ela não vai sobreviver sem cuidados médicos específicos.

__ Você foi médico de guerra, aposto que consegue salvá-la. Já viu coisas muito piores – tirou o casaco pesado, empapado de sangue onde as feridas entraram em contato com o pano. – Se há tiros, há polícia. E Tatiana já tem problemas demais. Duvido que queira que alguém descubra.

__ Tatiana?

__ Luna! Depois explico. Mas, primeiro, terá que salvá-la.

John o olhou com desaprovação. Ele estava certo, já vira coisas absurdamente piores nos seus dias em campo. Mortes violentas, decapitações com rajadas de balas, pulmões estourados. Não sabia se ainda conseguia fazer o que fazia antes.

__ Ligue para Mary, e anote o que quero que ela traga do Barts.

Ai. Foi a primeira coisa que pensei. Meu corpo todo doía – as mãos, os pés, a cabeça, o corpo. Os furos das balas ardiam fervorosamente, como se estivessem as cauterizando eternamente. Eu não tinha forças suficientes para abrir os olhos. Sendo assim, meu primeiro período de consciência for preenchido por um sono profundo, sem sonhos. Pouco me importava o tempo no qual estive inconsciente, ou o quanto eu passaria descansando. Eu só precisava dormir.

Quando acordei, sentindo-me avulsa ao tempo do relógio, tinha energia suficiente somente para passar o dia todo na cama, sem me mover.

Olhei ao meu redor. A sala estava na penumbra, porém não foi nada dif;icil saber que eu não estava em casa e – graças aos Deuses – bem longe do Hospital. O colchão e os cobertores eram macios, e a estrutura da cama fora montada do lado esquerdo da porta. A minha frente, uma janela fechada, que somente deixava alguns fios de luz artificial entrarem. Do lado direito da cama, um guarda-roupa. Do esquerdo, uma poltrona ocupada por um detetive de cabelo cacheado e dorminhoco.

Pelo que notei, Sherlock esteve aqui comigo desde que retomei a consciência. Talvez esteja desde antes, mas só notei esse fato quando minha consciência resolveu voltar do passeio.

__ Obrigada por não ter chamado a ambulância. Embora eu achasse que, por tudo que ouviu, fosse chamar o MI6 ou a guarda da Rainha.

Seus lábios se contraíram em um sorriso. Eu sabia que ele não estava dormindo.

__ John queria que chamássemos. Mas eu e Mary concordamos que não seria a melhor escolha — abriu os olhos.

__ E como deduziu isso?

__ Você já está mergulhada em problemas, mas tenta esquecê-los, e age como se não existissem. Eu diria que fez algumas escolhas erradas no passado. Chamar a polícia não parecia a escolha mais sensata.

Se ao menos ele soubesse o tipo de escolha que fizeram por mim…

__ E não era.

__ Quando vai me contar o que aconteceu?

__ Quem disse que eu vou contar?

Ele levantou uma sobrancelha.

Eu não podia contar. Isso seria puxá-lo para dentro do redemoinho de problemas e perigos que eu costumo chamar de vida. Deniel disse que Dimitri não quer provas vivas. Se Sherlock souber, estarei colocando-o na linha de fogo da nossa Família.

__ Como conseguiu? Me salvar?

__ Eu tenho os meus métodos.

__ Foi o John, não foi?

Ele maneou a cabeça, com os olhos e afeição indicando que eu havia acertado. Deuses, não sei como poderei agradecê-lo.

__ Por quanto tempo fiquei fora do ar?

__ Uma semana e meia.

Merda. Tempo demais. Dimitri deve saber que sobrevivi. Vão nos caçar, a todos nós. Precisamos sair daqui rápido.

Sherlock se levantou, aproximando-se da cama.

__ Precisamos sair daqui. Eles virão atrás de nós.

__ Durma, Tatiana. Depois vamos pensar no que fazer.

__ Você não está entendendo. Dimitri vai saber que não morri. E agora, vocês também estão no meio disso. И пошел обратно в ад — grunhi, em russo.

__ Acalme-se. Vou pensar em alguma coisa.

__ E, por favor, pare de me chamar de Tatiana. Esse nome não é mais meu.

__ Será mesmo?

Me olhou com aquele par de olhos verdes, que pareciam os de um gato em vigília. Saiu sem dizer mais uma palavra.

Estamos todos em perigo.

Notas finais
Gostaram? Se sim, comentem! Sinto falta de vocês :D A gente se vê no próximo capítulo, até mais o/ Beijinhos da ruiva, Amelia.