Férias Sobrenaturais
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Depois de deixarmos os ossos de Lily queimar, colocamos a terra de volta, como se nada daquilo tivesse acontecido e voltamos para o carro. Eu fechei a porta e olhei para todos nós. Eu e Dean tinhamos um ou outro arranhado no rosto enquanto Sam, Jessie e Kevin estavam sujos de terra.
-Vamos voltar logo, preciso de um banho urgente. — Jessie disse, fazendo com que Dean ligasse o carro e começasse a andar.
-Espero que não se emportem, mas eu vou dormir, quando chegarmos no hotel me acordem. — Eu disse, encostando a cabeça no vidro do carro e fechando os olhos, já devia ser bem tarde.
Eu provavelmente estava sonhando, mas aquilo parecia muito real. Eu não abri os olhos, só sentia alguém me segurando, como se eu fosse um bebê. Encostei a cabeça no braço dessa pessoa e senti seu cheiro. Não confundiria aquele cheiro com mais ninguém, era o Dean.
Estar ali, nos braços deles, mesmo que em um sonho, era... inexplicável. Eu me sentia segura, como se nada pudesse me tocar, como se ali fosse um campo de força contra qualquer coisa.
Depois de um tempo com ele andando, sai do colo dele e fui colocado no que parecia ser uma cama. Depois de alguns minutos decidi abrir os olhos. Olhei em volta e eu estava no meu quarto de hotel. Jessie dormia na outra cama, com o cabelo todo molhado. Percebi que aquilo não havia sido um sonho.
Levantei da cama, ainda com muito sono, e peguei uma roupa. Eu precisava tomar um banho. Eu tinha ido em um cemitério, lutado com um fantasma, precisava me livrar daquilo. É como quando você está no hospital. Desde pequena minha mãe me ensina que quando se volta de um lugar que tem "más recordações", como um hospital, onde pessoas doentes ficam, pessoas podem morrer, um cemitério, onde pessoas mortas estão enterradas , ou quando você presencia uma morte, você tem que tomar uma banho. É como se o banho te livrasse de toda aquela "má recordação".
Tomei um banho e voltei a deitar na cama, mesmo com o cabelo todo molhado. Fiz o possível para secá-lo com a toalha, mas o sono era tanto que não conseguia fazer grande coisa. Olhei para o relógio antes de apagar, eram cinco horas da manhã. Fechei os olhos e adormeci.
...
Acordei sem nenhum sono. Olhei para o relógio, eram nove horas da manhã. Eu havia dormido muito pouco. Olhei para Jessie, que ainda dormia na cama do outro lado do quarto. Virei para o canto e tentei dormir. Depois de muito me mexer na cama, decidi que eu não ia conseguir dormir.
Levantei e arrumei a cama. Peguei minha mochila e tirei de lá uma calça jeans, uma blusa de manga comprida. Peguei um All Star que eu usava sempre e me troquei. Penteei o cabelo e fiquei totalmente pronta. Sentei na cama com o meu celular e percebi que tinha uma mensagem.
"Ansiosa para te ver hoje quando você chegar! Que horas você vem? Beijos, te amo."
Era da minha mãe. Sentia muito falta daquela maluquinha. Sentia falta, por mais incrível que parecesse, dos meus irmãos, do meu cachorro e como eu sempre digo, do meu chuveiro. Sempre que eu viajo eu falo, "Nada melhor do que nosso próprio chuveiro".
"Não sei... Mas não se preocupa, hoje eu estou em casa. Beijos mãe, te amo." — Eu enviei, sorrindo.
A porta se abriu e era Kevin.
-Kevin... — Sussurrei, tentando evitar acordar Jessie — O que você quer?
-Dean e Sam já estão prontos, quando vocês quiserem ir... — Ele disse.
-Eu vou acordar Jessie e já estamos indo. — Eu disse, forçando um sorriso.
Kevin saiu do quarto e fechou a porta com cuidado, para não fazer barulho. Eu coloquei meu iphone na cama e me levantei. Fui até a cama de Jessie e olhei para ela, que dormia como um bebê.
-Jessie! — Quase gritei, a balançando.
-Que? — Ela disse, tentando me fazer parar de balançar ela. Eu ri.
-Acorda, vamos para casa. — Falei e ela abriu os olhos na hora.
-Casa? — Ela perguntou, arregalando os olhos.
-Sim... Bem eu pretendo convencer os meninos de irmos à algum lugar antes de irmos em bora, mas a viajem é longa, teríamos que ir logo.
No mesmo momento Jessie se levantou e eu também. Ela foi trocar de roupa enquanto eu arrumava a cama dela. Ela saiu do banheiro com uma calça jeans, um tênis, uma blusa e um casaco. O dia estava frio, por isso estávamos agasalhadas. Nós saímos do quarto de hotel, com nossas coisas e descemos.
Encontramos os meninos no saguão do hotel. Eles sorriram ao nos verem.
-Oi. — Dissemos, ao chegar perto deles.
-Vamos? — Sam disse, apontando para o carro.
-Calma. Eu estive pensando. A primeira vez que saímos todos juntos, menos o Kevin, foi indo para um parque de diversão, só que as coisas não deram tão certo... Mas agora, tudo está bem. Podíamos ir lá de novo, para passarmos uma hora juntos e depois eu e Jessie pegávamos um ônibus para casa, porque eu sei que o parque de diversões fica perto da casa de vocês. — Eu disse, feliz.
-Como você sabe? — Dean perguntou — Nós nunca contamos que tínhamos uma casa.
-Eu não sabia, eu chutei qualquer coisa, e pelo jeito, eu acertei. — Disse, sorrindo ainda mais. Eu contagiei Dean, que riu também.
Eles concordaram com a minha ideia, desde que não nos separássemos no parque. Entramos no carro enquanto Sam e Dean pagavam o hotel. Eles voltaram pro carro com uma cara de que tinham ficado pobres.
-Relaxa, nas próximas férias eu vou ser o banco. — Eu disse.
-Ah ta que você vai lembrar... — Kevin disse.
-Cala boca Kevin! — Eu disse e ri depois, contagiando a todos.
Continuamos no carro até chegarmos em outra cidade. Dean dirigiu até o tal parque de diversões. Entramos no estacionamento e depois saímos do carro. Fomos para dentro do parque, que era imenso. Nele tinha todo tipo de brinquedo. Eu ria com a reação do Sam ao ver um palhaço dançando no centro do parque. Dean olhava os aviões com os olhos espantados. Naquele momento eu descobri o medo deles.
Continuamos passear pelo parque. Fomos na montanha-russa várias e várias vezes. Fomos em umas cadeiras que rodavam. Fomos em uma sala de cinema 4D, e várias outras coisas. Nos sentimos crianças novamente.
Na hora do almoço paramos uma lanchonete que tinha dentro do parque e pedimos um hamburguer para cada um.
-Então... Estão gostando? — Eu disse, orgulhosa da minha ideia.
-Sim. Mas precisamos ir. Vocês precisam ir. Para a Jessie chegar em casa pode ser rápido, mas você Annie, precisa pegar dois ônibus para chegar em sua cidade. Pelo menos se você quiser ir com a Jessie precisa né... — Dean disse.
Os hamburgueres chegaram antes que eu pudesse dizer algo. Eu realmente tinha que ir. Se eu quisesse chegar em casa à tempo, precisaria ir logo. Acabamos de comer e fomos até a saída do parque. Todos nos reunimos.
-Então é isso... — Eu disse, tentando forçar um sorriso, que não deu certo.
-Annie... — Sam disse me abraçando — Até as próximas férias. Quer dizer, se eu estiver vivo até lá.
-Nem brinque com isso! — Falei, ao sair do abraço. A brincadeira do Sam fez com que Dean risse da minha reação.
-Até Annie. — Kevin me deu um abraço e depois se afastou de mim, junto com Sam.
Jessie deixou eu e Dean à sozinhos, para que pudéssemos nos despedir.
-Dean... — Eu disse, o abraçando — É horrível ter que dizer adeus. — Disse, deixando lágrimas escorrerem.
-Eu sei... — Ele disse, saindo do meu abraço — Mas não chora. Nós nos veremos outra vez, eu espero. — Ele limpou minhas lágrimas.
-Eu também espero...
-Vamos tentar manter contato. Mas vai ser difícil. São muitos casos para eu resolver, não consigo ficar no celular nem computador...
-A gente faz o possível Dean. — Eu o interrompi.
-É. — Ele concordou.
Depois de alguns segundos em silêncio eu não aguentei. Eu não sabia se aquilo era verdade, mas eu precisava dizer.
-Dean... Eu te amo. — Eu disse, tirando um peso de mim.
Dean ficou sem palavras. Ele simplesmente me olhou com aqueles olhos verdes e me beijou. Foi um beijo diferente, um beijo que ele tentou fazer com que compensasse todo tempo que passaríamos separados. Eu sabia que não iria compensar, mas ele tentou, e transformou aquele beijo, no melhor que eu já havia dado.
Nos separamos e eu olhei por cima do ombro de Dean. Olhei bem e vi que Jessie e Sam estavam se beijando. Kevin estava em uma sorveteria não muito longe dali. Eu sorri ao ver aquele beijo deles. Dean viu minha reação e se virou.?
-Tinha que ser meu irmão... — Dean disse, sorrindo.
-Ei! — Eu disse, batendo no ombro de Dean.
Jessie se soltou de Sam e se virou. Ela riu e veio até mim.
-Annie, vamos?
-Vamos.
Eu olhei para Dean, mas quando vi Jessie já me puxava para longe dali. Olhei para frente e comecei a andar. Jessie levava uma bolsa, onde ficaria o dinheiro da nossa passagem e eu nossa mochila nas costas.
Fomos até uma rua onde pegamos um táxi até a rodoviária. Chegamos na rodoviária compramos uma passagem. Não demorou muito e eu nós entramos no ônibus. A viajem até a cidade de Letícia foi rápida. Nós descemos no ônibus e ela me acompanhou para comprar outra passagem, agora para a minha cidade. Compramos as passagens e chegou a hora de dizer adeus.
-Annie, obrigada. — Ela disse, sorrindo.
-Obrigada você Jessie. Graças a você eu tive as melhores férias da minha vida. — Eu a abracei bem forte — Até as próximas.
-Eu te amo prima. — Ela disse, ainda me abraçando.
-Também te amo.
Sai do abraço e fui em direção ao próximo ônibus, agora eu iria para casa, minha casa. Eu estava com saudades de casa. Entrei no ônibus e encostei a cabeça no vidro. Fiquei olhando enquanto ele deixava a rodoviária.
De repente uma mensagem chega em meu celular interrompendo meus pensamentos. Era do Dean.
"Eu também te amo"
Sorri de orelha à orelha ao ver aquela mensagem. Ela alegrou o meu dia. Finalmente aquele frase famosa fazia sentido. "Uma simples mensagem pode mudar o seu dia".
O resto da viajem eu passei dormindo. Não sonhei com nada, simplesmente apaguei. Eu acordei e olhei pela janela. Vi um prédio e reconheci na hora. Desde pequena, sempre que eu via aquele prédio eu sabia que estava chegando. Eu o chamava de "A Estande de Livros" pois o prédio era tão grande e tinha tantas janelas que de longe você confundia facilmente com uma estante de livro gigante.
Quando percebi que estava chegando peguei a minha mochila que estava na cadeira ao meu lado e me preparei. O ônibus parou e eu levantei. Sai dele e sorri ao ver a minha cidade de novo. Andei até o lado de fora da rodoviária. Peguei rapidamente um táxi. Entrei no taxí e mandei uma mensagem para minha mãe, avisando que estava chegando.
O táxi parou em frente à minha casa. Um pequeno prédio de grade vermelha. Sai do táxi e paguei o motorista. Andei até o portão e disquei o número do meu apartamente no interfone. Sorri ao ouvir a voz de meu irmão atendendo o interfone.
Ele abriu o portão e eu entrei. Havia quatro andares no prédio e não tinha elevador. Você ouvia os latidos do meu cachorro sem problemas da calçada.
Depois de subir toda aquela escadaria me deparei com a porta aberta de casa. Entrei em casa e taquei a mochila no sofá. Rapidamente Mike, meu cachorro, veio para cima de mim, pulando e pedindo carinho. Fechei a porta e sentei no sofá para fazer carinho nele.
De repente minha mãe sai do corredor de casa e vem me ver.
-Annie! Que saudades minha filha! — Ela abre os braços.
Eu levantei do sofá e a dei um abraço, que recompensou todas as vezes que eu pensava que podia não voltar para casa. Sai do abraço dela e olhei em volta pela casa, quando ouço "Filho da mãe! Eu atirei nele primeiro!". Foi naquele momento que eu confirmei que meus irmãos estavam em casa. Sempre gritando por causa do video game. Eu não iria demonstrar que eu estava com saudades.
Passei pelo corredor e parei na porta deles, como eu sempre faço. Olhei para eles, que parecem que não se mexem, sempre iguais, nos mesmos lugares. Um no video game, outro no computador. Voltei para a sala.
-Annie, vou ali comprar um pão para o lanche, você vem? — Minha mãe disse. Foi quando eu percebi que já eram sete e meia da noite.
-Não... Quero ficar em casa. Matar as saudades. — Respondi.
Minha mãe saiu de casa. Eu entrei no quarto e pulei na minha cama. Que saudades havia sentido daquela cama. Eu tinha sentido muitas saudades da minha casa, das minhas coisas, de tudo. Mas eu sabia que eu ia sentir falta deles. Do Dean, do Sam, do Kevin e da Jessie. Eles haviam tornado as minhas férias uma coisa maluca, mas boa, divertida. Minhas férias foram únicas. Minhas férias foram... foram como... Foram como umas Férias Sobrenaturais.
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