Félix & Niko - Dias Inesquecíveis
40 A realização de um sonho - O Presente Antecipado
Notas iniciais
Niko chegou em sua casa depois de mais um dia de trabalho. Cansado, foi direto aos quartos dos filhos. Jayme já dormia e ele lhe deu um beijinho de boa noite e ajeitou seu cobertor. Depois, foi ver Fabrício no berço. O pequeno também dormia tranquilamente e ele não acordava tão fácil, para alegria de Niko que estava exausto aquela noite.
– Boa noite, seu Niko! Aconteceu alguma coisa? – Falou Adriana que estava na cozinha e notou a aparência cansada do patrão quando este foi até lá.
– Hã... Ah, boa noite, Adriana! Não, não aconteceu nada... Aliás, aconteceu sim! O restaurante lotou hoje! Nunca vi tanta gente de uma vez só! Mas, o shopping todo estava com promoções, aí o pessoal aproveitou, todo mundo, pra comer comida japonesa, acredita?! Bom, pelo menos foi bom para os negócios! Lucramos bastante, mas eu tô morto! Vou cair na cama e dormir feito uma pedra...
– Ahh... Sei não... – Adriana olhou para o lado.
– Sabe não o que?
– Nada não, seu Niko! É... Boa noite, viu!
Adriana se retirou e Niko ficou estranhando sua reação, mas estava cansado demais até para pensar, só tomou um copo d’água e foi direto para seu quarto. Chegando lá, sentou-se na cama e depressa tirou a calça e os sapatos que saíram junto, jogou a camisa de lado, quando, de repente, sentiu duas mãos grandes e quentes tocarem seus ombros. Virou num susto.
– Félix?!
– Oi, meu carneirinho!
– O que tá fazendo aqui?
– O que você acha?! Estava te esperando! Até parece que não gostou...
Niko sorriu. – Ai Félix, desculpa amor... – Ele o abraçou. – Eu adorei que você tenha vindo e me esperado, o problema é que...
– É que o quê?
– É que eu estou tão cansado, Félix!
Félix pôs os braços em volta de seu pescoço e perguntou com um sorrisinho malicioso:
– Cansado até pra mim?!
Niko apenas confirmou com a cabeça e com os olhos como se pedissem desculpas. Mesmo assim, Félix sentou em seu colo e o beijou. O beijo foi se intensificando, mas Niko parou.
– Félix, meu amor, é sério... Hoje não dá!
– Ah carneirinho, eu devo ter feito uma torta com o fruto proibido pra você estar me rejeitando agora!
– Félix, não fala isso, eu não estou te rejeitando, você sabe que eu nunca recuso um convite seu, mas... É que estou mesmo muito cansado, meu corpo está todo dolorido, Félix! Meus braços doem, minhas costas doem, até embaixo dos meus pés tá doendo... O restaurante estava lotado hoje! Desculpa amor...
Félix nunca poderia ficar chateado com aqueles olhinhos verdes tão sinceros e aquele rostinho angelical lhe pedindo desculpas.
– Own... Carneirinho, como pode você ser tão fofo, hein?! – Disse lhe fazendo um carinho no rosto. – Tudo bem, eu entendo, mas, vai, deita aí, eu tive uma ideia...
– Que ideia?!
– Vou te fazer uma massagem pra você relaxar!
– Ahn... Sério?! Que coisa boa!
Niko deitou de bruços e Félix se ajoelhou apoiando-se em seus quadris. Ele começou a passar as mãos pelas suas costas, pressionando levemente seus ombros e fazendo em seguida movimentos circulares com os dedos.
Niko gemia baixinho com os olhos fechados, enquanto Félix seguia com a massagem.
– Como você está tenso, carneirinho!
– Você já está tirando toda minha tensão, Félix!
Félix gostou de ouvir aquilo. Ele ainda não havia desistido de dormir na cama do seu carneirinho aquela noite.
– Já que você disse que está com o corpo inteiro tenso... Deixa eu continuar a massagem então...
Félix virou na cama e ainda ajoelhado se esticou até alcançar os pés de Niko, quase deitando sobre suas pernas. Ele começou com uma massagem nos pés, que foi subindo lentamente pelas pernas até as coxas. Então, ele virou de novo e deslizou as mãos pelos quadris de Niko, subindo pelas costas até voltar aos ombros. Félix ia se debruçando em cima dele enquanto passava a massagear seus braços. Quando já estava quase que completamente deitado sobre Niko, Félix sussurrou em seu ouvido:
– E agora, carneirinho... Ainda está cansado?
Sem resposta. Félix olhou para seu rosto. Niko estava dormindo profundamente. Já estava ressonando.
Félix saiu de cima dele e levou as mãos à cintura. – Mas... O que será que eu fiz pra merecer um carneirinho assim?! – Ele sentou ao seu lado e o olhou seu rosto enquanto dormia. Já o tinha visto dormindo muitas vezes, mas nunca deixava de admirá-lo.
– Como é lindo... Eu ganhei na loteria... – Félix suspirou sorrindo. – Ah Niko... Você é um sonho! – Deitou-se ao seu lado e lhe cobriu, dizendo: — Espero poder realizar todos os seus sonhos, meu amado carneirinho! – Deu-lhe um beijo no rosto e dormiu ao seu lado.
_____
Pela manhã, Félix acordou primeiro que Niko. Levantou e foi até a cozinha. Adriana estava lá.
– Bom dia, seu Félix! Acordou cedo...
– Pois é! Seu patrão carneirinho é que ainda está lá... Deitou e dormiu feito uma pedra!
– Bem que o seu Niko disse ontem que tava cansado e que ia capotar e dormir! Eu achei que não, já que o senhor tava aí...
Félix riu. – Ai criatura, eu não queria, mas o coitado do carneirinho estava um caco ontem... Enfim... – Ele parou por um instante e a observou preparando a mamadeira de Fabrício e perguntou: — É... Adriana me responde uma coisa? Você moraria em outra cidade para continuar com seu trabalho?
– Em outra cidade? Como assim, seu Félix?!
– Digo... Tem algo que te impeça de sair daqui de São Paulo, ou você iria morar em outra cidade pra continuar cuidando do Fabrício e do Jayminho, se fosse o caso?
– Ah... Bom, não tem nada que me impeça não! Eu já morei em outras cidades justamente por causa de trabalho! Fora, que meus parentes estão todos por aí espalhados pelo interior do Brasil afora! Eu não tenho ninguém aqui em São Paulo, não! Mas, o seu Niko tá pensando em se mudar, é?!
– Na verdade... Nós estamos pensando! Estamos planejando morar juntos e minha família tem uma casa em Angra e eu estou pensando seriamente em levar o Niko e os meninos para morarem lá! Como a casa é bem grande, e teríamos que trabalhar, além de que eu vou levar meu pai também, bom, vamos continuar precisando de uma babá, e claro, que pensamos em você! Seria muito difícil contratar alguém de confiança, tem tanta babá incompetente no mercado né... E os meninos já estão tão acostumados com você...
– Puxa! Seu Félix... Eu fico até emocionada em saber disso... Que vocês confiam em mim... Que o senhor e o seu Niko vão morar juntos, finalmente...
Félix riu de novo. – É sim, já estava na hora né?! Mas, então, se a gente for você vai para continuar cuidando dos filhotes do carneirinho?!
– Ah, mas com certeza que eu vou, seu Félix! Eu gosto demais desses meninos...
– Ótimo! Meus planos estão indo bem... Ah, e vou logo te avisando, não marque nada para o final de semana, você vai ficar com os meninos!
– Tá bem... O fim de semana inteiro?
– É! Eu estou planejando uma viagem... Muito especial...
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No quarto, Niko acordou mais relaxado do que de costume. Também um pouco mais tarde. Olhou para o relógio e levantou num pulo. Olhou para o lado e viu o outro travesseiro amassado e, então, lembrou que Félix esteve lá. Que ele lhe esperou chegar à noite, que lhe fez uma maravilhosa massagem, e que...
– Ah... Eu acabei dormindo! Será que o Félix foi embora?! Ah, que pena...
Antes que Niko pudesse se preocupar mais, Félix entrou em seu quarto.
– Bom dia, dorminhoco...
Niko pulou em seus braços antes que acabasse a frase.
– Félix, meu amor! Pensei que você tivesse ido embora! Você estava me fazendo uma massagem tão boa, e eu caí no sono...
Félix sorria lhe abraçando. – Sem problema, carneirinho! Mas, não faça mais isso, me deixou na vontade...
– Ah, meu amor... Me desculpa?! – Niko segurou em seu rosto e lhe deu o que Félix mais queria: um beijo quente e apaixonado.
Quando pararam, Félix suspirou profundamente. – Ai ai... Desse jeito eu perdoo qualquer coisa, carneirinho!
Niko riu e começou a se vestir para sair.
– Ei... Aonde você pensa que vai?! – Perguntou Félix. – Ainda tem que me pedir mais algumas desculpas...
– Ai Félix, não é pra tanto... Você viu como eu estava cansado ontem! Eu tenho que ver se o Jayminho já acordou para ir à escola, tenho que ver o Fabrício antes de ir ao restaurante...
– Carneirinho, a Adriana está cuidando deles, eu vi que ela já estava fazendo a mamadeira do Fabrício e ela já deve ter acordado o Jayminho...
– Mas, Félix, são meus filhos, eu preciso vê-los, tenho que ficar com eles...
Félix ficou calado de repente. Niko estranhou sua reação e perguntou: — Eu disse alguma coisa errada?
– Não, não carneirinho... Só quero pensar um pouco...
– Pensar em quê?!
– Depois te digo...
– Não vem tomar café?!
– Hum... Não, pode ir! Vai lá ficar com seus filhos, você tem razão...
Niko saiu incerto se Félix tinha se chateado. De qualquer maneira, Niko estava sendo sincero, ele tinha que ficar um tempinho com seus filhos.
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No quarto, Félix foi até a porta. Abriu o mínimo possível, apenas o suficiente para que pudesse espiar aquela cena familiar mais uma vez, como em tantos outros dias que já tinha tomado café da manhã na casa de seu carneirinho, acompanhado por seus filhos. Aquela cena doméstica que começou como uma coisa tão engraçada para Félix e foi se tornando uma coisa tão séria, até sublime.
Poucos meses atrás, no aniversário de Félix, ele já havia falado que pretendia levar Niko e os filhos para morarem na casa de praia dos Khoury. Ele estava disposto a conviver com aquela família que ele aprendeu a amar. E amava como ele jamais imaginou que amaria. Todos os meses que passou namorando seu carneirinho serviram para que ele se acostumasse com aquelas cenas e gostasse tanto, que desejasse viver aquilo mais vezes. Quem sabe, por todos os dias de sua vida. Ele sabia que não seria nada fácil, mas estava disposto a tudo para ver quem ele amava feliz. E, por que não, provar também um pouco da felicidade.
Quando Jayminho estava prestes a sair para a escola, ele parou e perguntou:
– Pai, porque o Félix não tomou café com a gente hoje?
Niko ficou surpreso com a pergunta. – É... Você gosta quando o Félix fica aqui com a gente, filho?
– Gosto, eu gosto dele! Ele é muito legal! Ontem à noite ele veio esperar você chegar e eu tinha acabado de fazer meu dever de matemática! Ele pediu pra olhar e disse que estava errado e me ensinou como fazer direito!
– Sério filho?! – Niko já estava ficando emocionado com o que havia acabado de saber.
– É! O Félix sabe de tudo! Quando eu crescer quero ficar inteligente feito ele!
Niko gostava cada vez mais do que estava ouvindo. Ele se lembrou da conversa que tiveram no aniversário de Félix, e achou que era hora de fazer uma pergunta ao filho.
– Filho... Se, um dia, nós nos mudássemos dessa casa para uma casa maior, em outro lugar e o Félix fosse morar com a gente... Você ia gostar?
Jayme pensou e num instante respondeu: — Claro! Eu queria que o Félix ficasse mais tempo com a gente!
Niko não pôde conter um sorriso maravilhado com a resposta do filho.
Do quarto, Félix continuava vendo e ouvindo tudo pela fresta da porta e também estava maravilhado com o que Jayminho disse sobre ele.
– Que bom saber disso, meu filho... Olha só, sua van já chegou, vai lá senão você se atrasa! Depois a gente conversa mais tá bom?!
– Tá... Tchau, papai!
Jayminho se despediu e saiu. Niko foi, então, ao quarto de Fabrício.
No quarto de Niko, Félix deitou na cama e, com os braços cruzados atrás da cabeça, deixou sua imaginação voar. Imaginou as palavras que Jayminho falou antes de sair... Tchau, papai... E se imaginou no lugar de Niko ouvindo isso.
Quando Jonathan era pequeno ele nem ligava para isso, nem lembra se um dia ouviu seu filho se despedir assim antes de ir à escola. Mas, ainda sem explicação, não sabia por que sentia vontade de ver os filhos do seu amado carneirinho lhe chamarem assim, lhe chamarem de pai.
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Niko voltou para o quarto alguns minutos depois levando Fabrício.
– Olha quem veio te ver, Félix!
– Fabrício! – Félix levantou rapidamente e o pegou.
Sentou na cama colocando Fabrício no colo. Começou a brincar com ele e com o chocalho que Niko levou junto. Logo o pequeno estava dando risadinhas com as brincadeiras de Félix. Niko simplesmente adorava ver aquilo.
– Viu só, Félix?!
– Vi o quê?
– Viu que eu estava certo quando te disse que ninguém tem cara de família?! Que a gente forma uma família?!
Félix fitou aqueles olhos verdes por um instante. Sorriu e perguntou:
– Quer dizer que a gente forma uma família?!
– É!
– Então, como a sua já esta completa... Eu posso entrar?
Niko sorriu. – Está falando sério?!
– Carneirinho... Eu acho que eu já venho falando bem sério disso há um bom tempo, não?! Você disse que iria para onde eu fosse... Eu quero te levar comigo! – Ele olhou para Fabrício e completou: — Levar sua família...
Niko abraçou os dois ao mesmo tempo. — Para ser sua família também?
Félix suspirou profundamente pensando em todas as responsabilidades que sua resposta implicaria. Mas, ele tinha que responder o que mais desejava.
– Sim, carneirinho... Eu quero ser parte da sua família!
Aquilo soou quase como um pedido de casamento para Niko, que encheu os olhos de lágrimas e o beijou ao dizer:
– Você já é!
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No dia seguinte, sexta-feira, Félix chegou à noite ao restaurante.
– Carneirinho... Já vi que hoje não tem tanto movimento...
– Não, hoje está bem mais calmo!
– Então hoje você está descansado?!
– Estou... Por quê?!
– Por que eu vim te raptar!
– Me raptar, Félix?! — Niko deu um sorriso tímido e malicioso ao mesmo tempo. — Para onde?!
– Bom, é o seguinte... Eu vou te levar na sua casa para você se despedir dos garotos e pedir para a Adriana cuidar deles e tudo mais que quiser fazer antes de eu te sequestrar!
– Tá... Mas, você não disse ainda pra onde vai me levar depois!
– E onde já se viu o sequestrador falar aonde vai levar o sequestrado?
– Vai Félix...
– Não vou dizer, é uma surpresa! Que é? Pensa que só você pode fazer surpresinhas pra mim, como fez no meu aniversário? Nã nã ni nã não, carneirinho... Eu também gosto de fazer minhas surpresas! Principalmente, quando sei que está se aproximando o aniversário de certo alguém...
Niko se surpreendeu tanto que logo saiu de detrás do balcão e abraçou seu amado.
– Ah Félix, não acredito! Como você sabe que meu aniversário está próximo?!
– Ah carneirinho, já fui muitas vezes ao seu quarto né?! Tive tempo de remexer em suas coisas...
Ambos riram. – Na verdade, Niko, eu vi sua certidão de nascimento, pronto, falei!
– E como você encontrou minha certidão?
– Ué, bisbilhotando no seu quarto, já falei! Foi assim... Eu vi aqui no shopping outro dia uma camisa que era sua cara, mas fiquei em dúvida quanto ao tamanho, porque você é assim meio rechonchudo...
– Félix!
– Ok, não te chamo de rechonchudo! Como você prefere? Fofinho?
– Ah não, fofinho é pior...
– E como quer que eu te chame? Você está levemente acima do peso...
– Félix! Quer parar de falar do meu peso e continuar a história!
– Tá bom! Então, você não é rechonchudo nem fofinho... É gostoso! Tá bom, assim?!
– Por mim está ótimo! Mas, continua ora...
– Então, eu fiquei em dúvida quanto ao tamanho de suas camisas e outro dia enquanto te esperava fui dar uma olhada no seu guarda-roupa e, como todo mundo guarda alguns segredinhos na última gaveta... Eu fiquei curioso pra ver se você não guardava, por acaso, uma foto da lacraia ou de algum homem bonito pra variar...
– Ai, Félix... Só você pra achar que eu ia guardar fotos de homens na gaveta...
– Que é carneirinho, eu sou muito imaginativo... Enfim, eu abri a gaveta e, ainda bem que não tinha foto de ninguém, só sua, e vi que você guardava um monte de documentos lá e olhei alguns! Foi isso! Vi sua certidão... Ah, e também vi uma foto de quando você era pequeno... – Félix apertou sua bochecha. — Que carneirinho mais lindo!
– Ah para... – Niko ficou corado.
– Não fica vermelhinho, carneirinho, é a verdade! Você sempre foi lindo! Agora vamos que temos que descansar antes da viagem...
– Viagem? Que viagem?
– Niko, eu não acabei de dizer que vou te raptar criatura?! Eu falei seriíssimo...
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Foram para a casa de Niko. Antes de descerem do carro, Félix pegou uma pasta com alguns papéis.
– Carneirinho, você confia em mim?
– Que pergunta, Félix! Claro que confio!
– Confia a ponto de assinar um papel sem ler!
– É... Sim, Félix! Eu confio em você, sei que você não me faria mal algum, não me prejudicaria... Mas, de que se trata esse papel?
Félix pigarreou e falou: — É uma coisa muito importante... Para nosso futuro, Niko!
– Nosso... Futuro?!
– Nosso futuro! Se você confia tanto em mim a ponto de achar que eu posso te proporcionar, a você e a seus filhos, um futuro digno... – Ele o entregou uma caneta e abriu a pasta. – Assina aqui!
Niko pegou a caneta e ficou olhando sem entender. Fitou os olhos de Félix por um minuto e sorriu para ele, assinando os papéis que estavam em suas mãos.
O próprio Félix não acreditava que alguém pudesse confiar tanto nele assim.
– Você assinou mesmo, Niko?
– Félix, eu confio em você!
Ele o olhou e suspirou. – Eu achei que você fosse desconfiar de eu te pedir isso assim... Ou que não fosse querer assinar por precaução...
– Eu assinei justamente por precaução, Félix! Se você diz que isso é importante para o nosso futuro, eu quero garantir que esse futuro seja nosso! – Niko pegou em sua mão. Félix sorriu.
– E se... Se isso fosse um contrato dizendo que você passaria todos os seus bens pra mim?! Hein?! Você não pode assinar mais nada sem ver, carneirinho...
Sem soltar a mão de Félix, Niko o interrompeu. — Félix, eu só assinei sem ler, por que estava em suas mãos... Eu sei que você não faria mal algum a mim nem a meus filhos, você os ama, eu sei... E me ama, não é?! – Niko acabou a frase com o mesmo sorriso tímido.
Félix também sorriu e beijou sua mão. – Às vezes, eu te acho ingênuo, carneirinho... Mas, você sabe o que diz!
Niko entendeu que esse era o jeito de Félix dizer “é claro que te amo”.
Entraram em casa e Félix foi logo se pronunciando.
– Jayminho, Adriana, e Fabrício também apesar de não entender ainda, eu quero comunicar que vou sequestrar o carneirinho aqui por um dia, ou dois, quem sabe...
– Pra onde vai levar meu pai, Félix? – Perguntou Jayminho.
Félix riu. – Tô brincando, Jayminho! Não vou sequestrá-lo, nós só vamos viajar por um ou dois dias, tá bem?!
Jayme entendeu, mas Niko não. – Félix... Um ou dois dias? Você vai me levar para outro lugar?!
– Carneirinho, querido, se é uma viagem supõe-se que seja para outro lugar, não acha?!
Niko continuava confuso. – Ah, s-sim... Mas...
– Vamos, Niko, deixa dessa cara de bobo e dá um beijo nos meninos, nós vamos agora!
– Agora?!
– Agora! Eu não quero ficar a madrugada inteira dirigindo!
– Mas... Mas... Félix, eu não arrumei nada...
– Não precisa! Eu já vim aqui antes e pedi pra Adriana me ajudar a arrumar uma mala pra você, não vai precisar de muita coisa... Já tenho tudo pronto... Vamos, senão fica muito tarde!
– Mas...
– Sem “mas”, carneirinho! Quer ir ou não?!
– Quero...
– Então, vamos, sem discussões! – Félix o puxou pela mão para fora.
– Espera Félix, eu não sei o que você está aprontando, então deixa eu dar outro beijo nos meus filhos! – Niko se despediu outra vez dos meninos e de Adriana e saiu com Félix que não soltava sua mão por nada.
Entraram no carro e partiram.
_____
Algum tempo depois...
– É... Félix... Para onde você está me levando, hein?!
– Já me fez essa pergunta vinte vezes, carneirinho! Não disse que confia em mim? Então? Relaxa e admira a paisagem...
– Mas, a noite não tem muito que ver...
– Olha a estrada, então...
– Essa estrada...
– Reconhece essa estrada, carneirinho?! — Perguntou sorrindo.
– É a estrada em que nós passamos quando fomos a Angra resgatar o Fabrício...
Félix balançou a cabeça confirmando e Niko se tocou na hora.
– Félix, nós estamos indo para Angra dos Reis?!
– Aham... Estamos sim, carneirinho! Até que enfim você percebeu! E você sabe por quê?!
– Nem imagino...
– Ai carneirinho, às vezes você é lento, viu! O que foi que eu te disse que tem em Angra?
– Hã... – Niko pensou um pouco e logo lembrou. – A casa de praia da sua família?!
– Sim... E lembra quando te falei sobre meus planos?!
– Claro que lembro! Eu adorei... – Niko pausou e olhou para Félix. – Félix, você está me levando...
– Para a casa de praia em Angra! É, carneirinho, eu quero que você conheça nossa futura casa!
Niko levou a mão à boca com a surpresa e se emocionou.
– Que lindo!
– Lindo? Ah, eu sei que sou...
– Não, seu bobo... Bom, você também é, mas eu estou falando do que você disse... Foi lindo te ouvir dizer “nossa futura casa”!
Félix levantou a mão direita do volante para pegar na mão de Niko. De mãos dadas, Félix disse:
– Quero ser digno de construir um futuro com você, e seus filhos, nessa nova casa... Um verdadeiro lar! Como dizem: casa nova, vida nova!
– Um verdadeiro lar... Félix, isso é o que eu mais quero com você! Um lar, uma família... Nossa família!
_____
Algumas horas depois chegaram a um local perto da praia. Félix estacionou o carro e desceu.
– Já chegamos Félix?
– Já... Chegamos onde eu queria! Desce!
Niko desceu e olhou em volta. Não tinha nenhuma casa.
– Félix, que brincadeira é essa? Cadê a casa?
– A casa fica aqui perto, mas eu não te trouxe primeiro para a casa...
– Então?!
Félix pegou em sua mão e perguntou: — Não quer caminhar um pouco comigo na praia, antes do sol nascer?
Niko não podia resistir àqueles olhos sedutores fitando os seus.
– Adoraria!
– Então vem, meu carneirinho!
_____
Andaram um pouco pela praia, de mãos dadas, mas, apesar de estar achando aquilo muito romântico, Niko ainda estava curioso.
– Essa eu não entendi, Félix!
– O que você não entende agora, carneirinho?
– Você me trouxe aqui só para passearmos na praia sob a luz do luar? Você não é assim tão romântico...
– Ué, não posso ser?
– Claro que pode... Aliás, deve! Adoro quando você é romântico! – Eles pararam na beira do mar e Niko o beijou.
– Sabe, carneirinho... Na verdade, eu queria sentir essa sensação...
– Que sensação?
– De estar com você, aqui, à beira-mar... Poderemos fazer isso muito mais vezes depois de nos mudarmos pra cá... Durante todos os dias em que estivermos juntos...
– Então... Vamos fazer isso pelo resto de nossas vidas!
Fitaram os olhos um do outro, iluminados apenas pela luz da lua.
– Como pode ter tanta certeza que ficaremos juntos pelo resto de nossas vidas?
– Simples... Eu tenho certeza do meu amor por você, tenho certeza do seu amor por mim, e tenho certeza que nada será forte o suficiente para nos separar! – Niko sorriu. — Meu maior sonho, Félix, é ser seu carneirinho por todos os dias da minha vida!
Félix suspirou profundamente, emocionado. — Eu espero realizar todos os seus sonhos... Meu amor!
Aquilo fez os olhos de Niko brilharem mais. Para Félix, brilhavam como nunca. Eles se beijaram e entregaram-se ao amor e à paixão lá mesmo na praia.
Depois de algum tempo, viam o sol começar a surgir no horizonte, iluminando o mar. Estava quente e aproveitaram para tomar um banho de mar e tirar a areia do corpo. E então, continuaram a caminhada.
_____
Andaram só mais um pouco até que Félix parou.
– Por que parou aqui, Félix?
– Para te dar meu presente! Adiantado para seu aniversário, mas um presente... Para realizar um sonho teu!
– Um sonho?
– Fecha os olhos!
Niko fechou e Félix segurou seu rosto com uma das mãos e o beijou. Com a outra mão em suas costas, foi girando com ele enquanto o beijava, dando uns passos, até que parou e disse:
– Pronto! Pode abrir os olhos... Aqui está seu presente!
Niko abriu e só viu Félix a sua frente. – Você?! — Niko riu. – Você é mesmo meu melhor presente, Félix!
Félix lhe fez um carinho no rosto.
– Ai, eu sei, bobinho... Mas, não reparou atrás de mim?
Félix saiu da frente dele e Niko viu. Atrás deles havia um local grande e bonito, na beira da praia. Não parecia uma casa, mas sim um estabelecimento comercial.
– Que lugar é este, Félix?
– Gostou?
– É... Achei lindo... Mas, isso não uma casa!
– Ai Niko, eu devo ter feito um chapéu de praia com a palha da manjedoura para você confundir isso com uma casa!
– Mas, eu não confundi, sei muito bem que isso não é uma casa... Mas, o que é?
– Olha bem! Está bem vazio e desarrumado agora, mas, pensa no que esse lugar pode ser...
– Pode ser, sei lá, um... – Niko arregalou os olhos ao pensar na possibilidade. – Um... Um r-restaurante?!
Ele olhou para Félix e sua surpresa virou certeza ao ver um sorriso surgir no rosto do amado.
– Sim, Niko... Esse lugar vai se tornar seu... Ou melhor, nosso novo restaurante!
Niko gritou, pulando em seus braços.
– Ah! Félix! Meu amor! Não acredito! Mas... Mas, como?!
Félix não conseguia parar de rir vendo a felicidade de seu carneirinho. Pegou em sua mão e o levou para dentro.
– Olha só, ainda bem que você não viu a chave no meu bolso... – Félix pegou uma chave e abriu a porta do estabelecimento. – Entra!
Niko entrou e Félix foi logo atrás, fechando a porta. O loiro olhava para todos os cantos como se fosse um garoto vendo um lugar encantado.
– Está completamente vazio agora, mas, imagina quando isso aqui estiver cheio de mesas, o balcão ali onde você vai ficar todo poderoso cortando peixe...
Félix parou de falar ao ouvir Niko chorando.
– É... Eu... Eu estou sem palavras, Félix! Como você... Você alugou, comprou esse lugar? Como foi...
Félix pôs os braços em volta de seu pescoço.
– Lembra aqueles papéis que eu fiz você assinar?! É o contrato de compra e venda deste imóvel, que agora é seu... E meu! Somos sócios, carneirinho! Eu serei seu administrador ou gerente, como queira... E você vai ver, juntos, vamos fazer disso aqui o melhor restaurante de comida japonesa de Angra!
Niko não parava de olhar para aqueles olhos castanhos. Dos seus, ainda rolavam lágrimas.
Félix passou as mãos em seu rosto enxugando suas lágrimas, dizendo:
– Não chora, carneirinho! Eu quero te ver feliz!
Niko sorriu. – São lágrimas de felicidade, Félix!
Niko tomou a iniciativa de beijá-lo até que perdessem o fôlego.
– Sabe, o que eu mais gostei em tudo que você disse? Uma só palavra!
– Qual palavra, carneirinho?
– Juntos!
Ambos sorriram. Niko completou:
– Juntos como estamos agora! Apenas com isto, você já está transformando meu maior sonho em realidade!
...
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