Fênix.
3 A verdade é relativa.
Notas iniciais
“Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido
Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer
Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer
Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
E eu vou sobreviver
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber”
Apenas mais uma de amor – Lulu Santos
OLIVER QUEEN
Duas semanas haviam se passado desde minha suposta morte. Maseo continuava cuidando de mim e agora nós começamos a nos movimentar. Voltamos para os EUA, e nos escodemos em um hotel em Seattle. Eu estava louco para entrar em contato com meu time, mas um homem não pode ter dois nomes, e nesse momento, eu não poderia ter nem mesmo um. Minha volta precisava ser lenta e cuidadosa.
–Vai para Starlling comigo? –Pergunto a ele quando me deito para descansar após a viagem.
–Preciso resolver algumas coisas, e agora que serei caçado pela liga, espero conseguir fazê-las antes de ser pego.
–Vai atrás de Tatsu?
–Katana agora, mas sim, passou da hora de ir atrás dela.
–Sabe que se precisar de um lugar para ficar, ou um amigo que lute suas batalhas. Pode me procurar. –Falo a ele com sinceridade. –Não precisa morrer pelas mãos da Liga Maseo.
–Você ainda não entendeu como a Liga dos Assassinos funciona Oliver. Mas suas dividas foram pagas por seu sangue. Ra’s não olhará para sua cidade tão cedo. O que te manterá seguro lá, mas não serei eu o motivo de leva-lo a você mais uma vez.
–Eu queria a ter salvo. –Murmuro pensando em Tatsu que foi levada como escrava pela Tríade, e não gosto de pensar no que deve ter sido feito com ela.
–Sei disso, me lembro de você oferecendo sua vida, mesmo minha mulher odiando você. –Ele dá um sorriso.
–Eu acho que ela não me odiava, não exatamente. Eu era um lembrete de suas dívidas com a ARGUS, e do risco que sua família corria todos os dias.
–Se isso te conforta. –Ele dá de ombros sorrindo. -A verdade é que ela te odiava com todas as forças. –Dou risada fechando meus olhos e limpando minha mente para que pudesse dormir.
Eu estou em casa novamente, posso ouvir o som do riso de Thea. Eu vou em direção a ele e a encontro sentada aos pés da árvore de natal que havia montado em nosso apartamento. Ela parecia feliz. Me sento ao lado dela em silencio, apenas sentindo a sua presença ouvindo sua risada. Vejo seu celular tocar e percebo que era Merlin. Me sinto tentado a toma-lo dela e o lançar contra a parede, então ouço a voz de Felicity em minha mente.
“Você não quer fazer isso. Essa não é a forma certa de lidar com ele.” –Sua voz doce dizia, e tudo o que eu conseguia pensar era, por que inferno a Felicity se tornou a voz da minha consciência? “Eu sempre fui.” –A voz respondeu parecendo sorrir. “Agora seja um bom irmão e fique ao lado dela, aproveite o momento, deixe a briga para outra hora.”
–Felicity?
–O que? Ollie, com quem está falando? –Thea me pergunta divertida. –Já está bêbado o suficiente para ligar para Felicity e dizer que a ama? –Arqueio a Sobrancelha para ela. –Qual é Ollie, todo mundo sabe! –Debocha. –Ela sente o mesmo, deveria ficar com ela!
–Faço isso no dia em que voltar com Roy! –Provoco e ela me olha fingindo estar irritada.
–Okay, vamos cada um cuidar de sua própria vida amorosa! –Conclui me fazendo dar risada.
Acordo e vejo Maseo fazendo sua mala, me sento e percebo que a minha também está pronta. Precisava ouvir a voz de uma das duas o mais urgente possível, precisava contar que estou vivo. Visto a camisa que ele deixou separada ainda com alguma dificuldade e nos sentamos para comer.
–Vamos nos separar agora. –Conta e apesar de preferir leva-lo comigo eu entendo que isso é o certo a ser feito. –Te deixei dinheiro e uma identidade falsa. Precisa ser cuidadoso, mas sei que não tenho que te dizer isso.
–Obrigado Maseo.
–Agora estamos quites. –Sorri com tristeza.
FELICITY SMOAK
Chego na caverna, três semanas sem notícias agora. Roy tenta ser legal comigo e ficar ao meu lado mesmo duvidando que Oliver esteja vivo, não posso pedir mais do que isso dele. Mas sinto que preciso falar com Diggle, o contar o que penso, talvez ele deduza que eu esteja louca, não o culparia por chegar a essa conclusão, mas não poderia esconder mais isso dele.
–Oi. –Sussurro para os dois que treinavam nos fundos. Outra coisa que passou a ser uma tortura para mim, perceber que seriam só os dois naquele tatame agora.
–Como vai Felicity? – Diggle pergunta secando o rosto em uma toalha e vindo em minha direção.
–Bem. –Eu ando monossilábica ultimamente, pois sei que se me permitir falar, vou acabar dizendo a ele minhas teorias e John Diggle com todo seu instinto paternal vai ordenar que me internem!
–Felicity! –Ele se senta à minha frente tentando ver minha face. –Me conta o que está acontecendo. –Vejo a suplica misturada com preocupação em seus olhos escuros.
–Não é nada. -Minto.
–Eu quero ajudar você, preciso ajudar você, não consegue entender? -Diz quase em desespero.
–Eu acho que ele está vivo. –Conto de uma vez só, e vejo a súplica se transformar em tristeza.
–Ele não está. –Sussurra me olhando nos olhos. –Ele te amava Felicity, há mais tempo do que ele mesmo se deu conta. E sabia que você o amava. –Vejo seus olhos se encherem de lágrimas quando ele toma minhas mãos nas suas. –Eu queria um final diferente para a história de vocês, mas Felicity, querida, não posso deixar que você pare de viver, que espere por alguém que não vai mais voltar.
–Mas e se ela estiver certa John? –Roy intervém fazendo com que Dig o olhe irritado.
OLIVER QUEEN
Passei mais uma semana rodando de cidade em cidade, nos arredores de Starlling. Então percebi que já estava na hora, eu precisava voltar. Pego um trem de Central para Starlling e me encolho em um banco afastado, usando boné e moletom com capuz, para evitar ser reconhecido.
Chego em minha cidade pela manhã e acrescento óculos escuros a meu disfarce. A primeira pessoa que vejo é Thea, voltando da boate, estou escondido em um beco próximo a Verdant, ela parece bem, o que me leva a concluir que não contaram nada a ela.
Alguns minutos depois John chega com Roy e mais uma mulher mascarada que cada pedaço do meu corpo me diz que é Laurel. Inferno, eu morro por minha irmã e ela quer se matar depois que a dela foi morta. Não sei por que não simplesmente vou até lá, algo parece me prender onde estou, queria saber primeiro como eles estavam. Laurel é a primeira a ir embora.
Então Diggle sai novamente, ele parecia irritado com algo, como se estivesse prestes a explodir. Ela vem correndo atrás dele em seguida... Meu coração deve ter parado por um segundo. Felicity usava um vestido simples e tinha seus cabelos presos em um rabo, mas os óculos estavam em suas mãos, ela segura o braço de John que suaviza imediatamente o olhar quando se vira para ela. O que estava acontecendo ali afinal? Me aproximo mais um pouco para escutar.
–Felicity, eu quero tanto quanto você acreditar nisso, juro. –Ele falava com ela vendo as lágrimas escorrerem por seu rosto. –Mas Oliver não pode estar vivo. Precisa aceitar isso.
–Eu. Não. Posso! –Protestou e então vejo Roy aparecer e se colocar a frente de Felicity de forma protetora, o que é ridículo pois John nunca seria uma ameaça para ela, mas não posso deixar de me sentir orgulhoso dele pela atitude.
–Ela pode estar certa Dig. –Intervém.
Ela segura em seu braço como se precisasse de apoio, e a vejo passar a mão no rosto secando as lágrimas. Aquilo era o bastante para mim, vou andando em direção a eles. Roy é o primeiro a me ver e por seu olhar espantado me lembro que estou de óculos, boné e o capuz do moletom. Tiro o óculos e o boné, então sua expressão muda de apreensão para espanto.
–Oliver. –Diz boquiaberto.
–É o que estamos falando! –Diggle continua falando sem se virar. –Precisa parar de apoiar Felicity nisso...
–Não Dig. –Roy o interrompe e aponta em minha direção. -Oliver.
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