Férias na Austrália
1 Concurso
Já considerava aquela tarde de sábado mais uma perdida entre tantas na frente do computador, quando eu tive — sim, eu tive! — a brilhante ideia de conferir um concurso de que eu mal lembrava que havia participado — eu participo de muitos concursos, usando o bordão ''a sorte pode estar ao meu lado a qualquer hora'', mas até aquele dia, a única coisa que eu havia ganhado era um conjunto de bibelôs de porcelana da Branca de Neve da igreja, quando eu tinha oito anos -. Como disse, fui conferir a minha sorte: entrei no tal site, cruzei os dedos, olhei para cima, e disse aquele bordão, — não sei porque eu fiz isso — então, com o meu número de participação em mãos, arrisquei a sorte e...
– 4.265.342.427... Conferindo aqui.. 4, 2, 6, 5, — nessa hora já estava eufórica — 3, 4, 2427!!!! Ai meu Deus, eu ganhei!!! Eu Ganhei!
Nessa hora minha mãe entrou no quarto já achando que eu tinha voltado a jogar um jogo pela internet do qual eu era viciada:
– Ah, Angélica, de novo não...
– Mãe, eu ganhei um concurso!! Sabia que eu deveria ter participado daquele concurso no verso do achocolatado!! — disse eu, toda animada com a novidade.
– Mas você ganhou o quê, uma caixa de um achocolatado que você não gosta e que comprou só por causa dessa promoção? — Lá vinha a minha mãe tentando me desanimar, mas a emoção era mais forte do que isso.
– Não, mãe, eu ganhei uma viagem para a Austrália com dois acompanhantes e tudo pago!!
– O quê? Então vamos logo fazer nossas malas que a Austrália é a nossa próxima parada! — nem parece a mesma pessoa, parecia até mais animada que eu, mas..
– Bom, eu já tenho 16 anos, estou de férias... E as minhas amigas também... — disse eu com uma voz de "vai tirando seu cavalinho da chuva".
– Você vai deixar seus pais fora dessa viagem? — ela parecia espantada.
– Como eu disse, eu já tenho 16 anos e eu pretendo levar a Beatriz e a Mariana.
– Tudo bem, eu entendo, mas... — nem parecia ela nessa hora, mas já que ela aceitou, por que não ir se acostumando?
Como um tiro, saí em disparada ao telefone, sem mesmo ouvir a minha mãe terminar o que estava dizendo. Meu coração estava batendo tão forte, que estava a ponto de pular para fora do peito, mas a vontade de ligar para a Bia (a Beatriz, como eu havia dito acima) era maior do que essa frase tão poética que eu prefiro nem repetir.
– Alô. — disse ela com uma voz sonolenta.
– Beatriz, você não vai adivinhar o que aconteceu! — disse eu, sem mesmo dizer um oi ou um bom dia.
– Oi Angélica, tudo bom? O que aconteceu? — parecia que ela tinha perdido o sono com o meu grito ao telefone.
– Nós vamos para a Austrália!!! — como se eu já soubesse que ela iria comigo.
– Quê? — não sei por que, mas ela parecia confusa.
– Eu ganhei um concurso daquele achocolatado ruim que você toma! E o prêmio é uma viagem de duas semanas para a Austrália com tudo pago e mais dois acompanhantes! E você deu sorte, porque a minha mãe queria ir, mas eu quero levar você e a Mariana.
Ela perecia não acreditar, mas com educação, disse:
– Tá, vou ver com o meu pai, espera aí. — como se a Austrália fosse na próxima rua.
Esperei alguns minutos no telefone, e já estava pensando que ela tinha dormido, quando ela voltou à linha.
– Angélica, pode me confirmar aí que eu vou sim!
– Nossa que rápido, — ironia — mas eles já deixaram você ir?
– Ele estava meio dormindo, então eu aproveitei e gravei a conversa, já que ele diz que nunca devemos voltar atrás do que prometemos — e nós aproveitamos.
– Então tá, depois a gente combina tudo. Tchau!
Nem esperei ela dizer tchau e já fui ligando pra Mariana. Bom, com ela foi mais ou menos a mesma coisa: ela não acreditou, daí eu falei da promoção — a diferença é que ela não gravou a conversa dela com o pai — e ela brigou com a família dela falando que ela já está grandinha e sabe se virar, mas eu não tenho nada com isso e só estou me importando mesmo com a presença dela na viagem — e ela disse que iria eles deixando ou não.
Nesse momento, meu pai chegou em casa, e eu aposto que ninguém vai querer ler a mesma história.
Ele não ligou muito, mas disse que não ia pagar nada — sorte que eu economizei para ir num show (e eu nem fui).
Mais à noite, eu liguei o computador novamente para saber onde eu deveria ligar para poder me informar sobre a viagem e anotei as informações de um email que a empresa havia me mandado — eu sou tão lenta, mas nesse dia parecia que eu tinha tomado um balde cheio de energético -. Isso feito, liguei rapidamente para o número que tinha no email e combinamos tudo: dia, passagens, hospedagem.. Então já estava combinado: daí a um mês eu iria viajar. A partir daí eu já podia dizer que eu oficialmente iria á Austrália!
Notas finais
bjs
Fale com o autor