Fúnebre Existência
1 Capítulo Único.
Banho-me em um mar carmim, criado a partir de meu próprio sangue. Desilusões se misturam à dor provocada pela lamina prateada em meu pulso. Espero em meu leito de morte a vinda de meu consorte, um amante que não me ama, um alguém que não me quer, que talvez nem se lembre da minha fúnebre existência.
Imagino suas orbes negras a me olhar, olhar esse que nunca chegou a ser de desejo, nem desprezo. Imagino-me em teus braços, que sempre acolheram-me como se eu fosse (apenas) sua irmã. Sofro a cada lembrança, meu coração aperta e, em meio a banheira de água escarlate, lágrimas surgem, impiedosas, me esmagando. Meus cabelos não conseguem esconde-las, minhas mãos estão impuras de mais para que eu as seque. Deixo que a dor, então, consuma minha alma e o resto de minha vida.
Levanto uma de minhas mãos, mas torno a abaixá-la, já não vale mais a pena lutar. A doença já vinha me destruindo a um tempo e agora a angústia devorá-me deixando sucos pelo caminho.
Acendo um cigarro a espera de meu consorte, um amante que não me ama, um alguém que não me quer, que talvez nem se lembre da minha fúnebre existência...
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